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Perfil da Unidade |
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Operador argentino, identificado como Sargento I. M. Batista, participou da captura da casa do Governador da Falklands. Ele está armado com uma submetralhadora Sterling L2A3 dotada de um silenciador L34A1, uma pistola de 9 mm Browning Hi-Power. Erradamente acreditasse que ele era do Buzo Tactico, mas na verdade fazia parte dos Comandos Anfíbios. |
O plano argentino para a ocupação das ilhas baseava-se na eliminação da pequena guarnição do Corpo de Fuzileiros da Marinha Real no quartel de Moody Brook, ao lado de Port Staniey, seguida pela prisão do governador Rex Hunt. No entanto a inteligência britânica avisou o governador da invasão iminente e o Major Michael Norman, comandante do Destacamento Naval 8901, assumindo que o desembarque principal ocorrerá perto do aeródromo seguido por um avanço até Port Stanley, distribuiu seus fuzileiros (cerca de 70 homens) em pequenos destacamentos em torno de Port Stanley, concentrando a maior parte dos recursos na defesa do palácio do governo, que funcionária como QG.
Ninguém entre os britânicos tinha ilusões quanto ao desfecho dessa operação; mas não se pretendia dar as Malvinas de presente a Galtieri. Normalmente a guarnição das ilhas era composta de 40 fuzileiros navais, os militares restantes faziam parte do Destacamento 1981/82 (outros tinham partido com o "Endurance"), reforçados pelo Destacamento 1982/83 que era comandando pelo Major Norman. Segundo informações a guarnição foi reforçada com cerca de 30 voluntários civis.
Às 4h30 do dia 2 de abril, cerca de 150 homens das forças especiais argentinas (Comandos Anfíbios e Buzo Táticos) foram levados de helicópteros Sea King, embarcados no Quebra-gelo"Almirante Irizar", à Mullett Creek e de lá marcharam até Moody Brook. Porém os primeiros desembarques podem ter ocorrido antes da meia-noite com um destacamento do Buzo Táticos que foi lançando até a praia pelo Destróier " Santisima Trinidad" com o objetivo de tomar ou apoiar o ataque a Mullet Creek. A esse grupo seguiu um outro grupo bem menor, que desembarcou pelo ínicio da manhão deda sexta-feira vindo do submarino "Santa Fé" e tinha o objetivo de garantir o desembarque principal na praia norte de Port Stanley.
Por volta das 6h, os comandos argentinos arremessaram granadas fosforescentes nos alojamentos do quartel, varridos em seguida pelo fogo de armas automáticas. Com grande decepção, os argentinos descobriram que haviam atacado alojamentos vazios. Se os fuzileiros estivessem dormindo teria sido um massacre. Enquanto este grupo ataca Mullet Creek, um outro passa por Sapper Hill em seu caminho até a casa do governador.
Na casa do governador, porém, os argentinos encontraram séria resistência. Em duas horas de combate, dois argentinos foram mortos e vários outros ficaram feridos. Três homens enviados para capturar o governador caíram prisioneiros. Veículos anfíbios de desembarque de tropas LVTP-7, aptos a transportar 25 homens equipados, foram atingidos por foguetes antitanque de 66 mm LAW e de 84 mm MAW dos fuzileiros da Marinha Real. É possível que a estimativa britânica de cinco mortos argentinos em Port Stanley seja moderada. Porém os argentinos só admitem um morto e vários feridos.
No final, o major Norman declarou ao governador que seus homens estavam preparados para furar o cerco e continuar a luta no interior da ilha. No entanto, a essa altura, os veículos anfíbios haviam alcançado posições de onde poderiam desferir um ataque decisivo ao prédio. Relutante em causar baixas desnecessárias aos fuzileiros, Hunt negociou a rendição; às 9h25 o destacamento do major Norman recebeu ordens de depor as armas.
Naquele momento, já havia 2.800 soldados argentinos em terra firme. Seu comandante, general Oswaido Garcia, quis ser fotografado cumprimentando Rex Hunt com um aperto de mão; ficou profundamente magoado quando este se recusou. Usando seu uniforme protocolar, o governador foi levado ao aeroporto, de onde ele e os fuzileiros seguiram de avião para Montevidéu, na primeira etapa da viagem de volta à Inglaterra. O major Norman e os seus homens regressam para as ilhas 76 dias depois como parte do 42 Comando dos RM.
O assalto argentino
04:00
A Argentina da início a Operação Rosário enviando a Força Tarefa 40 para
tomar posição em torno Falklands/Malvinas. Em Londres, a primeiro-ministro Margaret Thatcher
já informada das intenções de invasão argentinas requisita que as forças armadas
preparem uma operação contra-invasão. Os chefes navais dizem que os navios no
Mediterrâneo estão sendo preparados para se incorporar a operação.
06:00
O governador das Falklands Rex Hunt é alertado da invasão mobiliza cerca de 100 homens -
uns 30 voluntários locais e a guarnição de reais fuzileiros navais. O Contra-Almirante Jorge Allara, comandante da capitânia Santisima Trinidad
, apela para uma rendição tranqüila. O pedido é rejeitado. Ao mesmo tempo
pequenas unidades especiais argentinas começam a se aproximar de Port Stanley.
09:45
A Sra. Thatcher se reúne com o gabinete de emergência e pede para que o seu governo
venha a enviar um Força Tarefa naval até as Falklands.
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Operador do Buzo Tactico na captura
das Falkslands.
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10:15
Os moradores das Falklands ouvem tiros e explosões. Uns 40 comandos
argentinos avançam
contra barracas vazias dos reais fuzileiros navais em seu quartel em
Moody Brook e se deslocam para o Porto. Unidades argentinas atacam a casa do
Governador, que é defendida por cerca de 50 homens. O gabinete de emergência em Londres concorda
em reunir-se novamente a noite.
11:00
O grosso da força de invasão desembarca a seis milhas de Stanley e se dirigem para o
aeroporto. Uma luta feroz se desenrola na casa do Governador.
13:00
As forças argentinas tomam o aeroporto. O capitão Pedro Giachino das forças
especiais argentinas é o primeiro soldado a morrer, durante o assalto a casa do
Governador. O resto da cidade está sob o controle da Argentina.
13:25
Reconhecendo o poder crescente das forças argentinas, o Governador Hunt
solicita um cessar-fogo e rende-se. Nenhum habitante das Falklands ou real fuzileiro naval
foi morto nos combates, embora um soldado esteja ferido. A bandeira da Argentina é
içada sobre a casa do Governador. Na Argentina, o Chefa da junta militar,
General Galtieri, aclama a "recuperação" das Malvinas, dizendo que não tinha sido deixada nenhuma outra opção do que a ação militar.
14:00
O Reino Unido solicita que diplomatas da Argentina se retirem do país. O Banco
da Inglaterra congela recursos argentinos no Reino Unido. O secretário do
exterior, Lord Carrington, confirma no
parlamento que "Port Stanley está ocupado por forças militares da Argentina".
18:00
A maioria dos britânicos é informada da da invasão nos noticiários da noite. As forças de Argentina fazem preparações para
enviar os fuzileiros navais e o
Governador Hunt
para fora das Falklands. Em Londres, o Gabinete aprova a
proposta do envio de uma Força Tarefa Naval, que apresentada numa
reunião anterior. Em Nova York, o representante britânico nas Nações Unidas,
Sir Anthony Parsons, apresenta uma resolução ao Conselho de Segurança condene as hostilidades
argentinas e que se exija uma retirada imediata dos argentinos. A resolução é aprovada mais tarde
por 10 votos a um (com quatro abstinências). Os Estados Unidos se colocam ao
lado de Londres.
22:00
Os primeiros nove navios da Força Tarefa naval britânica finalizam suas preparações para a batalha. Sairão
em questões de horas para uma viagem de três semanas até o extremo do Atlântico
Sul.
OPERAÇÃO
ROSÁRIO
Relato
do Tenente de Fragata (Buzo Tático), Diego Fernando García Quiroga
No
dia 26 de março de 1982 eu estava prestes a assumir o comando da guarda da Base
Naval de Mar del Plata. Os últimos dias tinham sido repletos de movimentação
e muita expectativa entre os oficiais devido os sucessos ocorridos nas Georgias.
Meu
comandante (Capitão Cufré) tinha sido chamado a Puerto Belgrano, e eu soube
que alguns homens do
Agrupamento BuzoTático estavam trabalhando em algum lugar que eu não conhecia
em detalhes.
Já
avançada a hora meu comandante recebeu um telefonema urgente: “Preparar a
unidade para uma operação imediata”. Deste modo meu comandante ordenou-me
que me apresentasse ao Capitão Sanchez Sabarots (Comandante do Agrupamento de
Comandos Anfíbios) e me colocar a sua disposição.
Eu
fui então para uma sala de aula do Agrupamento dos Comandos Anfíbios,
transformada em Sala de Situação, onde o Tenente Bardi (vice-comandante)
estava montando uma planilha de equipamentos para uma operação sobre a qual eu
ainda nada sabia.
O
Capitão Sánchez Sabarots me falou então que eu junto com 7 outros BuzoTático
que ele já tinha escolhido, iríamos integrar uma equipe mista de Buzos Táticos
e Comandos Anfíbios, cujo comandante seria o Capitão Giachino, a quem eu já
conhecia. Esta equipe agiria sob suas ordens durante os desembarques que
aconteceriam visando a retomada das Ilhas Malvinas.
Dados
mais específicos da missão nos seriam dados pelo Capitão Giachino
no dia seguinte quando todos nós nos reuníssemos com ele em Puerto
Belgrano. O mais importante agora era preparar o equipamento e esperar o
transporte da equipe que aconteceria por volta das 23:00h.
Meu
Comandante tinha me adiantado que a operação consistiria em tomar Puerto
Stanley. Esta tarefa seria atribuída aos Comandos Anfíbios, pois estava mais
adequada ao seu escopo operacional, enquanto que o BuzoTático marcaria,
limparia e asseguraria a praia para o desembarque da Força principal. O Buzo Tático
operaria a partir de um submarino.
Esta
parte da missão, sim, era uma típica operação do BuzoTático, e então eu não
me sentir fora da minha função. E meu Comandante me esclareceu que a nossa
“comissão” junto ao
Agrupamento de Comandos Anfíbios obedecia duas razões fundamentais: a capacitação técnica de alguns de nossos homens (devíamos
tomar a usina de Puerto Stanley e mantê-la funcionando) e meu domínio inglês.
Já
esclarecido de minha tarefa, eu procedi a fazer algumas mudanças (não seriam
necessários mergulhadores, mas sim homens
serenos e maduros, capazes de completar a missão sem causar baixas desnecessárias)
e selecionar o armamento apropriado. Fui o único que escolheu uma metralhadora
a “Halcón”,
os outros levaram as suas respectivas “noivas”, os rifles PARA-FAL (rifle
especial de pára-quedista).
Tinha
podido mudar meu turno na guarda para outro dia futuro, e estava ocupado com
meus preparativos quando o Tenente Robbio chegou (ele era meu vice-comandante),
com quem tinha uma amizade de 15 anos. E chegou de automóvel com sua esposa e a
minha, visto que eu não poderia passar em casa antes de partir. Minha esposa me
trouxe dois livros para a viagem: “A Guerra” de Karl Von Clausewitz e
“American Short Stories”. Eu nunca mais vi este último novamente e eu às vezes o
imagino como leitura e uma
trincheira pós-desembarque.
Por
volta das 22:00h. decidiram adiar a nossa partida 01:00h do dia seguinte, e
assim nós poderíamos ir para
nossas casas durante 2 horas, vestidos com uniformes de combate.
Às
12:15h o Tenente Schweizer, dos Comandos Anfíbios, passou para me pegar em
minha casa. A pouco acabava de festejar com minha esposa, 3 meses de casados.
Chegado
à Base, nós embarcamos nos veículos, e abandonamos Mar del Plata e... eu
acordei em Puerto Belgrano.
Durante
aquela noite, descobriria muito mais sobre a operação. O submarino ARA Santa Fé
zarparia tendo a bordo o Agrupamento BuzoTático, rumo a sua missão de
sucesso nas Malvinas.
Nós
alojamos o pessoal que veio conosco no BIM N° 2, e nos dirigimos para a Sala
dos oficiais onde
achamos os outros participantes destacados para a operação. O Capitão
Giachino ainda não tinha chegado e, salvo o Tenente Lugo - que parecia ser do
meu grupo - eu me sentia um pouco deslocado com o resto do grupo. Não obstante,
a camaradagem aumentava, talvez por nós sentimos que participaríamos de
grandes eventos.
Quando
chegou o Capitão Giachino (neste momento também já estava conosco o Tenente
Alvarez) nos informou sobre a formação das equipes e nos falou que a medida
que a operação estava aproximando de sua execução ele iria nos dá mais
dados.
Em
Puerto Belgrano me reunir com o Tenente Lugo
e junto fomos ao Destróier
Santísima
Trinidad
, para coordenar horários. Naquela noite, nós dormimos com uniformes de
combate e não foi um sono fácil.
Na
manhã seguinte, depois de embarcar todo o material (a maioria estava alojado
dentro do hangar dos helicópteros junto com o armamento), tomamos as nossas
pranchetas e nos preparamos para estudar planos, dados e fotos do o objetivo da
operação.
Em
28 de março todo o grupo de Comandos Anfíbios e Buzo Táticos, foi embarcado e
partiu imediatamente. Nós nos dedicamos a tarefa de preparar os botes, e
protege-lo de possíveis tempestades.
A viagem ocorreu se nenhuma novidade, com os navios em formação constante. Em 30 de março o Capitão Giachino nos juntou para detalhar a Ordem de Operações e distribuir os grupos. Éramos no total de 16 (se havia agregado o Cabo enfermeiro Urbina, aluno do Curso de Comandos Anfíbios) na equipe que teria o codinome “Técnico” (mas depois passou a ser chamado de “Techo”) e foi dividida deste modo:
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GRUPO VERMELHO |
GRUPO LARANJA |
GRUPO VERDE |
GRUPO AZUL |
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(bote 18) |
(bote 19) |
(bote 20) |
(bote 21) |
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Cap. Giachino |
Tte. Lugo |
Tte. García Quiroga |
Tte. Alvarez |
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Cabo Ortiz |
Subof. Salas |
Subof. Cardillo |
Subof. Mansilla |
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Cabo Flores |
Subof. López |
Cabo Gómez |
Subof. Gutiérrez |
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Cabo Vargas |
Cabo Ledesma |
Cabo Urbina |
Cabo Vargas |
O
Vermelho deveria “cercar” a estação policial, o Laranja deveria apoiar a ação
do Verde isso era tomar a fábrica e apoiar logo depois o Vermelho em sua ação,
para tomar rapidamente a central telefônica. O Azul deveria ser acionado antes
de se chegar à cidade para neutralizar um campo de antenas a oeste do objetivo.
Naquela
tarde nós tivemos acesso – na sala dos oficiais – de fotografias, dos
objetivos, obtidas pelo Capitão Gaffoglio durante a sua administração dos
Transportes Navais. Com elas em mente e diante dos mapas, nós revisamos a operação
toda até a exaustão. O Cabo Gómez levaria o rádio, com que nós iríamos
informar à Força por meio de curtas frases em inglês.
Um
dia antes do desembarque em 1° de abril - eles nos informaram uma mudança nos
planos: nós deveríamos tomar a casa do Governador, e induzi-lo a convencer a
população de que era inútil resistir.
Como
missão secundária, deveríamos “marcar” uma zona de pouso num campo de
futebol, para os helicópteros que trariam o primeiro escalão de apoio.
O
Capitão Gaffoglio tinha sido transferido e se encontrava com as fotos no «Almirante
Irizar», com o que nós não tínhamos forma de saber como era casa do
Governador. Não obstante, o Capitão Giachino conseguiu obter uma quantidade de
dados possíveis, e a sensação geral era que não havia nenhuma vigilância
forte na casa.
Até
o momento de chegar a praia com os botes, na meia-noite de 1° de abril, o
“grande medo“ - até mesmo para os que estavam nos navios, era que a operação
não foi levada a cabo, coisa que nós sabíamos que podia acontecer a qualquer
momento.
N
noite do desembarque nós jantamos uma refeição leve; algumas faces estavam
pintadas com camuflagem "desnecessário para certos rostos", como troçou o
Tenente Bardi, se referindo a alguns de nós pela aparência bastante crioula.
Eu me lembro da lamentação profética do Capitão Giachino pela ausência de
uma máquina fotográfica para documentar o que nós já chamávamos de o “último
jantar”.
O
espírito era elevado. Durante a reunião prévia para o desembarque, todos
estavam camuflados, vestidos com uniformes de combate, armas verificadas, etc. O
Capitão Giachino nos recordou com voz serena na obscuridade das luzes vermelhas
da sala onde nós nos preparamos: “Abram bem os olhos, porque para aqueles que
voltarem, esta será a primeira vez que estarão em combate real e esta experiência
terá que ser transmitida”.
Nós
saímos e abaixamos os botes a medida que nos chamavam. A noite estava negra,
escura como poucas vezes a vi. “Ideal para um ataque” eu pensei. Mãos nos
eram estendidas e apertavam firme, sussurros de “Sorte”, “Nós esperamos por vocês”, e alguém que desliza um
doce em minha mão.
Os
botes se ficam em coluna para popa do navio e uma vez prontos, zarpamos atrás
do primeiro bote (do Capitão Sánchez Sabarots). Eram 21 barcos no total.
Estava
frio e a navegação foi difícil, devido à grande quantidade de algas na
superfície, que eram invisíveis à noite. Esta inconveniência desorganizou a
formação inteira ficando para trás muitos barcos e estando à frente outros.
Quando
passando ao lado de um desgarrado eu escutei um diálogo murmurado dos seus
ocupantes: Che, Negro, pagaram a Zona? (Se referindo em tom de
brincadeira ao complemento que se cobra quando são feitos trabalhos
especiais na Zona Sul).
Nós
chegamos à praia em bastante desordem. Meu grupo e o do Tenente Alvarez estavam
encarregados de dar segurança, enquanto os outro trocavam a roupas de água e
então nós tomamos as posições.
Assim
que foi feito isto e uma vez que todos foram contados (os barcos tinham chegado
em qualquer ordem) todos nós esperamos a coluna do Agrupamento de Comandos Anfíbios
desaparecer rumo a Moody Brook,
sendo tragada pela escuridão e então nós nos pusemos em marcha.
Nós
tínhamos desembarcado mais a Oeste do que o previsto, o que impediu que nós déssemos
com o alambrado ao qual havíamos
assinalado como ponto de referência em nosso mapa, e que nos levaria
diretamente para Sapper Hill.
A estrada era difícil, e o pior é que não se via nada. A vanguarda de exploração
estava composta pelo Capitão Giachino, os Cabos Ortiz e Alegre, a quem seguiu o
Cabo Flores como navegador. Atrás deles seguiu o Laranja, o Verde e logo atrás
o Tenente Alvarez com o grupo Azul.
Durante
a marcha, eu tropecei nos meus companheiros e caí de joelhos sobre as rochas o
que foi bastante doloroso. Isto fez com que o Capitão Giachino me colocasse na
frente das patrulha de exploradores, devido a lentidão que a dor me obrigava.
Nós
parávamos o avanço mais ou menos a cada 50 passos, até escutar os dois apitos
dos exploradores, nos indicando que a estrada estava livres. A medida que nos
aproximávamos do objetivo e o reflexo das luzes da cidade nos permitia ver
melhor, as distâncias de 50 passos estavam aumentando, isso fez com que os
exploradores ficassem ausentes por lapsos de até 20 minutos, em razão da qual
eu voltei a ocupar a minha antiga posição na marcha.
Justamente
no momento de subir a Sapper
Hill,
apareceu um jeep Land Rover
pela estrada que segue a base da montanha, obrigando-nos a realizar uma marcha
forçada até o alto. De nossa posição
foi possível observar a cidade claramente, e nós planejamos o deslocamento no
frio da noite.
O
último ponto de referência importante antes do assalto foi alcançado, era uma
antena de rádio que
ficava a cerca de 1.500 metros da casa do Governador. Foi ai que nos demos conta
de que tínhamos dois homens a menos: o Suboficial Mansilla e o Tenente Alvarez,
que eram do grupo Azul.
Porém
o tempo corria e nós continuamos à frente com esses dois homens a menos e
confiávamos que logo eles se encontrariam conosco. Como de fato aconteceu.
O
Capitão Giachino deu as últimas recomendações e lembrou: “Você Laranja (Lugo),
ataca para a esquerda; Verde (eu) deixe-me avançar por um tempo e depois
siga-me;”O líder do Azul não estava presente, e os homens deste grupo
seguiram os meus movimentos.
O
Capitão Giachino avançou e o Tenente Lugo o seguiu com o seu grupo.
Aproximadamente dez minutos se tinham passado
e quando não mais via o Vermelho eu comecei o deslocamento para a casa. Durante
o deslocamento nós começamos a escutar muitos tiros do nosso lado de Moody
Brook
. O Capitão Sánchez Sabarots estava atacando. Quase que imediatamente, o
movimento de veículos começou na cidade e 2 caminhões (um deles com você
fuzileiros) estacionaram na parte de trás da casa.
A
essa altura, eu estava a uns 400 ou 500 metros da casa, com meu grupo
posicionado em uma elevação. Foram escutados vários tiros e eu supus que era
o grupo de Lugo e os defensores da casa de quem com o deslocamento do vento eu
ouvia os gritos e as ordens.
Eu
ainda estava decidindo por onde iniciar a minha aproximação quando escutei os
gritos do Capitão Giachino que me
chamava para a frente da casa.
Depois
de uma breve vacilação (ele estaria refém, estava ferido?) eu e meu grupo nos
abaixamos e corremos para descobrir o Capitão Giachino e a sua seção
desdobradas em frente a casa. Nos aproximamos o máximo possível. Atrás de mim
estava o Suboficial Cardillo e o Cabo Urbina para marcar o heliporto.
Eu
me aproximei do Capitão Giachino. Ele me ordenou: “Fale a ele”. Eu fiz uma
espécie de corneta com minhas mãos e com toda minha voz gritei: “Sr. Hunt, nós
somos da marinha argentina, a ilha esta tomada, nossos veículos anfíbios
desembarcaram e eles estão vindo para aqui, nós cortamos seu telefone e nós
lhe pedimos que deixe a casa só, desarmado e com as mãos na cabeça, e em ordem para prevenir infortúnios maiores. Eu o asseguro
que o trataremos com dignidade,
como também
todos de sua família”.
Não
houve nenhuma resposta. A um sinal de Giachino, eu repeti a mensagem. Novamente
não houve nenhuma resposta. “Lance uma granada”, me disse o capitão e lançamos
uma granada que explodiu no jardim. Uma voz respondeu: “O sr. Hunt vai
sair”.
Nós
esperamos que eles uns 2 minutos e o Capitão Giachino me disse aborrecido:
“Os apresse...!” Eu Repeti a mensagem e neste tempo eles responderam com
explosões e disseram: “Não vai (Sr. Hunt)”.
O
tiroteio se generalizou, e de repente eu vi o Cabos Flores, Alegre
e Ledesma coberto por uma
cor laranja. Imediatamente eu entendi que eram
projéteis traçantes que se originavam da cidade. Eram disparados através do
campo de futebol.
Nos
lançamos ao chão, e eu comentei com
o Capitão Giachino: - “Chefe, se nós não entramos eles nos cozinham”. Ele
olhou para mim falou: “Sim, é necessário entrar”. Enquanto ele dizia isto,
uma sombra pequena saltou e chegou até a porta. Atrás dela continuou o
Suboficial Cardillo e então o Cabos Flores, Ledesma e eu, mas eu não me lembro
em que ordem.
Demolimos
a porta, e enfrentamos um corredor longo e sem saída, salvo por uma porta
lateral próxima a porta lateral que estava fechada. Cardillo tentou derrubá-la
com um pontapé, mas não conseguiu. O
Capitão Giachino quebrou o vidro com uma granada e ele abriu por meio de uma maçaneta.
Esta
porta deu aparentemente para um tipo de quarto sem portas, embora então os três
homens que estavam na casa descobriram em um canto do quarto uma escada que se
comunicava com o alto.
A
partir deste momento o que me recordo passa como se fosse um filme em câmera
lenta: Giachino virasse e diz - por aqui não, é necessário dar a volta -
Saiu com uma granada na mão (a que usou para quebrar o vidro). Atrás
dele, quase colado saio eu. Viu-o
um pouco mais adiante, a minha direita.
Girei de repente, como se fosse cair e gritei:
-
“Eles me acertaram, Cristina, me
acertaram”.
E
nesse momento senti como se arrancasse o meu braço. Era como golpe de machado,
então uma luz, um empurrão indolor e um fogo no abdômen. Eu pensei em falar,
eu não sei o que eu disse, eu chamei por
minha
esposa e eu caí contra um abrigo pequeno contra o qual as balas foram
incrustadas.
Eu
vi o céu, eu acreditei que estava morto e eu pensei: Será deste modo?
O
tiroteio continuou. A meu lado, gemeu o meu Chefe de grupo. Eu desejei saber se
ele também tinha morrido. Eu desatei a jaqueta. Não sentia meu braço ferido,
só uma dor forte. Eu quis me mover. Então gritei. Eu gritei porque doeu muito
e para que eles soubessem que eu estava vivo. Eu percebi que o Capitão Giachino
chamou um enfermeiro e eu também comecei a chamar por ele ruidosamente,
enquanto eu desatava o cinto e soltava o lenço do pescoço. Nós não paramos
de chamá-lo até que nos escutou e gritou uma resposta. Ele disse que não
podiam nos ajudar pois estava ferido também.
Ficamos
lá até sermos resgatados três horas depois. De repente escutei um grito: -
“O Pedro, sou eu, Tito”.
Escutei que o Capitão Giachino respondeu: “Tito, apressa-te que eu não
chego”. Alguém veio mais próximo. Eu vi de repente diante de mim a face do
Almirante Büsser que falava comigo. Eu lhe falei: “O braço não. Eu levei um
tiro”. Eu Vi o Suboficial Cardillo e o Cabo Ledesma que se apressaram para me
retirar. Um fuzileiro me cobriu com uma manta (Por que? - pensei – não tenho
frio). Eu fui levado para um jipe. Eles elevaram também o Capitão Giachino.
“Chegamos Chefe”, eu acredito ter falado.
Eles
me elevaram. Eles me puseram em um jipe. Novamente a dor. Uma maca. O hospital
das Malvinas e dois doutores me cortaram todas as roupas e sem prestar atenção
as minhas reclamações. Eles me falam: «Você está terminado, bebê».
Então
o helicóptero. Vi muitas caras, algumas conhecidas, outras não. O Quebra-gelo.
A enfermaria e mais morfina. Começa uma sensação de asfixia que não me
abandonou até o continente. Eu volto as Malvinas e obtenho um “pantallazo”
do Buzo Tático com meu Comandante quando a minha maca foi para o avião.
Quero dormir. 
Durante
o itinerário, um homem para qual devo a vida a ele, constantemente bate minha
face e ele me, conscientemente de meu último nome, repete: “Rodríguez, não
dorme”.
Nós
chegamos a Comodoro Rivadavia, cidade que eu conheço de minha infância. Doutor
Zeballos, do
Exército argentino, me recebe. Ele me pergunta como eu estou. O que posso
responder a ele? Eu tive a sorte de esta lá, com um grupo valoroso e
provavelmente tenho a sorte de viver para contar. “Eu estou contente”.
Saiu
de um longo sono e encontro os olhos de minha esposa, o rosto de meu pai, e o
apoio de meu vice-comandante, vestido com roupas de combate e com duas noites
sem dormir. Eles me confirmam o sucesso da operação. Pergunto por meu chefe e
o abençôo, exemplo para muitos e orgulho do alguns que como eu tiveram a sorte
de conhecê-lo e servir sob suas ordens.
Semanas depois, convalescente de outra intervenção cirúrgica, meu 2° em comando me entrega outra mostra da fatalidade: é uma faca suíça que estava pendurada em meu cinto. Ela tem as bordas tortas, e a marca de um tiro justamente no centro. Eu só tenho a marca do ferimento que teria me matado. Mesmo assim, tinha valido a pena.
Fuzileiros ingleses prisioneiros:
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