Histórico

General Giraud, (esquerda), General D'Astier
De La Vigerie (centro) e o Capitão Kieffer, Comandante dos Commandos franceses
em 1943
No início de 1940 foi formado na Inglaterra um
COMMANDO
de Operações Combinadas. Seu primeiro objetivo era a formação de
unidades para a guerra anfíbia, e seu segundo trabalho era criar e gerir
operações ofensivas contras a costa inimiga. Para isso foram fornecido tropas e
equipamentos de todas as forças armadas (terra, mar e ar) e de todos os aliados.
Em Março de 1941, o Capitão de Corveta Kieffer persuadiu o comando francês em Londres,
dos Franceses Livres, a
permitir a formação de um grupo de voluntários franceses para realizar tais
missões. O primeiro grupo de Commandos franceses foi formado em Achnaccary
(final maio 1942), recebeu o nome de Companhia de Fuzileiros e foi anexado ao
Commando Nº2.
Em 19 de Agosto de 1942, durante a incursão de
Dieppe,15 Commandos franceses participaram do raid. Poucas semanas depois do
raide sobre Dieppe os homens receberam a boina verde dos Commandos. Um grupo de
150 Boinas Verdes desfilou em Londres, em 14 julho de 1942. Em 1943, já existia
uma Batalhão de Commandos franceses.
A partir de novembro de 1943, o batalhão foi instalado na costa sul da
Inglaterra, e estava envolvido em um grande número de missões de reconhecimento
e sondagem da costa da França, Bélgica e Países Baixos. Eles realizaram também
missões de ataque a costa, destruição de radares, seqüestro de soldados alemães
e realizaram também varias simulações dos desembarques para o Dia-D.
No
Dia-D
em 06 de junho de 1944
Philippe Kieffer liderou
177 franceses do Commando 10 (Interaliado), que estava anexado ao Commando 4.
Os LCIs que desembarcaram os soldados franceses do Commando Kieffer, chegaram a
praia às 07:31h. Os homens do Commando Kieffer cruzaram a praia para se
reagruparem perto de um acampamento de ferias arruinado antes de continuarem
para cumprirem as suas missões. As tropas francesas limparam Riva-Bella e
capturaram um ponto forte no Cassino em Ouistreham por volta das 09:30h enquanto
tropas britânicas chegam ao porto de Ouistreham e capturavam os locais que não
estavam minados. Cerca de 40% dos franceses são mortos ou feridos no cumprimento
de sua missão. Os comandos
prosseguiram para Bavent. Atravessaram a ponte em 24 agosto. Em 25 de agosto,
eles foram para Beuzeville. Chegaram a Cantonneront dia 6 de setembro, e
retornam ao acampamento em Petworth (West Sussex). Entretanto, Paris é liberado.
Após voltar para a Inglaterra a tropa descansou e foi refeita, os 500 commandos
dos Franceses Livres, foram anexados ao Commando 4, que estava incorporado ao 1 º Exército canadense na Bélgica.
Receberam uma missão difícil: Tomar a ilha de Walcheren para abrir o acesso do
canal do
porto de Antuérpia. A cidade de Flushing foi seu primeiro objetivo. Em dois dias a
cidade foi tomada. O inimigo morto ou ferido foi cerca de 500 e feitos mais de
1.000 prisioneiros. Foram seguidas incursões na ilha de Schouwen e
combates em Wessel Minden antes da assinatura do armistício. Os
Commandos franceses voltam em seguida para a Inglaterra. Durante a guerra, o batalhão
de fuzileiros, foi citado cinco vezes pelo Exército francês e recebeu a
cruz de guerra e seus militares medalhas.
Funções e Missões:
Os Commandos foram criados para responder as necessidades francesas de
intervenção em ambiente marítimo, quer por água ou por assalto anfíbio e pelos
MERGULHADORES
DE COMBATE. O Commando Marine é formado por 1.700 homens. As suas missões são
realizadas em 80% para o Comando de Operações Especiais (COS). O resto das suas
atribuições são feitas para o benefício de tais serviços como proteção das
fronteiras marítimas ou ações de segurança do Estado. Eles protegem os
navios franceses em comboio e realizam abordagem de navios suspeitos. Eles também devem proteger o
território da pesca, que é reservado para a marinha mercante francesa.

A famosa boina verde dos Commando Marine
Suas missões declaradamente são:
- Reconhecimento tático prévio para operações militares.
- Proteger e/ou evacuar nacionais.
- Campanhas de destruição e de sabotagem.
A unidade militar é dividida em 5 comandos:
- Commando JAUBERT -
Foi criado durante a Segunda Guerra Mundial
na Grã-Bretanha pelos Franceses Livres e recebeu
o nome do capitão de fragata Francisco Jaubert,
fatalmente ferido em 25 de Janeiro de 1946 em Tan Huyen (Cochin). Jaubert.
Baseado em Lorient,
é especializado em assaltos anfíbios, extração de
pessoal e missões C-SAR.
- Commando TREPEL -
Baseada em Lorient, é especializado em assaltos
anfíbios, extração de pessoal e missões
C-SAR.
Foi criado durante a Segunda Guerra Mundial na
na Grã-Bretanha, e recebeu o nome do capitão
Trepel que serviu junto com Kieffere e desapareceu durante uma incursão sobre a
costa holandesa 1944.
- Commando PENFENTENYO -
Baseada em Lorient, foi
criado durante a Segunda Guerra Mundial
na Grã-Bretanha pelos Franceses Livres e recebeu
o nome do
Sub-Tenente Penfentenyo de Kervéréguin
fatalmente ferido em 12 de Fevereiro de 1946 em
Donaï na Indochina. É
especializado no reconhecimento de locais e instalações marinhas e preparação
tática de apoio para missões de recolhimento de inteligência, infiltração e
exfiltração de pessoal.
- Commando deMONTFORT -
Foi criado durante a Segunda Guerra Mundial
na Grã-Bretanha pelos Franceses Livres e recebeu
o nome de Louis De Montfort, chefe de seção de
commando, fatalmente ferido em 27 de Novembro de 1946 durante os combates em
Haiphong. Baseada em Lorient, o comando de Montfort é especializado no apoio e
destruição a distância. Neste contexto, tem atiradores de elite e equipamentos
pesados (morteiros, arms anti-tanque, etc), bem como meios de coordenação de
apoio aéreo e de artilharia terrestre em apoio aos outros quatro commandos.
-
Commando HUBERT

Mergulhadores do Hubert em missão de
reconhecimento
O Estado-Maior dos Commandos Marine é chamado de FORFUSCO (Força Marítima dos
Comandos e Fuzileiros Navais), que é a quarta força orgânica da Marinha
francesa. O FORFUSCO é o correspondente do COS (Comando de Operações Especiais) para a Marinha e é
o representante permanente do Estado-Maior da Marinha com a Comissão Mista de
Estudos em Operações Especiais (CIEPCOS).
Atualmente as unidades dos Commandos da Marinha francesa são freqüentemente utilizados
em terra durante as operações militares do Exército nacional.
Materiais e Equipamentos:
Para os assaltos anfíbios os membros de suas unidades possuem os rápidos barcos Zodiac Hurricanne que têm poderosos motores permitindo-lhes
ser uma embarcação extremamente rápida, possibilitando uma abordagem eficiente
de navios suspeitos. O Zodiac pode ser inflado e, portanto, os podem lançá-lo de
um avião ou
de um helicóptero Puma ou Cougar.
Em terra os comandos podem usar o P4 4x4 ou pick-ups para se movimentarem
especialmente em regiões áridas ou desérticas.
O Comando Hubert usa o mini-submarino biplace Vostock para abordagens as praias ou navios
quando a missão exige o máximo de discrição.
Armamento
No que diz respeito às armas ligeiras, o tipo de missão é que
dita a escolha do Commando, que é virtualmente ilimitada. Para esses homens, o
leque é muito amplo e varre todos os tipos de armas em serviço em unidades
especiais do mundo. Enquanto alguns são específicos para mergulhadores de
combater nadadores, como a arma submarina P-11 outras armas são bastante comuns
as forças especiais.

Fuzil de Assalto FAMAS GIAT

Sig Sauer Commando
Uma breve lista de algumas armas usadas pelos Commandos:
- Revólver Smith & Wesson 686 Inoxidável
- Pistola Automática Sig P-226
- Pistola Automática Glock 17
- Pistola Automática Pamas G1 da Giat (Beretta licenciadas)
- Pistola Automática HK USP
- Sub-metralhadora HK MP-5, A-5, DS-3 e SD-6
- Fuzil de Assalto HK G-3
- Fuzil de Assalto Sig SG-552 COMMANDO
- Fuzil de Assalto FAMAS GIAT
- Fuzil de Assalto Colt M4
- Escopeta Remington 870
- Metralhadora ligeira FN Minimi
- Fuzil de precisão FR-F2 GIAT
- Fuzil de precisão MacMillan M-87
- Fuzil de precisão PGM Hecate II
- Fuzil de precisão Ultima Ratio
- Pistola submarina P-11 HK

Commandos em missão de reconhecimento armados
com fuzis automáticos Sig Sauer
Locais de missões realizadas em conjunto entre os Commando
Marine o COS, entre 1956-2000:

Os comandos franceses também estão bem ativos no chamado Chifre da África
caçando terroristas e coibindo ações de piratas marítimos, especialmente os
somalis. Segue abaixo uma discrição de uma ação dos comandos navais franceses:
Os acontecimentos aqui a serem narrados, apesar de parecerem extraídos de algum
filme de ação de comandos ou qualquer outro arrasa quarteirão com uma
superprodução, aconteceram neste ano, em abril. A competência e a precisão das
forças armadas francesas deram uma verdadeira aula de execução de uma missão bem
como fizeram uma demonstração emblemática de como ações terroristas devem ser
tratadas.
O Ponant
De bandeira francesa, com oitenta e oito metros de comprimento, quatro de calado
e doze de boca, veleiro é um gigante. Tem mil e quinhentos metros quadrados de
área vélica, que impulsionam o barco a uma velocidade de quatorze nós, porém
caso falte vento há no porão dois mil e duzentos cavalos que impulsionam o peso
total de oitocentos e cinqüenta toneladas do barco.
Com trinta e dois camarotes e com lugares para até trinta tripulantes e toda a
sorte de amenidades que podem e devem ser encontradas num barco de luxo, como
sala de shows, biblioteca, boate e sala de vídeo. Dentre os equipamentos
aquáticos, ele tem barco de ski, Wind surf, equipamento de mergulho, plataforma
de mergulho e instrutores de curso básico de Scuba com instrutores certificados
da PADI.
Seus quatro deques se chamam de cima para baixo:
Pont Soleil
Pont Antigua
Point Saint-Barth
Pont Marie-Galante
Local: O Chifre da África
Em pleno Oceano Índico, num lugar conhecido como Chifre da África a algumas
milhas das ilhas Seychelles, conhecidas por serem um dos santuários de mergulho,
mais precisamente no Golfo de Aden. Ness ponto, a costa da Somália é conhecida
por suas paisagens virgens e desérticas e por uma ou outra vila de pescadores.
Data: 4 de abril de 2008
Final da manhã, o Ponant, signatário do Controle Naval Voluntário, criado em
2001, que envia dados da posição de um navio, viajando por águas em lugares de
risco, acionou o alarme, através do telefone de satélite para o computador do
comandante das forças navais francesas no oceano Índico (Alindean), que singrava
a área a bordo da nau capitânea. O almirante Gérard Valin avisou imediatamente a
Task Force 150 (Componente marítima da operação aliada antiterrorista Enduring
Freedom). No momento seguinte, um helicóptero da fragata canadense Charlottetown
decolou para fazer o primeiro contato visual e reconhecimento da situação do
Ponant e efetuar as primeiras fotos.
Nesse meio tempo, em Paris, a notícia soou no telefone do General Jean-Louis
Georgelin (chefe do estado maior das forças armadas) que imediatamente convocou
um gabinete de crise, com cartas náuticas do Chifre da África sobre a mesa.
Enquanto isso, foi dada a ordem para um pequeno navio-aviso, o Commandant Bouan,
se dirigir para o local, já que ele se encontrava a algumas centenas de milhas
do Ponant.
Os franceses deram prioridade ao caso e foram empregados os meios navais da
Força-Tarefa Combinada 150, helicópteros do Exército e da Marinha francesas
(Super Puma, Pantera, Gazelle e Alouette), tropas anti-terroristas do GIGN (10
homens) e Comandos da Marinha (cinqüenta homens). Notem que o GIGN é uma força
policial e não militar. Não é comum atuar fora da França e estava envolvida
apenas pela grande quantidade de reféns franceses. Participou da negociação e
encerrou seu papel com a libertação dos reféns. A partir daí, a operação se
tornou puramente militar.

Commandos Marine em treinamento em Djibouti
Desde sábado, o Ponant estava em águas territoriais Somalianas. Os diplomatas
franceses obtiveram das autoridades locais o direito de busca dentro dessas
águas, diretamente do presidente Abdullahi Yussuf Ahmed, que colocou suas tropas
à disposição para um eventual ataque. Ele teria dito ainda: “Me livrem deste
tipo de gente”.
Enquanto isso, no palácio presidencial francês, as possíveis opções eram
estudadas. O Bouan não tinha capacidade de intervir a bordo, então era
necessário enviar um comando de pára-quedas no mar, como se diz na linguagem
militar, “Um tarpon”. Um avião Transall decolou da base francesa na África e
soltou dezoito comandos ao largo da ilha de Socotra para que pudessem ser
recuperados pelo Bouan.
No dia sete de abril, uma segunda-feira o Ponant ancora em frente à vila Garaad,
na região do Puntland (antiga terra do incenso e da mirra, agora reduto de
piratas) da costa somaliana. No local, um rio extremamente raso, um deserto ao
redor da vila de poucas cabanas e alguns barcos de pesca. Os piratas fizeram
subir a bordo um par de cabras, pois só bebem leite.
À noite, mergulhadores de combate do
Commando HUBERT
são enviados ao veleiro e
descobrem que além da violência dos seqüestradores, a forte correnteza também
atrapalharia qualquer ação.
Em Paris, o clima era de guerra, e havia reuniões diárias com a presença do
presidente Nicolas Sarkozy, reunindo o general Claude Guéant, o almirante
Guillaud e o conselheiro diplomático Jean-David Lévitte, o chefe do estado maior
das forças armadas, além dos ministros envolvidos, principalmente o da defesa e
das relações exteriores. O presidente Sarkosy fixou os parâmetros: nenhuma vida
dos reféns poderia ser perdida. Intervenção só deveria acontecer se os piratas
se separassem dos reféns ou os levassem para terra. A ação deveria ser
emblemática e pontual.
Para chefiar a ação foi designado o jovem almirante Marin Gillier, que largou o
Lorient para pousar em Djibouti no domingo. Na segunda, ele pula de pára-quedas
no mar para se resgatado pela nau capitânea. No dia seguinte é o chefe do
grupamento de intervenção da gendarmeria nacional, coronel Denis Favier que
também pula de pára-quedas para se juntar ao almirante. Em outro ponto, o
recente comando especializado em assalto no mar chega a bordo da fragata
antiaérea Jean Bart. O navio escola Jeanne D’Arc que navegava entre Madagascar e
Djibouti, foi desviado para receber um hospital de campanha e seus helicópteros.
O proprietário do Ponant a gigante empresa de contêineres CMA-CGM, mantinha
negociações com os piratas, sendo que os proprietários eram aconselhados por
profissionais, fecham um acordo sobre o resgate. Ao mesmo tempo, pedem que as
forças armadas fiquem a uma distância segura e que não atrapalhe as negociações.
Os acontecimentos foram ganhando velocidade. Quando o dinheiro do resgate foi
atirado aos piratas, os reféns foram autorizados a deixar o Ponant nos próprios
barcos do veleiro, ficando a bordo somente o capitão e três dos seqüestradores.
Assim que as lanchas partiram, os comandos entraram a bordo e resgataram o
capitão. Neste momento, um avião Atlantic II que chega à cena de guerra,
localiza um veiculo 4 x 4. O presidente Sarkosy dá a ordem de que, assim que os
reféns forem liberados e estiverem em segurança, os comandos poderiam agir. Sem
força excessiva, mas com determinação.
No estado maior tático, a bordo do
Jean-Bart, o almirante Gillier não teve dúvida: lançou seus helicópteros com a
missão de agir com sangue frio, eficácia e com medidas cabíveis. A frota aérea
era composta de:
um Gazelle com um sniper, um
Panther com a equipe de
abordagem e dois Gazelles com mísseis anti-carro HOT (a opção mais “agressiva”,
caso a abordagem não desse certo).
No momento apropriado,
um soldado ajusta seu fuzil Mac Millan com munição de 12,7 mm (usada para furar
blocos de motor de popa dos traficantes de droga) e dispara contra o motor da
pick-up 4x4. Com um único tiro, acaba com a carona dos seis bandidos. Os
helicópteros lançam seus comandos, três cada um, rendem os bandidos e recuperam
parte do resgate. Os seqüestradores sobreviventes são embarcados no helicóptero
Panther e levados em direção aos navios franceses.

Helicópteros franceses na hora da interceptação dos
criminosos
Depois do resgate, o capitão do Ponant, Patrick Marchesseau, disse que eles
foram atacados por cerca de vinte a trinta piratas, armados de Kalachnikovs.
Assim que percebeu a situação, decidiu não correr riscos de revidar o ataque e
mantiveram uma tripulação exclusivamente masculina no deque, para intimidar o
máximo possível os piratas. Mas os piratas atacaram mesmo assim e, como
resultado final, o barco teve dois vidros quebrados em conseqüência de um tiro
acidental dado por um pirata, mas nenhum refém saiu com um arranhão sequer.

Commandos embarcam os piratas capturados no Panther (36F) do navio
francês Jean Bart
O dinheiro do resgate, estimado em dois milhões de euros, foi parcialmente
recuperado com os piratas que estavam no 4x4. Ao menos três piratas foram mortos
na operação. A França deu uma lição de eficiência, eficácia, logística e
precisão em toda operação.
De acordo com a IMO (International Maritime Organization), durante o ano de 2007
foram registrados vinte e quatro casos graves de pirataria por parte dos
Somalis. A autorização para execução da operação por forças armadas francesas na
Somália foi depois enviada por escrito para evitar que os seis piratas
apreendidos pela França fossem soltos por questões de direito internacional. A
França pede que a ONU se mobilize contra a pirataria e propõe uma força
internacional sob o mandato das Nações Unidas. Vários pesqueiros espanhóis já
sofreram com ações de pirataria na costa da Somália. Nos últimos dez anos 3. 200
marinheiros foram feitos reféns, dos quais 500 foram feridos e 160 mortos.