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Perfil da Unidade

COMSUBIN

História
A Itália é um dos países pioneiros nas operações especiais navais. A história do
COMSUBIN tem início nas unidades de incursores italianas que lutaram nas duas
guerras mundiais. Durante estes conflitos, a Itália criou diversas unidades de
assalto anfíbio e sabotagem, chamadas
Flottiglia Mezzi d’Assalto [Flotilhas
de Meios de Assalto (Flottiglia MAS).
Estas unidades empregavam diversos veículos e
armamentos especiais, como os torpedos humanos Siluro e Lenta Corsa e os botes
de assalto explosivos, todos para serem lançados contra alvos inimigos,
particularmente navios.
As unidades especiais italianas também eram
especialmente habilitadas a operar em conjunto com submarinos. De todas estas
unidades, a que alcançou maior notoriedade foi a
X-MAS – 10ª Flotilha MAS – que
atuou durante a 2ª Guerra Mundial. A Decima Flottglia MAS, mais conhecida como
Decima Mas ou X MAS, foi uma elite Italiana durante a Segunda Guerra Mundial.
São famosos por terem afundado com sucesso várias embarcações aliadas. A Decima
MAS foi dividida em duas unidades. Um unidade especializada em ataques de
"torpedos humanos" - o uso de um torpedo dirigido como um submarino por dois
marinheiros, e também como um explosivo. A outra especializada em tácticas
navais. Após a rendição da Itália aos Aliados, alguns membros da elite
continuaram a servir com as forças do Eixo, e outros combateram com as forças
Aliadas. O seu comandante foi Junio Valerio Borghese.

Torpedo SLC (Siluir a Lenta
Corsa ou torpedo de baixa velocidade)
Durante o armistício de 1943, os incursores anfíbios italianos foram agrupados
em duas grandes unidades. As unidades anfíbias ao sul do país foram consolidadas
sob a denominação de MARIASSALTO e combateram junto aos aliados. Ao norte, as
unidades continuaram a utilizar o nome de 10ª Flotilha MAS e permaneceram
lutando ao lado das forças do Eixo.
Após o término da guerra, as unidades anfíbias italianas foram reunificadas e
denominadas MARICENTROSUB. De acordo com as restrições impostas com o tratado de
rendição, a unidade foi proibida de realizar treinamento ofensivo e de operar
equipamentos de ataque, como os botes explosivos e os torpedos humanos. Contudo,
os italianos mantiveram sua capacidade de realizar operações especiais anfíbias,
realizando treinamentos clandestinos em Veneza e utilizando secretamente
equipamento antigo após ser reparado. Com o ingresso da Itália na OTAN, a
restrição de emprego de unidade especial foi abolida. Desta forma, a marinha
italiana organizou uma nova unidade denominada Grupo de Incursores Arditi (Gruppo
Arditi Incursori - GRUPPARDIN), com sede na base naval de La Spezia. A
denominação da unidade foi alterada diversas vezes, até 1961, quando foi
finalmente renomeada como COMSUBIN. Além disso, recebeu a denominação histórica
de Teseo Tesei, em homenagem a um herói de guerra da 2ª Guerra Mundial.
Após a onda de ataques terroristas e captura de reféns que ocorreu no início da
década de 1970, o COMSUBIN decidiu desenvolver capacidade de contraterrorismo e
resgate de reféns. Uma pequena equipe – denominada Equipe Torre – foi criada com
ênfase para ações em ambiente marítimo. Em 1978 o Ministério do Interior
italiano sancionou lei estabelecendo três unidades de contraterrorismo na
Itália, resultando no Grupo de Intervenção Especial dos Carabinieri, da unidade
Coronel Moschin do 9º Regimento de Assalto Aeroterrestre do exército e na equipe
do COMSUBIN, novamente redesignada Unidade de Intervenção Especial. Embora não
esteja claro, acredita-se a unidade de contraterrorismo do COMSUBIN foi
desativada em 1984.

Ação de retomada de uma embarcação
Composição
O Comando Raggruppamento Subacquei e Incursori 'Teseo Tesei' (Comando Submarino
de Assalto), ou simplesmente COMSUBIN, é a unidade de operações especiais e
combate não convencional da marinha. O COMSUBIN é herdeiro das tradições das
unidades pioneiras de incursores italianas que combateram nas 1ª e 2ª Guerras
Mundiais.
O COMSUBIN é comandado por um almirante e subordina-se diretamente ao Chefe do
Estado-Maior da Armada. A unidade é composta pelos seguintes grupos:
-
Grupo Operacional de Incursores (Gruppo Operativo Incursori -GOI) – a
principal seção de assalto.
O GOI é um grupo semelhante às unidades SEAL, dos EUA, e SBS, da Grã-Bretanha e
possui treinamento semelhante e cumpre missões da mesma natureza. O efetivo
estimado do GOI está entre 150 a 200 homens, os quais cumprem as seguintes
missões:
-
Reconhecimento Marítimo Especial – Coleta de informações sobre o terreno,
inimigo, controle de danos, vigilância e instalações.
-
Ação Direta de Combate – Incursões rápidas com a finalidade de destruir
instalações, executar ações de sabotagem contra radares, bases e instalações
portuárias. Este tipo de missão inclui ainda a designação de alvos para a
aviação ou para o apoio de fogo naval. Essas ações são realizadas com a
penetração de até 40 km.
-
Defesa Externa Internacional – Assistência militar a nações amigas, incluindo
treinamento, organização de forças militares e paramilitares e operações de
manutenção da paz.
-
Contraterrorismo e Resgate de Reféns – Ações contra forças terroristas e
resgate de reféns em ambiente marítimo, como navios, plataformas petrolíferas,
instalações portuárias, dentre outras.
-
Grupo Operacional Subaquático (Gruppo Operativo Subacquei -GOS) – constituído
por um efetivo de 20 a 50 mergulhadores de combate. O GOS tem mais ou
menos 200 operadores especializados em mergulhos livros com ar para 60m,
oxigênio para 12m, nitrox para 54m, heliox para 150m, e para 300m com um
míni-submarino ou uma suit especial. A sua tarefa depois da Segunda Guerra
Mundial foi retirar as minas dos portos do norte da Itália danificados por anos
de guerra e cheio de minas magnéticas e explosivos perigosos e navios afundados.
Isto eles foi largamente realizado até 1949, permitindo a economia da Itália
voltar relativamente depressa ao seu rumo. Depois da Segunda Guerra Mundial,
eles executaram operações de retirada de minas pelo mundo, especialmente no
Golfo Pérsico, Iugoslávia e Albânia. Um destacamento opera com a Marinha
italiana em uma caça-minas. Eles também são especialista em salvamento do
pessoal da Marinha em submarinos em perigo.
-
Grupo Naval Especial (Gruppo Navale Speciale -GNS), ou GRUPNAVIN – seção
especial de barcos, responsável pelo transporte. O GNS apóia e transporta
os Raiders e os Mergulhadores, com a ajuda de quatro navios especialistas, o
PROTEO, ANTEO, MARINO e PEDRETTI:
-
PROTEO e ANTEO são especializados em
operações apoio para mergulhadores e em particular salvamento de submarinos em
perigo. O PROTEO A5310 especializado em apoio as operações de mergulhadores a uma
profundidade de 150 m. Já o submersível ANTEO A5309 leva um míni-submarino para operações de
salvamento de submarinos para uma profundidade de 600 m.
-
MARINO e PEDRETTI são embarcações de
assalto submarino da Classe MARIO MARINO dedicados a operações de apoios aos Raiders.
-
Unidade Logística (Gruppo Logistico).
O GL é responsável por operações
de manutenção de todos os tipos de equipamentos e pela saúde e bem-estar de
todos os membros do COMSUBIN.
-
Centro de Estudos e Pesquisa (Centro Ricerche e Studi) – estabelecimento com a
finalidade de desenvolver a doutrina e equipamentos empregados pelo GOI e pelo
GOS, bem como o planejamento de operações. O RCS é responsável em mantém
a unidade atualizada sobre o que se tem de mais moderno em equipamento e avanços
tecnológicos. É dividido em quatro seções: Armas e explosivos; materiais e
veículos de incursão; materiais experimentais submarinos e fisiologia humana
submarina. Todos os doutores desta seção se especializaram na Seção de
Fisiologia Humana Submarina (patologia submarina Naval) da Marinha Italiana. O
centro tem freqüentemente uma câmara de hiperbárica usada para terapia de
descompressão por civis que precisam deste tratamento.

Ação antiterror
Seleção e Treinamento
Para ser um integrante do COMSUBIN é necessário passar por um árduo processo que
dura aproximadamente três anos. Somente 10% dos candidatos que iniciam o
treinamento conseguem ser declarados Incursores e ter a prerrogativa de utilizar
a boina cor de esmeralda com a insígnia dos "Arditi Incursori".
A seleção dos candidatos é aberta a todos os integrantes da marinha italiana,
porém a maior parte deles é proveniente do Regimento de Fuzileiros Navais San
Marco. O Curso Básico de Incursores é ministrado no Grupo Escola (Gruppo Scuole),
o qual consiste em cinco fases:
-
Pré-seleção – Esta fase de duas semanas consiste de exames médicos
preliminares e testes físicos para verificar as condições orgânicas dos
candidatos.
-
Fase de combate terrestre – Em doze semanas, os candidatos aprendem técnicas
de combate terrestre, incluindo assalto, orientação, camuflagem e
reconhecimento. Nesta fase os testes físicos são intensificados, incluindo
marcha de 40 km em terreno acidentado.
-
Fase subaquática – Após concluírem a fase anterior, os candidatos passam para
as operações subaquáticas, com duração de treze semanas. São ministradas
técnicas de mergulho, demolição submarina e infiltração subaquática de longo
alcance.
-
Fase anfíbia – Com duração de doze semanas, o treinamento anfíbio treina os
candidatos nas técnicas de assalto anfíbio, navegação de superfície e demolição.
-
Fase final – Nesta fase, com duração de
quinze semanas, são ministradas instruções de revisão das fases anteriores e os
candidatos participam de exercícios de larga escala, onde são empregados em
ambiente operacional.
Ao longo do último ano do curso, são ministradas instruções de combate
corpo-a-corpo, armamento e tiro, combate com facas, táticas de contraterrorismo,
reconhecimento e inteligência. Além disso, é ministrado um curso de idioma
estrangeiro.

Treinamento de demolição
Após concluírem o curso, os Incursores são matriculados no Curso Básico
Pára-quedista do Centro de Adestramento de Pára-quedismo do exército em Pisa.
Após concluírem este curso, os novos Incursores são brevetados, ganham o direito
de utilizarem a boina esmeralda e as insígnias da unidade e são enviados para o
GOI, a fim de realizar um estágio probatório. Seis meses após a brevetação, os
novos incursores podem realizar cursos de especialização em diversas áreas, como
Salto-livre operacional, combate aproximado urbano, contraterrorismo, assalto
aeroterrestre, operações aeromóveis, etc. Após a especialização, os Incursores
recém formados são submetidos a novo estágio probatório, com duração de 14
meses. Durante este período, são orientados e avaliados pelos companheiros mais
antigos, ao término do qual são declarados incursores operacionais.
Depois que é qualificado como um Raider,
o operador pode se especializar nas seguintes áreas:
-
Pára-quedista de queda
livre;
-
Guia montês;
-
Analista de fotografia aérea;
-
Desativador de explosivos;
-
Instrutor de tropa de montanha militar;
-
Fotógrafo naval e
submarino.
Estima-se que existam operacionalmente
700 integrantes do COMSUBIN. Estes são oficiais voluntários e oficiais
não-comissionados com uma idade média de 29 anos.
A base naval de Varignano
É o lar do COMSUBIN – é uma instalação ideal para o
treinamento de operações especiais navais. Além da “casa da morte”, utilizada
para treinamento de tiro real, os incursores também possuem um “navio da morte”.
A fragata destaivada INS Castore permanece permanentemente atracada na base, e é
utilizada para treinamento de abordagem e resgate de reféns, também com a
utilização de tiro real.
O GOI realiza treinamentos com unidades congêneres de nações amigas, como o SBS
dos Royal Marines, o Comando Hubert francês, os SEALs dos EUA e o Shayetet 13 de
Israel.
Armamento e equipamento
Para cumprir suas missões, os integrantes do COMSUBIN empregam uma grande
variedade de armas e equipamentos.
Embora os incursores possuam bastante
liberdade para escolherem seu armamento, o fuzil de assalto padrão é o Beretta
AR 70/90 SC de 5.56mm. A unidade também utiliza amplamente a carabina M4 de
5.56mm, de fabricação norte-americana, e o fuzil KH G41.
As submetralhadoras
empregadas são a HK MP5, nas variantes A2, A3, SD3 e K, a Uzi israelense e a
Beretta PM12S, todas de 9mm. Para combate urbano são utilizadas as escopetas
shotgun calibre 12 Franchi SPAS 15 Mod B e Benelli M3 Super 90.
As armas de
porte empregadas para autodefesa são as pistolas Beretta PT-92, de 9mm; HK USP
calibre 45 e o revólver Colt Python 357. As missões subaquáticas são cumpridas
com a pistola HK P11 com disparo eletrônico.
Os atiradores de elite do COMSUBIN utilizam os fuzis sniper semi-automáticos HK
PSG1, HK G3/SG1, Mauser SP66, Mauser 86SR e Sako TRG 21 de fabricação
finlandesa. Todas estas armas possuem calibre 7.62mmm NATO (.308 Win).
Para o apoio de fogo de esquadra são empregados o fuzil-metralhadora FN Minimi
de 5.56mm e a metralhadora Browning MG.42/59 de 7.62mm.
Grande parte do equipamento utilizado pelo COMSUBIN foi desenvolvido pelo Centro
de Estudos e Pesquisa, incluindo o equipamento de respiração para mergulho ARO.
O GOI opera veículos submersíveis Chariot CE2F/X100 com capacidade de
deslocamento em velocidade a longas distâncias, tanto navegando na superfície,
quanto submersos. O COMSUBIN também pode operar com submarinos da marinha
italiana para infiltrar pessoal. Os helicópteros SH-3D Sea King e Agusta-Bell
AB-212 são empregados para infiltração aeromóvel.
Algumas das missões em que os COMSUBIN
estiveram envolvidos:
* Assalto em conjunto com a Força Delta ao navio Achille Lauro, tomado por
terroristas palestinos no Mediterrâneo - 7 de outubro de 1985.
* Mar Adriático, Operação ALLIED FORCE inspecionando navios da Marinha Mercante devido
o embargo da
ONU contra o antigo regime da ex-Iugoslávia - 1999.
* Albânia, Missão ALBA, principalmente missões de escolta e patrulha -
1997/2000.
* Líbano, principalmente missões de escolta e patrulha - 1982/84.
* Golfo Pérsico, inspecionando navios da Marinha Mercante devido o embargo da
ONU contra o Iraque - 1991.
* Ruanda, Operação N.E.O. (Non-combatant Evacuation Operation), evacuando os ocidentais de postos avançados missionários durante a
guerra civil em Ruanda em 1994.
* Somália, Operação RESTORE HOPE,
principalmente missões de escolta e patrulha - 1993.
* Afeganistão, Operação ENDURING FREEDOM - 2001 e
depois em defesa da ISAF.
* Iraque, em defesa da Antica Babilonia (o contingente italiano de Força
Multinacional)
O Governo italiano nunca reconheceu a participação deles/delas em missões de
sabotagem de fundo-penetração.
Uniformes
COMSUBIN - Itália – 2005
O Cabo de 2ª Classe, ao lado ,veste o uniforme de combate camuflado padrão da
Marinha Militar italiana (o mesmo utilizado pelos fuzileiros do Batalhão San
Marco) com colete de equipamentos e a boina cinzenta, característica do COMSUBIN.
Seu armamento consiste em uma submetralhadora HK MP5 de 9mm e uma pistola
Beretta PT-92 do mesmo calibre posicionada no coldre.
Além do uniforme
camuflado, o COMSUBIN utiliza fardamento negro para ações de contraterrorismo e
infiltrações noturnas.
No alto, o brevê ARDITI INCURSORI, distribuído aos incursores do COMSUBIN após a
conclusão de seu período de treinamento.
Contribuição: Daroz
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Assunto:
COMSUBIN
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