Perfil da Unidade

AGRUPACIÓN DE BUZOS TÁCTICOS (APBT)


O Grupamento de Mergulhadores Táticos ou Buzos Tácticos, ou simplesmente Táctico Buzo, é a unidade de operações especiais mais antiga das forças armadas e de segurança da República Argentina. Ela provavelmente lutou contra as guerrilhas esquerdistas, e é veterana da guerra das Malvinas, porém o público em geral tem pouco conhecimento de sua existência.

 

ORIGEM

O Táctico Buzo tem sua origem em 1947, quando o contra-almirante Jorge Ibarborde requisitou a execução do primeiro curso "de mergulhadores independentes" diante das experiências italianas e americanas com mergulhadores de combate durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1952 foi criado o primeiro Agrupamento de Mergulhadores Táticos. O agrupamento foi baseado no navio de desembarque A.R.A. "San Bartolomé”. Anos depois foi criado o segundo agrupamento para servir na  Escuadra Naval del Plata. Em 1966 os dois agrupamentos foram fundidos dando origem ao atual Agrupación de Buzos Tácticos (APBT), que está lotado na Base Naval Mar del Plata, e está subordinado ao Comando de la Fuerza de Submarinos (COFS). Hoje o APBT,  é um dos dois grupos de forças especiais que a Marinha Argentina tem a sua disposição. O outro grupo é constituído pelos Comandos Anfíbios dos Fuzileiros Navais.

 

SELEÇÃO E TREINAMENTO

Os candidatos ao Grupamento de Mergulhadores Táticos, sejam eles oficiais ou graduados, devem passar por umaEntrenando con los Buzos Tácticos dura seleção e depois concluir o rigoroso curso de "Commando Subaquático", que tem a duração de um ano. Só então o voluntário será admitido no APBT.

 

Para uma melhor compreensão das características do treinamento dos mergulhadores táticos é importante considerar determinados detalhes do planejamento e execução de suas missões. Apesar das ações significativas dos mergulhadores de combate americanos e italianos na IIGM, realizando ataque a portos e executando limpeza de obstáculos nas praias para os desembarques anfíbios, terem dado a inspiração para a formação do Táctico Buzo, hoje as suas missões apontam principalmente na execução das missões de importância vital nos momentos precedentes a declaração de um conflito e em situações de crise. Vale a pena dizer, que as missões mais importantes são precedentes às operações maciças de combate, ou seja coleta de informações, sabotagem e ações de comando.

Seu treinamento eminente aquático, valoriza o conceito de que o grupo destacado para uma missão terá que operar por conta própria, devendo assim ser auto-suficiente, sem esperar apoio de suas próprias forças à exceção de seu próprio transporte para uma área remota do teatro de operações, de onde o grupo iniciará a sua incursão.

Para essa razão, o mergulhador tático deve ter destreza dentro d´água, deve ter capacidade para resolver situações inesperadas, ter habilidade na manipulação de explosivos e do mais variado arsenal de armas de fogo para travar se necessário contato agressivo com o inimigo, apesar de que em suas missões de reconhecimento deverão fazer o máximo para que não sejam detectados.

 

Entretanto, a atualização e a geração permanente de novas técnicas de operação, tem levado ao correr do tempo que o treinamento venha a incorporar capacidades táticas e técnicas de operar-se no gelo, na montanha, na floresta e naturalmente com pára-quedas. 

 

Entre a diversidade das missões que o Táctico Buzo  está apto a realizar podemos enfatizar:

·        A destruição de embarcações e instalações portuárias inimigas;

·        A obtenção de informações hidrográficas e militar de praias ou zonas de interesse para o comando naval nas áreas sob o controle do inimigo ou em disputa;

·        Reconhecimento e demolição subaquática em operações anfíbias;

·        Resgate de personalidades ou de embarcações;

·        Seqüestro de inimigos.

 

ATINGINDO O OBJETIVO

De acordo com a missão distribuída, o Comandante do grupamento e seu Estado-Maior irá planejar a melhor forma de cumprir a missão que lhes foi atribuída. Será feito um levantamento cuidadoso para se determinar a quantidade certa de mergulhadores irão participar da operação, a especialidade de cada um, as armas a serem usadas e o que extremamente fundamental para o sucesso da missão: o meio de transporte usado para se aproximar do objetivo. Os meios podem ser: barco, submarino, avião, helicóptero ou uma combinação deles. 

Dado à necessidade imperiosa de uma descrição máxima, pois normalmente os diversos objetivos, dentro das
Entrenando con los Buzos Tácticos missões dos mergulhadores táticos, possuem uma monitoração eletrônica rigorosa e guardas, a aproximação final deverá ser feita usando os meios mais silenciosos e furtivos possível, entre eles podemos citar: equipamento independente de mergulho, kayaks, ESDA (embarcações submarinas de assalto), propulsores portáteis nado livre e se as circunstâncias o permitirem barcos de borracha.

Para a retirada, se a missão tiver sido discreta e bem sucedida, se espera que os mergulhadores entrem no mar pelos mesmos meios com que chegaram a costa, até se aproximar do submarino, helicóptero ou do barco que o transportou o mais rápido possível, para que possam ser levados para territórios amigo.

 

Porém, se a missão for detectada pelo inimigo, planeja-se o uso de enorme poder de fogo de metralhadoras, explosivos e de cortinas de fumaça a fim de causar a maior confusão possível, necessária para que se rompa o contato com o inimigo.

ARMAS E EQUIPAMENTOS
Entrenando con los Buzos Tácticos

O APBT integra desde 1984 a Força Conjunta de Deslocamento Rápido. A organização das unidades operativas  dos mergulhadores táticos é composta por grupos de operações - de aproximadamente 16 homens e grupos de logística da sustentação, sendo normal a proporção de três grupos operacionais para um grupo de apoio logístico. Entre seu arsenal podemos encontrar: Fuzis FAL de 7,62 milímetros, Steyr e M-16 de 5.56; sub-metralhadoras Imgran, Uzi e Sterling de 9 milímetros; metralhadoras MAG de 7,62, Minimi de 5,56 milímetros, facas, granadas de fuzil e diversos tipos de explosivos. Usam também os pára-quedas MC1, MC5, XL e uniformes para todo tipo de ambientes. A nível de grupo se dispõe de GPS portátil, visores noturnos e  modernos equipamentos de comunicações.

 

O equipamento específico para o mergulho é composto de trajes úmidos ou secos, de grandes tanques de oxigênio, com respiradores de circuito fechado de ar – que não produzem bolhas, de arpões, facas e etc.

Entre os equipamentos usados pelos Buzos podemos citar:Entrenando con los Buzos Tácticos

ESDA: São os mini-submarinos que são acionados por um motor elétrico, alimentado por baterias recarregáveis. Transportam a pouca profundidade dois mergulhadores com uma autonomia de várias horas e podem levar uma carga útil de até 250 kg.. 

Propulsor individual (scooters): Possuem  também uma operação elétrica e levam o mergulhador até o seu objetivo com menor gasto de energia. Estes propulsores requerem um treinamento avançado para a sua perfeita condução. 

Kayaks: De origem alemã, são feitos de tecido impermeável com armações de madeira e uma estrutura de varas, que permitem que sejam dobrados e desarmados, razão porque podem ser transportados na maioria dos submarinos, bem como por meios aéreos ou levados para água vindos da terra. Têm a capacidade para levar dois homens com seu respectivo equipamento e têm um pequeno leme acionado por pedais. O Kayak é realmente um veículo veloz, flexível e sigiloso. 
Entrenando con los Buzos Tácticos

Bote de borracha Zodiac: Têm a característica de poder ser totalmente esvaziado e dobrado a fim ocupar o menor espaço possível, a ponto de poder ser transportado na área de circulação livre dos submarinos. Estes barcos são propulsados por motores fora da borda e que também podem ser carregados nos lados do bote. O conjunto pode ser liberado do submarino em ainda em imersão à profundidade de periscópio, ou
ser lançado de um helicóptero.

 

A unidade dispõe também de lanchas de alta velocidade, armadas com metralhadoras e equipadas com geradores de fumaça. 

 

Os homens do Táctico Buzo trabalham duro e de forma profissional e dedicada, preparando-se na paz, para momentos de conflito e tensão, em que serão necessário usar homens que ajam de forma decidida e agressiva. O seu lema define muito bem a sua firmeza de propósito: "Duas coisas eu peço-lhe ao Senhor: a vitória e o retorno; mas se apenas uma poder ser me dada, que seja a vitória". 

 


OCUPAÇÃO DAS MALVINAS

 

Operador argentino, identificado como Sargento I. M. Batista, participou da captura da casa do Governador da Falklands. Ele está armado com uma submetralhadora Sterling L2A3 dotada de um silenciador L34A1, uma pistola de 9 mm Browning Hi-Power. Erradamente acreditasse que ele era do Buzo Tactico, mas na verdade fazia parte dos Comandos Anfíbios. 

O plano argentino para a ocupação das ilhas baseava-se na eliminação da pequena guarnição do Corpo de Fuzileiros da Marinha Real no quartel de Moody Brook, ao lado de Port Staniey, seguida pela prisão do governador Rex Hunt. No entanto a inteligência britânica avisou o governador da invasão iminente e o Major Michael Norman, comandante do Destacamento Naval 8901, assumindo que o desembarque principal ocorrerá perto do aeródromo seguido por um avanço até Port Stanley, distribuiu seus fuzileiros (cerca de 70 homens) em pequenos destacamentos em torno de Port Stanley, concentrando a maior parte dos recursos na defesa do palácio do governo, que funcionária como QG.

 

Ninguém entre os britânicos tinha ilusões quanto ao desfecho dessa operação; mas não se pretendia dar as Malvinas de presente a Galtieri. Normalmente a guarnição das ilhas era composta de 40 fuzileiros navais, os militares restantes faziam parte do Destacamento 1981/82 (outros tinham partido com o "Endurance"), reforçados pelo Destacamento 1982/83 que era comandando pelo Major Norman. Segundo informações a guarnição foi reforçada com cerca de 30 voluntários civis.

 

Às 4h30 do dia 2 de abril, cerca de 150 homens das forças especiais argentinas (Comandos Anfíbios e Buzo Táticos) foram levados de helicópteros Sea King, embarcados no Quebra-gelo"Almirante Irizar", à Mullett Creek e de lá marcharam até Moody Brook. Porém os primeiros desembarques podem ter ocorrido antes da meia-noite com um destacamento do Buzo Táticos que foi lançando até a praia pelo Destróier " Santisima Trinidad" com o objetivo de tomar ou apoiar o ataque a Mullet Creek. A esse grupo seguiu um outro grupo bem menor, que desembarcou pelo ínicio da manhão deda sexta-feira vindo do submarino "Santa Fé" e tinha o objetivo de garantir o desembarque principal na praia norte de Port Stanley.

 

Por volta das 6h, os comandos argentinos arremessaram granadas fosforescentes nos alojamentos do quartel, varridos em seguida pelo fogo de armas automáticas. Com grande decepção, os argentinos descobriram que haviam atacado alojamentos vazios. Se os fuzileiros estivessem dormindo teria sido um massacre. Enquanto este grupo ataca Mullet Creek, um outro passa por Sapper Hill em seu caminho até a casa do governador.

 

Na casa do governador, porém, os argentinos encontraram séria resistência. Em duas horas de combate, dois argentinos foram mortos e vários outros ficaram feridos. Três homens enviados para capturar o governador caíram prisioneiros. Veículos anfíbios de desembarque de tropas LVTP-7, aptos a transportar 25 homens equipados, foram atingidos por foguetes antitanque de 66 mm LAW e de 84 mm MAW dos fuzileiros da Marinha Real. É possível que a estimativa britânica de cinco mortos argentinos em Port Stanley seja moderada. Porém os argentinos só admitem um morto e vários feridos.

 

No final, o major Norman declarou ao governador que seus homens estavam preparados para furar o cerco e continuar a luta no interior da ilha. No entanto, a essa altura, os veículos anfíbios haviam alcançado posições de onde poderiam desferir um ataque decisivo ao prédio. Relutante em causar baixas desnecessárias aos fuzileiros, Hunt negociou a rendição; às 9h25 o destacamento do major Norman recebeu ordens de depor as armas.

 

Naquele momento, já havia 2.800 soldados argentinos em terra firme. Seu comandante, general Oswaido Garcia, quis ser fotografado cumprimentando Rex Hunt com um aperto de mão; ficou profundamente magoado quando este se recusou. Usando seu uniforme protocolar, o governador foi levado ao aeroporto, de onde ele e os fuzileiros seguiram de avião para Montevidéu, na primeira etapa da viagem de volta à Inglaterra. O major Norman e os seus homens regressam para as ilhas  76 dias depois como parte do 42 Comando dos RM.


O assalto argentino

 

04:00
A Argentina da início a Operação Rosário enviando a Força Tarefa 40 para tomar posição em torno Falklands/Malvinas. Em Londres, a primeiro-ministro Margaret Thatcher já informada das intenções de invasão argentinas requisita que as forças armadas preparem uma operação contra-invasão. Os chefes navais dizem que os navios no Mediterrâneo estão sendo preparados para se incorporar a operação. 

06:00
O governador das Falklands Rex Hunt é alertado da invasão mobiliza cerca de 100 homens - uns 30 voluntários locais e a guarnição de reais fuzileiros navais. O Contra-Almirante Jorge Allara, comandante da capitânia Santisima Trinidad , apela para uma rendição tranqüila. O pedido é rejeitado. Ao mesmo tempo pequenas unidades especiais argentinas começam a se aproximar de Port Stanley. 

09:45
A Sra. Thatcher se reúne com o gabinete de emergência e pede para que o seu governo venha a enviar um Força Tarefa naval até as Falklands.

Operador do Buzo Tactico na captura das Falkslands. Ele está armado com uma submetralhadora Sterling L2A3, dotada de um silenciador L34A1.

 

10:15
Os moradores das Falklands ouvem tiros e explosões. Uns 40 comandos argentinos avançam contra barracas vazias dos reais fuzileiros navais em seu quartel em
Moody Brook e se deslocam  para o Porto. Unidades argentinas atacam a casa do Governador, que é defendida por cerca de 50 homens. O gabinete de emergência em Londres concorda em reunir-se novamente a noite.

 

11:00
O grosso da força de invasão desembarca a seis milhas de Stanley e se dirigem para o aeroporto. Uma luta feroz se desenrola na casa do Governador.

 

13:00
As forças argentinas tomam o aeroporto. O capitão Pedro Giachino das forças especiais argentinas é o primeiro  soldado a morrer, durante o assalto a casa do Governador. O resto da cidade está sob o controle da Argentina. 

13:25
Reconhecendo o poder crescente das forças argentinas, o Governador Hunt solicita um cessar-fogo e rende-se. Nenhum habitante das Falklands ou real fuzileiro naval foi morto nos combates, embora um soldado esteja ferido. A bandeira da Argentina é içada sobre a casa do Governador. Na  Argentina, o Chefa da junta militar, General Galtieri, aclama a "recuperação" das Malvinas, dizendo que não tinha sido deixada nenhuma outra opção do que a ação militar. 

14:00
O Reino Unido solicita que diplomatas da Argentina se retirem do país. O Banco da Inglaterra congela recursos argentinos no Reino Unido. O secretário do exterior,
Lord Carrington, confirma no parlamento que "Port Stanley está ocupado por forças militares da Argentina". 

18:00

A maioria dos britânicos é informada da da invasão nos noticiários da noite. As forças de Argentina fazem preparações para enviar os fuzileiros navais e o
Governador Hunt para fora das Falklands. Em Londres, o Gabinete aprova a proposta do envio de uma Força Tarefa Naval, que apresentada  numa reunião anterior. Em Nova York, o representante britânico nas Nações Unidas, Sir Anthony Parsons, apresenta uma resolução ao Conselho de Segurança condene as hostilidades argentinas e que se exija uma retirada imediata dos argentinos. A resolução é aprovada mais tarde por 10 votos a um (com quatro abstinências). Os Estados Unidos se colocam ao lado de Londres. 

22:00
Os primeiros nove navios da Força Tarefa naval britânica finalizam suas preparações para a batalha. Sairão em questões de  horas para uma viagem de três semanas até o extremo do Atlântico Sul.


OPERAÇÃO ROSÁRIO    

Relato do Tenente de Fragata (Buzo Tático), Diego Fernando García Quiroga   

 

No dia 26 de março de 1982 eu estava prestes a assumir o comando da guarda da Base Naval de Mar del Plata. Os últimos dias tinham sido repletos de movimentação e muita expectativa entre os oficiais devido os sucessos ocorridos nas Georgias.

 

Meu comandante (Capitão Cufré) tinha sido chamado a Puerto Belgrano, e eu soube que alguns homens do Agrupamento BuzoTático estavam trabalhando em algum lugar que eu não conhecia em detalhes.   

 

Já avançada a hora meu comandante recebeu um telefonema urgente: “Preparar a unidade para uma operação imediata”. Deste modo meu comandante ordenou-me que me apresentasse ao Capitão Sanchez Sabarots (Comandante do Agrupamento de Comandos Anfíbios) e me colocar a sua disposição.

 

Eu fui então para uma sala de aula do Agrupamento dos Comandos Anfíbios, transformada em Sala de Situação, onde o Tenente Bardi (vice-comandante) estava montando uma planilha de equipamentos para uma operação sobre a qual eu ainda nada sabia.

 

O Capitão Sánchez Sabarots me falou então que eu junto com 7 outros BuzoTático que ele já tinha escolhido, iríamos integrar uma equipe mista de Buzos Táticos e Comandos Anfíbios, cujo comandante seria o Capitão Giachino, a quem eu já conhecia. Esta equipe agiria sob suas ordens durante os desembarques que aconteceriam visando a retomada das Ilhas Malvinas.

 

Dados mais específicos da missão nos seriam dados pelo Capitão Giachino  no dia seguinte quando todos nós nos reuníssemos com ele em Puerto Belgrano. O mais importante agora era preparar o equipamento e esperar o transporte da equipe que aconteceria por volta das 23:00h.

 

Meu Comandante tinha me adiantado que a operação consistiria em tomar Puerto Stanley. Esta tarefa seria atribuída aos Comandos Anfíbios, pois estava mais adequada ao seu escopo operacional, enquanto que o BuzoTático marcaria, limparia e asseguraria a praia para o desembarque da Força principal. O Buzo Tático operaria a partir de um submarino.

 

Esta parte da missão, sim, era uma típica operação do BuzoTático, e então eu não me sentir fora da minha função. E meu Comandante me esclareceu que a nossa “comissão” junto  ao Agrupamento de Comandos Anfíbios obedecia duas razões fundamentais:  a capacitação técnica de alguns de nossos homens (devíamos tomar a usina de Puerto Stanley e mantê-la funcionando) e meu domínio inglês.   

 

Já esclarecido de minha tarefa, eu procedi a fazer algumas mudanças (não seriam necessários mergulhadores, mas sim  homens serenos e maduros, capazes de completar a missão sem causar baixas desnecessárias) e selecionar o armamento apropriado. Fui o único que escolheu uma metralhadora a “Halcón, os outros levaram as suas respectivas “noivas”, os rifles PARA-FAL (rifle especial de pára-quedista).   

 

Tinha podido mudar meu turno na guarda para outro dia futuro, e estava ocupado com meus preparativos quando o Tenente Robbio chegou (ele era meu vice-comandante), com quem tinha uma amizade de 15 anos. E chegou de automóvel com sua esposa e a minha, visto que eu não poderia passar em casa antes de partir. Minha esposa me trouxe dois livros para a viagem: “A Guerra” de Karl Von Clausewitz e “American Short Stories.  Eu nunca mais vi este último novamente e eu às vezes o imagino  como leitura e uma trincheira pós-desembarque.   

 

Por volta das 22:00h. decidiram adiar a nossa partida 01:00h do dia seguinte, e assim nós poderíamos ir  para nossas casas durante 2 horas, vestidos com uniformes de combate.   

 

Às 12:15h o Tenente Schweizer, dos Comandos Anfíbios, passou para me pegar em minha casa. A pouco acabava de festejar com minha esposa, 3 meses de casados.   

Chegado à Base, nós embarcamos nos veículos, e abandonamos Mar del Plata e... eu acordei em Puerto Belgrano.   

 

Durante aquela noite, descobriria muito mais sobre a operação. O submarino ARA Santa Fé  zarparia tendo a bordo o Agrupamento BuzoTático, rumo a sua missão de sucesso nas Malvinas.   

 

Nós alojamos o pessoal que veio conosco no BIM N° 2, e nos dirigimos para a Sala dos oficiais onde achamos os outros participantes destacados para a operação. O Capitão Giachino ainda não tinha chegado e, salvo o Tenente Lugo - que parecia ser do meu grupo - eu me sentia um pouco deslocado com o resto do grupo. Não obstante, a camaradagem aumentava, talvez por nós sentimos que participaríamos de grandes eventos.

 

Quando chegou o Capitão Giachino (neste momento também já estava conosco o Tenente Alvarez) nos informou sobre a formação das equipes e nos falou que a medida que a operação estava aproximando de sua execução ele iria nos dá mais dados.

 

Em Puerto Belgrano me reunir com o Tenente Lugo  e junto fomos ao Destróier Santísima Trinidad , para coordenar horários. Naquela noite, nós dormimos com uniformes de combate e não foi um sono fácil.    

 

Na manhã seguinte, depois de embarcar todo o material (a maioria estava alojado dentro do hangar dos helicópteros junto com o armamento), tomamos as nossas pranchetas e nos preparamos para estudar planos, dados e fotos do o objetivo da operação.

 

Em 28 de março todo o grupo de Comandos Anfíbios e Buzo Táticos, foi embarcado e partiu imediatamente. Nós nos dedicamos a tarefa de preparar os botes, e protege-lo de possíveis tempestades.

 

A viagem ocorreu se nenhuma novidade, com os navios em formação constante. Em 30 de março  o Capitão Giachino nos juntou para detalhar a Ordem de Operações e distribuir os grupos. Éramos no total de 16 (se havia agregado o Cabo enfermeiro Urbina, aluno do Curso de Comandos Anfíbios) na equipe que teria o codinome “Técnico” (mas depois passou a ser chamado de “Techo”) e foi dividida deste modo:    

 

GRUPO VERMELHO

GRUPO LARANJA

GRUPO VERDE

GRUPO AZUL

(bote 18)

(bote 19)

(bote 20)

(bote 21)

Cap. Giachino

Tte. Lugo

Tte. García Quiroga

Tte. Alvarez

Cabo Ortiz

Subof. Salas

Subof. Cardillo

Subof. Mansilla

Cabo Flores

Subof. López

Cabo Gómez

Subof. Gutiérrez

Cabo Vargas

Cabo Ledesma

Cabo Urbina

Cabo Vargas

 

O Vermelho deveria “cercar” a estação policial, o Laranja deveria apoiar a ação do Verde isso era tomar a fábrica e apoiar logo depois o Vermelho em sua ação, para tomar rapidamente a central telefônica. O Azul deveria ser acionado antes de se chegar à cidade para neutralizar um campo de antenas a oeste do objetivo.  

 

Naquela tarde nós tivemos acesso – na sala dos oficiais – de fotografias, dos objetivos, obtidas pelo Capitão Gaffoglio durante a sua administração dos Transportes Navais. Com elas em mente e diante dos mapas, nós revisamos a operação toda até a exaustão. O Cabo Gómez levaria o rádio, com que nós iríamos informar à Força por meio de curtas frases em inglês.   

 

Um dia antes do desembarque em 1° de abril - eles nos informaram uma mudança nos planos: nós deveríamos tomar a casa do Governador, e induzi-lo a convencer a população de que era inútil resistir.

Como missão secundária, deveríamos “marcar” uma zona de pouso num campo de futebol, para os helicópteros que trariam o primeiro escalão de apoio.

 

O Capitão Gaffoglio tinha sido transferido e se encontrava com as fotos no «Almirante Irizar», com o que nós não tínhamos forma de saber como era casa do Governador. Não obstante, o Capitão Giachino conseguiu obter uma quantidade de dados possíveis, e a sensação geral era que não havia nenhuma vigilância forte na casa.   

 

Até o momento de chegar a praia com os botes, na meia-noite de 1° de abril, o “grande medo“ - até mesmo para os que estavam nos navios, era que a operação não foi levada a cabo, coisa que nós sabíamos que podia acontecer a qualquer momento.   

 

N noite do desembarque nós jantamos uma refeição leve; algumas faces estavam pintadas com camuflagem "desnecessário para certos rostos", como troçou o Tenente Bardi, se referindo a alguns de nós pela aparência bastante crioula. Eu me lembro da lamentação profética do Capitão Giachino pela ausência de uma máquina fotográfica para documentar o que nós já chamávamos de o “último jantar”.   

 

O espírito era elevado. Durante a reunião prévia para o desembarque, todos estavam camuflados, vestidos com uniformes de combate, armas verificadas, etc. O Capitão Giachino nos recordou com voz serena na obscuridade das luzes vermelhas da sala onde nós nos preparamos: “Abram bem os olhos, porque para aqueles que voltarem, esta será a primeira vez que estarão em combate real e esta experiência terá que ser transmitida”.   

 

Nós saímos e abaixamos os botes a medida que nos chamavam. A noite estava negra, escura como poucas vezes a vi. “Ideal para um ataque” eu pensei. Mãos nos eram estendidas e apertavam firme, sussurros de “Sorte”,  “Nós esperamos por vocês”, e alguém que desliza um doce em minha mão.   

 

Os botes se ficam em coluna para popa do navio e uma vez prontos, zarpamos atrás do primeiro bote (do Capitão Sánchez Sabarots). Eram 21 barcos no total.   

 

Estava frio e a navegação foi difícil, devido à grande quantidade de algas na superfície, que eram invisíveis à noite. Esta inconveniência desorganizou a formação inteira ficando para trás muitos barcos e estando à frente outros.

 

Quando passando ao lado de um desgarrado eu escutei um diálogo murmurado dos seus ocupantes: Che, Negro, pagaram a Zona? (Se referindo em tom de  brincadeira ao complemento que se cobra quando são feitos trabalhos especiais na Zona Sul).   

 

Nós chegamos à praia em bastante desordem. Meu grupo e o do Tenente Alvarez estavam encarregados de dar segurança, enquanto os outro trocavam a roupas de água e então nós tomamos as posições.

 

Assim que foi feito isto e uma vez que todos foram contados (os barcos tinham chegado em qualquer ordem) todos nós esperamos a coluna do Agrupamento de Comandos Anfíbios desaparecer rumo a Moody Brook, sendo tragada pela escuridão e então nós nos pusemos em marcha.   

 

Nós tínhamos desembarcado mais a Oeste do que o previsto, o que impediu que nós déssemos com o alambrado ao qual havíamos assinalado como ponto de referência em nosso mapa, e que nos levaria diretamente para Sapper Hill. A estrada era difícil, e o pior é que não se via nada. A vanguarda de exploração estava composta pelo Capitão Giachino, os Cabos Ortiz e Alegre, a quem seguiu o Cabo Flores como navegador. Atrás deles seguiu o Laranja, o Verde e logo atrás o Tenente Alvarez com o grupo Azul.   

 

Durante a marcha, eu tropecei nos meus companheiros e caí de joelhos sobre as rochas o que foi bastante doloroso. Isto fez com que o Capitão Giachino me colocasse na frente das patrulha de exploradores, devido a lentidão que a dor me obrigava.

 

Nós parávamos o avanço mais ou menos a cada 50 passos, até escutar os dois apitos dos exploradores, nos indicando que a estrada estava livres. A medida que nos aproximávamos do objetivo e o reflexo das luzes da cidade nos permitia ver melhor, as distâncias de 50 passos estavam aumentando, isso fez com que os exploradores ficassem ausentes por lapsos de até 20 minutos, em razão da qual eu voltei a ocupar a minha antiga posição na marcha.   

 

Justamente no momento de subir a Sapper Hill, apareceu um jeep Land Rover pela estrada que segue a base da montanha, obrigando-nos a realizar uma marcha forçada até o alto.  De nossa posição foi possível observar a cidade claramente, e nós planejamos o deslocamento no frio da noite.   

 

O último ponto de referência importante antes do assalto foi alcançado, era uma antena de rádio que ficava a cerca de 1.500 metros da casa do Governador. Foi ai que nos demos conta de que tínhamos dois homens a menos: o Suboficial Mansilla e o Tenente Alvarez, que eram do grupo Azul.

   

Porém o tempo corria e nós continuamos à frente com esses dois homens a menos e confiávamos que logo eles se encontrariam conosco. Como de fato aconteceu.

 

O Capitão Giachino deu as últimas recomendações e lembrou: “Você Laranja (Lugo), ataca para a esquerda; Verde (eu) deixe-me avançar por um tempo e depois siga-me;”O líder do Azul não estava presente, e os homens deste grupo seguiram os meus movimentos.   

 

O Capitão Giachino avançou e o Tenente Lugo o seguiu com o seu grupo. Aproximadamente dez minutos se tinham  passado e quando não mais via o Vermelho eu comecei o deslocamento para a casa. Durante o deslocamento nós começamos a escutar muitos tiros do nosso lado de Moody Brook . O Capitão Sánchez Sabarots estava atacando. Quase que imediatamente, o movimento de veículos começou na cidade e 2 caminhões (um deles com você fuzileiros) estacionaram na parte de trás da casa.   

 

A essa altura, eu estava a uns 400 ou 500 metros da casa, com meu grupo posicionado em uma elevação. Foram escutados vários tiros e eu supus que era o grupo de Lugo e os defensores da casa de quem com o deslocamento do vento eu ouvia os gritos e as ordens.   

 

Eu ainda estava decidindo por onde iniciar a minha aproximação quando escutei os gritos do Capitão  Giachino que me chamava para a frente da casa.   

 

Depois de uma breve vacilação (ele estaria refém, estava ferido?) eu e meu grupo nos abaixamos e corremos para descobrir o Capitão Giachino e a sua seção desdobradas em frente a casa. Nos aproximamos o máximo possível. Atrás de mim estava o Suboficial Cardillo e o Cabo Urbina para marcar o heliporto. 

   

Eu me aproximei do Capitão Giachino. Ele me ordenou: “Fale a ele”. Eu fiz uma espécie de corneta com minhas mãos e com toda minha voz gritei: “Sr. Hunt, nós somos da marinha argentina, a ilha esta tomada, nossos veículos anfíbios desembarcaram e eles estão vindo para aqui, nós cortamos seu telefone e nós lhe pedimos que deixe a casa só, desarmado e com as mãos na cabeça, e  em ordem para prevenir infortúnios maiores. Eu o asseguro que o trataremos com  dignidade, como também todos de sua família”.

 

Não houve nenhuma resposta. A um sinal de Giachino, eu repeti a mensagem. Novamente não houve nenhuma resposta. “Lance uma granada”, me disse o capitão e lançamos uma granada que explodiu no jardim. Uma voz respondeu: “O sr. Hunt vai sair”.

 

Nós esperamos que eles uns 2 minutos e o Capitão Giachino me disse aborrecido: “Os apresse...!” Eu Repeti a mensagem e neste tempo eles responderam com explosões e disseram: “Não vai (Sr. Hunt)”.   

 

O tiroteio se generalizou, e de repente eu vi o Cabos Flores, Alegre  e  Ledesma coberto por uma cor laranja. Imediatamente eu entendi que  eram projéteis traçantes que se originavam da cidade. Eram disparados através do campo de futebol.   

 

Nos lançamos ao chão, e eu comentei  com o Capitão Giachino: - “Chefe, se nós não entramos eles nos cozinham”. Ele olhou para mim falou: “Sim, é necessário entrar”. Enquanto ele dizia isto, uma sombra pequena saltou e chegou até a porta. Atrás dela continuou o Suboficial Cardillo e então o Cabos Flores, Ledesma e eu, mas eu não me lembro em que ordem.   

 

Demolimos a porta, e enfrentamos um corredor longo e sem saída, salvo por uma porta lateral próxima a porta lateral que estava fechada. Cardillo tentou derrubá-la com um pontapé, mas não conseguiu.  O Capitão Giachino quebrou o vidro com uma granada e ele abriu por meio de uma maçaneta.

 

Esta porta deu aparentemente para um tipo de quarto sem portas, embora então os três homens que estavam na casa descobriram em um canto do quarto uma escada que se comunicava com o alto.   

 

A partir deste momento o que me recordo passa como se fosse um filme em câmera lenta: Giachino virasse e diz - por aqui não, é necessário dar a volta -  Saiu com uma granada na mão (a que usou para quebrar o vidro). Atrás dele, quase colado saio eu. Viu-o um pouco mais adiante, a minha direita.   Girei de repente, como se fosse cair e gritei: - “Eles me acertaram, Cristina,  me acertaram”.

 

E nesse momento senti como se arrancasse o meu braço. Era como golpe de machado, então uma luz, um empurrão indolor e um fogo no abdômen. Eu pensei em falar, eu não sei o que eu disse, eu chamei por

minha esposa e eu caí contra um abrigo pequeno contra o qual as balas foram incrustadas.   

Eu vi o céu, eu acreditei que estava morto e eu pensei: Será deste modo?   

 

O tiroteio continuou. A meu lado, gemeu o meu Chefe de grupo. Eu desejei saber se ele também tinha morrido. Eu desatei a jaqueta. Não sentia meu braço ferido, só uma dor forte. Eu quis me mover. Então gritei. Eu gritei porque doeu muito e para que eles soubessem que eu estava vivo. Eu percebi que o Capitão Giachino chamou um enfermeiro e eu também comecei a chamar por ele ruidosamente, enquanto eu desatava o cinto e soltava o lenço do pescoço. Nós não paramos de chamá-lo até que nos escutou e gritou uma resposta. Ele disse que não podiam nos ajudar pois estava ferido também.

 

Ficamos lá até sermos resgatados três horas depois. De repente escutei um grito: - “O Pedro,  sou eu, Tito”. Escutei que o Capitão Giachino respondeu: “Tito, apressa-te que eu não chego”. Alguém veio mais próximo. Eu vi de repente diante de mim a face do Almirante Büsser que falava comigo. Eu lhe falei: “O braço não. Eu levei um tiro”. Eu Vi o Suboficial Cardillo e o Cabo Ledesma que se apressaram para me retirar. Um fuzileiro me cobriu com uma manta (Por que? - pensei – não tenho frio). Eu fui levado para um jipe. Eles elevaram também o Capitão Giachino. “Chegamos Chefe”, eu acredito ter falado.

 

Eles me elevaram. Eles me puseram em um jipe. Novamente a dor. Uma maca. O hospital das Malvinas e dois doutores me cortaram todas as roupas e sem prestar atenção as minhas reclamações. Eles me falam: «Você está terminado, bebê».   

 

Então o helicóptero. Vi muitas caras, algumas conhecidas, outras não. O Quebra-gelo. A enfermaria e mais morfina. Começa uma sensação de asfixia que não me abandonou até o continente. Eu volto as Malvinas e obtenho um “pantallazo” do Buzo Tático com meu Comandante quando a minha maca foi para o avião. Quero dormir.   

 

Durante o itinerário, um homem para qual devo a vida a ele, constantemente bate minha face e ele me, conscientemente de meu último nome, repete: “Rodríguez, não dorme”. 

 

Nós chegamos a Comodoro Rivadavia, cidade que eu conheço de minha infância. Doutor Zeballos, do Exército argentino, me recebe. Ele me pergunta como eu estou. O que posso responder a ele? Eu tive a sorte de esta lá, com um grupo valoroso e provavelmente tenho a sorte de viver para contar. “Eu estou contente”.   

 

Saiu de um longo sono e encontro os olhos de minha esposa, o rosto de meu pai, e o apoio de meu vice-comandante, vestido com roupas de combate e com duas noites sem dormir. Eles me confirmam o sucesso da operação. Pergunto por meu chefe e o abençôo, exemplo para muitos e orgulho do alguns que como eu tiveram a sorte de conhecê-lo e servir sob suas ordens.   

 

Semanas depois, convalescente de outra intervenção cirúrgica, meu  2° em comando me entrega outra mostra da fatalidade: é uma faca suíça que estava pendurada em meu cinto. Ela tem as bordas tortas, e a marca de um tiro justamente no centro. Eu só tenho a marca do ferimento que teria me matado. Mesmo assim, tinha valido a pena.   

 

Fuzileiros ingleses prisioneiros:

 

 


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Assunto Buzo Tactico

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