A camuflagem não era
muito usada antes do século XX pelos exércitos. As primeiras unidades que se tem
notícia que usaram cores em sombras pardas de marrom e verde foram as unidades
irregulares de esclarecedores do século XVIII nos EUA. Exércitos
mais importantes relutavam em retirar suas cores até serem convencido pela dura
realidade dos combates. Mas não eram poucos as forças militares que normalmente
adotavam uniformes bem vistosos, com cores fortes, chamativas e até brilhantes.
O objetivo dessas cores era
intimidar o inimigo, atrair recrutas, nutrir a coesão da unidade, e é claro
permitir uma identificação mais fácil das unidades amigas durante uma batalha,
pois era muito fácil em meio a tanta fumaça dos campos de batalha, um general
perder as suas tropas de vista. Quando se adotavam pinturas, como no caso dos
indígenas, elas eram mais para ressaltar os guerreiros e tinham muitas vezes
aspectos religiosos. O uso de penas e peles de animais (em especial de ursos,
leopardos e leões) também era bem comum no passado. Porém se tinham exceções é
claro, como por exemplo os ninjas, que não formavam uma força militar, mas
adotavam normalmente o preto em toda a sua vestimenta, visto que a maior parte
de suas ações de combate aconteciam a noite. Porém não podemos esquecer que em
certas situações no passado, como emboscadas, os soldados procuravam se ocultar
usando a vegetação. Mas nos grandes campos de batalha o comum era os generais
ocultarem as suas tropas da visão inimiga, escondendo-as atrás de alguma colina
ou em uma floresta.
Com o passar do tempo algumas
cores básicas surgiram para substituir os uniformes brilhantes, como a cor
vermelha, azul e verde. Um pouco mais adiante
duas cores básicas
foram adotadas pela maioria dos Exércitos, elas eram a cor verde e o cáqui.
É bom frisar que o surgimento do
rifle de repetição, das metralhadoras e de peças ligeiras de artilharia, também
foram fatores que influenciaram a adoção de cores menos visíveis no campo de
batalha, visto que o soldado usando cores chamativas podia ser visto a distância
e atingindo aonde se encontrava pela exatidão do fogo inimigo, que tinha uma
melhor alcance que os velhos mosquetes.
A primeira
delas ficou conhecida como
Rifle Green, que é uma precursora do material conhecido hoje como verde oliva. O
uniforme verde
foi adotado pelos carabineiros alemães recrutados entre os homens das florestas
e os
guarda-caças. Embora a cor verde não funcionasse muito para camuflar, ela estava
mais associada simbolicamente as caçadas.
A segunda cor
adotada nos uniformes como já falamos foi o cáqui.
Os britânicos na Índia em 1857 foram
forçados, devido as duras perdas, a tingir suas famosas túnicas vermelhas e
calças brancas em tons neutros, inicialmente um lamacento bronzeado chamado
cáqui (a palavra Urdu
khak
para 'empoeirado'). Isto a princípio foi uma medida temporária,
porém tornou-se padrão no serviço das tropas na Índia em 1885, para todos o
serviço no exterior em 1896 e padrão
em todo Exército britânico na Segunda Guerra Boer em 1902, quando todos os
uniformes de combate do Exército britânico foram padronizado neste tom.
Os Estados Unidos foram rápidos em seguir os
britânicos, adotando a cor cáqui no mesmo ano. A Rússia seguiu, parcialmente
esse tendência em 1908. O exército italiano usou grigio-verde ( "verde-cinzento")
nos Alpes em 1906 e para todo exército em 1909. Os alemães adotaram o feldgrau
("campo cinzento") em 1910. Outros exércitos retiveram suas cores mais
chamativas por mais algum tempo. No começo da Primeira Guerra Mundial os
franceses sofreram perdas pesadas porque as suas tropas usaram a cor vermelha em
suas calças como parte de seu uniforme. Isto foi mudado em 1915,
parcialmente devido a perdas e parcialmente porque a tintura vermelha era
fabricada na Alemanha. O exército francês também adotou uma nova jaqueta "azul
horizonte". O exército Belga começou usando uniformes cáquis em 1915. Os
franceses também estabeleceram uma Seção de Camuflagem (Departamento de Camuflagem) em 1915, encabeçada por
Eugene Corbin e
Lucien-Victor Guirand de Scévola.
Os peritos de camuflagem eram, na maioria, pintores (muitos deles cubistas), escultores, artistas de
teatro e etc. Neste tempo os uniformes camuflados não eram fabricados em larga
escala, cada um deles era modelado e pintado, e normalmente se destinavam a snipers, observadores avançados da artilharia e outros soldados envolvidos em
serviços avançados.
Mais esforço foi posto em ocultar
equipamento militares maiores e estruturas militares importantes. Isto porque na
Primeira Guerra Mundial foi acrescentada uma nova
dimensão da guerra, a guerra aérea e com ela a observação vinda do alto. Por
isso o uso de redes camufladas foi importante para ocultar posições militares. Em meados de 1915 a seção francesa tinha
quatro oficinas - uma em Paris e três mais perto da frente de batalha - produzindo inclusive lonas
camuflagem. A malha
era pintada das mais variadas cores, conforme a necessidade. As
unidades de "camufladores" também foram formados na Inglaterra (Seção de
Camuflagem estabelecido em tarde 1916 baseado em Wimereux) e nos EUA (Sociedade
de Camuflagem de Nova Iorque em abril de 1917, Companhia Oficial UM, 40º de
Engenheiros em janeiro de 1918 e o Corpo de Camuflagem de Reserva das
Mulheres) e até também na Alemanha (onde se usou pintores expressionistas), Itália, Bélgica e Rússia.
A camuflagem adicionada a capacetes era
extra-oficialmente popular, mas estes não foram produzidos em massa até que os
alemães começaram em 1916 a usar seus stahlhelme (capacetes de aço) em cores
verde, dourada ou ocre. Coberturas com pano foram produzidas pouco antes do
final da guerra, embora já fossem usadas por volta de 1914. As tropas
especializadas, notadamente snipers, podiam receber vários itens de camuflagem,
incluindo véus para a cabeça e rifles, e até uma roupa toda especial, surgida na
Escócia, chamada gillies, que eram as
primeiras
ghillie
suits.
No século XIX, a indumentária do Exército Brasileiro foi influenciada pelos
portugueses. Foram adotados uniformes da época da Colônia e do Império. Com a
Proclamação da República processaram-se grandes alterações. Surgiram os
capacetes, os alamares postiços, as meias-botas e foram restaurados os vincos,
as carcelas, as listras e as golas de cor. Uma curiosidade é que o o primeiro plano de uniformes,
lançado após a Proclamação da República e aprovado em 28 de novembro de 1889, em
que a cor azul-ferrete dos uniformes do
Império foi mantida nos fardamentos de todas as Armas. Entretanto, foram
introduzidas substanciais modificações. As cores das Armas, à época, eram:
Infantaria – vermelho, Cavalaria – vermelho e branco, Artilharia – carmesim
(vermelho vivo), e Engenharia – carmesim e branco. Em 1903 experimentou-se, pela
primeira vez, o brim cáqui e, em 1908, os uniformes sofreram uma reformulação
completa. Duas significativas alterações nos planos de uniformes do
Exército, ocorreram em 1920 e 1931. Em 25 de agosto de 1920, foi estabelecida a
coloração cáqui para a maior parte dos uniformes, o
uso de “cintos-talabartes”, botas com esporas e perneiras. Em 04 de dezembro de
1931, foram feitas modificações com a finalidade de “distinguir o Exército de
qualquer outra coletividade e evitar a maior ou menor semelhança de seus
uniformes com o de outras corporações, prejudicial ao prestígio do Exército e
perniciosa à sua boa disciplina”. Entre as modificações estava a substituição
dos galões (“laço húngaro”) dos uniformes dos oficiais por estrelas. A
semelhança aludida era referente ao fardamento das Forças Públicas Estaduais –
atuais Polícias Militares – também cáqui. Nascia, assim, a cor verde-oliva para
os uniformes do Exército. Os uniformes verde-oliva para distinguir nosso
Exército permanecem em vigor, mesmo com as alterações efetuadas por ocasião da
participação do Exército na Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do
Exército dos Estados Unidos da América, pois neste conflito os brasileiros
adotaram o modelo de uniformes americanos.

A primeira produção em massa de material militar de
camuflagem foi o telo
mimetico (' pano de camuflagem')
italiano padrão de 1929, que era uma rede que
cobria um abrigo, uma idéia copiada pelos alemães em 1931. Com a produção em
massa de tecidos camuflados, eles tornaram-se muito mais comuns, e
puderam ser usados por
soldados normais durante a Segunda Guerra Mundial, porque inicialmente a camuflagem
era algo incomum, especial, para ser usada somente por unidades de elite. O telo
mimetico tem duas características especiais
foi o primeiro tecido camuflado produzido em massa e o que teve o uso continuado
mais longo, indo até 1990. É um padrão de três cores verde médio,
vermelho-amarronzado e amarelo ocre. Originalmente fabricado para abrigos em
1937 foi destinado a produção de uniformes para os pára-quedistas
italianos.
Uniformes da Segunda Guerra Mundial

O Exército Vermelho emitiu termos padrões de uniformes
camuflados para franco-atiradores em 1937, mas só foram de fato usados em larga escala
quando começou a Segunda Guerra Mundial. Os alemães tinham experimentado antes da guerra em
algumas unidades do exército uma camuflagem splittermuster
"padrão de lasca". A
pesquisa deste padrão foi financiada pelo partido Nazista em 1931. Esse padrão
foi adotado em 1942
pelo
Exército, um ano depois que a Luftwaffe o recebeu. Porém o padrão geral dos
uniformes alemães foi o
feldgrau
- field gray (verde acinzentado)
até o final da guerra. Já o padrão geral das tropas de campanha da Luftwaffe era
um uniforme azul
acinzentado. As tropas panzer no início da guerra usavam uniformes negros e as
tropas pára-quedistas passaram a usar uniformes camuflados a partir de 1941.
As unidades de
combate Waffen-SS experimentaram vários padrões, incluindo o platanenmuster
("padrão de palma") de quatro cores criado em 1938, sumpfmuster ("padrão de paul"), erbsenmuster ("padrão de
ervilha"), e também o telo
mimetico usando tecido capturado
das tropas italianas desarmadas em 1943 - as divisões 1.SS-Panzer-Division
Leibstandarte SS Adolph Hitler e 12.SS-Panzer-Division Hitler Jugend que
participaram do desarmamento dos italianos freqüentemente usaram este padrão.

Os italianos como já vimos foi o
primeiro pais a produzir tecidos camuflados em massa em 1929, o telo
mimetico de três cores. Em 1942 ele foi adotado nos uniformes de
combate italianos. Porém os italianos usam uniformes monocromáticos no deserto,
e quando a Itália passou para o lado Aliado em 1943 suas tropas adotaram o
modelo de unifo
rme
americano do Exército na Europa.
Na verdade os alemães se tornaram uma referência em padrões de
camuflagem, pois adotaram padrões variados baseados em árvores, folhas,
etc. Pelo fim de Guerra em 1945 os alemães pretendia adotar para todas as
tropas o padrão de leibermuster
cinco cores, bem melhor, mas isso não foi
possível.
Os russos emitiram pedidos de
fabricação de uniformes completamente brancos em 1938, e começou um uso
limitado de um tecido de duas cores tipo "amoeba" no mesmo ano.
Este padrão foi usado até os anos 1950. Durante a Segunda Guerra outros
padrões foram usados incluído o "leaf" (1940), e o "TTsMKK"
(1944) de três cores. Porém a maioria das tropas soviéticas usou uniformes
monocromáticos marrons.
Na Segunda Guerra o Japão adotou
um uniforme monocromático cáqui mostarda. alguns tinham até alças especiais
para ajudar a prende galhos de arvores nas operação nas florestas.
Os britânicos não usaram uniformes camuflados até 1942, quando
adotaram a túnica camuflada Denison para os seus pára-quedistas. Porém a
principio a Denison foi projetada para ser usada pelos
homens do Special Operations Executive (SOE), que era responsável em
treinar e coordenar operações de resistência nos paises ocupados pelos
nazistas. O corte se assemelhava as peças de roupas normais de um trabalhador
francês, e suas cores marrom não eram permanentes, podendo ser facialmente
retiradas com uma lavagem, de modo que o pessoal do SOE podia se fundir com a
população local, durante as suas fugas. Um segundo modelo da Denison foi
projetada para as tropas pára-quedistas, Commandos e até o SAS também usou esta túnica.
Esse modelo tinha cores permanentes, e foi adotado para substituir um traje pára-quedista que imitava o modelo alemão Knochensack ('sacola de osso'). A
Denison continuou em serviço nas forças britânicas
até o inicio dos anos 1980
Após 1942 os britânicos foram bem pródigos na produção de
material camuflado com o seu Camouflage Development and
Training Centre
localizado em
Farnham Castle. Apesar disto os
britânicos não tinham produzido uniformes camuflados em grande quantidade para o combate na selva, e
os famosos Chindits lutaram com uniformes verdes oliva padrões.
Em 1942, o Exército dos Estados Unidos
emitido um pedido de um macacão com um tecido dupla fase camuflado para uso nas
praias (ênfase na cor marrom) e selvas (ênfase na cor verde do Teatro do Pacífico.
Pouco depois, os USMC emitiram um pedido semelhante para uso na selva. Apesar de
pequenas diferenças nos uniformes, o tecido usado por ambos era praticamente o
mesmo, com um padrão de camuflagem verde em um lado e um padrão marrom no outro.
Os dois padrões tinham cinco cores tipo 'caçador de pato'. Mas não eram muito
eficientes, e só funcionava mesmo quando o soldado ficava imóvel. Os soldados
reclamaram que o macacão era uma desvantagem quando se precisa desempenhar
funções em que
se devia usar pouca roupa, deixando os soldados vulneráveis a sanguessugas e
espinhos. Por isso foram produzidas calças e túnicas camufladas nestes padrões
pelo inicio de 1943, além de muitas outras peças incluindo cobertura para
capacetes, abrigos, camisas, mochilas, etc. Muito marines as vezes usavam
capacete e túnica camuflada.
Embora a camuflagem de selva dos EUA foi desenvolvida para uso no Teatro
do Pacífico, ela também foi usada na Europa por algumas unidades, mas devido a
sua semelhança com os padrões das Waffen-SS corria-se o risco de "fogo
amigo" como aconteceu na Normandia. Esse padrão também foi usado durante a Guerra
da Coréia.
Os americanos também usaram outros padrões camuflados menos famosos no Teatro da Europa,
especialmente com suas tropas de pára-quedistas e algumas unidades de infantaria.
Porém na sua maioria os soldados que lutaram na Europa usaram uniformes de um
só tom.
PARTE II