Perfil da Unidade

PARA COMMANDOS - ÍNDIA


Durante a Guerra contra o Paquistão em 1965 a Índia criou uma unidade commando ad hoc formada por voluntários de vários regimentos de infantaria e organizada pelo Tenente Coronel Megh Singh da Brigada de Guardas. Esta unidade recebeu o nome de Meghdoot Force, e se saiu muito bem em combate.

Em junho de 1966 o Governo indiano autorizou ao Regimento de Pára-quedistas forma uma unidade permanente de Commandos. A unidade se chamou 9º Batalhão, e era comandada pelo Tenente Coronel Megh Singh e formada por antigos membros da Meghdoot Force.

Em junho de 1967 elementos do 9º Batalhão formaram um segundo batalhão, designado 10º Batalhão em Gwalior. Pouco depois em julho de 1967 homens do 9º Batalhão operaram nas montanhas do norte e homens do 10º Batalhão operaram no deserto ocidental. Em 1969 esses batalhões foram renomeados 9 e 10 Para Commando batalhões.

Os Para Commandos tiveram o seu primeiro teste de combate real na Guerra contra o Paquistão em 1971, e se saíram bem. Um raid executado pelo 9º Para Commando eliminou seis canhões fixos de 122mm da 172ª Bateria Independente do Exército paquistanês em Mandhol. O ataque destruiu as armas, muita munição e causou a morte de 37 paquistaneses e feriu outros 41. Este raid foi crucial para o avanço da 25ª Divisão em seu avanço para Daruchian.

O 10º Para Commando recebeu o seu batismo em combate com sucessivos raids contra os postos inimigos de Chachro and Virawah, sob o comando de H.H. Maharaja Sawai Bhawani Singh Bahadur que foi condecorado com a Maha Vir Chakra por suas ações em combate.

Em meados da década de 1970 os pára-quedistas indianos começaram a treinar saltos HALO (High-Altitude, Low-Opening). Em 1978 o 1º Batalhão de Pára-quedistas foi selecionado para ser convertido como uma unidade Para Commando. Em meados de 1980 surgiram planos de colocar as três unidades Para Comandos debaixo de um Regimento de Operações Especiais. Mas esses planos foram abandonados e eles continuaram a serem selecionados e treinados pelo Regimento Pára-quedista.

Em 06 de junho de 1984 os Para Commandos estiveram envolvidos com a Operação Bluestar, contra militantes sikhs que invadiram o Templo Dourado, principal santuário sikhs em Amristar, Punjab.O 1º Para Commando enviou 80 homens para assaltar duas áreas do templo. Um das quais com mergulhadores de combate. Porém vários fatores se combinaram para que o ataque não tivesse sucesso: a inteligência pobre, o assalto à luz do dia, uma invasão convencional e a falta de precisão em ações CQB (close quarter battle). Cerca de 450 pessoas morreram e os commandos tiveram 17 mortos e muitos feridos.

Ainda na década de 180 os commandos lutaram no Sri Lanka, como parte da força de pacificação a Indian Peace Keeping Force (IPKF). Um assalto helitransportado contra forças rebeldes resultou em fracasso devido à inteligência fraca. Seis commandos foram mortos no ataque. Depois do ataque fracassado na cidade de Jaffna o 10 Para Commando participou em novembro de 1987 de um assalto helitransportado a cidade de Moolai. Aqui 25 guerrilheiros foram mortos e um depósito de armas destruído. Para dar aos commandos experiência de combate o 10 Para Commandos foi enviado para casa no início de 1988, sendo substituído pelo 9 Para Commando. A volta para casa desta unidade estava programada para julho de 1988, mas devido uma incursão aos pântanos de ao redor de Mullaittivu, a sua volta foi adiada. A missão foi um grande sucesso, e localizou numerosos esconderijos do inimigo. O providenciou 12 homens para a segurança do Alto Comissariado indiano para o Sri Lanka. 

Com a captura das Maldivas, uma ilha-nação na costa sul-ocidental indiana em 03 de novembro de 1988 por mercenários da PLOTE, os Para Comandos foram chamados uma vez mais para agir. O 10 Para Comamndo junto com o 6 Para voou no dia 04 de novembro de 1988 numa frota composta por aviões de transporte IL-76s, An-32s e An-12. Naquela manhã, helicópteros Mi-8 foram usados para levar o 10 Para Cdo para as ilhas periféricas a procura de mercenários fugitivos. A Operação Cáctus, como foi chamada, teve êxito e terminou sem qualquer perda de vida para o 10 Para Cdo ou as outras tropas índias.  

Desde os meados de 1990 o papel dos Para Commandos como uma força contraterrorista tem aumentado substancialmente. Eles estão envolvidos agora ativamente em operações contraterroristas na Cachemira como parte essencial da decisão do Ministério do Interior de conduzir raids pro-ativos contra militantes na zona rural e montanhas. A prática de levar o combate aos militantes envolve extensivo reconhecimento aéreo, seguido de ataques aerotransportados e emboscadas ao longo das rotas de infiltração. As missões continuam por semanas incluindo ataques conta acampamentos rebeldes.   

Essas operações envolvem pessoal dos Para Commandos, NSG e unidades especiais dos Rashtriya Rifles – unidade paramilitar criada para lidar com a insurreição de Cachemira. Eles também podem incluir pessoal da MARCOS, muitos dos quais treinados pelo Exército para operações de CT. Apesar da insistência do Exército, o governo não sancionou invasões da fronteira contra acampamentos terroristas no Paquistão. Houve algumas reivindicações na imprensa de que Para Comandos tomaram parte em missões de salvamento de reféns na Cachemira mas nenhum detalhe foi dado dessas missões.  

O 9 Para (SF) tomou parte ativa em 1999 do conflito de Kargil onde eles realizaram várias invasões para remover uma força combinada de forças especiais paquistanesas (SSG), infantaria leve e militantes que tinham se infiltrado pela fronteira e tinham cavado túneis nas montanhas. Os Para Commandos operaram tipicamente em equipes de seis homens (5 homens e 1 oficial) e colecionou inteligência, para os ataques conta as posições inimigas. Eles também tomaram parte dos desses ataques.

Os Para Comandos estivam também envolvidos na Operação Khukri, em Serra Leoa em junho de 2000, quando tropas indianas eram parte de uma força de paz da ONU. Aproximadamente 120 operadores comandados pelo Major Harinder Sood voaram de Nova Delhi Novo com a missão de salvar 223 homens do 5/8 Rifles Gorkha que estavam prisioneiros da Frente Unida Revolucionária (RUF), por 75 dias. A operação, envolvendo helicópteros artilhados Mi-25/35 da Força Aérea indiana e outros batalhões de infantaria, foi um sucesso completo sem vítimas indianas graves. O 22 SAS (Special Air Service), esteve presente como parte da força britânica, emprestou aos Para Comandos o seu Chinook para o assalto inicial. 

Os batalhões Para Comando foram redesignados como o 1, 9 e 10 Batalhões de Pára-quedistas (Forças Especiais - FE). No dia 01 de fevereiro de 1996, o 21ª Batalhão de Infantaria Leve Maratha se tornou o próximo batalhão a se unir ao Regimento de Pára-quedistas e foi elevado como o 21 Para (FE) tendo por comandante o Coronel V.B. Shinde. Os 2º, 3º e 4º batalhões de Pára-quedistas foram subseqüentemente elevados a condição de Forças Especiais. Previamente, cada Para (FE) batalhão teve uma especialização geográfica e permaneceu nomeado àquele setor. O 1 Para (FE) era especializado para guerra em montanha, o 9 Para (FE) era especializado para guerra de selva e o 10 Para (FE) era especializado para guerra de deserto. Hoje, todo o Para (EF) batalhões são capazes de operar de alguma forma - em qualquer lugar. O conceito de ' especializado ' geograficamente para cada Para (FE) batalhão deixou de existir.   

Para Commandos no deserto de Rajasthan armados inclusive com um Carl Gustav de 84 mm

Os Para (FE) operam em companhias ou às vezes até mesmo ao nível de batalhão. Eles são treinados em táticas especiais, combate desarmado e sobrevivência nos ambientes naturais deles. Eles têm acesso a todos os tipos de armas de infantaria requeridos para uma missão particular. Todos os pára-quedistas indianos são voluntários; alguns entram no regimento direto da vida de civil, enquanto outros se transferem de unidades regulares do exército.

Há um período probatório de três meses quando os recrutas sofrerem vários testes físicos e psicotécnicos durante os quais muitos são rejeitados. Neste período probatório de três meses, o indivíduo é testado fisicamente, mentalmente e psicologicamente ao extremo. O indivíduo é sujeitado ao mais severa tensão física e mental. Durante este tempo o relógio biológico do indivíduo é sujeitado também a mudanças.

Aprovado nesta fase o voluntário é enviado para a Escola de Treinamento Pára-quedistas em Agra, Uttar Pradesh onde realiza cinco saltos de linha estáticos a 1250 pés, incluindo um à noite, exigência para que se possa usar as asas e a boina marrom de pára-quedista. Depois de receber o seu distintivo o novo Para (FE) treinará uma especialização. Eles voltam a Escola de Treinamento Pára-quedistas para realizarem cursos relativos a queda livre, que requerem a ordem de 50 saltos pelo menos da altitude de até 22.500 pés. Ambos HALO (High Altitude Low Opening) e HAHO (High Altitude High Opening), são técnicas aprendidas. Eles são habilitados para usar o método HAHO e os pára-quedas especialmente manufaturados chamados HAPPS (High Altitude Parachute Penetration System) para realizarem furtivas em distâncias acima de 50 km.

A rotina diária começa com uma corrida matutina de 5 km com uniforme padrão e botas de combate, depois treinam com manuseio de armas e navegação. Táticas de infiltração, assalto e emboscada são refinadas e aperfeiçoadas. É dada especial atenção a ações de CQB, guerra urbana, guerra contraterror e combate desarmado. O treinamento noturno uma marcha de 20 km carregando 60 kg de carga e é usado fogo real uma vez por semana. São realizadas mensalmente marchas forçadas de 30 km com 65 kg de carga e trimestralmente são realizados saltos noturnos com equipamento de combate completo. 

Além disso os commandos freqüentam várias escolas especializadas em guerra não-convencional do Exército. Estas incluem a Junior Leaders' Commando Training Camp em Belgaum, Karnataka, a Escola Parvat Ghatak Escola (para combates em montanha de grandes altitudes) em Tawang, Arunachal Pradesh, a Escola de Guerra Grande Altitude em Sonamarg, Cachemira e a Escola de Guerra Contrainsurgente na Selva em Vairengte, Mizoram. Estas escolas estão em as melhores de suas especialidades e sempre recebem alunos de outros países.

Recentemente o governo indiano permitiu ao pessoal do USSOCOM (United States Special Operations Command) assistir os cursos da Escola de Guerra Contrainsurgente na Selva, o houve uma maior cooperação militar ente a Índia e os EUA. Como recíproca, muitos operadores indianos foram enviados aos EUA para treinarem com os US Rangers e outras unidades especiais americanas. As FE do Exército norte-americano administraram treinamento comum de HAHO com os Para Commandos em 1992, e treinamento subaquático em 1995 e anti-terrorismo em 1997.  

Para Commandos também podem realizar um curso de Mergulhadores de Combate completo no qual eles ganham um distintivo de mergulhador de combate. Eles também são experientes em assaltos helitransportados, e normalmente empregam helicópteros Mi-8 / Mi-17. O distintivo Bali-Dan (Sacrifício) é conferido depois de um limite de um ano com o Para (SF), ou seis meses com o batalhão envolvido em operações ativas.   

As metas dos Para Commandos são: 

  • Funcionar como unidade de infantaria de elite.

  • Estabelecer superioridade numa zona de batalha. 

  • Romper operações inimigas através de meios clandestinos. 

  • Sabotar linhas inimigas de comunicação através de aços de commandos.

  • Subverter e sabotar áreas vitais inimigas e pontos cruciais através de ataques clandestinos dentro das linhas inimigas. 

Armas

Hoje os indianos adotaram o INSAS (Indian Small Arms Systems - Sistema Indiano de Armas Pequenas), substituto dos licenciados FN FAL usados até a década de 80 na Índia. Baseado principalmente no AK-47, ele trabalha em calibre 5.56x45 OTAN, pode portar 20 ou 30 projéteis em seu carregador e sua cadência pode chegar a até 650 disparos por minuto. Algumas modificações, baseadas no FN FAL e no H&K G3 foram introduzidas neste fuzil, e, assim como no M16A2, pode atuar em modo semi-automático ou rajadas curtas (3 disparos).

Os Para Commandos também usam:

  • Rifle de assalto TAR-21 (israelenses) - Foram adquiridos cerca de 3.000 para as forças especiais.

  • Pistolas Browning Hi-Power FN 35 e Glock 17 de 9 mm.

  • Submetralhadoras Heckler & Koch MP5 de 9 mm.

  • A metralhadora leve INSAS 5.56 mm, substituta da FN MAG 7.62 mm, a Bren L4 e a Browning M2HB de .50 cal.

  • Fuzis sniper Dragunov, Mauser SP66 e Heckler & Koch MSG-90 7.62 mm.

  • Lançador de granada AGS-17 Plamya 30 mm.

  • Rifle de assalto CGG de 7.62 mm com visor óptico 1.5x.

  • Lança mísseis portáteis Igla-19K310 / SA-16 Gimlet, substitutos dos Strela-2M /SA-7b Grail

  • Canhão Sem Recuo M40 RCL 106 mm e Carl Gustav 84 mm.


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Assunto: Para Commandos - Índia

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