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“One shot, one kill”
1 ª
Parte
"Um tiro, um morto” tem
uma razão de ser:
O disparo
pode revelar a posição e talvez não venha a existir uma segunda oportunidade,
uma vez que fica perdido o efeito-surpresa do atirador de elite".
Sniper and observer of the
elite British SAS unit deliver death from afar. This team experiments with
their American counterparts' Remington 700 sniper rifle. Both team members wear
the desert DPM pattern uniform and supplement their camouflage with ghuille
hoods for additional concealment. Close to the observer is his M16 carbine and
M203 grenade launcher.
Devemos notar que a figura do atirador de elite não é uma criação
moderna. Na verdade desde os tempos mais remotos, da época das primeiras
lanças, fundas e do uso primitivo da camuflagem o homem tentava explorar a sua
capacidade de furtivamente superar os seus oponentes fosse na caça ou na
guerra.
Eles receberam as mais variadas denominações durante a sua história entre
elas franco-atirador (Traduzido do francês "franco-tireur"
como literalmente "atirador livre" e originário da Guerra Franco-Prussiana
de 1870-71, "franco-atirador" era o termo que descrevia os civis
lutaram com suas armas de fogo contra o inimigo e não estavam sujeitos as
regras da guerra), atirador de escol, atirador de elite e hoje são comumente
chamados de snipers. 
Alguns dizem que o termo "snipers"
surgiu no século XIX com o Exército britânico na Índia. Lá existia um
pequeno e ágil pássaro chamado snipe, que se alimentava de insetos no solo, e
se constituía um alvo difícil para qualquer caçador. O atirador para
acertá-lo tinha que ser realmente muito bom e aqueles que conseguiam eram
chamados de snipers
(de snipe, e killer, na forma contraída).
A ação de soldados que operam isolados ou em
pequenos grupos bem fundo no território inimigo para colher informações e
fustigar o inimigo não é novidade. Os gregos, romanos e assírios entre outros
povos antigos empregavam arqueiros para aumentar a extensão do alcance de suas
tropas e para explorar o efeito surpresa dos tiros de precisão.
Os exércitos europeus repartiam entre suas tropas
arqueiros e balestreiros, para fornecer uma combinar mortal de tiros de
precisão durante as batalhas. A partir do surgimento da pólvora, seguido das
armas de menor porte permitiu que atiradores acurados (muitos originalmente
caçadores) encontrassem naturalmente o seu lugar no campo de batalha. Conta-se que
Leonardo da Vinci, usando uma arma projetada por ele próprio, foi
franco-atirador ao lado dos florentinos que resistiam à investida do Sacro
Império Romano.
Muitos acreditam que a figura do atirador de elite
usando armas de fogo surgiu mesmo com caçadores americanos no período
colonial. Ele usava o rifle de antecarga
tipo " kentucky " de cano
raiado que lhe dava precisão considerável. O problema da
pólvora negra, comum na época, era minimizado pois esses caçadores
inventaram algo chamado "calepino" que não é nada mais do que um pedaço de pano muitas
vezes absorvido em saliva que embrulhava a bala esférica de chumbo. Este "calepino"
permitia se colocar uma bala de tamanho bastante menor que o cano e em
troca, cada tiro, quando disparado, limpava o cano. Esses homens se vestiam com
roupas de couros e com sapatos
mocassins. Tal vestimenta copiada dos nativos americanos dava ao caçador maior
agilidade em seus momentos. Esse caçadores tinham larga experiência de combate
usando pesados fuzis de caça contra os índios.

Quando estourou a
guerra de independência os caçadores americanos foram bem usados contra os
"casacos vermelhos". Na verdade o soldado inglês estava em
desvantagem contra os atiradores americanos. Os ingleses usavam mosquetes de cano
liso que as vezes nem chegavam a distância de tiro útil contra os americanos,
que usavam armas com alcance e precisão superiores. é importante saber a
precisão a longa distância sempre foi de fundamental importância para a sobrevivência
desses caçadores em um terra selvagem e repleta de índios. 
A questão do
alcance dos mosquetes ingleses se deve mais a questões táticas do que
técnicas. Nas colônias americanas os ingleses lutaram usando as táticas de
combate européias em que batalhões
inimigos avançavam um contra o outro como uma massa compacta, ombro com ombro.
Se colocar diante dessa massa e fazer pontaria contra ela era quase suicídio,
pois só se mataria alguns soldados e a qualquer momento a massa compacta que
não parava se avançar dispararia contra você uma barragem mortal de chumbo. A lógica ditou então que a coisa mais satisfatória
era criar uma outra cortina de chumbo a mais densa possível no menor tempo. O avanço
assim era esmagador para o inimigo. É bem conhecido que a pólvora negra deixa resíduos no cano,
maior quando é raiado e menor quando é plano, razão por que os rifles
ingleses eram planos e permitiam realizar quatro tiros em 15 segundos, nas mãos
de um soldado treinado, algo realmente surpreendente. O rifle inglês era por
excelência o denominado "Brown Bess" de calibre .75.
Porém na guerra de independência
os caçadores americanos não iam para campo aberto, onde estavam em desvantagem
e sim preferiam lutar nas florestas. Dotados de rifles que lhe permitiram atirar à distância com
precisão e com mesma efetividade, eles podiam proteger suas vidas. A vestimenta
permitiu-lhe se mover com agilidade e ir até as árvores ou rochas, atirar, correr, esconder-se e atirar
novamente. Para isto os caçadores tinham aprendido a ocultar-se na natureza, o
que inclui o fator surpresa graças à camuflagem natural.
Em 7 de outubro de
1777, Timothy Murphy, um atirador de elite do Morgan's Kentucky Riflemen
matou com umtiro o General Simon Fraser exército inglês. Acredita-se que
Murphy acertou o tiro de cerca de 500 jardas. Ele estava usando um rifle tipo " kentucky ".
O General Fraser estava comandando uma missão de reconhecimento contra os
rebeldes em Bemis Heights, New York.
Com a morte de
Fraser o reconhecimento não teve êxito e isto influenciou diretamente na
batalha de Saratoga e no rumo da guerra que levou a derrota dos ingleses.
Porém existe um
fato muito interessante registrado na história da guerra de independência dos
EUA relacionado a um homem chamado Patrick Ferguson, coronel do
exército britânico. Ele era um dos principais desenvolvedores de armas de fogo
dos ingleses. Na época o rifle Ferguson era considerado um dos melhores em uso
pelo ingleses. quando era major o próprio Ferguson teve sob sua mira em Germantown,
Pennsylvania, um oficial não identificado do Exército Continental, durante a
guerra de independência
americana. Porém por uma questão de honra Ferguson não
efetuou o disparo que certamente mataria o oficial rebelde, que estava a 125
jardas, porque este estava de costas. Soube-se depois que o oficial
americano era ninguém menos do que o General George Washington. A sua morte
certamente afetaria todo o rumo da história dos EUA. Ironicamente em 7 de
outubro de 1780 Patrick Ferguson foi morto por um membro do Morgan's Kentucky Riflemen
distante cerca de 450 jardas. Como resultado a unidade de Ferguson se rendeu
quando o General lorde Charles Cornwallis foi forçado a abandonar a
invasão da Carolina do Norte. Com a morte de Ferguson, os ingleses perderam um
de seus primeiros desenhistas de armas. Em 19 de outubro de 1781, o exército
britânico, sob o comando de Lord Cornwallis, rendeu-se em Yorktown. Pelo
tratado assinado em Paris em 1783, e em que os Estados Unidos foram
representados por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay, a Grã-Bretanha
reconheceu a autonomia das colônias.
Mais tarde, já nos idos da guerra da
Secessão, nos EUA o Coronel do Exército
da União Hiram Berdam, criou e comandou o 1° e 2° batalhões de atiradores de
fuzil (neste caso, fuzis Sharps de calibre .52, dotados de primárias lunetas de corpo
de bronze) especialmente para infringir baixas a oficiais inimigos e
assim desmoralizar suas tropas. Os sharpshooters (como eram
conhecidos) obtiveram excelentes resultados, onde registraram-se
disparos certeiros a mais de 700 metros. A unidade de Berdam
foi atribuído o crédito de ter matado mais inimigos do que qualquer outra
unidade do Exército da União. O General Robert E. Lee ordenou que os confederados
criassem unidades de
atiradores de elite.
A
tática de usar atiradores de elite não ficou restrita aos americanos e não
demorou muitos anos para que outros exércitos, especialmente os europeus,
criassem suas próprias unidades de atiradores de elite. Atiradores de
elite foram usados pelos franceses comandados por Napoleão e por forças da
resistência contra as invasões francesas.
Cada Divisão francesa na época de Napoleão tinha
dois batalhões de mil "sharpshooter". Estes batalhões tinham capacidade de atingir alvos a 100
metros. Ficavam concentrados em uma guerra particular ao invés da batalha geral
como infantaria. Em combate atuavam juntos, formando uma força maior de cerca de
16 mil homens para concentrar contra força de até o dobro do tamanho e venciam
fácil. Cada Companhia também tinha um grupo de "sharpshooter" para serem usados
contra artilharia e oficiais. Na época os combates eram a cerca de 150 passos.
Perto
do fim da batalha de
Trafalgar, quando a esquadra inglesa já vencia a
esquadra francesa e a espanhola juntas, em 1805, um atirador de elite francês,
do alto do mastro do Redoutable, a menos de
20 metros, reconheceu a figura inconfundível de Nelson no convés do HMS
Victory e fez fogo sobre ele: a pesada bala do mosquete francês
atingiu-o no ombro esquerdo, atravessou completamente seu peito e prostrou-o
agonizante no tombadilho. Era uma e meia da tarde; levado para o convés
inferior, o herói inglês morreu três horas depois, cercado por seus oficiais,
que vinham trazer notícias do sucesso da batalha.
O
Brasil usou atiradores de elite alemães, que eram emigrantes ou contratados, na
Guerra contra Rosas e Oribe (1851-52), especialmente contra Rosas em Monte
Caseros em 2 de fevereiro de 1852. Existiam cerca de 100 atiradores que foram
espalhados entre as unidades brasileiras de Infantaria e armados de moderníssimos
fuzis Dreyse de agulha que soldados alemães haviam usado na reunificação da
Alemanha. Ele foram comandados pelo Capitão Francisco José Wildt da Guarda
Nacional de São Leopoldo .Com eles os artilheiros de Rosas foram caçados por
terem se postado dentro do alcance útil dos fuzis Dreyse que conseguiram
surpresa tática e assim o rompimento da posição de Artilharia por onde
penetraram os cavaleiros brasileiros do 2o Regimento de Cavalaria ao
comando do intrépido Tenente Coronel Manoel Luiz Osório ,o futuro Marques do
Herval .Estes alemães passaram a história como os brummer (significando rezingões?)
Foi o Tenente Coronel D. Davidson, veterano da Guerra da Criméia (1854- 56), o
primeiro a sugerir instalar lunetas nos fuzis de infantaria para aumentar a
precisão a longa distancia, além de melhor treinamento. A luneta foi pouco usada
no conflito, mas aproveitaram as táticas. Na mesma guerra, John Jacob, oficial
que servia na Índia, tinha um fuzil com projétil explosivo com alcance de 1800
metros. Foi testado no conflito contra uma posição de canhão que logo se
retirou.
Em 1848 surgiu o projétil em cone, chamado de
munição Minié. Era mais preciso que o projétil todo arredondado.
Em 1868 surgiu a tecnologia de cartucho e a pólvora de pouca fumaça. O poder,
alcance e precisão foram aumentados a níveis nunca atingidos antes e era tudo
que os snipers precisavam dando um grande impulso para novas táticas e técnicas.
Em 1880 foi introduzido a pólvora com pouca fumaça e mais potente. Antes a
fumaça branca dominava o campo de batalha e a posição dos sniper era facilmente
visível. Sem fumaça o efeito moral de terror dos tiros do sniper foi
multiplicada.
Os americanos comandados por Theodore Roosevelt em
1898, foram acossados por
bravos atirados espanhóis que defendiam a colina de San Juan em Cuba e que
resistiram bravamente a vários ataques americanos usando seus rifles Mauser 93
de repetição. Os espanhóis só foram vencidos depois de um ataque em massa
dos americanos.
Na Guerra dos Boers entre 1899 a 1901, os Boers, fazendeiros de origem
holandesas, eram caçadores locais e bons de tiro, deram muito trabalho as tropas
inglesas. Eram guerrilheiros sem treinamento militar e usavam táticas próprias.
Atiravam de longe sem ser atacados. Usavam camuflagem nas roupas, face e chapéu.
Os britânicos eram lentos e tinha que caminhar a noite. Os Boers eram rápidos e
disparavam escondidos a longa distância. Logo os britânicos só marchavam a noite
para se proteger. Os britânicos não eram treinados para tiro a longa distância
tiro e nem contra guerrilha. Os Boers usavam o terreno e a camuflagem para
compensar a desvantagem numérica. Mesmo assim a superioridade britânica acabou
vencendo, mas com muitas lições que mudariam a guerra no futuro e seriam
aplicadas na Primeira Guerra Mundial.
Primeira
Guerra Mundial
(Aqui serão relatados apenas alguns
dos principais conflitos dos séc. XX e XXI, bem como algumas ações dos snipers
envolvidos nesses conflitos)
Mesmo
sendo uma prática militar já usual no inicio do século XX, as nações
européias só vieram a utilizar largamente atiradores de elite a partir da
Primeira Guerra Mundial. Na verdade este foi o primeiro conflito em que esta
modalidade de combatente foi grandemente utilizada.
Alemães, ingleses,
franceses, australianos, americanos e turcos entre outros, usaram largamente suas novas unidades
de atiradores de elite neste conflito, pois as características da “guerra das
trincheiras” favoreciam os disparos de longo alcance e a imobilidade do
atirador.
Foram
os alemães que usaram os primeiros snipers especialmente treinados para a
função. Antes do conflito a Alemanha já usava snipers em nível de Companhia. Uma seção
do batalhão tinha 24 sniper com fuzis equipados com boas lunetas. Os alemães
trabalham em dupla revezando o papel de observador e sniper. Cansa ficar olhando
por uma luneta ou binóculo por muito tempo. Com seus snipers os alemães
conseguiram dominar os dois primeiros anos na terra de ninguém. Em um dia
típico, um batalhão aliado perdia 18 homens para os snipers. Nas trincheiras as
distâncias eram sempre a menos de 200 metros.
O
inglês Hisketh Pritchard criou a primeira escola aliada de atiradores de
elite durante a Primeira Guerra, no Reino Unido, onde atiradores britânicos e
americanos treinavam juntos. Muitos civis belgas usaram suas armas de fogo na
função de "franco-atiradores" contras as forças invasoras alemãs
em 1914. Atiradores turcos cobraram um alto tributo
as tropas aliadas em Gallipoli.
Em uma quinzena
da guerra de trincheira em dezembro de 1915, as tropas britânicas sofreram 3.285
baixas. Aproximadamente 23% destas baixas estavam relacionadas com ferimentos na cabeça, face e pescoço.
É uma
suposição
considerável que um grande número destas baixas foram causadas por um sniper.
Isto certamente gerava nos soldados aliados um tremendo efeito psicológico
relacionado com a insegurança e um desejo de ficar no fundo de sua trincheira
em vez de estar participando de ataques de infantaria.
Os sniper atiravam de várias posições trocando freqüentemente. As posições de
tiro eram
reforçadas e camufladas com todo tipo de material, usavam até falsos corpos de
cavalo. Na Primeira Guerra
Mundial, os alemães usavam placas de metal nas trincheiras com buraco para
atirar. A reação foi o uso de artilharia e camuflagem das posições. Os
britânicos testaram um fuzil para matar elefante para perfurar as placas
blindadas. Os alemães reagiram colocando duas placas com terra no meio. Usaram
táticas de mostrar capacete e cabeças falsas acima do parapeito para chamar a
atenção. Já os britânicos testaram um fuzil com mira por periscópio para
observar e atirar sem se expor.
Qualquer
um que coloca-se a cabeça para fora era um alvo. Mas com o tempo os atiradores
ficaram mais seletivos (oficiais principalmente), pois se a sua posição fosse
descoberta ela seria saturada com um impiedoso bombardeiro. Por isso os alvos
deveriam valer a pena serem abatidos.
Quando
os atiradores era feitos prisioneiros deviam esperar
pouca misericórdia do
inimigo, pois normalmente o atirador fazia
vítimas também entre os soldados que não estavam
diretamente envolvidos com
ações de combate.
Muitos
civis belgas funcionaram como franco-atiradores durante os primeiros meses
de guerra. Já nesta época
os atiradores operavam em pares. Os atiradores de elite serviam normalmente sob
oi comando do QG de um batalhão.
Durante
a Primeira Guerra Mundial, o Exército britânico encontrou atiradores alemães equipados com capas de camuflagem e rifles especiais com visões telescópicas.
Os alemães colocaram telescópios
em seus fuzis G98.
Os snipers alemães forçaram o Exército britânico a empregar as mesmas
técnicas. Ao final da guerra, os britânicos
puderam superar os alemães no seu próprio jogo.
Muitas
das armas usadas pelos atiradores no inicio da guerra era rifles de caça para
elefantes, que depois foram substituídos por rifles standard adaptados para a
função. Também nesta
guerra foram treinados atiradores para servirem em ações countersnipes.
Entre
os principais atiradores de elite aliados da Primeira Guerra podemos citar:
|
Atirador de elite |
País
|
Mortes |
|
Francis Pegahmagabow |
Canadá

|
378 |
|
Billy Sing |
Austrália

|
150 |
|
Henry Norwest |
Canadá

|
115 |
|
Herbert W. McBride |
Canadá/EUA
 
|
100+ |
|
Neville Methven |
África do Sul
|
100 |
|
Johnson Paudash |
Canadá

|
88 |
|
Philip McDonald |
Canadá

|
70 |
|
P. Riel |
Canadá

|
30 |
Pós-Primeira Guerra Mundial
Apenas os russos, entre as potências da Europa, continuaram a manter uma escola de sniper.
Em 1924, os russos criaram varias escolas de snipers. Gostavam de recrutar os
caçadores da Sibéria por serem bons para atuar no campo e eram caçadores natos.
Os melhores iam para as escolas distritais e nas escolas centrais os melhores
viravam instrutores. No inicio da Segunda Guerra Mundial havia uma equipe de
fogo de snipers por Divisão.
No fim da guerra já havia 18 snipers por batalhão ou dois snipers por pelotão.
Já os
alemães, britânicos, franceses fecharam suas escolas. Nos EUA, o Exército fez o
mesmo, porém o USMC
manteve um pequeno grupo de atiradores de elite. Os britânicos reabriram sua escola em 1940. O US Army
reabriu em 1942. Os alemães reabriram logo no inicio de suas operações.
Guerra
da Finlândia
Em agosto de 1939, Hitler e Stalin fizeram um pacto de não-agressão, o
qual, por sua parte favoreceu a erupção da Segunda Guerra Mundial. O acordo
conteve um anexo secreto sobre a distribuição de esferas de influência, em
que a Alemanha comprometeu-se a não interferir se a União Soviética
resolvesse ocupar os países bálticos ou a Finlândia. A União Soviética
apresentou à Finlândia importantes reivindicações territoriais para adiantar
suas posições defensivas em expectativa de um ataque de Hitler. O resultado das
negociações não satisfizeram a União Soviética que renunciou o pacto de não-agressão
assinado em 1932 e invadiu a Finlândia em 30 de novembro de 1939. O objetivo de
Stalin era de ocupar todo o país em duas semanas e instalar
um governo controlado pela União Soviética.
O exército finlandês, inferior
ao exército vermelho tanto em número como em armamento, lutou cerca de cem dias sem
praticamente nenhuma ajuda externa em condições extremamente difíceis. Stalin, que ainda não
tinha outra guerra pela qual preocupar-se, transportou uma parte significativa
do seu exército para a frente finlandesa, onde foi desmoralizado em combates
que ocorriam debaixo de temperaturas baixíssimas (até -40'C), que na época
eram desconhecidas dos soldados soviéticos, e pela alta motivação finlandeses, que
lutavam em defesa da sua terra.
Os defensores
finlandeses, conduzidos pelo marechal Mannerheim, ficaram famosos pelo
mundo, destruindo tanques soviéticos com coquetéis de "Molotov" (nome
do
ministro soviético de relações exteriores daquela época). O exército vermelho, que tinha perdido muito
de seus principais oficiais durante os expurgos políticas feitos por Stalin nos anos 30, sofreu grandes baixas e perdas nas manobras de enceramento
chamadas "motti", que foram feitas por finlandeses usando esquis. A
força aérea soviética também sofreu humilhações dos pilotos finlandeses.
Graças ao desempenho do exército, em março de 1940 a Finlândia
praticamente tinha detido, mesmo com muita dificuldade, a invasão soviética,
mas sentindo o risco de uma derrota iminente à vista da superioridade das
recursos bélicos da União Soviética, optou por um acordo de paz duro, segundo
o qual cedeu entre outros boa parte da província do sudeste chamada Carélia e
a península de Hangö, para ser utilizada como base naval.
Os sniper finlandeses cobraram um alto tributo aos russos. Eles eram muito móveis com
seus esquis, ficavam a frente de linha de defesa ou flancos, atacando postos
artilharia, morteiro e postos de comando. A determinação de defender o país
valia muito. Já os snipers russos tiveram que reagir treinando para guerra no
ártico e passaram a ser mais independentes da unidade que apoiavam.
Este conflito é importante para
a história dos atiradores de elite pois foi dele que saiu o campeão da lista
de atiradores Simo
Häyhä.
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Simo Hayha (Texto
de Lopes Furtado)
Ele nasceu em 17 de dezembro de 1906 na pequena cidade finlandesa de
Rautajarvi, como a maioria da população ele era um simples fazendeiro
de vida tranqüila e pacata, acostumado com a vida nas florestas geladas
era ele um homem do campo por paixão, caçador desde a infância aos 17
anos alistou-se no exercito finlandês para cumprir serviço militar
obrigatório, cumpriu o seu tempo de serviço de forma tranqüila em um
batalhão de bicicletas, em novembro de 1939 a Rússia invadiu a Finlândia
dando inicio a uma guerra que iria durar 105 dias e ficaria conhecida
como a guerra de inverno, Simo Hayha foi convocado as pressas juntamente
com centenas de outros reservistas,...integrou a principio a companhia
JR 34 encarregada de proteger e retardar o avanço da frente russa na
região do rio Kollaa.
As forças finlandesas na região do rio kollaa estavam sob o comando
do general Uiluo Tuompo e já enfrentavam as primeiras investidas do 9º
e 1º exércitos, soviéticos,...A superioridade numérica dos russos
era esmagadora, e como o vale do Kollaa era ponto estratégico importantíssimo
para o avanço russo, para lá foram enviadas 12 divisões, com um total
de 160.000 homens,...ignorando a superioridade numérica a resistência
finlandesa lutou ferozmente, e foi durante essa luta desigual que se
destacou Simo Hayha,... Aqueles eram os seus campos de caça e conhecia
a região como ninguém, era a sua casa, nenhum inimigo estaria
seguro,..."caçando" sozinho a "morte branca"
(apelidado por causa da camuflagem branca que usava na neve) levou o
terror às linhas inimigas, agia no sul e no norte, nunca fazia mais que
um disparo por posição, quando agia levava o pânico e abalava o moral
das tropas inimigas.
Assim a bravura e a audácia de um único atirador, atrasou em meses
o domínio daquela região,..e em apenas um mês as perdas vermelhas no
vale do Kollaa triplicaram.
Usava um rifle Mosin Nagant M28 em calibre 7.64X54 R (mesmo calibre
do atual SDV Dragonov) regulamentar das tropas finlandesas naquela época,
as miras eram abertas e sem qualquer tipo de aparato de precisão, com
esse rifle por mais de uma vez eliminou oficias russo com tiros precisos
de mais de 400 metros.
Em fevereiro de 1940 a ele foi entregue um rifle Mauser equipado
com um uma luneta de precisão e coronha custon, mas para a surpresa de
todos Hayha recusou a oferta do rifle e preferiu continuar com
o seu velho Nagant de miras abertas, segundo palavras do próprio Hayha;
o rifle Mauser era muito bom, mas o forçava a levantar demais a cabeça
para visualizar a luneta, e isso pra ele poderia significar a diferença
entre matar ou morrer já que era diariamente caçado por vários
snipers russos, o fato de não gostar de lunetas era devido a
necessidade de cuidados especiais que precisava se ter com esses
delicados aparelhos por causa do gelo e da neve que constituíam o
ambiente dos combates.
Outro coisa que diferencia o grande Simo Hayha de outros atiradores
era o fato de conseguir acertar melhores tiros sentados do que deitados,
por ser muito pequeno (1.60) desenvolveu uma posição de tiro sentado
que funcionava como uma plataforma, dando total estabilidade aos seus
tiros longos de 400, e 500 metros.
Quando perguntado qual era a chave do seu sucesso, disse não haver
nenhuma, apenas o amor pela pátria o conhecimento intimo da sua arma e
terreno, e a paciências para permanecer dias inteiros em uma posição
esperando uma oportunidade,..."cumpri da melhor forma possível as
missões que me confiavam" dizia ele com toda a sua modéstia.
Dessa forma mesmo após o fim da guerra de inverno com a inevitável
derrota finlandesa em março de 1940 as posições do rio Kollaa ainda
estavam sobre a "proteção" da morte branca e de uma pequena
facção do exercito finlandês.
Nos 100 dias que lutou na guerra de inverno Simo Hayha teve
creditadas e confirmadas oficialmente 542 baixas inimigas, seus números
são verdadeiramente notáveis, e acredito que dificilmente serão
superados por qualquer outro sniper de guerras modernas.
No dia 03 de junho de 1940 Simo Hayha foi ferido gravemente no rosto
por um sniper russo, mesmo assim ainda encontrou o seu fuzil e caçou e
matou o homem que o feriu, aquela foi a ultima ação de Simo Hayha no
exercito finlandês, morreu de causas naturais no dia 1º de abril e
2002 em Hamina Finlândia aos 96 anos. |
Outro atirador de elite finlandês da época da Guerra de Inverno na
Finlândia é Suko
Kolkka. Segundo informações ele matou aproximadamente 400 russos com seu
rifle e cerca de outros 200 usando submetralhadoras em combates de infantaria.
Devido a combatividade e qualidade excepcional dos finlandeses, e entre eles
de seus atiradores de elite, as perdas soviéticas foram de 40:1. No fim da
Guerra de Inverno um general soviético disse: "Conquistamos 22.000 milhas
de território finlandês. E isto é suficiente para enterrar os nossos
mortos".
Segunda Guerra Mundial
Nesta época um salto de qualidade foi dado por japoneses, britânicos,
russos, americanos e alemães. Mais uma vez foram criadas unidades
especificas de treinamento e emprego deste tipo de atirador. Nestas
unidades de treinamento a preparação e doutrina dos combatentes era
diferente dos soldados comuns, pois as condições de qualificação
exigidas eram extremas, dando-se especial ênfase
à parte psicológica. Durante a Segunda Guerra Mundial, a sofisticação de
equipamentos estava apenas iniciando e o alcance médio dos fuzis era de
400 metros.
Porém
Quando começou a Segunda Guerra Mundial, apenas os alemães e os soviéticos
tinham mantido seu treinamento especifico para snipers.
Os alemães tinham
melhores armas e sistemas óticos, porem os soviéticos os suplantavam em técnicas
de camuflagem. Quando os britânicos criaram sua escola de snipers o manual ainda
era da Primeira Guerra Mundial. O treinamento não incluía papel de infantaria
como tomar terreno, capturar prisioneiros ou liderar ataques.
O Exército inglês tinha várias
exigências para escolher um atirador de elite: inteligência acima da média,
forte e incansável, ótima
pontaria, prazer pela solidão e, de preferência, um homem do campo. Os
britânicos e as nações do Commonwealth normalmente usavam o fuzil Lee-Enfield No
4 Mk I (T).
Os americanos usavam o Springfield M1903A4 como seu
fuzil padrão para os snipers.
Os alemães
incentivavam muitas vezes seus oficiais à serem atiradores de elite, inclusive
condecorando-os com medalhas específicas para 20, 40, e 60 inimigos confirmadamente abatidos.
Táticas alemãs
Os snipers alemães que atuaram na frente russa tinham como alvos principais os
operadores de armas pesadas, observadores, oficiais, ou tudo que ameaça o avanço
das tropas. Sem liderança as tropas russas não avançavam e ficavam paralisadas
ou fugiam.
Os sniper alemães avançavam com as tropas, cobriam flancos e pegavam
observadores e ninhos de metralha inimigo. No fim da guerra cada pelotão alemão
tinha pelo menos dois homens treinados como scout e sniper.
Na tundra russa, os sniper ficavam na frente das tropas. Penetravam a noite nas
linhas e durante o ataque ou barragem pré-ataque tinham a missão de abater os
comandantes e artilheiros. As vezes acompanhavam o avanço para atingir
operadores de metralhadoras e armas anti-carro.
Uma tática de um sniper alemão durante um avanço inimigo era deixar varias ondas
atacar e atingir as ultimas no estomago. Os gritos dos feridos enervavam os da
frente. Depois passava a atingir os mais próximos a 50m na cabeça. É possível
conseguir cerca de 20 kills em poucos minutos.
A tática de apoio de retirada iniciou com os alemães na Segunda Guerra Mundial,
em 1944, quando um batalhão usava 4-6 snipers para cobrir a retirada de uma
companhia ou batalhão. Uma metralhadora seria detectada imediatamente enquanto os
tiros a longa distância dos snipers não e o inimigo passaria a atuar com cautela
para caçar os snipers.
Os alemães tem nos
registros oficiais um dos maiores atiradores de elite da história Mathias
Heutzenaner, que durante o ano de 1944 na frente russa, abateu 345
soldados e oficiais soviéticos! (Nota: na maioria dos casos,
utilizou um fuzil alemão projetado para ser uma arma anti-tanque,
calibre especial de 13mm, alcance de utilização ao redor de 500m, tiro
único). Um dado interessante é que os soviéticos usaram com bons
resultados mulheres como atiradoras de elite, devido a sua paciência e
determinação.
Nas
operações na Normandia os alemães infestaram a região, propicia para a
defesa, com centenas de atiradores de elite, que foram deixados para trás para
retardar o avanço aliado. Eles só cessavam de operar quando eram mortos ou
quando a sua munição acabava, momento em que se entregavam.
Os
atiradores de elite, especialmente alemães e russos, conseguiam atingir uma
cabeça a 400m, um dorso a 600m e um corpo inteiro a 800, necessitando repetir
os disparos em apenas 20% a 40% dos casos segundo a distância.
Táticas russas
A infantaria passou a usar muita submetralhadoras para supressão e era uma arma
ruim contra alvos em profundidade. Doutrinariamente os snipers cobriam estes
alvos mais distantes. Os snipers russos atuavam bem em ambientes urbanos.
Em um cenário urbano onde cada janela ou buraco podia
ser fonte de sniper. Para os snipers os alvos eram fugazes, e a posição ficava
comprometida rapidamente com movimentação. Um ataque frontal era suicídio, as
incursões esporádicas e brutais virou norma com uso de sniper. Em Stalingrado os snipers
dominaram o local e a morte rondava todos os lugares. As distancia na cidade eram
de curto alcance e a maioria menos de 300m. Na cidade é muito difícil saber de
onde vem o tiro devido ao eco.
Os snipers russos atuavam em duplas, com fuzil Mosin-Nagant com luneta zoom de 4x. Era
preciso até 800m. Os snipers russos também levavam submetralhadoras. Observador
também fazia pontaria para observar o tiro e atirar se o sniper errar. Durante
um avanço alemão a missão dos snipers russos era segurar o avanço e procurar
outra posição depois. O custo em vida foi alto.
Exemplo de operações na retaguarda seria uma operação onde seis equipes de
snipers russos foram ordenados parar uma coluna de reforço alemã. Foram de esqui
até a posição. Duas duplas cobriam o inicio do comboio, duas o meio e as outras
o fim. A primeira dupla abriu fogo e parou o comboio. Os outros foram batendo
alvos. Quando começavam a tentar fazer o comboio se mover, os snipers
reiniciavam os tiros e os alemães paravam. Foi se repetindo até uma posição ser
localizada. Os snipers mudavam de posição para contra-atacar. Conseguiram parar a
coluna que só andou 3-5km em várias horas.
Os oficiais é que ensinavam as tropas a atuar como snipers. Os snipers russos
recebiam treino de infantaria comum para operações ofensivas e defensivas. Como
levavam submetralhadora, granadas e capacete, ajudava a esconder função se
capturado. No fim da Segunda Guerra Mundial havia 18 sniper por batalhão ou dois
por pelotão. Os snipers russos foram escolhidos como fontes de heróis e o número
de kills pode ser exagerado por isso. Podia ser uma tática de propaganda.
Os marines
Ainda na Segunda Guerra Mundial, o USMC treinava seus snipers para tiro e
reconhecimento e por isso são chamados de "scout-sniper". Cada Companhia tinha
três snipers sendo um de reserva. O USMC treinava reconhecimento e táticas de
sniper agressivo, mas era difícil de empregar nas selvas do Pacífico. A
velocidade de retorno de tiro faz diferença entre vida e morte. Por isso tinha
que atuar em equipe de três com sniper, observador e apoio que cobria com
metralha BAR ou submetralhadora. Cada companhia tinha uma equipe. Alguns snipers
eram improvisados, como um oficial que treinava por conta própria e aproveitava
para atuar na função. O uso de luneta mostrou ser uma desvantagem na selva densa
o que se repetiu no Vietnã.
O USMC era a única unidade que treinava seus snipers para tiro a até 900 metros.
Este treinamento foi importante com sniper conseguindo abater tropas em ninhos
de metralhadora em Okinawa a 1.100m. As vezes tinham que usar traçante com o
observador indicando onde atingiu um alvo grande para determinar a distância.
A ameaça dos snipers japonesas acabava com a força e moral dos soldados
americanos. O USMC logo iniciou o uso de snipers como contra-sniper logo no
começo da formação do perímetro da cabeça de ponte durante os desembarques.
Contra bunkers atiravam nas janelas de metralhadoras. Outros japoneses tomavam o
lugar, mas logo percebiam o que estava acontecendo e paravam. Depois os Marines
conseguiam avançar com apoio dos sniper e atacar com lança-chamas e cargas
explosivas.
Os japoneses
Os Japoneses na Segunda Guerra Mundial, na campanha do Pacífico, usavam seus
snipers mais para defesa e por isso eram considerados menos em ações ofensivas.
Funcionava bem no terreno cheio de árvores e areias do Pacifico para controla
movimentos de tropas inimigas. O critério de escolha dos snipers japoneses era
diferente do ocidental. Eram escolhidos mais pela boa pontaria e era considerada
uma honra. O medo de fracasso os tornava bons. O treino era bem pratico e
sobrevivia muito tempo com poucos recursos para o padrão ocidental. Os snipers
japoneses não faziam ações de coleta de informações, pois atuavam até a morte na
posição, matando o máximo até serem mortos, e não voltavam. Na selva das ilhas
do Pacífico usavam mira simples para curto alcance.
Os japoneses geralmente deixavam os americanos passar e disparavam por trás de
buraco ou do topo de arvores. Com pouca distância até uma submetralhadora Nambu
servia como arma de sniper. Os snipers ficavam amarrados em arvores para não dar
dica para as equipes contra-sniper que conseguiu atingir, pois não via nada
cair. Os ocidentais não usam arvores como posição, a não ser observadores, pois
vira uma armadilha mortal se descoberto. Os japoneses usam sapatos e garras
especiais para subir em arvores. Conseguiam atrasavam os avanços por horas. Os
japoneses também usavam "buraco de aranha", bem profundo, mas ainda com bom
campo de tiro.

Os snipers japoneses preferiam o 6.5mm Arisaka Type 97 mais fraco. O alcance era
relativamente pequeno, mas ainda potente a curta distancia na selva e com pouca
fumaça o que era mais importante.
A contramedida americana foi atirar indiscriminadamente no topo das arvores com
as metralhadoras BAR ou disparar um canhão de 37mm com munição flechete. Era uma
tarefa lenta. Logo que tomavam uma cabeça de praia os Marines tinham que enviar
equipes anti-snipers.
Durante um assalto no Atol de
Kwajalein
em Jan - Fev 44 pela 7ª Divisão de
Infantaria, um sniper japonês inimigo provou ser extremamente mortal. No último
dos 5 dias de
batalha pelo atol, a Companhia F do 32º RI, encontrava - se sob o fogo
do Sniper. Os
homens não podiam identificar de onde vinham os fogos. Os disparos
paralisaram os
homens que tentavam escavar abrigos na areia ou cobrir - se com palmas
para camuflagem. Por uma hora a Companhia aferrou - se ao terreno, faltando 150
jardas para o
fim do atol. Um a um , dez soldados foram atingidos pelos disparos e
todo o tempo os
médicos arriscavam a vida rastejando até os feridos arrastando - os para
trás.O ímpeto do ataque tinha sumido. Somente a chegada de um tanque servindo como
escudo
para proteção do fogo do Sniper motivou os homens da Cia F a se
levantarem e se
deslocar para o objetivo. Só após desalojar o Sniper o objetivo foi
conquistado.
|
Duelo em Stalingrado
Um dos duelos mais famosos entre atiradores de elite aconteceu na batalha por
Stalingrado entre o russo Vasili Zaitsev e o alemão Erwin Konig.
Durante o início da batalha de Stalingrado as condições que os russos
enfrentavam eram extremamente difíceis, pois os alemães queriam os campos de
petróleo do sul da Rússia, do Cáucaso e o controle do rio Volga. Era uma região
de extrema importância econômica, industrial e política, o que fazia com que os
nazistas levassem não só infantaria bastante numerosa, mas também tanques,
aviões de caça, bombardeiros, canhões e infantaria blindada. Visto que a cidade
industrial de Stalingrado não tinha grande concentração de efetivos militares,
as condições eram extremamente difíceis e a vitória alemã parecia iminente.
Todavia os efetivos para Stalingrado foram aumentados, contando com o comando de
vários generais soviéticos, unidades da NKVD e a chegada de soldados de todas as
partes da URSS. Hitler chegou a declarar uma guerra pessoal entre ele e Stalin,
tornando-se assim um conflito entre o Vozhd e o Fürrer. A população civil fugia,
todavia não era possível que uma boa parte escapasse, fazendo com que muitos
civis sofressem com a guerra ou se juntassem à luta como partizans
(guerrilheiros comunistas).
Efetivos soviéticos não paravam de chegar, chegou-se a fazer uma ponte alguns
centímetros abaixo do rio Volga (a primeira da história), trens blindados
chegavam trazendo divisões do Exército Vermelho, uma dessas, a 284ª divisão do
62º exército, trazia dentre vários soldados um pastor de ovelhas siberiano que
habitava a região dos Montes Urais. Nascido em Katav-Ivanovskogo, era órfão
desde cedo e foi ensinado à atirar desde os 5 anos de idade por seu avô caçador
de lobos. O nome deste soldado era Vassili Grigorievitch Zaitsev ("lebre" em
russo). Ele chegou em Stalingrado no dia 20 de setembro de 1942, com 27 anos de
idade.
Quando chegou em Stalingrado ele não tinha um rifle como muitos outros soldados
soviéticos. Devido à falta de munições muitos soldados tinham de ficar atrás de
outro que tivesse um rifle para pegá-lo quando este morresse, recebendo apenas
uma tira de balas. Vassili recebeu apenas as balas, mas não ficou com o rifle.
Avançando pela cidade junto da sua pequena tropa (que foi facilmente vencida
pelos alemães entrincheirados), Vassili escondeu-se entre os cadáveres dos seus
camaradas mortos e segundo relatos do livro Enemy at the gates ("O Círculo de
Fogo", transformado em filme) apossou-se de um rifle de um soldado morto e
atirando apenas quando soava o som das explosões (afim de que não fosse ouvido o
barulho do rifle), abateu 5 alemães que estavam em um estabelecimento próximo
sem ser percebido e sem levar um só tiro, o que conquistou a atenção do
comissário político e jornalista Igor Danilov.
Naquele momento em que o jovem soldado Vassili mostrava proezas heróicas
abatendo os soldados alemães, Nikita Khruschev chegava à Stalingrado para cobrar
dos líderes militares e dos comissários um postura mais agressiva. Uma das
sugestões para um melhor desempenho dos soldados, agoniados com a provável
vitória das tropas do III Reich, partiu de Danilov, que sugeriu a
publicação do jornal militar novamente e a exaltação do sacrifício pessoal e a
dedicação à causa comunista, mostrando como exemplo aquele que conhecera de
perto, o lendário atirador de elite Vassili Zaitsev. Tal proeza funcionou e
Vassili foi promovido para a divisão dos atiradores de elite, seu nome foi
publicado nos jornais militares e ainda se tornou a grande sensação das
primeiras páginas do jornal "Pravda", o qual era lido por milhões de pessoas na
URSS, dando grandes esperanças ao povo soviético e aos soldados do Exército
Vermelho.
De fato as proezas de Zaitsev eram lendárias, por exemplo, no período de apenas
10 dias ele já havia eliminado cerca de 40 oficiais alemães de alta patente,
corajosa atitude essa que fizera dele também o mais falado nas rádios soviéticas
e o mais popular soldado da cidade e um dos mais da URSS (senão o mais popular).
Foi devido à necessidade de mais soldados como ele, que Danilov encarregou
Vassili de treinar e instruir outros atiradores de elite, dentre os quais a
oficial russa-americana Tatiana Tchernova, que voltou dos EUA para a URSS quando
a guerra havia começado. Obcecada pelo desejo de vingança contra os nazistas que
executaram seus avós, Tania perdera também seus pais durante a guerra, e por
isso sob instruções de Vassili Zaitsev tornou-se uma exímia atiradora de elite,
matando um grande número de soldados alemães junta com seu instrutor. Tania
Tchernova também veio a tornar-se a namorada de Zaitsev, vindo a iniciar um
relacionamento duradouro. Ele chegaria a ser ferida por uma mina atirada pelos
nazistas. Além de Tania, Vassili também deu eficaz treinamento à outros
atiradores, procurando sempre compartilhar com estes seu conhecimento e táticas
que utilizava na taiga siberiana.
Vassili Zaitsev era um exímio atirador de elite, com seu rifle Moisin-Nagant
91/30 (na época um dos melhores a disposição do Exército Vermelho) foi capaz de
abater só em Stalingrado 242 nazistas, dentre soldados, oficiais e até
atiradores de elite alemães, com os quais travou árduas lutas, sendo a mais
épica dessas, a luta contra o major alemão Heintz Thorvald, também conhecido
como Major Erwin König. Segundo os soviéticos ele era da escola alemã de
atiradores de elite.
As atividades dos atiradores de elite soviéticos causavam grande intranqüilidade
aos generais alemães em Stalingrado onde já tinham matado mais de mil soldados
alemães. Diante das constantes ameaças, os alemães começaram a organizar
unidades anti-atiradores de elite. Certa uma das patrulhas russas trouxe um
prisioneiros para fins de identificação que disse que o Chefe da escola alemã de
atiradores de elite, Major Konig, tinha chegado de avião de Berlim e fora
incumbido, antes de tudo de matar o mais eminente dos atiradores soviéticos,
Vassili Zaitsev.
Como se sabe os soviéticos escreveram muito sobre os feitos de Vassili Zaitsev.
Alguns dos panfletos cairam em mãos alemães, que estudaram os métodos dos
atiradores soviéticos e tomaram medidas ativas para combatê-los. Logo quando um
dos atiradores soviéticos matava um ou dois oficiais inimigos, a artilharia e os
morteiros alemães, escondidos, começavam a disparar, o que forçava os atiradores
de elite soviéticos a mudarem apressadamente de posição.
Na verdade existe uma grande dúvida se o Major Erwin König/Heintz Thorvald
existiu de fato e se eram a mesma pessoa. Esta dúvida existe porque Erwin König.
só aparece e muito na propaganda russa, mas não encontramos nenhuma documentação
na Alemanha as respeito dele. Tanto Erwin König quanto Heintz Thorvald eram
nomes alemães bem comuns na época da guerra. É interessante observar que no
registro de guerra russo o adversário de Vassili Zaitsev é chamado de Erwin
König e nas suas memórias o atirador de elite o chama de Heintz Thorvald. Alguns
dizem que o temível atirador de elite alemão foi fabricado pela imprensa
soviética para representar o exército alemão, ou os atiradores de elite como um
todo e que o objetivo do duelo era a de levantar o moral soviético.
Os soviéticos diziam que Erwin König. era um rico caçador de veados da Bavária
que foi enviado a Stalingrado apenas com a missão de abater Vasha (como também
era conhecido Vassili), fato que comprovava sua fama até mesmo entre os soldados
alemães, o que fazia dele um arcanjo para os soviéticos e demônio para os
alemães. Ambos posicionados, o duelo entre o comunista pastor de ovelhas e o
nazista caçador de veados seria um dos épicos episódios da batalha de
Stalingrado, pois além de sua extensa duração foi marcado por momentos em que
ambos estiveram próximos da morte, momentos em que a sorte esteve presente, em
que a ânsia e a angústia estiveram presente nos corações daqueles que aguardavam
os resultados daquele duelo, fossem civis ou militares, enquanto que com toda
cautela, mas sobretudo com calma os atiradores souberam levar tal conflito.
Uma das desvantagens de Vasha era o fato de que seus atos haviam sido
observados, sendo levados ao conhecimento do Comando da Wermatch e
conseqüentemente de König, que passou a caçar o atirador russo. O próprio Vasily
Zaitsev fala a respeito do duelo:
"A chegada do atirador nazista trouxe-nos uma nova
tarefa: tínhamos de encontrá-lo, estudar os seus hábitos e métodos e esperar
pacientemente o momento justo para um, somente um, tiro certeiro. Nos nossos
abrigos, à noite, tínhamos discussões furiosas sobre o próximo duelo. Todo
atirador apresentava as suas especulações e conjecturas extraídas da observação
de cada dia das posições de vanguarda do inimigo. Discutíamos toda espécie de
propostas e de apostas. Mas a arte do franco-atirador se distingue pelo fato de
que, seja qual for a experiência que muita gente tenha, o resultado da luta é
decidido por um dos atiradores. Ele enfrenta o inimigo face a face e de cada vez
tem de criar, de inventar, de operar diferente. Não pode haver esquema para o
atirador; um esquema seria suicídio.
Ainda assim, onde estava o atirador de Berlim - perguntávamos uns aos outros. Eu
conhecia o estilo dos atiradores nazistas pelo seu fogo e pela sua camuflagem e
podia, sem dificuldade, distinguir os experimentados dos novatos, os covardes
dos tenazes e resolutos. Mas o caráter do chefe da escola era ainda um mistério
para mim. As nossas observações cotidianas nada nos diziam de definitivo. Era
difícil decidir em que setor operava. Presumivelmente alterava a sua posição com
freqüência e me procurava tão cuidadosamente quanto eu a ele. Então alguma coisa
aconteceu. O meu amigo Morozov foi morto e Sheykin ferido por um fuzil com mira
telescópica. Morozov e Sheikin eram atiradores experientes; muitas vezes saíram
vitoriosos das mais difíceis escaramuças com o inimigo. Agora não havia mais
dúvida. Tinham dado com o super-atirador nazista que que procurava. Pela
madrugada saí com *Kulikov para as mesmas posições que os nossos camaradas
haviam ocupado na véspera.
(*Segundo informações Nikolay Kulikov, conheceu o major König na Alemanha
durante a época do tratado de não-agressão. Acompanhando Vassili, Kulikov
usou-se de binóculos para scannear as linhas inimigas quando estas travavam nas
ruas batalhas e desferiam ataques contra as tropas soviéticas, sempre
escondendo-se em prédios ou outras edificações.)
Inspecionando as posições de vanguarda do inimigo,
que havíamos passado muitos dias estudando e conhecíamos bem, nada encontrei de
novo. O dia estava chegando ao seu termo. Então, acima de uma trincheira alemã
surgiu inesperadamente um capacete, movimentando-se vagarosamente ao longo dela.
Deveria eu atirar ? Não! Era um ardil; o capacete movimentava-se de modo
irregular e presumivelmente estava sendo levado por alguém que ajudava o
atirador, enquanto ele esperava que eu atirasse. - Onde estará escondido ?
Perguntou Kulikov, quando deixamos a emboscada sob a proteção da escuridão. Pela
paciência que o inimigo demonstrava durante o dia conjecturei que o atirador de
Berlim estava aqui. Era necessário vigilância especial...
Passou-se um segundo dia. De quem seriam os nervos
mais resistentes ? Quem venceria ? Nikolay Kulikov, um verdadeiro camarada,
também estava fascinado pelo duelo. Não tinha dúvida de que o inimigo ali estava
diante de nós e eu estava ansioso pra que vencêssemos. No terceiro dia, o
comissário político Danilov, também foi conosco para a emboscada. O dia rompeu
como sempre: a luz ia aumentando de minuto a minuto e as posições inimigas iam
sendo distinguidas com cada vez mais clareza. Travou-se batalha perto de nós,
obuses silvavam acima de nós, mas, colados às miras telescópicas, mantivemos o
olhar dirigido para o que acontecia à nossa frente. Lá está ele! Eu o indicarei
para vocês! - disse, de repente, o comissário Danilov ficou excitado.
Ele mal se elevou, literalmente por um segundo, mas
sem cuidado, acima do parapeito, e isso bastou para que o alemão o
atingisse e o ferisse. Esta espécie de disparo, naturalmente, só podia provir de
um sniper experiente. Durante muito tempo examinei as posições inimigas, mas não
pude descobrir o seu esconderijo. Pela velocidade com que disparara cheguei à
conclusão de que o atirador estava em algum ponto diretamente à nossa frente.
Continuei a observar. À esquerda havia um carro fora de ação e à direita uma
fortificação solitária. Onde estava ele ? No carro ? Não, um sniper veterano não
tomaria posição ali. Na fortificação, talvez ? Também não - a portinhola estava
fechada. Entre o carro e a fortificação, numa faixa de terreno plano, havia uma
chapa de ferro e uma pilha de tijolos quebrados. Estavam ali havia muito tempo e
já nos acostumáramos a vê-las. Coloquei-me na posição do inimigo e pensei - que
lugar melhor para um atirador ? Bastava apenas fazer um cavalete sob a chapa de
ferro e chegar a ela durante a noite. Sim, ele estava certamente ali, sob a
chapa de ferro, na terra-de-ninguém. Resolvi certificar-me. Pus uma luva na
ponta de um pedaço de pau e a elevei. O nazista caiu nessa. Abaixei
cuidadosamente o pedaço de
pau na mesma posição e examinei o orifício aberto pela bala. Ela atingira
diretamente pela frente; isto significava que o nazista estava debaixo da chapa
de ferro.
- Lá está o nosso atirador! - disse Kulikov, com a
sua voz calma, do seu esconderijo perto do meu. Veio então o problema de atrair,
ainda que fosse pelo menos parte da sua cabeça, para a minha mira. Era inútil
tentar fazê-lo logo. Precisávamos de mais tempo. Mas eu pudera estudar o
temperamento do alemão. Ele não abandonaria a boa posição que havia encontrado.
Devíamos, portanto, mudar de posição.
Trabalhamos durante a noite. Ficamos em posição pela madrugada. Os alemães
atiravam contra os ancoradouros do Volga. A luz chegou com rapidez e ao raiar o
dia a batalha cresceu de intensidade. Mas nem o troar dos canhões nem a explosão
de bombas e obuses, nada nos poderia distrair do trabalho que tínhamos à mão. O
sol se elevou no céu. Kulikov deu um tiro às cegas: tínhamos de despertar a
curiosidade do atirador. Havíamos decidido passar a manhã à espera, pois
poderíamos ser localizados pelo reflexo do sol nas nossas miras telescópicas.
Após o almoço os nossos fuzis estavam na sombra e o sol brilhava diretamente
sobre a posição do alemão. Na ponta da chapa de ferro alguma coisa brilhava: um
pedaço qualquer de vidro ou uma mira telescópica ? Cuidadosamente, Kulikov
começou, como somente podem fazê-lo os mais experimentados, a levantar o seu
capacete. O alemão disparou. Por uma fração de segundo Kulikov se levantou e
gritou. O alemão acreditou que finalmente apanhara o atirador soviético que
vinha caçando havia quatro dias e levantou a cabeça de debaixo da chapa de
ferro. Era com isso que eu contava. Fiz uma pontaria cuidadosa. A cabeça do
alemão caiu para trás e a mira telescópica do seu fuzil K-98 ficou sem
movimento, brilhando ao sol, até que a noite caiu..."
Após o duelo Vassili Zaitsev veio a matar vários outros soldados alemães em
Stalingrado. Indomável e audacioso ficaria conhecido em toda a cidade por seus
feitos heróicos, tanto pelos comunistas quanto pelos nazistas, por quem era tão
temido. Vassili seria designado posteriormente como comandante dos
atiradores de elite, que viam nele uma inspiração e um grande professor que
procurava repassar aos alunos todos os conhecimentos aprendidos. Em janeiro de
1943 Vassili Zaitsev veio a ser gravemente ferido, sendo levado para Moscou e
tratado no principal hospital da cidade com o professor universitário Filatov,
um dos melhores médicos do país.
Zaitsev pôde no mesmo ano retornar a Stalingrado e reencontrar seus amigos
atiradores de elite e sua companheira Tania Tchernova. À pedido seu veio a atuar
no front de batalha como soldado comum, demonstrando clara determinação e
heroísmo de um soldado exemplar. Após Stalingrado, Zaitsev atuou em Dniestre já
com a patente de capitão. Nesse período veio a escrever dois famosos manuais
para atiradores de elite.
Condecorado com a Ordem da Guerra Patriótica, duas Ordens da Bandeira Vermelha,
várias vezes condecorado com a Ordem de Lenin, além de medalhas menores, Vassili
Zaitsev recebeu então a medalha da Estrela Dourada e o status de "Herói da União
Soviética", vindo a ser condecorado ainda outras vezes por ser veterano de
guerra de Stalingrado.
Após o término da guerra Zaitsev desmobilizou-se e passou a ser um veterano de
guerra, trabalhando como diretor de uma fábrica de construção de carros em Kiev,
tendo terminado esse trabalho somente em 15 de dezembro de 1991 quando morreu.
Quem se encontrava com Zaitsev ficava surpreendido com sua modéstia, o modo
despreocupado com que se movimentava, o seu temperamento plácido, a maneira
atenta com que olhava as coisas; podia fitar o mesmo objeto durante longo tempo
sem pestanejar. Tinham mãos vigorosas - e quando apertavam as mãos de alguém os
dedos doíam.
|

O Moisin-Nagant 91/30, o
modelo do rifle usado por Vassili
(que hoje está no museu
na antiga cidade de Stalingrado)
|
Os atiradores
de elite soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial

Os soviéticos davam atenção particular ao desenvolvimento de um movimento de franco
atiradores entre suas tropas. O diário do Exército "Em Defesa do Nosso País" publicava,
todos os dias, cifras do números de alemães mortos pelos franco-atiradores
soviéticos e publicava fotografias daqueles que tinham a pontaria mais
certeira.
A ação geral dos atiradores de elite era chefiada pelas seções políticas, pelas
organizações do Partido e do Komsomol: em reuniões do Partido e do Komsomol
discutiam-se questões e elaboravam-se medidas para melhorar o seu trabalho em
relação com os bons atiradores. Os soviéticos foram os primeiros a
usarem equipes (dois homens) de atiradores de elite.
Os franco-atiradores saíam à caça, às primeiras horas da manhã, para locais
previamente selecionados e preparados, camuflavam-se cuidadosamente e esperavam,
pacientemente o aparecimento dos seus alvos. Sabiam que a mais ligeira
negligência ou pressa levaria a morte certa: o inimigo mantinha cuidadosa vigilância sobre os
atiradores russos. Eles gastavam poucas balas, mas todo tiro partido deles significava
morte ou ferimento para qualquer alemão colhido no seu campo de visão.
Zaitsev chegou a ser ferido nos olhos. Um franco-atirador alemão naturalmente teve a paciência de descobrir a pista do 'caçador'
russo que na época tinha cerca de 300 mortos alemães a seu crédito. Quando voltou ao serviço ativo, após
a cura, continuou a selecionar e treinar franco-atiradores, os seus
"coelhinhos" como chamava.(O nome Zaitsev deriva da palavra russa para "coelho")
Todo atirador de elite russo altamente experiente passava adiante a sua experiência, ensinava a jovens atiradores
a arte de atirar. Daí os nossos soldados acostumaram-se a dizer: - Zaitsev
treina os seus coelhinhos e Medvedev os seus ursinhos. Todos eles matam alemães
e não erram...(Medvedev vem da palavra russa para "urso".) Viktor Medvedev
que matou mais alemães do que Zaitsev, foi treinado por este.
O manual russo da Segunda Guerra Mundial cita as funções do sniper como sendo:
- Destruir armas inimigas que podem interferir no avanço do pelotão (sniper)
- Destruir o componente de comando inimigo para interferir na cadeia de comando
(oficiais e sargentos)
- Encontrar e destruir inimigo que esta conduzindo fogo e interferindo no avanço
das tropas (metralha, morteiro)
|
Os principais atiradores
de elite da Segunda Guerra Mundial:
|
Atirador de
elite |
País
|
Mortes |
|
Simo Hayha |
Finlândia
|
542 |
|
Ivan Sidorenko |
URSS

|
500 |
|
Nikolay Yakovlevich Ilyin |
URSS

|
496 |
|
Kulbertinov |
URSS

|
487 |
|
Mikhail Budenkov |
URSS

|
437 |
|
Fyodor Matveevich Okhlopkov |
URSS

|
429 |
|
Fyodor Djachenko |
URSS

|
425 |
|
Vasilij Ivanovich Golosov |
URSS

|
422 |
|
Afanasy Gordienko |
URSS

|
417 |
|
Stepan Petrenko |
URSS

|
412 |
|
Erwin Konig
(?) |
Alemanha

|
400 |
|
Vasili Zaitsev |
URSS

|
400 |
|
Sulo Kolkka |
Finlândia

|
400 |
|
Semen D. Nomokonov |
URSS

|
367 |
|
Abdukhani Idrisov |
URSS

|
349 |
|
Philipp Yakovlevich Rubaho |
URSS

|
346 |
|
Matthäus Hetzenauer |
Alemanha

|
345 |
|
Victor Ivanovich Medvedev |
URSS

|
331 |
|
E. Nicolaev |
URSS

|
324 |
|
Leonid Yakovlevich Butkevich |
URSS

|
315 |
|
Nikolai Ilyin |
URSS

|
315 |
|
Lyudmila M. Pavlichenko (F) |
URSS

|
309 |
|
Alexander Pavlovich Lebedev |
URSS

|
307 |
|
Ivan Pavlovich Gorelikov |
URSS

|
305 |
|
Ivan Petrovich Antonov |
URSS

|
302 |
|
Heinz Thorvald |
Alemanha

|
300 |
|
Gennadij Iosifovich Velichko |
URSS

|
300 |
|
Moisej Timofeyevich Usik |
URSS

|
300 |
|
Nataly V. Kovshova &
Maria Polivanova (Female team) |
URSS

|
300 |
|
Ivan Filippovich Abdulov |
URSS

|
298 |
|
Yakov Mikhajlovich Smetnev |
URSS

|
279 |
|
Zhambyl Evscheyevich Tulaev |
URSS

|
262 |
|
Sepp Allerberger |
Alemanha

|
257 |
|
Fyodor Kuzmich Chegodaev |
URSS

|
250 |
|
Ivan Ivanovich Bocharov |
URSS

|
248 |
|
Mikhail Ignatievich Belousov |
URSS

|
245 |
|
David Teboevich Doev |
URSS

|
226 |
|
Vasilij Shalvovich Kvachantiradze |
URSS

|
215 |
|
Mikhail Stepanovich Sokhin |
URSS

|
202 |
|
Noj Petrovich Adamia |
URSS

|
200 |
|
Gefreiter Meyer |
Alemanha

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180 |
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Feodosy Smeljachkov |
URSS

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125 |
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I. Merkulov |
URSS

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125 |
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H. Andruhaev |
URSS

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125 |
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Oleh Dir |
Alemanha

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120 |
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Tatiana Igantovna Kostyrina |
URSS

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120 |
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Sgt. Passar |
URSS

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103 |
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V. N. Pchelintsev |
URSS

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102 |
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Aliya Moldagulova |
URSS

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91 |
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Lidiya Gudovanceva |
URSS

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76 |
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Helmut Wirnsberger |
Alemanha

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64 |
|
P. Grjaznov |
URSS

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57 |
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Assunto:
Atiradores de Elite
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