Planejamento
Os
Aliados sabiam que tomar todo o sítio do radar, era
algo bem difícil, pois esses alvos eram bem defendidos. Os britânicos fizeram
isso em 28 de fevereiro de 1942, durante a Operação Biting, contra a estação de radar em Bluneval,
França, quando 120 pára-quedistas britânicos da
Companhia C, do 2º Batalhão da 1ª Brigada de Pára-quedistas, foram usados com
sucesso neste assalto. Um
ataque contra um sítio de radar sem uma força superior não resultaria em sucesso como
aconteceu durante o Raid a Dieppe, quando o radar Freya localizado próximo ao
local de desembarque das tropas canadenses não pode ser capturado devido a forte resistência alemã.
Tanto em Bluneval, quanto em
Dieppe a opção para retirar a força atacante foi por mar, visto quer os
objetivos estavam a beira-mar, o que não era o caso de Lens. Por isso uma grande
força de assalto foi descartada, além do mais pára-quedistas, commandos e a
maioria dos soldados estavam treinando duro para o Dia-D, e o Alto Comando não
queria destacar nenhuma força maior que um pelotão para essa missão.
A força quer seria usada para
capturar o equipamento deveria ser pequena, usando de ardil para entrar no sítio
e depois sair dele. Seria infiltrada por ar e usar meios da Resistência francesa para se
evadir depois da operação. Seus membros deveriam ser homens aptos a operarem
atrás das linhas inimigas, capazes de usar equipamento inimigo e se passarem por
alemães. O nome da operação seria Bazar.
O Commando 30
A unidade escolhida para executar a
missão de captura do equipamento do Freya era o altamente secreto Commando 30, conhecido também por 30 Unit Assault. A 30AU foi fundada em 30 de setembro de 1942. Oficialmente
suas ações nunca existiram. Os membros desta unidade operavam em
pequenas equipes, do tipo "saiba só o necessário", o que impedia que todos
tivessem um quadro preciso de tudo que a unidade realizava ou estava envolvida.
Um dado super interessante sobre a 30AU era que este unidade era comandada por
Ian Fleming, famoso escritor, que criaria o James Bond (007) alguns anos depois,
com base em suas experiências e de seus companheiros durante a Segunda Guerra
Mundial.
Sua missão original era a coleta de inteligência técnica e de pessoal de instalações ou QGs
inimigos. Os operadores se infiltravam
atrás das linhas inimigas por terra, mar ou ar.
A unidade deveria ir á frente das tropas aliadas e capturar seus alvos
antes que o inimigo pudesse destruí-los. A 30 AU trabalhava em uma sala
subterrânea no Almirantado, em Londres e coletava toda informação disponível sobre
as instalações secretas alemãs localizadas na França e na Alemanha. Esta unidade
sabia com antecedência
quase tudo a respeito dos planos de desembarque do Dia-D na Normandia, estas informações
eram
classificadas como 'Bigot', um nível bem acima de 'Top Secret'.
A 30 AU possuía as seguintes tropas:
Tropa No.33, Reais Fuzileiros Navais (1944) - 6 oficiais e 144 homens.
Tropa No.34, Exército - 4 oficiais e 20 homens.
Tropa No.36, Marinha Real - 5/10 oficiais.
*Tropa No.35, Real Força Aérea - 2 oficiais. Esta
unidade nunca ficou sob o controle do Commando 30.
Embora a RAF provesse oficiais de inteligência, para
procurar objetivos específicos depois do Dia-D durante a Operação Crossbow.
Cada tropa mantinha um TAC QG no teatro de operações.
A 30 AU também estava anexada a F.I.U.
(Forward Interrogation Unit): Oficiais e agentes americanos, juntamente com
oficiais britânicos que comandavam pequenas unidades de Royal Marines em certas
operações secretas. O Commando 3 operou no
Mediterrâneo, Europa e Sudeste Asiático.
Em dezembro de 1943 as
Tropas 33 (Royal Marines) e 36 (Royal Navy) voltaram ao Reino Unido para se prepararem para a invasão
Aliada da Normandia, na chamada Operação Overlord. A Tropa 33 foi aumentada para
seções A, B e X, cada uma consistindo de 2 oficiais e 48 operadores e um QG
Tático.
Os membros deste
Commando além do treinamento normal dos demais Commandos, tinham que aprender
técnicas de espionagem, comunicações, interceptação de sinais, reconhecimento
com uniformes inimigos, reconhecimento de documentos inimigos, uso avançado de
explosivos, fotografia, falsificação, técnicas de sabotagem e arrombamento (com
aulas ministradas por arrombadores presos pela polícia inglesa), infiltração e exfiltração, etc. Os membros do Commando 30 ainda deviam ser bons navegadores, pára-quedistas, mergulhadores
e esquiadores. Um número significativo dos recrutas iniciais eram
ex-policiais.
A
primeira grande missão do Commando 30 foi a assalto a Dieppe. A missão do Commando 30 era seguir diretamente para
o QG alemão em Dieppe capturar
todos os documentos militares possíveis. Entre seus operadores, estava um alto perito de
radar da RAF que tinha a missão específica de capturar qualquer documento alemão
relacionados com os seus radares. Um fato curioso, desconhecido do perito na
época, é que a sua equipe de proteção tinha ordens de matá-lo, caso ele fosse
feito prisioneiro pelos alemães.
A missão
A Seção B, da Tropa 33, foi escolhida para a
missão. Ela teria o apoio de um técnico da Tropa 35 da RAF e de dois membros da
Tropa 3 do Commando 10 InterAliado
(IA). Também conhecida por Tropa X, ela era uma unidade extraordinário formada
por judeus voluntários vindos principalmente da Alemanha e Áustria, com alguns outros vindos também da
Tchecoslováquia, Hungria e outros países europeus. A existência desta unidade
era um dos segredos mais bem guardados do Exército britânico. Ao todo, 130
homens passaram pelas fileiras do Tropa X.
Os membros da Tropa 3 era autênticos Commandos,
com grande habilidade em explosivos, pára-quedismo, coleta de inteligência,
combate urbano, operações anfíbias, camuflagem, navegação, arrombamento de
casas, etc. Por serem naturais principalmente da Alemanha e Áustria, e poderem
se passar por alemães de forma natural, também eram requisitados para servirem
em missões junto ao SSRF (que fazia parte do SOE), SBS e SIS. Na verdade a Tropa
3 nunca lutou como uma unidade completa, pois seus homens sempre estavam
anexados a outras forças especiais. Eram muito requisitados por serem
especialistas em reconhecimento furtivo, no qual capturavam e interrogavam
prisioneiros alemães. Suas missões freqüentemente aconteciam atrás das linhas
inimigas e a noite. Os membros da Tropa 3 por conhecerem muito bem as unidades
alemãs e suas armas, podiam operar perfeitamente disfarçados de soldados
alemães. Os membros desta Tropa corriam grandes perigos pois se fosse
capturados, a morte nas mãos da Gestapo era quase certa e as represarias contra
seus parentes na parte da Europa dominada sob o manto nazista uma certeza. Por
isso eles operavam com nomes falsos, e possuíam histórias falsas de vida.
A equipe da Seção B usada na
operação seria comandada pelo Capitão
Michael
Campbell. Ele
teria a seu dispor 4 Reais Fuzileiros Navais (Sargentos Stuart Eton,
Willian Keyes e Peter Haselden e o cabo John
Terry),
dois membros da Tropa X (Sargentos Paul Arlen (nome verdadeiro Hans Abramovicz)
e Victor Scott (nome verdadeiro Uri Averhahn)) e um técnico em radares da RAF, Tenente Clarke
York.
Execução
Na noite de 15 de maio de 1944 um
solitário Short Stirling, do Esquadrão 161 da RAF partiu da base da RAF de Tempsford,
em Bedfordshire, Grã-Bretanha, com os membros da Equipe Campbell. O experiente piloto, que já
tinha realizado muitas missões clandestinas sobre a França, traçou seu
plano de vôo de forma a evitar ser detectado pelos radares inimigos e se tornar
um alvo do
temível fogo antiaéreo alemão.
O Esquadrão 161 era um dos mais
experientes da RAF. Em 1944 o 161 operava as aeronaves Westland Lysander IIIA, Handley
Page Halifax B.Mk V, Lockheed Hudson III e Hudson V, e Short Stirling III e IV.
Suas missões envolviam o apoio as forças de resistência na Europa, através do
lançamentos de agentes e suprimentos, e com os Lysander, a coleta de pessoal.
Pegar uma carona como
pára-quedista num bombardeiro Stirling IV, convertido em transporte, não era
nada confortável. Os pára-quedistas iam sentados no chão, na total escuridão e
na hora de saltar, tinham que fazê-lo através de um buraco no chão, e não por
uma porta lateral como nos Dakotas C-47, que também tinham assentos para os
pára-quedistas. Exceto esses inconvenientes, o vôo foi tranqüilo e alguns homens
até conseguiram dormir. Quando se aproximaram da zona de salto os
homens foram avisados pelo piloto para se preparem. Ficaram todos esperando que
a luz vermelha passasse para verde e quando isto foi feito se lançaram no
espaço. Também foram lançados dois casulos de equipamentos e uniformes.
Felizmente ninguém se machucou no
contato com o solo, mas a equipe levou cerca de uma hora para encontrar o
sargento Eton, que se
atrapalhou um pouco na hora de saltar e conseqüentemente na desceu na zona de
salto. Enquanto se desvencilhavam dos seus pára-quedas e procuravam ocultá-los,
os homens de Campbell tiveram a sua atenção despertada por um assovio,
imediatamente todos se lançaram no chão. Em seguida ouviram a senha "River" e
aliviados deram a contra-senha "House".
Esperando por eles
entre os arbustos estava o seu grupo de contato, formado por três membros da
Resistência francesa, dois homens e uma mulher, conhecidos apenas como Pierre, Philippe e Sonia. Todos usavam roupas civis e estavam armados com
sub-metralhadoras Sten. Não houve problemas de comunicação pois Philippe falava
inglês, e Scott e York
eram fluentes em francês, e Campbell sabia o suficiente para se
comunicar bem. Com toda equipe reunida
eles esconderam os pára-quedas e após encontrarem Eton se dirigiram rapidamente
para um esconderijo. Eram 23:53h.
Eles caminharam cerca de 40
minutos, até o seu esconderijo, fazendo o possível para não serem descobertos
pelas patrulhas alemãs. No se esconderijo, localizado no porão de uma casa de
fazenda eles se encontraram com mais oito membros da resistência, que também
iriam apoiar a operação. O líder do grupo, Henry, deu boas-vindas a todos e os
convidou para comerem uma refeição quente. Após isto, passaram a rever com os
franceses, detalhes da operação.
Por volta das 04:30h, o grupo
precursor partiu em direção ao local do radar. Ele era formado por cinco homens
da resistência e os Sargentos Eton
e Keyes. Sua missão era prover vigilância e apoio de fogo para a fuga da equipe de
captura. Eles fizeram o trajeto em uma velho caminhão francês. Os seis homens da
equipe de captura (Campbell,
Haselden, Terry,
Arlen, Scott e
York) estavam todos envergando uniformes da Luftwaffe. Todos iriam para o
local em um caminhão alemão Mercedes-Benz L 3000,
capturado pela resistência, pintado com as cores e marcações da
Luftwaffe. Arlen e Scott,
seriam respectivamente o Hauptmann
(Capitão) Heinz Lange e o OberLeutnant (1º Tenente) Heiner Knoke.
Os demais membros da equipe teriam nomes alemães fictícios, mas como não falavam
alemão, não abririam a boca.

Caminhão alemão Mercedes-Benz
L 3000
As 07:40h o caminhão chegou ao
portão de entrada do sítio do radar. Quem estava na direção era o
cabo John
Terry,
para termos de encenação, o Unteroffizier (cabo) Hans. Ao seu lado estava o
"Hauptmann
Heinz". Na traseira do caminhão estava o restante da equipes. Um soldado alemão
fez sinal para o veículo parar e se dirigiu para falar com o motorista. Para
supressa dos dois soldados aliados na boléia, havia uma guarnição de MG34 dando
cobertura ao portão. Arlen imediatamente tomou a palavra e disse que ele
comandava um destacamento em missão especial, enviado diretamente pelo Alto
Comando da Luftwaffe.

Heinz entregou ao guarda um documento "assinado" pelo próprio Reichsmarschall Hermann Göring,
em que este autorizava o Hauptmann
Heinz a realizar a captura de militares da Luftwaffe suspeitos de conspiração
contra Hitler. Ao ler o conteúdo do documento o guarda ficou pálido.
Aproveitando a situação
Arlen
ordenou que o guarda abrisse o portão e que todos
ali, inclusive o pessoal da MG34, deveriam está sob a custódia do OberLeutnant
Knoke, que nesse momento já tinha descido do
caminhão, acompanhado de um um soldado. Em tom ameaçador Heinz enfatizou que
esperava a colaboração de todos, que estava ali para prender dois oficias e que
todos que o atrapalhasse em sua missão seriam enviado naquele mesmo dia de trem
para a frente russa. O guarda perguntou se podia avisar o comandante da
guarnição a respeito da chegada do destacamento de Heinz, mas este disse que
não. Alegou que no momento todos eram suspeitos, pois podia haver conexões dos
traidores com outros soldados e ninguém deveria ser previamente alertado.
Aturdidos e temerosos por suas
próprias vidas, tendo os russos em suas mentes, todos os guardas ficaram juntos do lado de fora do
portão,
desarmados e sob a guarda de Knoke e seu companheiro (Haselden). Enquanto isso,
John
"Hans" Terry levou o caminhão, tendo "Heinz"
ao seu lado, para perto das duas antenas Freya. Chegando lá todos desceram do
caminhão e ficaram esperando por alguns minutos. Neste momento, a missão específica de
Campbell
e Terry, era garantir a segurança de York. O
grupo estava armado com submetralhadoras alemãs (Maschinenpistole 38) MP38 e
pistolas Luger, além de granadas alemãs Stielhandgranate, apelidadas de
amassador de batatas.
As 08:05h, alertado por um
sargento, eles foram abordados
pelo OberLeutnant Otto, que saiu da sala de controle para saber o que grupo
desejava. Quando
"Heinz"
acabou de apresentar a Otto o seu documento, bombardeiros Mosquito começaram a
atacar o sítio de radar, a começar pelo alojamento dos guardas. Friamente
"Heinz"
abateu o jovem tenente alemão a tiros e "Knoke"
e
Haselden fizeram o mesmo com os guardas no
portão.
Campbell
e Terry entraram como um raio na sala de controle
e eliminaram todos que estavam lá com suas pistolas Luger. Com o sinal de Terry
de positivo, York entrou na sala e foi procurar pelo novo dispositivo do Freya.
Enquanto ele usava suas ferramentas para desconectá-lo, os Mosquitos atacavam o
radar
Wuerzburg e a guarnição de defesa
que estava a 1,5km do local.
Quando York saiu da sala com o
dispositivo nos braços toda ação não tinha levado uns 10 minutos. Os homens
entraram no caminhão e partiram para o portão, enquanto a guarnição alemã,
tentava manter a cabeça baixa para não ser atingida pelas bombas. No portão,
"Knoke"
e
Haselden, entraram no veículo e todos partiram
acelerados pela estrada. No portão foi lançada uma granada de fumaça amarela,
indicando aos Mosquitos que a missão foi bem sucedida, que todos estavam fora do
local e que os bombardeiros podiam destruir o restante do local, não deixando
pistas da ação dos commandos em roubar o novo dispositivo do Freya. O trabalho
dos Mosquitos foi perfeito, suas bombas arrasaram o local, inclusive as antenas
de radar e a sala de operações.
O caminhão tomou uma estrada
secundária e foi recebido por
Eton
e Keyes
e o pessoal da resistência. Juntos, se
dirigiram para uma fazenda a uns nove quilômetros dali. No caminho passaram por
um comboio de panzers e
outro comboio com soldados de um batalhão da Legião Georgiana, que era uma
unidade Ost (unidade formada por
estrangeiros do leste - Ost em alemão significa Leste). Estes últimos
estavam tão preocupados com suas vidas, que mal olharam para o caminhão com os
commandos.
Por volta das 13:25h, chegaram a fazenda, que ficava próxima a campos planos e com poucas árvores.
Os
homens iam ficar lá até a noite, que seria uma noite de luar, o que era ideal para os
propósitos de Campbell.
A exceção de Henry, todos os membros da resistência foram embora.
No
local eles foram recebidos por um velho casal de fazendeiros. Ele, Charles Arnoulf, era franco-belga, e ela, Anne Marie Arnoulf, francesa. Tinham três
filhos. O mais velho, Daniel, foi morto na África do Norte em 1943, lutando com
os franceses livres, e o caçula Jean-Claude, servia como navegador em um
bombardeiro da RAF. Sua filha, Laure, era casada e morava em Paris. Ela também
auxiliava a resistência. O Mercedes-Benz
foi escondido em um velho celeiro.
Por volta das 02:25h todos foram
para o campo. Era lua cheia e a paisagem era bem bonita, mais linda seria se
eles não estivesse ali para uma das ações mais arriscadas da guerra: o pouso de
um avião aliado na retaguarda nazista. E isto seria realizado pelo pequeno Westland
Lysander III de dois lugares. Este avião
era usado para apoio de operações especiais. Sua capacidade de operar em pistas
de pouso simples e de pousar e decolar em pistas curtas fez dele o avião ideal
para levar e trazer agentes (chamados de Joe, fossem homens ou mulheres) para a Europa ocupada pelos nazistas.
Esses aviões também levavam armas e equipamentos para operações clandestinas na
Europa ocupada. A asa alta e
uma cabine bem envidraçada davam a ele uma visibilidade excelente. A princípio
relegado à segunda linha, a aeronave voltou a fazer parte de um time de linha de
frente e muito especial, servindo no Esquadrão 161 da RAF, realizando missões de
apoio ao Special Operations Executive
- SOE.
O piloto do
Lysnder, como seus colegas de esquadrão, era um piloto experiente, que voava a
baixa altitude e sem instrumentos sofisticados de orientação. Os homens da
resistência usaram uma lanterna para sinalizar o local e orientar a
aterrissagem. O avião pousou sem problemas e todos ficaram espantados com a
perícia do piloto. O Lysander estava pintado de preto e tão logo parou, o
Tenente York correu para a aeronave e subiu por uma escadinha. Assim feito o Lysander inicio a sua decolagem e pouco tempo depois já estava no ar tendo como
destino a sua base em Tempsford. Aliviado,
Campbell olhou para
toda a cena e agradeceu a Deus por tudo ter ocorrido bem até este momento: o
dispositivo inimigo foi capturado e York estava a caminho da Inglaterra. Se
algo tivesse ocorrido de errado
Campbell
teria que matar York para
evitar que um expert em radar caísse em mãos inimigas. Agora era o
momento mais difícil de uma operação depois que o seu objetivo é alcançado. Era
a hora da evasão.
Campbell
dividiu a sua equipe em três grupos que tomariam rotas diferentes de fuga,
contando com o imenso apoio da Resistência francesa e agentes do SOE. As rotas e
seus respectivos viajantes eram as seguintes:
- Rota 1 (Haselden e
Terry): Partindo
de
Paris iriam para Tours, Bordeaux, Bayonne
ao longo dos Pirinéus até San Sebastian, na Espanha. Neste país os homens
chegariam até Bilbau e, em seguida, Madri e Gibraltar (sob domínio britânico).
- Rota 2 (Eton e Keyes): Outra rota partiria de Paris
para Dijon, Lyon, de Marselha para Avignon, em seguida, para Nimes, Perpignan
e Barcelona. De Barcelona iriam para
Gibraltar.
- Rota 3 (Campbell, Arlen e Scott): A última rota partiria de
Paris para Rennes e, em seguida, para St Brieuc na Bretanha onde os
homens seriam enviados para Dartmouth na Grã-Bretanha.
A equipe da Rota 3
realizou o seu trajeto sem muitos problemas.
Eton e Keyes da Rota 2 foram capturados pela
polícia espanhola no trajeto de Barcelona para
Gilbraltar. Porém um policial
simpático a causa aliada facilitou a fuga da dupla, que conseguiu chegar a
Gilbraltar e de lá foi de avião para a Inglaterra. Mas quem teve serias
complicações foi a dupla
Haselden e
Terry. Nos arredores
de
Bordeaux, três agentes da Gestapo interceptaram o
carro que eles estavam usando para sua fuga. Houve uma perseguição
automobilística e o carro dos britânicos capotou. No desastre morreu um membro
da resistência e
Terry quebrou a
clavícula e o braço direito. Porém Haselden
conseguiu eliminar os agentes com sua pistola e um revolver, tomar o carro
alemão e levar Terry
e outro membro da resistência de volta para
Bordeaux. O agente local do SOE decidiu
ficar com os britânicos escondidos por mais uns dias. Quando viram que
Terry não podia
prosseguir, enviaram Haselden para
a Rota 1 e Terry foi mandado para Paris, onde ficou escondido até que a cidade
foi libertada pelos Aliados e por forças da resistência em agosto de 1944.
Apesar dos contratempos na
evasão, a Operação Bazar foi um sucesso, pois os cientistas britânicos
conseguiram neutralizar o novo dispositivo do radar Freya e as levas de
bombardeiros britânicos que penetravam a Alemanha para destruir alvos
estratégicos conseguiram, com o apoio dos aviões do
100º Grupo de Apoio a Bombardeiros da RAF, cumprir a sua
missão.
O sargento Paul Arlen (Hans Abramovicz) morreu no Normandia no dia D+2 quando
servia ao lado de uma unidade de commandos britânicos. Já Victor Scott (Uri Averhahn))
sobreviveu a Segunda guerra Mundial e serviu até 1947 ao lado das tropas
britânicas na Alemanha ocupada, em missões de caça a criminosos de guerra e
coleta de inteligência. em 1949 migrou para Israel. Em 1952 passou a trabalhar
para o serviço secreto israelense e nas décadas de 1960 e 1970 se tornou um
importante diretor do Mossad.