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Perfil da Unidade
LRDG - Long Range Desert GroupGrupo de Longo Alcance do Deserto
O Grupo de Longo Alcance do Deserto (LRDG) foi uma unidade especial britânica formada durante a Segunda Guerra Mundial para operações no Norte da África. A nova unidade foi criada em 3 de julho de 1940 pelo Major Ralph A. Bagnold e pelo seu assistente Capitão Clayton Shaw. O LRDG tinha cerca de 150 voluntários da Nova Zelândia. A razão de ter tantos neozelandeses é que a maioria era fazendeiros e Bagnold acreditava que eles saberiam cuidar bem do equipamento. Depois foram acrescentados voluntários ingleses e rodesianos. Durante o treinamento inicial, Shaw era responsável por ensinar navegação, enquanto Bagnold ensinou comunicações. O LRDG era especialista em reconhecimento motorizado, no recolhimento de inteligência, e na navegação no deserto. Os homens do SAS - Special Air Service de David Stirling, chamavam o LRDG de "o serviço de táxi do deserto líbio".
Criação Em outubro de 1939, o Major Ralph Bagnold, do Real Corpo de Transmissões (Royal Signals), deixou a Inglaterra para assumir um posto na África Oriental. A Itália não havia ainda entrado na guerra e o Mediterrâneo encontrava-se aberto aos navios britânicos. A despeito da tensão com que se faziam as viagens nos anos de guerra, Bagnold aproveitou bastante o sol de outono que banhava o convés, esperando chegar a Suez sem incidentes. Mas, por um golpe do destino, o navio em que ia, por haver colidido com um outro, teve de aportar em Alexandria, para reparos. Confrontado com um ,11 raso de dez dias ou ma:is, decidiu ele visitar amigos no Cairo, onde poucos dias depois foi chamado ao Q-G do General Sir Wavell, Comandante-Chefe no Oriente Médio. Este grande soldado, homem de poucas palavras, perguntou-lhe: "Gostaria de servir sob o meu comando?" Bagnold aceitou sem hesitar, pois se a Itália entrasse em guerra Wavell teria de lutar na Líbia, no Deserto Ocidental ("Ocidental" em relação ao Egito) e este deserto Bagnold conhecia como pouco esta região.
Oficial regular do exército britânico, a sua educação se fez no Malvern College e no Gonville and Caius College, em Cambridge, cursando depois a Real Academia Militar, em Woolwich. Em 1915, recebeu sua patente com os Reais Engenheiros e serviu na Frente Ocidental até 1918. Em 1920, transferiram-no para o Real Corpo de Transmissões e, poucos anos depois, mandaram-no para o Oriente Médio. Levando alguns entusiastas consigo, começou a organizar viagens de fim de semana do Cairo ao Oásis Siwa ou ao Sinai e, gradativamente, foi se tornando mais ambicioso, até que em meados dos anos 1930 ele estava fazendo jornadas de 10.00 km cobrindo a maior parte do deserto entre o Mediterrâneo e o norte do Sudão. Durante esses anos, ele aperfeiçoou uma bússola solar, inventou vários dispositivos para "desatolar" carros da areia e reuniu grande cabedal de conhecimentos sobre o deserto. A despeito de suas realizações, Bagnold continuou modesto, jamais atraindo para si qualquer publicidade, e até hoje são raras as referências a ele, sendo quase inexistente o anedotário a seu respeito. Nem suas proezas, nem o que fez publicar despertaram interesse no War Office, mas, felizmente, a Royal Geographical Society deu-lhe o estimulo e o apoio que lhe permitiram prosseguir. Ao iniciar-se a guerra, ele já era capaz de ir a qualquer parte do deserto e descobrir o caminho de volta; conhecia os oásis e os perigos. E, sendo um verdadeiro soldado profissional, naturalmente ansiava por usar seus conhecimentos contra o inimigo. Durante alguns meses, pareceu-lhe impossível conseguir isto, exceto como consultor, apenas, mas então, em 10 de junho de 1940, a situação mudou, quando a Itália entrou na Segunda Guerra Mundial.
O Deserto Ocidental Correndo para oeste desde o Nilo, e para o sul desde o Mediterrâneo, o Deserto Ocidental abrange cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados. É o mais árido ponto da Terra e, mesmo a poucos quilômetros da costa, a ocorrência de chuva se verifica poucas vezes por ano. Mais ao sul, anos a fio passam-se sem chover. Geologicamente, o deserto é composto não de areia, mas de incontáveis partículas de poeira saibrosa que, desde o tempo dos romanos, têm avançado para o norte, engolfando civilizações. O deserto não é plano. Em alguns lugares, a rocha nua aflora para formar elevações, como a Crista de Ruweisat e a Crista de Miteiriya; por outro lado, há também depressões, que se abrem como ásperas cicatrizes em grandes áreas de solo erodido, Algumas delas têm encostas relativamente suaves, outras, porém, como a Depressão de Munassib, são cercadas por altos rochedos. A maior de todas as depressões, li de Qattara, que corre da estação ferroviária de EI Alamein para sudoeste, cobre milhares de quilômetros quadrados, com seu leito, situado a 1.200 m abaixo do nível do mar, formado principalmente de pântano salobro. A oeste de Qattara, como uma enorme mão deformada que apontasse o indicador e o polegar para o sul, estão o Grande Mar de Areia e o Mar de Areia de Kalansho, que os árabes conhecem como "a terra do diabo" e que nos tempos antigos julgava-se só transponivel com tropas de camelos. Não existem oásis dentro dessa vasta região. Além de muito seco, o deserto é também muito quente; longe da faixa costeira, as temperaturas de 48°C e 50°C á sombra são muito comuns, e, a partir do meio-dia, a névoa que o forte calor faz surgir, ao tremular, dá a impressão de que todo o chão treme. Com o pôr-do-sol vem o alívio, embora, muitas vezes, nesse momento as tempestades de areia se abatam, sufocando homem e animal em densa nuvem de poeira. À noite cintilam milhares de estrelas, e o ar é frio, especialmente no inverno, quando, até que chegue o amanhecer, o vento em geral corta como navalha. O Deserto Ocidental é um lugar estranho e cruel, onde o perigo está sempre presente' e onde a sobrevivência é difícil. Embora a maioria o detestasse, uns poucos responderam ao seu fascínio, aprenderam a conhecê-Ia e, até, a amá-Io; e o líder desse seleto grupo era o Major Ralph Bagnold.
Experiências anteriores A formação do
LRDG, não constituiu uma experiência original
na história das guerras no deserto. Durante a Primeira Guerra Mundial, o
Exército britânico no Oriente Médio usou as LCP (Light Car
Patrol
Especialistas As exigências física da operação no deserto eram muito grandes e os homens tinham que trabalhar duro, trabalhar em equipe, pois um dependia do outro e deveria desenvolver autoconfiança. Os homens eram treinados para serem especialistas como por exemplo enfermeiros, navegadores, mecânicos e operadores de rádio. Além de ser um especialista em uma determinada área eles eram treinados em outras áreas para possíveis substituições de pessoal. Ou seja os homens deveriam ser especialistas em um ou duas áreas, o que tornava a unidade e seus homens bem versáteis. Isto tanto era esperado de praças, graduados, quanto dos oficiais. Todos também deveriam saber manejar todas as armas usadas pelo LRDG. Muitos destes conceitos se manteriam vivos em organizações militares como o SAS britânico e nas Forças Especiais dos EUA (Boinas Verdes). Porém é bom lembrar que na época em que foi implantado no LRDG esse conceito não era nada comum.
Organização
A LRPU (Long Range Patrol Unit, Unidade de Patrulha de Longo Alcance), precursora do LRDG, compunha-se de oito oficiais, 112 soldados e dezesseis homens de reforço, divididos igualmente entre um QG e três patrulhas. Dispunha de 44 veículos para fins de transporte. Em serviço ativo, cada patrulha· subdividia-se em quatro tropas, embora a experiência logo tivesse mostrado que uma patrulha operava com maior eficiência quando dividida ao meio. Levando em conta essas experiências, a organização inicial do LRDG, autorizada em julho de 1940, determinava uma composição de onze oficiais e 76 homens de outras graduações, transportados em 43 veículos. Em novembro de 1940, decidiu-se aumentar a força da unidade para 21 oficiais e 271 subalternos, divididos entre um QG e dois esquadrões. Cada esquadrão consistia em três patrulhas, transportadas em dez veículos. O processo de reorganização começou em S de dezembro, com a chegada da Patrulha G (da Guarda), e continuou nos três meses seguintes, com a vinda ao Egito da Patrulha S (de rodesianos) e da Patrulha Y (britânica). Criou-se depois uma seção de artilharia, considerada mais útil que uma sexta patrulha. O LRDG atingiu sua força total por volta de março de 1942: 110 veículos, cerca de 2S oficiais e 324 homens de outras graduações, entre os quais 36 sinaleiros e 36 integrantes do quadro de reparos leves. O grupo dividiu-se em dois esquadrões. O Esquadrão A reunia as patrulhas R, T e S e o Esquadrão B, as patrulhas G e Y. Essa organização sobreviveu até março de 1943, quando o LRDG foi removido para o Cairo, reequipando-se para operações na Grécia, Itália e Iugoslávia.
Veículos Os primeiros caminhões utilizados pelo LRDG foram obtidos de fontes egípcias. Os melhores caminhões disponíveis eram os Ford F30 4WD e os Chevrolet WB, do quais 31 unidades foram requisitadas ao Exército egípcio e à fábrica local da General Motors. Eles eram suportados por carros de comando Chevrolet 1311x1 15 cwt (3/4 t) de comando.
Depois de seis semanas de operação, no início de 1941, esses veículos já. estavam. precisando de reparos urgentes. Em março de 1942, chegaram duzentos caminhões Chevrolet 1533X2. Embora fossem padronizados, a ponto de ter cabine aberta e carroceria de aço, sofreram modificações: os pára-brisas foram substituídos por modelos usados em aviões,. instalaram-se guarnições de armas e suportes de bússola, e a carroceria foi levantada com pranchas dê madeira. Depois dessa conversão, esses veículos tomaram-se o principal transporte do LRDG até o fm da guerra do deserto. Os Chevrolet 1311x1 15 cwt (3/4 t) como carros de comando for substituídos pelos jeeps Willys.
O alcance normal dos veículos superava os 1.600 km, mas podia ser ampliado pela colocação, ao longo do caminho, de depósitos adicionais de gasolina e suprimentos. Cada caminhão transportava equipamento suficiente pára três semanas de serviço ativo.
Armas Cada patrulha era
equipada com 10 metralhadoras Lewis, 4 rifles antitanques Boys .55 e armas Bofors antitanque de 37mm. Depois sobre
os caminhões foram instaladas metralhadoras de .50, e metralhadoras gêmeas
Vickers K de .303. As tropas carregavam submetralhadoras Brens e Thompson
M1928, além de outra grande variedade de armas.
Também usavam rifles SMLE Mark III e Lee-Enfield No 4 Mark I 1939 Model britânicos e revolveres Smith & Wesson 38 Special (Military) e Enfield Revolver No. 2 Mk. 1, além da pistola M1911A1 Colt 45 Automatic. As facas Fairbairn Sykes - FS dos Commandos também eram usadas.
As granadas N0. 36 Mills e morteiros também eram usados. Em suas missões de sabotagem e ataques os homens do LRDG usavam também explosivos como as bombas Lewes (desenvolvidas por Jock Lewes, do SAS) que eram usadas contra aeronaves estacionadas, e minas anticarro GS Mark. V. É claro que os o LRDG também usava armas capturadas do seus inimigos como a arma antiaérea Breda de 20mm italiana, as submetralhadoras alemães MP38 e MP40 e as metralhadoras MG34 e MG42.
Emblema O emblema do LRDG era o escorpião de bronze com as letras LRDG centradas embaixo em um círculo de prata. A sua criação é creditado a "Bluey" Grimsey que serviu na unidade. O emblema é ligeiramente similar ao da Companhia Auto-Sahariana italiana, que tinha um caranguejo em um círculo. Originalmente o emblema era um broche que os membros usavam nos seus suéteres. Foram feitos localmente nas lojas de jóia do Cairo. Pouco tempo depois o broche era usado nas boinas negras do Royal Tank Regiment. Eventualmente esta transformou-se na cobertura não-oficial do LRDG.
A primeira base Em 13 de setembro de 1940, a unidade montou a sua primeira base no oásis de Siwa. Chegaram lá depois de terem dirigido aproximadamente 240 quilômetros através do mar egípcio de areia. Em 15 de setembro, duas patrulhas do LRDG foram engajadas nas primeiras operações de combate.
O Capitão Mitford estava no comando da unidade que viajou através do mar da areia de Kalansho e atacou depósitos de combustível e campos de pouso de emergência italianos ao longo de Palificata. Entrementes, o grupo de Clayton passou através do território italiano para contatar as forças francesas na República do Tchad. Acreditava-se que o LRDG poderia ajudar a persuadir as forças locais a se juntarem as forças francesas livres.
As patrulhas chegaram na ponta do sul de Gilf Kebir (onde um depósito de combustível foi encontrado) e retornaram então ao Cairo, através do oásis de Kharga. Cada patrulha tinha viajado aproximadamente 6.000 quilômetros. Depois da expedição de setembro, o Comando britânico no Cairo aprovou a duplicação do tamanho da unidade, do seu rebatismo de LRPU (Long Range Patrol Unit, Unidade de Patrulha de Longo Alcance) para Grupo de Longo Alcance do Deserto (LRDG), e da promoção de Bagnold a Tenente Coronel.
A unidade ampliada recolheu voluntários das unidades britânicas, indianas, e da Rodésia. Bagnold escreveu, "durante os poucos meses seguintes, as incursões foram feitas contra um número de guarnições isoladas do inimigo presas a oásis... os incursores pareciam surgir de uma quarta dimensão... o General Graziani estavam começando a duvidar dos seus relatórios da inteligência [ e ] o exército italiano ficou paralisado por... meses."
Como possuía voluntários de várias origens, paises (Nova Zelândia; Rodésia) e unidades militares (Royal Tank Regiment, REME, Signal Corp, Yeomanry, and Royal Guards), que traziam seus próprios uniformes e armas, nunca houve um uniforme padrão no LRDG. Além disso as condições das missões ditavam o tipo de uniforme que seria usado no seu cumprimento.
Apesar da grande variedade de trajes, o uniforme cáqui era muito usado, e quase padrão.
Missões Entre as principais missões do LRDG podemos citar:
Em setembro de 1940, Bagnold viajou ao fort Lamy, na República do Tchad, onde ajudou a persuadir a tropas da colônia francesa a se juntarem a causa aliada. O LRDG e as forças francesas livres trabalharam junto para invadir posições italianas na área do oasis de Murzuk e as forças combinadas, usando a artilharia francesa, capturaram Kufra.
Em abril 1941, o restante das tropas do LRDG foram movidas para Kufra. De Kufra, os comandantes do LRDG serviriam essencialmente como os comandantes militares de uma região de aproximadamente o tamanho da Europa do Norte, uma região que não via chuva a cerca de 70 anos.
Durante o verão de 1941, Bagnold recrutou um outro companheiro dos tempos de exploração de antes da guerra, Guy Prendergast, para servir como seu segundo-em-comando. em 1 de Julho, Bagnold saiu da unidade, para servir no Cairo como um Coronel, e Prendergast assentou bem no comando do LRDG. Prendergast depois foi sucedido por Jake Easonsmith que foi seguido por David Lloyd Owen. Na Campanha do deserto o LRDG operou ao lado de outras unidades especiais como o SAS, SIG (Special Interrogation Group), e British Comamndos. Também operou no apoio de agentes dos serviços de inteligência britânicos.
Seção da Real Artilharia do LRDG O LRDG passou a ter
apoio de artilharia no inicio de 1941. A inclusão do apoio da artilharia
fazia parte de um grande esquema desenvolvido por Ralph Bagnold baseado
nas idéias de Orde Wingate. O esquema tinha três fases de desenvolvimento.
A primeira era o equipamento de uma força de reconhecimento e coleta de
inteligência no deserto.
A fase seguinte era a criação de uma força capaz de realizar incursões em grande escala. A terceira fase era uma força combinada capaz de lançar ataques de grande escala a partir da retaguarda inimiga. Isto incluiria batalhões de tanque e baterias de artilharia com infantaria motorizada. Seria algo similar ao que Wingate propunha para os Chindits em Burma.
A quantidade de recursos requeridos para tal força era demasiado elevada e Wavell não poderia ter recursos para à possibilidade de implantar um plano tão heterodoxo e assim Bagnold terminou com um tanque e uma parte de sua artilharia.
A seção da artilharia do LRDG transformou-se em realidade no dia 21 de março de 1941. A idéia era ter algum tipo da sustentação de artilharia e/ou de tanques se a necessidade se fizesse presente. Devido a falta de equipamento disponível ao LRDG foi permitido experimentar somente um único canhão e um carro de combate leve.
Inicialmente o canhão devia ser um howitzer de 4,5 polegadas mas enquanto este não estava disponível, o LRDG recebeu preferivelmente um 25 Pounder. Há uma confusão sobre o tipo de tanque que foi usado. De acordo com muitas testemunhas oculares, o tanque era um M3 Stuart, entretanto, este tanque não estava no teatro até julho de 1941. O carro de combate leve disponível em março 1941 era o Vickers Mk VIb ou Mk VIc. O SAS, entretanto, usou um tanque Stuart pelo menos em uma missão no deserto. A unidade era transportada em cima de caminhões de 10 toneladas, porque era difícil rebocar os canhões pela areia do deserto. Algumas vezes os canhões dispararam de cima dos caminhões
Mesmo quando transportada em cima de caminhões, tornou-se rapidamente aparente que as armas eram demasiado pesadas ao cruzar as areias do deserto. Tornou-se também evidente que o equipamento não ajudou realmente às patrulhas com sua missão principal, reconhecimento.
Combine estes fatores com as dificuldades de operar o equipamento e o poder de fogo já transportando pelas patrulhas e pode-se ver porque a seção teve vida curta. Os 25 Pounder foram usados somente uma vez em uma missão. Isto foi durante a Operação Cruzado, quando uma a patrulha S1 Rodesiana atacou um pequeno forte cerca de 25 milhas a sudoeste de Agedabia. A maioria da italiana fugiu para para o deserto e quatro soldados inimigos foram capturados junto com o forte.
A aviação do
LRDG
Final Em janeiro e fevereiro de 1943, a tarefa principal da unidade fora explorar milhares de quilômetros quadrados de território ao sul da "Linha Mareth" e no mês seguinte esse grande esforço foi recompensado. Estudando os relatórios do LRDG, Montgomery verificou ser possível flanquear a "Linha" e destacou a divisão neozelandesa para a tarefa. O movimento de um corpo de homens tão grande pelo deserto exigia o estabelecimento de depósitos e coube ao LRDG escolher os locais para os instalar e dirigir o abastecimento deles. Em meados de março, tudo estava pronto e marcado o caminho.
No dia 19, conduzida por navegadores do LRDG, a divisão avançou para Gebel Tabaqa, tendo EI Hamma e Gabes como objetivos finais. Sentindo a ameaça, Rommell colocou uma divisão Panzer e duas de infantaria a oeste de Gabes, para tapar a brecha mas Montgomery, por sua vez, reforçou os neozelandeses com a 1ª Divisão blindada, fortemente apoiada pela RAF e pela Força Aérea Americana. Essas forças infligiram violenta derrota aos alemães, obrigando Rommel a abandonar a "Linha Mareth" e recuar.
Com o avanço aliado, o LRDG terminou seu trabalho e os caminhões retomaram ao Cairo pela última vez. Após o fim da campanha africana, o LRDG foi treinado para a guerra da montanha no Líbano. Os homens do LRDG também foram treinados em operações de pára-quedas. A unidade serviu nas ilhas gregas, Itália e Normandia.
Modernos incursores do deserto O LRDG foi
desbaratado em 1º de agosto de 1945, e mais tarde sendo reformado como o
Esquadrão de Sinais 63 (SAS) do Territorial Army. Hoje
o 22 SAS através da sua Tropa de Mobilidade mantém viva a herança das
explorações motorizadas no deserto, inclusive usando veículos com a
camuflagem "a pantera cor-de-rosa" ou "Pinky".
A mobilidade é uma das características mais antigas do SAS e data da Segunda Guerra Mundial. Na verdade o SAS ficou famoso por seus ataques usando jeeps artilhados na África do Norte e na Europa. Estes veículos deram para a unidade mais independência, velocidade, mobilidade e potência de fogo.Esta tropas é responsável em cada esquadrão pela mobilidade em terra dos operadores do SAS e também pela infiltração e exfiltração de equipes em território inimigo. Além disso são responsáveis por missões reconhecimento de longo alcance, coisa que o antigo Long Range Desert Group (LRDG) fazia na Segunda Guerra Mundial. Essa tropa também pode realizar os famosos ataques com carros armados na retaguarda inimiga que ficaram famosos com o pessoal de David Stirling contra os aeródromos de Rommel. Todos os seus membros são motoristas experientes, e direção ofensiva e defensiva. Inclusive eles estão aptos a desenvolveram perseguições em alto velocidade. O principal veículo usado pela tropa é o Land Rover 110 4x4. Os Land Rovers foram adotados pelo 22 SAS desde a década de 1950. O modelo 110 pode ser armado com metralhadores GPMG, .50 e lançadores de granadas de 40mm Mark 19. O Land Rover é confiável, extremamente robusto e capaz enfrentar a maioria dos terrenos em que o SAS pode operar, transportando homens, armas e suprimentos. O SAS também está usando o Land Rover 90, que é menor que o 110.Além dos Land Rovers, esta tropa usa motocicletas KTM 350 e Honda 250 e caminhões Unimomg. Todos os membros tem conhecimento acima da média sobre mecânica de autos, para manutenções básicas e de emergência. Eles aprendem sobre mecânica com os Reais Engenheiros Elétricos e Mecânicos - REME (Royal Electrical and Mechanical Engineers). Normalmente essa tropa treina nos Emirados Árabes Unidos e nos desertos da África do Norte para adquirir a capacidade de operar em qualquer terreno.
Um dos veículos mais "pitorescos" usados pelo SAS é o famoso Land Rover Pink Panther ou Pantera Cor-de-Rosa. Logicamente o que chama mais a atenção é a cor do veículo que lhe dá o nome. Mas a cor não ten nada a haver com preferências. Descobriu-se que essa pigmentação muito parecida com a cor rosa, era excelente para ser usada no deserto pois tem uma baixa visibilidade neste ambiente e ajuda a camuflar o veículo. Ela foi usada pelo LRDG em suas operações no Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial. O Pink Panther é um veículo de longe alcance para operações no deserto usado pelo SAS. Ele foi criado pela Marshall Specialist Vehicles de Cambridge para o Exército britânico. Até 1996 foram fabricados cerca de 76 destes veículos. O Land Rover Pink Panther tem pneus de areia, um estepe colocado bem na frente do veículo e não tem portas. Este Land Rover está armado com metralhadoras e carrega galões de gasolina e mantimentos, tudo acomodado para manter o perfil do veículo o mais baixo possível. Ele ainda possui algumas placas blindadas e leva uma tripulação de 3 homens. Um dos lugares em que a Tropa de Mobilidade do SAS foi mais empregado foi no Iraque. Tanto na Guerra do Golfo em 1991 quanto na Guerra do Iraque em 2003. Em 1991 o SAS forma as Colunas Móveis de Combate. Essas colunas foram formadas pelo SAS com o objetivo de levar a cabo a procura e destruição dos Scuds e seus lançadores. Elas tinham um potência de fogo considerável e podiam destruir quase tudo. Com essas colunas se movendo atrás de suas linhas os iraquianos eram forçados a desdobrar uma grande quantidade de forças para caçá-las. Quatro Colunas Móveis de Combate foram formadas, duas com
pessoal do Esquadrão A e duas com o pessoal do Esquadrão D. As
colunas treinaram antes de entrarem no Iraque no Emirados Árabes
Unidos. Cada coluna tinha cerca de 30 homens e 12 veículos. Os veículos eram: um caminhão de suporte Unimog, fabricado pela Mercedes, que levaria a maioria das cargas como combustível, água, munição, equipamento de proteção NBC, peças sobressalentes e outras coisas; de oito a dez 110 Land Rovers, cada qual armado com metralhadoras Browning .50, GPMGs, lançadores de granada M19 de 40 mm lançadores de mísseis antitanque Milan, lançadores de mísseis antiaéreos Stinger e LAWs, cada Land Rover levava de três (comandante, motorista e artilheiro) a quatro homens, além de mantimentos e equipamentos; e duas motos. As colunas se moviam a noite e descansavam durante o dia, em posições seguras e camufladas. Os homens normalmente estavam armados com pistolas 9 mm, fuzis M-16, muitos com lançadores de granada M230, SLR, rifles L96A e submetralhadoras. As equipes do SAS foram equipadas com os designadores de alvos a laser, para o uso na iluminação de alvos iraquianos em terra para a realização de ataques por aviões da Coalizão. Deve-se destacar que o pessoal do SAS foi obrigado a levar pílulas contra agentes anti-nervo, porém em alguns casos parece que este procedimento não foi adotado. Às equipes do SAS foi requisitado que não atacassem simplesmente todos os alvos de oportunidade. Dado a fragilidade da Coalizão, foram enfatizados fatores políticos. Com tantas equipes operando no interior do Iraque se fazia necessário o seu reabastecimento. Não era operacionalmente viável que cada uma voltasse a Arábia Saudita para se reabastecer e voltar. Por isso foi criada uma formação temporária, o Esquadrão E, com a missão de abastecer as colunas do SAS em pleno Iraque. Foi formado um comboio com dez caminhões, fortemente escoltados por Land Rovers armados que se moveram para um ponto de encontro a mais de 139 km dentro do Iraque onde seriam encontradas as Colunas Móveis de Combate.
Partindo da Arábia Saudita no dia 10 de fevereiro pela, a coluna alcançou o ponto de encontro por volta das 15:00 do dia 12. O ponto de encontro se tornou uma colméia de atividade. Armas e veículos foram consertados ou reparados, prisioneiros foram entregues e reuniões de planejamento foram realizadas. O Esquadrão voltou para a Arábia Saudita no dia 17 de fevereiro e logo depois deixou de existir. Inimigos do deserto
Fotos do LRDG
Camuflagem no Deserto
Encontros das patrulhas
Hora da bóia
Mais uma patrulha parte para o deserto
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