Perfil da Unidade

LRDG - Long Range Desert Group

Grupo de Longo Alcance do Deserto


 

O Grupo de Longo Alcance do Deserto (LRDG) foi uma unidade especial britânica formada durante a Segunda Guerra Mundial para operações no Norte da África. A nova unidade foi criada em 3 de julho de 1940 pelo Major Ralph A. Bagnold e pelo seu assistente Capitão Clayton Shaw. O LRDG tinha cerca de 150 voluntários da Nova Zelândia. A razão de ter tantos neozelandeses é que a maioria era fazendeiros e Bagnold  acreditava que eles saberiam cuidar bem do equipamento. Depois foram acrescentados voluntários ingleses e rodesianos. Durante o treinamento inicial, Shaw era responsável por ensinar navegação, enquanto Bagnold ensinou comunicações. O LRDG era especialista em reconhecimento motorizado, no recolhimento de inteligência, e na navegação no deserto. Os homens do SAS - Special Air Service de David Stirling, chamavam o LRDG de "o serviço de táxi do deserto líbio".

 

Criação

Em outubro de 1939, o Major Ralph Bagnold, do Real Corpo de Transmissões (Royal Signals), deixou a Inglaterra para assumir um posto na África Oriental. A Itália não havia ainda entrado na guerra e o Mediterrâneo encontrava-se aberto aos navios britânicos. A despeito da tensão com que se faziam as viagens nos anos de guerra, Bagnold aproveitou bastante o sol de outono que banhava o convés, esperando chegar a Suez sem incidentes. Mas, por um golpe do destino, o navio em que ia, por haver colidido com um outro, teve de aportar em Alexandria, para reparos. Confrontado com um ,11 raso de dez dias ou ma:is, decidiu ele visitar amigos no Cairo, onde poucos dias depois foi chamado ao Q-G do General Sir  Wavell, Comandante-Chefe no Oriente Médio. Este grande soldado, homem de poucas  palavras, perguntou-lhe: "Gostaria de servir  sob o meu comando?" Bagnold aceitou sem hesitar, pois se a Itália entrasse em guerra Wavell teria de lutar na Líbia, no Deserto Ocidental ("Ocidental" em relação ao Egito) e este deserto Bagnold conhecia como pouco esta região.

 

Oficial regular do exército britânico, a sua educação se fez no Malvern College e no Gonville and Caius College, em Cambridge, cursando depois a Real Academia Militar, em Woolwich. Em 1915, recebeu sua patente com os Reais Engenheiros e serviu na Frente Ocidental até 1918. Em 1920, transferiram-no para o Real Corpo de Transmissões e, poucos anos depois, mandaram-no para o Oriente Médio. Levando alguns entusiastas consigo, começou a organizar viagens de fim de semana do Cairo ao Oásis Siwa ou ao Sinai e, gradativamente, foi se tornando mais ambicioso, até que em meados dos anos 1930 ele estava fazendo jornadas de 10.00 km cobrindo a maior parte do deserto entre o Mediterrâneo e o norte do Sudão. Durante esses anos, ele aperfeiçoou uma bússola solar, inventou vários dispositivos para "desatolar" carros da areia e reuniu grande cabedal de conhecimentos sobre o deserto. A despeito de suas realizações, Bagnold continuou modesto, jamais atraindo para si qualquer publicidade, e até hoje são raras as referências a ele, sendo quase inexistente o anedotário a seu respeito. Nem suas proezas, nem o que fez publicar despertaram interesse no War Office, mas, felizmente, a Royal Geographical Society deu-lhe o estimulo e o apoio que lhe permitiram prosseguir. Ao iniciar-se a guerra, ele já era capaz de ir a qualquer parte do deserto e descobrir o caminho de volta; conhecia os oásis e os perigos. E, sendo um verdadeiro soldado profissional, naturalmente ansiava por usar seus conhecimentos contra o inimigo. Durante alguns meses, pareceu-lhe impossível conseguir isto, exceto como consultor, apenas, mas então, em 10 de junho de 1940, a situação mudou, quando a Itália entrou na Segunda Guerra Mundial.

 

O Deserto Ocidental

Correndo para oeste desde o Nilo, e para o sul desde o Mediterrâneo, o Deserto Ocidental abrange cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados. É o mais árido ponto da Terra e, mesmo a poucos quilômetros da costa, a ocorrência de chuva se verifica poucas vezes por ano. Mais ao sul, anos a fio passam-se sem chover. Geologicamente, o deserto é composto não de areia, mas de incontáveis partículas de poeira saibrosa que, desde o tempo dos romanos, têm avançado para o norte, engolfando civilizações. O deserto não é plano. Em alguns lugares, a rocha nua aflora para formar elevações, como a Crista de Ruweisat e a Crista de Miteiriya; por outro lado, há também depressões, que se abrem como ásperas cicatrizes em grandes áreas de solo erodido, Algumas delas têm encostas relativamente suaves, outras, porém, como a Depressão de Munassib, são cercadas por altos rochedos. A maior de todas as depressões, li de Qattara, que corre da estação ferroviária de EI Alamein para sudoeste, cobre milhares de quilômetros quadrados, com seu leito, situado a 1.200 m abaixo do nível do mar, formado principalmente de pântano salobro. A oeste de Qattara, como uma enorme mão deformada que apontasse o indicador e o polegar para o sul, estão o Grande Mar de Areia e o Mar de Areia de Kalansho, que os árabes conhecem como "a terra do diabo" e que nos tempos antigos julgava-se só transponivel com tropas de camelos. Não existem oásis dentro dessa vasta região. Além de muito seco, o deserto é também muito quente; longe da faixa costeira, as temperaturas de 48°C e 50°C á sombra são muito comuns, e, a partir do meio-dia, a névoa que o forte calor faz surgir, ao tremular, dá a impressão de que todo o chão treme. Com o pôr-do-sol vem o alívio, embora, muitas vezes, nesse momento as tempestades de areia se abatam, sufocando homem e animal em densa nuvem de poeira. À noite cintilam milhares de estrelas, e o ar é frio, especialmente no inverno, quando, até que chegue o amanhecer, o vento em geral corta como navalha. O Deserto Ocidental é um lugar estranho e cruel, onde o perigo está sempre presente' e onde a sobrevivência é difícil. Embora a maioria o detestasse, uns poucos responderam ao seu fascínio, aprenderam a conhecê-Ia e, até, a amá-Io; e o líder desse seleto grupo era o Major Ralph Bagnold.

 

Experiências anteriores

A formação do LRDG, não constituiu uma experiência original na história das guerras no deserto. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Exército britânico no Oriente Médio usou as LCP (Light Car Patrols, Patrulhas em Veículos Leves) contra os  combatentes da tribo Senussi, mas a experiência foi esquecida quase totalmente com o fim da guerra. No período entre as duas guerras mundiais, só o entusiasmo de Ralph Bagnold, major do Royal Corps of Signals (Corpo de Sinaleiros), e de alguns de seus colegas manteve viva a idéia das incursões de longo alcance no deserto. Durante as décadas de 20 e deI 30, eles realizaram uma série de viagens pelo deserto. Em resultado, no início da Segunda Guerra Mundial, a maior parte dos problemas de sobrevivência e deslocamento no deserto já havia sido resolvida. O major Bagnold aproveitou suas experiências para escrever um artigo sobre o uso viável de força de reconhecimento e de vanguarda, mas a idéia foi rejeitada pelo Quartel General do Oriente Médio, em novembro de 1939, e novamente em janeiro de 1940. Com a declaração de guerra da Itália, em 10 de junho de 1940, a necessidade mais premente do Exército britânico tomou-se a obtenção de informações a respeito das intenções do inimigo. Foi essa a função básica do LRPU (Long Range Patrol Unit, Unidade de Patrulha de Longo Alcance) precursor do LRDG e depois deste mesmo, que entre dezembro de 1940 e abril de 1943 realizou cerca de duzentas missões, quase todas vitoriosas.

 

Especialistas

As exigências física da operação no deserto eram muito grandes e os homens tinham que trabalhar duro, trabalhar em equipe, pois um dependia do outro e deveria desenvolver autoconfiança. Os homens eram treinados para serem especialistas como por exemplo enfermeiros, navegadores, mecânicos e operadores de rádio. Além de ser um especialista em uma determinada área eles eram treinados em outras áreas para possíveis substituições de pessoal. Ou seja os homens deveriam ser especialistas em um ou duas áreas, o que tornava a unidade e seus homens bem versáteis. Isto tanto era esperado de praças, graduados, quanto dos oficiais. Todos também deveriam saber manejar todas as armas usadas pelo LRDG. Muitos destes conceitos se manteriam vivos em organizações militares como o SAS britânico e nas Forças Especiais dos EUA (Boinas Verdes). Porém é bom lembrar que na época em que foi implantado no LRDG esse conceito não era nada comum.

 

Organização

A LRPU (Long Range Patrol Unit, Unidade de Patrulha de Longo Alcance), precursora do LRDG, compunha-se de oito oficiais, 112 soldados e dezesseis homens de reforço, divididos igualmente entre um QG e três patrulhas. Dispunha de 44 veículos para fins de transporte. Em serviço ativo, cada patrulha· subdividia-se em quatro tropas, embora a experiência logo tivesse mostrado que uma patrulha operava com maior eficiência quando dividida ao meio. Levando em conta essas experiências, a organização inicial do LRDG, autorizada em julho de 1940, determinava uma composição de onze oficiais e 76 homens de outras graduações, transportados em 43 veículos. Em novembro de 1940, decidiu-se aumentar a força da unidade para 21 oficiais e 271 subalternos, divididos entre um QG e dois esquadrões. Cada esquadrão consistia em três patrulhas, transportadas em dez veículos. O processo de reorganização começou em S de dezembro, com a chegada da Patrulha G (da Guarda), e continuou nos três meses seguintes, com a vinda ao Egito da Patrulha S (de rodesianos) e da Patrulha Y (britânica). Criou-se depois uma seção de artilharia, considerada mais útil que uma sexta patrulha. O LRDG atingiu sua força total por volta de março de 1942: 110 veículos, cerca de 2S oficiais e 324 homens de outras graduações, entre os quais 36 sinaleiros e 36 integrantes do quadro de reparos leves. O grupo dividiu-se em dois esquadrões. O Esquadrão A reunia as patrulhas R, T e S e o Esquadrão B, as patrulhas G e Y. Essa organização sobreviveu até março de 1943, quando o LRDG foi removido para o Cairo, reequipando-se para operações na Grécia, Itália e Iugoslávia.

 

Veículos

Os primeiros caminhões utilizados pelo LRDG foram obtidos de fontes egípcias. Os melhores caminhões disponíveis eram os Ford F30 4WD e os Chevrolet WB, do quais 31 unidades foram requisitadas ao Exército egípcio e à fábrica local da General Motors. Eles eram suportados por carros de comando Chevrolet 1311x1 15 cwt (3/4 t) de comando.

 

Depois de seis semanas de operação, no início de 1941, esses veículos já. estavam. precisando de reparos urgentes. Em março de 1942, chegaram duzentos caminhões Chevrolet 1533X2. Embora fossem padronizados, a ponto de ter cabine aberta e carroceria de aço, sofreram modificações: os pára-brisas foram substituídos por modelos usados em aviões,. instalaram-se guarnições de armas e suportes de bússola, e a carroceria foi levantada com pranchas dê madeira. Depois dessa conversão, esses veículos tomaram-se o principal transporte do LRDG até o fm da guerra do deserto. Os Chevrolet 1311x1 15 cwt (3/4 t) como carros de comando for substituídos pelos jeeps Willys.

 

O alcance normal dos veículos superava os 1.600 km, mas podia ser ampliado pela colocação, ao longo do caminho, de depósitos adicionais de gasolina e suprimentos. Cada caminhão transportava equipamento suficiente pára três semanas de serviço ativo.

 

Armas

Cada patrulha era equipada com 10 metralhadoras Lewis, 4 rifles antitanques Boys .55 e armas Bofors antitanque de 37mm. Depois sobre os caminhões foram instaladas metralhadoras de .50, e metralhadoras gêmeas Vickers K de .303. As tropas carregavam submetralhadoras Brens e Thompson M1928, além de outra grande variedade de armas.Metralhadora Vickers K de .303

 

Também usavam rifles SMLE Mark III e Lee-Enfield No 4 Mark I 1939 Model britânicos e revolveres Smith & Wesson 38 Special (Military) e Enfield Revolver No. 2 Mk. 1, além da pistola M1911A1 Colt 45 Automatic. As facas Fairbairn Sykes - FS dos Commandos também eram usadas.

 

As granadas N0. 36 Mills e morteiros também eram usados. Em suas missões de sabotagem e ataques os homens do LRDG usavam também explosivos como as bombas Lewes (desenvolvidas por Jock Lewes, do SAS) que eram usadas contra aeronaves estacionadas, e minas anticarro GS Mark. V. É claro que os o LRDG também usava armas capturadas do seus inimigos como a arma antiaérea Breda de 20mm italiana, as submetralhadoras alemães MP38 e MP40 e as metralhadoras MG34 e MG42.

 

 

 

Emblema

O emblema do LRDG era o escorpião de bronze com as letras LRDG centradas embaixo em um círculo de prata. A sua criação é creditado a "Bluey" Grimsey que serviu na unidade. O emblema é ligeiramente similar ao da Companhia Auto-Sahariana italiana, que tinha um caranguejo em um círculo. Originalmente o emblema era um broche que os membros usavam nos seus suéteres. Foram feitos localmente nas lojas de jóia do Cairo. Pouco tempo depois o broche era usado nas boinas negras do Royal Tank Regiment. Eventualmente esta transformou-se na cobertura não-oficial do LRDG.

 

A primeira base

Em 13 de setembro de 1940, a unidade montou a sua primeira base no oásis de Siwa. Chegaram lá depois de terem dirigido aproximadamente 240 quilômetros através do mar egípcio de areia. Em 15 de setembro, duas patrulhas do LRDG foram engajadas nas primeiras operações de combate.

 

O Capitão Mitford estava no comando da unidade que viajou através do mar da areia de Kalansho e atacou depósitos de combustível e campos de pouso de emergência italianos ao longo de Palificata. Entrementes, o grupo de Clayton passou através do território italiano para contatar as forças francesas na República do Tchad. Acreditava-se que o LRDG poderia ajudar a persuadir as forças locais a se juntarem as forças francesas livres.

 

As patrulhas chegaram na ponta do sul de Gilf Kebir (onde um depósito de combustível foi encontrado) e retornaram então ao Cairo, através do oásis de Kharga. Cada patrulha tinha viajado aproximadamente 6.000 quilômetros. Depois da expedição de setembro, o Comando britânico no Cairo aprovou a duplicação do tamanho da unidade, do seu rebatismo de LRPU (Long Range Patrol Unit, Unidade de Patrulha de Longo Alcance) para Grupo de Longo Alcance do Deserto (LRDG), e da promoção de Bagnold a Tenente Coronel.

 

 

A unidade ampliada recolheu voluntários das unidades britânicas, indianas, e da Rodésia. Bagnold escreveu, "durante os poucos meses seguintes, as incursões foram feitas contra um número de guarnições isoladas do inimigo presas a oásis... os incursores pareciam surgir de uma quarta dimensão... o General Graziani estavam começando a duvidar dos seus relatórios da inteligência [ e ] o exército italiano ficou paralisado por... meses."

 

Como possuía voluntários de várias origens, paises (Nova Zelândia; Rodésia) e unidades militares (Royal Tank Regiment, REME, Signal Corp, Yeomanry, and Royal Guards), que traziam seus próprios uniformes e armas, nunca houve um uniforme padrão no LRDG. Além disso as condições das missões ditavam o tipo de uniforme que seria usado no seu cumprimento.

 

Apesar da grande variedade de trajes, o uniforme cáqui era muito usado, e quase padrão.

 

Missões

Entre as principais missões do LRDG podemos citar:

Reconhecimento
Todas as patrulhas praticaram o que ficou conhecido como
on-going information. Que consistia em verificar novas rotas e verificar a presença inimiga nessas áreas. Muitas dessas explorações eram feitas a pé.

 

Por exemplo em uma ocasião uma patrulha necessitou para alcançar um local que não poderia ser alcançado a pé devido à distância que necessitariam viajar contudo ao mesmo tempo não havia nenhuma outra maneira praticável de aproximar-se com veículos sem chamar a atenção inimiga. A solução foi trazer alguns árabes amigáveis na distância de "camelo" e introduzi-los então na área.

 

Recolhimento e coleta de inteligência
A coleta de inteligência foi concernida para encontrar o inimigo e ver o que ele estava fazendo e a sua capacidade. Isto significava freqüentemente ir bem fundo atrás das linhas inimigas, onde o LRDG prestaria atenção aos movimentos inimigos por períodos de tempo longos.

 

Isto era chamado de Road Watch. Era um trabalho duro em que os resultados da ação freqüentemente não foram reconhecidos imediatamente pelas tropas em terra. Parte deste trabalho envolvia manter uma trilha sob constante vigilância. O LRDG tinha pastas especiais compostas de silhuetas de veículos inimigos que permitia que as equipes conseguissem identificar positivamente os veículos quando eles passassem pela estrada. Estas pastas eram vitais para o sucesso das suas missões, mas também podiam ser um problema se caíssem em mãos inimigas. Por esta razão, o LRDG caso houve risco de captura, as pastas deveriam ser previamente destruídas ou escondidas. De acordo com informações nenhuma pasta foi capturada.

 

Mesmo quando acoplado dentro demissões ações diretas, o LRDG mantinha ainda sua missão preliminar do recolhimento de inteligência como uma missão secundária. Pois sempre verificavam novas rotas para ver se elas poderiam ser usadas no futuro. O LRDG tinha uma pequena seção comandada por Ken Lazarus que não fazia outra coisa a não ser preparar mapas do deserto. Compreendia dois ou três veículos e saia por semanas para fazer mapas de novas áreas do deserto. Em uma missão executada Bernard Bruce, líder de uma das patrulhas dos Guards eles cobriram cerca de  3.500 milhas de deserto. As vezes essas patrulhas saíram com nada mais que uma folha em branco de papel com linhas de latitude e longitude impressas nelas e montavam então à carta como resultado de suas explorações. Quando não faziam novos mapas, as patrulhas tinham que corrigir os mapas já emitidos.

 

O LRDG era também um instrumento para examinar o deserto a fim de traçar as posições inimigas, e fornecer a informação atual para os mapas usados pelo exército britânico.

 

Pathfinding, correio e táxi
O LRDG agiu como batedores ou precursores para outras forças especiais tais como o SAS, como também conduzir forças convencionais em seus avanços pelo áspero o deserto. Forneceram também treinamento para navegadores do SAS e das forças regulares. Quando a guerra no deserto já ia bem avançada o LRDG agiu como correio entre as unidades e também como um serviço de táxi para os agentes da inteligência e o tropas do SAS. Mais tarde o SAS recebeu seus próprios veículos, mas o LRDG ainda ajudou na inserção de tropas para operações especiais, atrás das linhas inimigas.

 

Ação Direta
Wavell também usou o LRDG em missões de ação direta. Um de seus deveres de ação direta era as incursões contra alvos importantes. Tais missões também eram conduzidas pelo SAS (quem apreciava invadir aeródromos). Enquanto o SAS atacava os aviões do Eixo em terra com suas metralhadoras e bombas, o LRDG tendia a colocar campos de minas, montar emboscadas e ocasionalmente realizar uma pequena incursão contra um alvo importante, às vezes em conjunto com outros commando e unidades de operações especiais.

 

Entretanto, porque sua missão principal era recolher inteligência, as potencialidades de ações diretas foram bem restritas. A idéia era que o inimigo não soubesse nem mesmo que o LRDG tinha estado lá quando do seu reconhecimento. Assim uma emboscada não ocorreria onde uma vigilância de estrada foi empregada.

 

O LRDG foi usado também às vezes como parte de incursões de escala grande. Mas como como não foi projetada para este tipo de operação o seu sucesso foi apenas marginal.

Em setembro de 1940, Bagnold viajou ao fort Lamy, na República do Tchad, onde ajudou a persuadir a tropas da colônia francesa a se juntarem a causa aliada. O LRDG e as forças francesas livres trabalharam junto para invadir posições italianas na área do oasis de Murzuk e as forças combinadas, usando a artilharia francesa, capturaram Kufra.

 

Em abril 1941, o restante das tropas do LRDG foram movidas para Kufra. De Kufra, os comandantes do LRDG serviriam essencialmente como os comandantes militares de uma região de aproximadamente o tamanho da Europa do Norte, uma região que não via chuva a cerca de 70 anos.

 

Durante o verão de 1941, Bagnold recrutou um outro companheiro dos tempos de exploração de antes da guerra, Guy Prendergast, para servir como seu segundo-em-comando. em 1 de Julho, Bagnold saiu da unidade, para servir no Cairo como um Coronel, e Prendergast assentou bem no comando do LRDG. Prendergast depois foi sucedido por Jake Easonsmith que foi seguido por David Lloyd Owen. Na Campanha do deserto o LRDG operou ao lado de outras unidades especiais como o SAS, SIG (Special Interrogation Group), e British Comamndos. Também operou no apoio de agentes dos serviços de inteligência britânicos.

 

Seção da Real Artilharia do LRDG

O LRDG passou a ter apoio de artilharia no inicio de 1941. A inclusão do apoio da artilharia fazia parte de um grande esquema desenvolvido por Ralph Bagnold baseado nas idéias de Orde Wingate. O esquema tinha três fases de desenvolvimento. A primeira era o equipamento de uma força de reconhecimento e coleta de inteligência no deserto.

 

A fase seguinte era a criação de uma força capaz de realizar incursões em grande escala. A terceira fase era uma força combinada capaz de lançar ataques de grande escala a partir da retaguarda inimiga. Isto incluiria batalhões de tanque e baterias de artilharia com infantaria motorizada. Seria algo similar ao que Wingate propunha para os Chindits em Burma.

 

A quantidade de recursos requeridos para tal força era demasiado elevada e Wavell não poderia ter recursos para à possibilidade de implantar um plano tão heterodoxo e assim Bagnold terminou com um tanque e uma parte de sua artilharia.

 

A seção da artilharia do LRDG transformou-se em realidade no dia 21 de março de 1941. A idéia era ter algum tipo da sustentação de artilharia e/ou de tanques se a necessidade se fizesse presente. Devido a falta de equipamento disponível ao LRDG foi permitido experimentar somente um único canhão e um carro de combate leve.

 

Inicialmente o canhão devia ser um howitzer de 4,5 polegadas mas enquanto este não estava disponível, o LRDG recebeu preferivelmente um 25 Pounder. Há uma confusão sobre o tipo de tanque que foi usado. De acordo com muitas testemunhas oculares, o tanque era um M3 Stuart, entretanto, este tanque não estava no teatro até julho de 1941. O carro de combate leve disponível em março 1941 era o Vickers Mk VIb ou Mk VIc. O SAS, entretanto, usou um tanque Stuart pelo menos em uma missão no deserto. A unidade era transportada em cima de caminhões de 10 toneladas, porque era difícil rebocar os canhões pela areia do deserto. Algumas vezes os canhões dispararam de cima dos caminhões

 

Mesmo quando transportada em cima de caminhões, tornou-se rapidamente aparente que as armas eram demasiado pesadas ao cruzar as areias do deserto. Tornou-se também evidente que o equipamento não ajudou realmente às patrulhas com sua missão principal, reconhecimento.

 

Combine estes fatores com as dificuldades de operar o equipamento e o poder de fogo já transportando pelas patrulhas e pode-se ver porque a seção teve vida curta. Os 25 Pounder foram usados somente uma vez em uma missão. Isto foi  durante a Operação Cruzado, quando uma a patrulha S1 Rodesiana atacou um pequeno forte cerca de 25 milhas a sudoeste de Agedabia. A maioria da italiana fugiu para para o deserto e quatro soldados inimigos foram capturados junto com o forte.

 

A aviação do LRDG
Bagnold e Prendergast reconheceram a utilidade do avião na exploração do deserto e estavam cientes do aspecto combinado do Raggruppamento Sahariano (também conhecida como Italian Auto-Saharan) que requeria que todos os comandantes da unidade fossem pilotos licenciados e tivessem realmente o avião como uma parte integral da sua tabela de organização e equipamento (TO&E).


A RAF não cedeu nenhum dos seus aviões e diante disto Bagnold teve que usar os seus contatos no Cairo para procurar dois pequenos aviões junto a homens de negócios. Ele conseguiu dois WACO (produzidos pela the Weaver Aircraft Company of Ohio). Eram aviões na versão de exportação biplana. Os seus códifos eram a ZGC-7 (RAF Serial No.AX695) e YKC (RAF Serial No. AX697). A principal diferença entre os aviões era a potência. O ZGC-7 usava 285 hp enquanto o YKC 225 hp. O YKC era de 1934 e o ZGC-7 de 1937.
O uso ao princípio destes aviões era para transportar informação, fontes, e pessoal críticos do QG para acampamentos e vice-versa. Podiam também ser usados para ressuprimento limitado do pessoal avançado e evacuação médica.


Os WACOs eram aviões resistentes, confiáveis e podiam pousar em quase qualquer, o que era ideal para o LRDG. Eram também ligeiramente semelhantes ao Fiat CR42 Falco, um dos últimos caças biplanos italianos, o que ajudava o piloto caso encontrasse aviões alemães ou italianos. O CR42 foi usado pela Itália durante todo a guerra do deserto primeiramente como caça-bombardeiro e reconhecimento.

 

Final

Em janeiro e fevereiro de 1943, a tarefa principal da unidade fora explorar milhares de quilômetros quadrados de território ao sul da "Linha Mareth" e no mês seguinte esse grande esforço foi recompensado. Estudando os relatórios do LRDG, Montgomery verificou ser possível flanquear a "Linha" e destacou a divisão neozelandesa para a tarefa. O movimento de um corpo de homens tão grande pelo deserto exigia o estabelecimento de depósitos e coube ao LRDG escolher os locais para os instalar e dirigir o abastecimento deles. Em meados de março, tudo estava pronto e marcado o caminho.

 

No dia 19, conduzida por navegadores do LRDG, a divisão avançou para Gebel Tabaqa, tendo EI Hamma e Gabes como objetivos finais. Sentindo a ameaça, Rommell colocou uma divisão Panzer e duas de infantaria a oeste de Gabes, para tapar a brecha mas Montgomery, por sua vez, reforçou os neozelandeses com a 1ª Divisão blindada, fortemente apoiada pela RAF e pela Força Aérea Americana. Essas forças infligiram violenta derrota aos alemães, obrigando Rommel a abandonar a "Linha Mareth" e recuar.

 

Com o avanço aliado, o LRDG terminou seu trabalho e os caminhões retomaram ao Cairo pela última vez. Após o fim da campanha africana, o LRDG foi treinado para a guerra da montanha no Líbano. Os homens do LRDG também foram treinados em operações de pára-quedas. A unidade serviu nas ilhas gregas, Itália e Normandia.

 

Modernos incursores do deserto

O LRDG foi desbaratado em 1º de agosto de 1945, e mais tarde sendo reformado como o Esquadrão de Sinais 63 (SAS) do Territorial Army. Hoje o 22 SAS através da sua Tropa de Mobilidade mantém viva a herança das explorações motorizadas no deserto, inclusive usando veículos com a camuflagem "a pantera cor-de-rosa" ou "Pinky".

 

A mobilidade é uma das características mais antigas do SAS e data da Segunda Guerra Mundial.  Na verdade o SAS ficou famoso por seus ataques usando jeeps artilhados na África do Norte e na Europa. Estes veículos deram para a unidade mais independência, velocidade, mobilidade e potência de fogo. 

Esta tropas é responsável em cada esquadrão pela mobilidade em terra dos operadores do SAS e também pela infiltração e exfiltração de equipes em território inimigo. Além disso são responsáveis por missões reconhecimento de longo alcance, coisa que o antigo Long Range Desert Group (LRDG) fazia na Segunda Guerra Mundial. Essa tropa também pode realizar os famosos ataques com carros armados na retaguarda inimiga que ficaram famosos com o pessoal de David Stirling contra os aeródromos de Rommel. Todos os seus membros são motoristas experientes, e direção ofensiva e defensiva. Inclusive eles estão aptos a desenvolveram perseguições em alto velocidade. 

O principal veículo usado pela tropa é o Land Rover 110 4x4. Os Land Rovers foram adotados pelo 22 SAS desde a década de 1950. O modelo 110 pode ser armado com metralhadores GPMG, .50 e lançadores de granadas de 40mm Mark 19. O Land Rover é confiável, extremamente robusto e capaz enfrentar a maioria dos terrenos em que o SAS pode operar, transportando homens, armas e suprimentos. O SAS também está usando o Land Rover 90, que é menor que o 110.

Além dos Land Rovers, esta tropa usa motocicletas KTM 350 e Honda 250 e caminhões Unimomg. Todos os membros tem conhecimento acima da média sobre mecânica de autos, para manutenções básicas e de emergência. Eles aprendem sobre mecânica com os Reais Engenheiros Elétricos e Mecânicos - REME (Royal Electrical and Mechanical Engineers). Normalmente essa tropa treina nos Emirados Árabes Unidos e nos desertos da África do Norte para adquirir a capacidade de operar em qualquer terreno.

Um dos veículos mais "pitorescos" usados pelo SAS é o famoso Land Rover Pink Panther ou Pantera Cor-de-Rosa. Logicamente o que chama mais a atenção é a cor do veículo que lhe dá o nome. Mas a cor não ten nada a haver com preferências. Descobriu-se que essa pigmentação muito parecida com a cor rosa, era excelente para ser usada no deserto pois tem uma baixa visibilidade neste ambiente e ajuda a camuflar o veículo. Ela foi usada pelo LRDG em suas operações no Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial.

O Pink Panther é um veículo de longe alcance para operações no deserto usado pelo SAS. Ele foi criado pela Marshall Specialist Vehicles de Cambridge para o Exército britânico. Até 1996 foram fabricados cerca de 76 destes veículos.

O  Land Rover Pink Panther tem pneus de areia, um estepe colocado bem na frente do veículo e não tem portas. Este Land Rover está armado com metralhadoras e carrega galões de gasolina e mantimentos, tudo acomodado para manter o perfil do veículo o mais baixo possível. Ele ainda possui algumas placas blindadas e leva uma tripulação de 3 homens. 

Um dos lugares em que a Tropa de Mobilidade do SAS foi mais empregado foi no Iraque. Tanto na Guerra do Golfo em 1991 quanto na Guerra do Iraque em 2003. Em 1991 o SAS forma as Colunas Móveis de Combate. Essas colunas foram formadas pelo SAS com o objetivo de levar a cabo a procura e destruição dos Scuds e seus lançadores. Elas tinham um potência de fogo considerável e podiam destruir quase tudo. Com essas colunas se movendo atrás de suas linhas os iraquianos eram forçados a desdobrar uma grande quantidade de forças para caçá-las.

Quatro Colunas Móveis de Combate foram formadas, duas com pessoal  do Esquadrão A e duas com o pessoal do Esquadrão D. As colunas treinaram antes de entrarem no Iraque no Emirados Árabes Unidos.

Cada coluna tinha cerca de 30 homens e 12 veículos. Os veículos eram: um caminhão de suporte Unimog, fabricado pela Mercedes, que levaria a maioria das cargas como combustível, água, munição, equipamento de proteção NBC, peças sobressalentes e outras coisas; de oito a dez 110 Land Rovers, cada qual armado com metralhadoras Browning .50, GPMGs, lançadores de granada M19 de 40 mm lançadores de mísseis antitanque Milan, lançadores de mísseis antiaéreos Stinger e LAWs, cada Land Rover levava de três (comandante, motorista e artilheiro) a quatro homens, além de mantimentos e equipamentos; e duas motos. As colunas se moviam a noite e descansavam durante o dia, em posições seguras e camufladas. Os homens normalmente estavam armados com pistolas 9 mm, fuzis M-16, muitos com lançadores de granada M230, SLR, rifles L96A e submetralhadoras.

As equipes do SAS foram equipadas com os designadores de alvos a laser, para o uso na iluminação de alvos iraquianos em terra para a realização de ataques por aviões da Coalizão. Deve-se destacar que o pessoal do SAS foi obrigado a levar pílulas contra agentes anti-nervo, porém em alguns casos parece que este procedimento não foi adotado. 

Às equipes do SAS foi requisitado que não atacassem simplesmente todos os alvos de oportunidade. Dado a fragilidade da Coalizão, foram enfatizados fatores políticos. 

Com tantas equipes operando no interior do Iraque se fazia necessário o seu reabastecimento. Não era operacionalmente viável que cada uma voltasse a Arábia Saudita para se reabastecer e voltar. Por isso foi criada uma formação temporária, o Esquadrão E, com a missão de abastecer as colunas do SAS em pleno Iraque. Foi formado um comboio com dez caminhões, fortemente escoltados por Land Rovers armados que se moveram para um ponto de encontro a mais de 139 km dentro do Iraque onde seriam encontradas as Colunas Móveis de Combate. 

 

Partindo da Arábia Saudita no dia 10 de fevereiro pela, a coluna alcançou o ponto de encontro por volta das 15:00 do dia 12. O ponto de encontro se tornou uma colméia de atividade. Armas e veículos foram consertados ou reparados, prisioneiros foram entregues e reuniões de planejamento foram realizadas. O Esquadrão voltou para a Arábia Saudita no dia 17 de fevereiro e logo depois deixou de existir.


Inimigos do deserto

 

 

O Inimigo italiano

 

 

Os italianos tinham uma colônia no norte da África, a Libia, situada imediatamente a oeste do Egito e com uma fronteira comum de uns 1.300 km de extensão, correndo do Mediterrâneo para o sul, era uma base viável, se não ideal, de operações. Pelo verão de 1940, para combater a pequena força de 86.000 homens de Wavell, os italianos concentraram um exército de nada menos de 250.000 homens. Incluídos nele estavam 9 divisões regulares de 13.000 homens cada uma, 3 divisões de Camisas Negras (milícias fascistas), duas divisões nativas e tropas várias. O Supremo Comandante italiano na África do Norte era o Marechal Graziani, que dividiu suas forças em dois exércitos, o X Exército na Cirenaica _ território imediatamente contíguo ao Egito e o V Exército, na Tripolitânia, a oeste. Depois da queda da França, em junho de 1940, ele estava com liberdade de concentrar os dois exércitos para uma ofensiva contra o delta do Nilo, embora restasse ver se o faria. De qualquer modo, Wavell estaria em séria inferioridade numérica durante muitos meses ainda, e teria de pôr em ação tudo quanto sabia para salvar a situação. A unidade italiana homologa ao LRDG era o Raggruppamento Sahariano  - Companhia Auto-Sahariana.

 

Raggruppamento Sahariano
A Itália invadiu a Líbia em 1911, quando era ocupado pelo Império Otamano. A posse italiana foi reconhecida em 1912. Os líbios continuaram a lutar contra os italianos até 1914, quando os italianos conseguiram conquistar a maioria da Líbia. Mas os líbios continuaram a  atacar guarnições isoladas e oásis, por isso pequenas guarnições italianas foram espalhadas em toda a Líbia para manter o controle do país.
Muitos destas guarnições estavam em oásis isolados e regularmente precisavam ser reabastecidas. Durante este período os italianos ganharam conhecimento do ambiente do deserto, na navegação e nas habilidades da sobrevivência.
 
Depois que o LRDG invadiu Kufra em 1941, os italianos decidiram dar combate ao inimigos que se movia por trás de suas linhas, convocando um grupo de especialistas veteranos dos anos 1930 do deserto líbio.  Eles tinham a missão de caçar os incursores britânicos. 
 
Em 1941 um veículo especial especialmente projetado para esta tarefa foi solicitado. Requereu-se poder de fogo rápido e ser capaz de operar a longas distâncias. Viberti de Turin (uma divisão da SPA, do grupo FIAT) produziu o Sahariana AS-42 (AS de "Africa Settentrionale")deste sumário e os primeiros veículos foram entregado em 1942 e entraram em ação em 29 de novembro. A primeira unidade a ser armada com o Sahariana foi o Raggruppamento, ativada em 29 de novembro 1942 e desbatada em 8 de abril de 1943. O Raggruppamento foi equipado com os 10 veículos

Com o sucesso do Raggruppamento Sahariano AS, quatro novas unidades foram formadas e chamadas de "Compagnia Arditi Camionettisti". Cada uma continha aproximadamente 100 soldados e 24 Saharianas, divididos em 3 pelotões de 8. Das quatra Compagnia formadas somente a 103ª foi enviada para a África do Norte, vendo a ação em torno de Sfax e da Tunísia Central. Das outras três Compagnia, a 112ª e a 113ª foram postadas na Sicília e a 123ª em Roma.

 

O inimigo alemão

 


O nome de Rommel, "A Raposa do Deserto",  tornou-se mais famoso que o de qualquer dos principais protagonistas na Segunda Guerra Mundial e, pela sua fama, o Afrika Korps, que ele comandou nas campanhas da África do Norte, tornou-se igualmente celebrado. Ambos estão indelevelmente gravados nas páginas da História Militar. Quando os primeiros elementos do A{rika Korps chegaram á África, em meados de fevereiro de 1941, o que restava do grande exército italiano do Marechal Graziani na Cirenaica acabava de ser isolado e capturado, em Beda Fomm, pela força mecanizada britânica, sob o comando do General O'Connor. As forças italianas restantes, na Tripolitânia, tão abaladas se encontravam com as notícias desastrosas, que não tinham como defender o último ponto de apoio da Itália naquela região. O primeiro navio-transporte alemão chegou à baia de Trípoli no dia 14 de fevereiro, dois dias depois da chegada do próprio Rommel. Trazia apenas duas unidades avançadas, e Rommel apressou a ida delas para a frente, que no momento era defendida por um único regimento de italianos, de modo a criar o máximo de atividade possível para ocultar a sua debilidade e impedir que os britânicos conseguissem expulsar os italianos da África:do Norte. Somente perto de meados de março é que regimento Panzer da sua principal divisão desembarcou em Trípoli. Até fins de março. o restante dessa divisão _ a 5ª Ligeira, mais tarde rebatizada 21ª Panzer _ não havia ainda chegado. A segunda das suas duas divisões, A 15ª Panzer, só chegaria em maio.


Não obstante, Rommel desfechou uma contra-ofensiva de sondagem, no final de março, com sua única divisão (ainda incompleta) do Afrika Korps _ sentindo que os britânicos depois de prolongada ofensiva pela Cirenaica, estavam exaustos e em processo de reorganização.

 

Injetando ânimo e coragem, com essa manobra, em seus aliados italianos, Rommel conseguiu que estes o apoiassem com partes das três novas divisões que lhe foram enviadas da Itália. O avanço de experiência mostrou-se mais bem sucedido do os alemães esperavam, e Rommel o explorou sem demora, e com tal efeito demolidor, que, passa dos quinze dias, havia reconquistado aos britânicos todos os ganhos recentemente realizados na Cirenaica, exceto o porto de Tobruk, onde cercou a maior parte do que restava das tropas britânicas. Embora seus esforços para capturar Tobruk fracassassem, a balança da guerra na África do Norte começou drasticamente a pender para os germânicos.


Em maio, e novamente em junho, os britânicos desfecharam renovadas ofensivas, com novas forças enviadas à África do Norte, mas Rommel e o Afrika Korps conseguiram repelir todas elas, ao mesmo tempo que mantinham o cerco de Tobruk.

 

Em novembro, depois que Auchinleck substituiu Wavell como Comandante-Chefe no Oriente Médio, os britânicos desfecharam ofensiva muito mais forte, a qual Winston Churchill esperava que derrotasse o Afrika Korps e expulsasse alemães e italianos da África. As forças britânicas, agora com o nome de 8º Exército, superavam os alemães e italianos, juntos, em número de tanques, na proporção de 9 para 4, e os alemães isoladamente _ que eram a espinha dorsal do exército inimigo", como  salientava Auchinleck _ em mais de 4 para 1. Na realidade o total de tanques britânicos era de 756, com cerca de um terço mais em reserva, ao passo que o total de tanques alemães era de 174 e dos italianos de 146, esses do tipo antiquado.

 

Mas nesta ofensiva britânica a Operação Crusader apenas a diferença do volume das forças em choque, depois de prolongada e arriscada luta, é que levou Rommel e suas forças a se retirarem da Cirenaica para a fronteira da Tripolitânia - de onde haviam avançado na primavera.


Com a chegada de novo comboio, que elevou o esgotado efetivo do Afrika Korps em tanques de 50 para 100, Rommel revidou, destruiu uma recém-chegada divisão blindada britânica e recuperou a Linha de Gazala, na Cirenaica Oriental, em princípios de fevereiro. Então, em maio, Romjnel frustrou nova ofensiva britânica, atacando a Linha de Gazala. Desta feita, tinha 280 tanques, com 230 tanques italianos, contra quase 1.000 tanques britânicos. Além disso, os britânicos tinham agora 167 tanques Grant, americanos, com um impacto de fogo mais pesado do que qualquer outro, exceto 19 dos seus próprios tanques. Mas depois de uma quinzena de combate, a superioridade técnica do Afrika Korps era tão marcante, que o equilíbrio mudara de mãos. Tobruk fora tomada de assalto e o que restava do 8º Exército foi repelido numa retirada tumultuada para a Linha de El Alamein, seu último refúgio antes do Delta do Nilo. Somente ali Rommel e seus homens, cansados, precisando repor suas perdas e sem combustível e provisões (uma vez que o Mediterrâneo encontrava-se sob domínio da marinha britânica.), foram finalmente detidos. Durante esses dramáticos quinze meses, o Afrika Korps fora formado apenas das suas duas pequenas divisões originais (de 2 batalhões de tanques e 3 de infantaria cada uma), mais uma divisão ligeira que Rommel formara de algumas unidades de infantaria e artilharia. Somente depois que ele parou em EI Alamein é que Hitler enviou, por via aérea, outra divisão de infantaria para ajudá-lo. Ele também tinha 6 divisões italianas fracas, mas, destas, apenas uma era mecanizada e uma motorizada (embora duas mais chegassem como reforço a EI Alamein, ainda que mal equipadas).

 

Finalmente, em Outubro de 1942, após 4 meses de preparação os Britânicos contra-atacaram na segunda batalha de El Alamein, sob o comando do General Montgomery. Rechaçadas pelas bem supridas forças britânicas, as tropas ítalo-alemãs iniciaram um grande recuo de volta à Líbia de forma a encurtar suas linhas de suprimento e ocupar posições defensivas mais favoráveis. Entretanto, dias depois, a 8 de Novembro, as forças do Eixo recebem a notícia de que estão sendo cercadas pelo oeste por forças norte-americanas do 1o. Exército Aliado que haviam desembarcado em Marrocos através da Operação Tocha. Pelo leste, o 8o. Exército Britânico continua o seu avanço, empurrando as forças ítalo-alemãs para a Tunísia, que realizou uma retirada de 3.600 km, até Túnis, em seis meses, sem ser jamais isolado pelos perseguidores, agora em grande superioridade.

 

Finalmente, cercado pelos exércitos americano e britânico e sem a guia de seu audacioso comandante, pois Rommel havia sido hospitalizado na Alemanha, o "Afrika Korps" e o restante do contingente italiano na África do Norte, totalizando mais de 250 mil homens e reduzidos à inatividade pela falta de suprimentos e de apoio aéreo, se rendem aos aliados na Tunísia em maio de 1943, dando fim à guerra na África.

 

A pequena força de Rommel, basicamente composta do Afrika Korps, atraíra para o teatro de guerra da África do Norte o equivalente a mais de 20 divisões dos efetivos da Grã-Bretanha _ quase metade dos seus efetivos operacionais.

O reconhecimento do Afrika Korps
O sucesso de Rommel em enfrentar e derrotar sucessivas ofensivas britânicas na África do Norte deveu-se em grande parte à qualidade e ao volume das informações fornecidas por seus grupos de reconhecimento. Cada divisão tinha unidades destacadas para o patrulhamento do deserto por longos períodos, orientadas para não procurar ativamente combates com o inimigo, mas descobrir suas posições e relatar movimentos fora do comum. Nos primeiros meses da
campanha, utilizaram-se para esta tarefa os tanques PzKpfw II, que seguiam à frente do corpo principal por até 13 km, alcance máximo de seu equipamento de comunicação sem fio. Mais tarde empregaram-se blindados leves, de maior velocidade e melhor desempenho no deserto. Cada unidade de reconhecimento incluía artilharia leve, armas antitanque e tropas transportadas em caminhões ou veículos de meia esteira. Além de relatar os deslocamentos de tropa, o destacamento ficava na escuta das comunicações britânicas, despendendo grandes esforços para decifrar mensagens, na maioria das vezes sem qualquer valor militar. Mas nada poderia ser ignorado, pois Rommel sabia que a descoberta de uma única informação vital poderia significar a diferença entre a vitória e a derrota.

 


Fotos do LRDG

 

Camuflagem no Deserto

Encontros das patrulhas

Hora da bóia

Mais uma patrulha parte para o deserto


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Assunto: LRDG

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