A Operação Jericó foi uma das mais
fantásticas e secretas operações aéreas de bombardeiro de precisão realizada
pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
Durante o mês de janeiro de 1944, foi recebida a
informação em Londres de que os alemães estavam organizando a execução de mais
de 100 franceses pertencentes a Resistência Francesa que foram recolhidos a
prisão em Amiens, França. A Resistência local pediu um ataque aéreo urgente para
abrir brechas nos muros da prisão, para que os prisioneiros pudessem fugir por
eles, mesmo colocando em risco a vida de muitos dos seus compatriotas. Se a fuga
não fosse possível a Resistência pediu que toda a prisão fosse destruída.
Este ataque contra a prisão de
Amiens na França, foi realizado por 19 Mosquito Mk. VI no dia 18 de fevereiro de
1944. Participaram 18 aeronaves, 6 do 487º Esquadrão (RNZAF - Real Força Aérea
NeoZelandesa), 6 do 464º Esquadrão (RAAF - Real Força Aérea Australiana) e 6 do
21º Esquadrão RAF (Real Força Aérea Britânica), todos os aviões faziam parte da
180ª
Ala
da 2ª Força Aérea Tática. Um Mosquito desarmado da Unidade de Reconhecimento
Fotográfico (PRU) também participou da operação. Este avião era pilotado pelo
Tenente Aviador Tony Wickham, que tinha ao seu lado o operador cinematográfico
Lee Howard. O Mosquito da PRU
circulou sobre a prisão, para filmar todo o ataque e informar os resultados à
força atacante. Os Mosquitos foram escoltados por caças Typhoons a partir de
Littlehampton. Os Typhoons eram dos
seguintes esquadrões da RAF: 174º, 198º e 245º. A operação foi comandada pelo
australiano Capitão de Grupo
P.C. ‘Pick’ Pickard. O objetivo
principal da operação era libertar antes da invasão da Normandia, membros da
Resistência Francesa, 12 dos quais seriam executados no dia seguinte a
realização da operação.
Os aviões partiram da base da RAF em
Hunsdon,
Grã-Bretanha, às 10:55, com neve e granizo caindo, e
seguiram para o objetivo voando muito baixo. Quando atravessaram a costa
francesa enfrentaram um tempo muito ruim que desorganizou um pouco as formações.
Mas quando o tempo melhorou as formações voltaram a sua formação normal. Haviam
três formações que atacariam Amiens a partir do norte. Os mosquitos usaram a
estrada Amiens-Albert como guia e atacaram a prisão voando a menos de cinco
metros do chão.
Três aviões do 487º destruíram as
paredes do muro oriental com 12 bombas às 12:03; Dois outros mosquitos do 487º
atacaram os muros ao norte neste mesmo horário; os aviões seguintes o atacaram o
edifício da prisão. Este ataque aconteceu às 12:06, quando dois mosquitos do
464º atacaram a parede oriental com 8 bombas de 226kg cada e outros dois
mosquitos do 464º atacaram o edifício com outras 8 bombas de 226kg.
A mensagem código de sucesso da
Operação
"Hello Daddy, RED-RED-RED" foi
transmitida por
Pickard ao 21º que ficou na
reserva e assim não foi usado no ataque. O mosquito da PRU
realizou três passagens em cima da prisão para
filmar os resultados do ataque dos esquadrões 487º e 464º.
As aeronaves iniciaram a sua volta para a Grã-Bretanha por volta das 13:00.
Embora tendo morridos 102 dos 717
prisioneiros e ferindo outros 84 durante o ataque, muitos vítimas dos tiros dos
guardas, cerca de 258 prisioneiros escaparam, incluindo 79 membros da
Resistência e outros prisioneiros políticos. O mais importante dos fugitivos da
Resistência era Raymond Vivant, que era líder dos Maquis em Somme. Dois
Mosquitos e dois Typhoons se perderam durante a operação, e três tripulantes
foram mortos (inclusive o próprio Pickard) e outros três foram capturados.
Pickard era um veterano de Operações Especiais da Força Aérea, ex-piloto de
Wellington, tendo
inclusive participado do raid a Bruneval e "estrelado" em 1941 o filme Target
for Tonight - Alvo para Esta Noite. Hoje, há uma placa no local dedicada a
esses valentes aviadores que morreram no ataque, e são considerados heróis
locais.
Aeronaves envolvidas no ataque
(Todas Mosquito Mk.VI)
|
|
Tripulações envolvidas no
ataque |
| Esquadrão 487º |
| 'R' |
Wg Cdr Smith, DFC (Pilot) / Flt Lt Barnes, DFM (Navigator)
|
| 'C' |
Plt Off Powell / Plt Off Stevenson |
| 'H' |
Flt Sgt Jennings / WO Nichols |
| 'J' |
Plt Off Fowler / WO Wilkins |
| 'T' |
Plt Off Sparkes / Plt Off Dunlop |
| Esquadrão 464º |
| 'F' |
Wg Cdr Iredale, DFC / Flt Lt McCaul, DFC
|
| 'O' |
Fg Off Monghan, DFM / Fg Off Dean, DFM |
| 'A' |
Sqn Ldr Sugden / Fg Off Bridger |
| 'V' |
Flt Lt McPhee, DFM / Flt Lt Atkins |
| PRU |
| 'C' |
Flt Lt Wickam, DFC / Plt Off Howard |
| Baixas |
| Esquadrão 464º |
| 'F' |
Gp Capt P C Pickard, DSO, DFC / Flt Lt J A Broadley, DSO,
DFC, DFM |
| 'T' |
Sqn Ldr A I McRitchie / Flt Lt R W Samson
|
| Tripulações instruídas para não atacar o
alvo
|
| Esquadrão 21º |
| 'U' |
Wg Cdr Dale / Fg Off Gabites |
| 'O' |
Flt Lt Wheeler, DFC / Fg Off Redington |
| 'J' |
Flt Lt Benn, DFC / Fg Off Roe |
| 'D' |
Flt Lt Taylor, DFC / Sqn Ldr Livry DFC |
| Sortidas abortadas |
| Esquadrão 487º |
| 'Q' |
Flt Lt Hanafin / Plt Off Redgrave |
| Esquadrão 21º |
| 'P' |
Flt Lt Hogan / Flt Sgt Crowfoot |
| 'F' |
Flt Sgt Steadman / Plt Off Reynolds |
De Havilland DH-98 Mosquito - A
maravilha de madeira:
Dados Técnicos:
A De Havilland Aircraft Co. planejou o Mosquito
em outubro de 1938 para ser bombardeiro diurno, desarmado, de alta velocidade,
com a adicional vantagem de ser de madeira, a fim de diminuir a pressão
britânica sobre os fornecedores de matérias-primas. O Ministério da aeronáutica
não demonstrou interesse, sugerindo que a fábrica Hatfield se limitasse a
fabricar asas para os bombardeiros pesados já existentes. Em 1940, com extrema
relutância, foi permitido à firma prosseguir, sendo a única função do aparelho,
desarmado, a de reconhecimento. O primeiro protótipo, construído secretamente em
Salisbury Hall por uma equipe que, em seis meses, cresceu de 12 a 30 elementos,
voou, pintado de amarelo, em novembro de 1940. A partir dele foram construídos
7781 aviões, na Grã-Bretanha, Canadá e Austrália.
Prototipo Mosquito
Origem - De Havilland Aircraft Company,
Hatfield e Leavesden; também construído pela Airspeed, Percival Aircraft e
Standard Motors (Canley); De Havilland Aircraft Pty, Austrália; De Havilland
Aircraft of Canada.
Tipo - Destinado a ser bombardeiro diurno
de alta velocidade, se mostrou uma aeronave bastante vesátil, realizando vários
outras funções.
Motores - (Mk II, III, IV e VI
inicial): dois Rolls-Royce Merlin 21, de 1230 cv, ou (final FB VI) Merlin 25, de
1635 cv; (Mk IX): Merlin 72, de 1680 cv; (Mk XVI): Merlin 72 ou Merlin 73 ou 77,
de 1710 cv; (Mk 30): Merlin 76, de 1710 cv; (Mk 33): Merlin 25, de 1640 cv; (Mk
34, 35, 36): Merlin 113/114, de 1690 cv. Muitas outras variantes tiveram Merlin
fabricados pela Packard.
Dimensões - Envergadura (exceto Mk
XV):16,5 m; comprimento (mais comum):12,34 m; (bombardeiros):12,43 m; (caças com
radar e Mk 34 a 38) tipicamente: 12,73 m; (Mk 39): 13,22 m; altura (mais comum):
4,66 m.
Peso - Vazio (Mk II a VI): cerca de 6396 kg; (Mk
VIII a 30): cerca de 6895 kg; (depois do Mk 30): cerca de 7212 a 7620 kg; máximo
peso bruto (Mk II e III): cerca de 7938 kg; (Mk IV e VI): cerca de 10206 kg;
(caças noturnos finais): cerca de 9299 kg (mas o HF-XV, só 7890 kg); (Mk IX, XVI
e outros depois do Mk 30) tipicamente: 11340 kg.
Desempenho - Velocidade máxima: 483 km/h (TT-39 com
M4 de mangas) a 595 km/h nos caças noturnos iniciais, 612 km/h para III, IV e
VI, 660 km/h para IX, XVI e 30, e 684 km/h para 34 e 35; altitude máxima: 9144 m
para versões navais de baixa taxa, até 10520 m para a maioria das versões,
alcançando 12190 m para as versões de alta compressão, e o Mk XV alcançando até
13410 m; alcance de combate, tipicamente: 2990 km, os TF navais alcançando 2028
km e o PR-34, mais de 5633 km.
Usuários - Austrália, Bélgica, Canadá, China, EUA (USAAF)
França Grã-Bretanha (RAF, RN, BOAC), Iugoslávia, Noruega, Nova Zelândia,
Tchecoslováquia, Turquia, União Soviética.
O Mosquito FB-VI
Caça-bombardeiro e incursor diurno e noturno;
mesmas armas que o caça noturno F-II, mas com duas bombas de 113 kg no
compartimento de ré e mais duas (mais tarde de 226 kg) sob as asas ou,
alternativamente, tanques descartáveis de 227 ou 454 litros, minas, cargas de
profundidade ou oito foguetes de 27 kg. Alguns com radar AI. Produção total de
2.584, maior que qualquer outra variante.
| Modelo |
FB VI
|
| Motores |
Merlin 25
|
| Potência |
1.635 cv
|
| Veloc. máx |
612 km/h
|
| Teto serviço |
10.520 m
|
| Raio de ação |
2.990 km
|
| Peso Vazio |
6.895 kg
|
| Peso Carr. |
7.938 kg
|
| Envergadura |
16,50 m
|
| Comprimento |
12,43 m
|
| Altura |
04,66 m
|
| Armamento |
canhões Hispano de 20 mm, com 300 salvas cada um sob o assoalho, e quatro
metralhadoras Browning de 0,303 pol. no nariz, com 2000 salvas cada uma.
Duas bombas de 113 kg no compartimento de ré e mais duas (mais tarde de 226
kg) sob as asas ou, alternativamente, tanques descartáveis de 227 ou 454
litros, minas, cargas de profundidade ou oito foguetes de 27 kg. |
Fotos do Ataque:






Apêndice: Modelos do
Mosquito:
PR-I - Aparelho de fotoreconhecimento
desarmado, com envergadura aumentada de 15,99 m para 16,51 m, mas conservando as
nacelas dos motores curtas.
F-II - Caça noturno, com piloto e observador
sentados lado a lado, pára-brisa plano à prova de balas, nacelas alongadas
(iguais às dos aviões subseqüentes, com os flaps divididos em segmentos internos
e externos) e armado com quatro canhões Hispano de 20 mm, com 300 salvas cada um
sob o assoalho, e quatro metralhadoras Browning de 0,303 pol. no nariz, com 2000
salvas cada uma. Primeiro vôo em 15 de maio de 1941, equipado, posteriormente,
com radar AI Mk IV ou V ou holofote Turbinlight.
T-III - Treinamento com controle duplo, primeiro
vôo em janeiro de 1942; produzido principalmente após a guerra (última entrega
em 1949).
B-IV -Bombardeiro desarmado com quatro bombas
internas de 227 kg; primeira entrega para a 105.ª esquadrilha, em Swanton Morley,
em novembro de 1941, efetuando sua primeira missão operacional (sobre Colônia,
na manhã seguinte ao primeiro ataque noturno com 1000 aviões) em 31 de maio de
1942. Mais tarde alguns foram equipados com um compartimento maior para bomba de
1814 kg.

Mosquito B Mk.IV
FB-VI - Caça-bombardeiro e incursor diurno e
noturno; mesmas armas que o F-II, mas com duas bombas de 113 kg no compartimento
de ré e mais duas (mais tarde de 226 kg) sob as asas ou, alternativamente,
tanques descartáveis de 227 ou 454 litros, minas, cargas de profundidade ou oito
foguetes de 27 kg. Alguns com radar AI. Produção total de 2584, maior que
qualquer outra variante.

Mosquito FB Mk.VI
B-VII - Mk IV construído no Canadá e usado só na
América do Norte.
PR-VIII - B-IV convertido em avião de
reconhecimento com motor Merlin 61 de alta compressão.
Mk IX - Importante aperfeiçoamento nas versões de
bombardeiro (B-IX) e de reconhecimento (PR-IX); motores de dois estágios de alta
compressão, grande compartimento para bomba de 1814 kg, ou combustível extra,
peso bastante aumentado, hélices com lâminas tipo pá e novas aparelhagens
eletrônicas.
NF-XII - Conversão do F-II, equipado com novo nariz
"dedal", contendo o radar centimétrico AI Mk VIII, em lugar das metralhadoras
Browning.
NF-XIII - Similar ao Mk XII, mas construído com o
novo nariz "dedal" ou "de boi" e mesma asa do Mk VI para levar tanques
descartáveis e outros apetrechos; voou em agosto de 1943.
NF-XV - Caça para grandes altitudes com asas
alongadas para 17,98 m, carlinga pressurizada, estrutura mais leve. Radar AI Mk
VIII, no nariz, e um pacote ventral com quatro Browning de 0,303 pol., para
combater os incursores Ju 86P.
Mk-XVI - Aperfeiçoamento ainda maior com os Merlin
de dois estágios, grande compartimento para bombas e carlinga pressurizada. O
PR-XVI voou em julho de 1943; o B-XVI em janeiro de 1944, mais de 1200,
posteriores, usados para bombardeios de saturação em grandes altitudes, com
bombas de 1814 kg.
NF-XVII - Caça noturno com novo radar AI Mk X ou
SCR-720 (alguns também com perscrutador de ré); quatro canhões de 20 mm com 500
salvas cada um.
FB-XVIII - Dubbed Tse-Tse Fly. Este caça, para
múltiplos usos, do comando costeiro, possuía motores de alta compressão e levava
um canhão Molin, de 57 mm, com 25 salvas, mais quatro Browning, bem como oito
foguetes de 27 kg ou bombas.

Mosquito FB Mk.XVIII
NF-XIX - Mk XIII desenvolvido com radar AI VIII ou
X ou SCR-720, no grande nariz universal e Merlin 25 de baixa compressão.
B-XX - B-IV construído no Canadá (chamado F-8 pela
USAAF).
FB-21 a T-29 - Marcas canadenses com motores Packard
V-1650 (Merlin), nem todos foram construídos.
NF-30 - Caça noturno baseado no Mk XIX, com motores
de dois estágios, hélices tipo pá, radar AI Mk X e vários sensores, aparelhos
eletrônicos para interferência e engodo.
PR-32 - Versão para reconhecimento, com envergadura
ampliada e motor Merlin 113/114.
Mk 33 - Primeira versão Sea Mosquito da marinha,
com asas dobráveis eletricamente, amortecedores oleopneumáticos (em lugar dos de
borracha), motores de baixa compressão impulsionando hélices quadripás, gancho
para pouso, quatro canhões de 20 mm, torpedo (ou diversas cargas de bombas e
foguetes), radar ASH norte-americano, e foguete jato para decolagem.
PR-34 - Versão de reconhecimento estratégico, com
motores 113/114, bojo aumentado para conter 5768 litros de combustível (tanques
descartáveis de 509 litros) e cabina pressurizada.
B-35 - Versão equivalente de bombardeiro, com
derivados para reconhecimento e rebocador de alvos.
NF-36 - Caça de pós-guerra com motores 113/114 e
radar AI Mk X.
TF-37 - Caça-torpedeiro naval; basicamente um Mk
33, com radar AI/ASV Mk XIII.
NF-38 - Caça final, na maioria para exportação;
radar AI Mk IX e carlinga na frente.
TT-39 - Totalmente reconstruído pela General
Aircraft para ser especialista no reboque de alvos.
FB-40 - Mk VI construído na Austrália, tendo os
PR-40 como base para a conversão.
PR-41 - Construído na Austrália e derivado do PR-IX
e do Mk 4o.
T-43 - Para treinamento,
australiano, todos com motores Packard.

Mosquito PR Mk.XVI