O
RESGATE DO MAYAGUEZ - 1975

Foi o último ato
militar dos Estados Unidos no Sudeste Asiático, depois da retirada do Vietnam e
do Camboja. O governo radical do Khmer Vermelho tomou o cargueiro
norte-americano SS Mayaguez, os
Estados Unidos enviaram suas forças. E o pesadelo começou.
O ano de 1975 foi
muito ruim para os Estados Unidos, sendo abril e maio os piores meses. Em
pouco menos de trinta dias, os sul-vietnamitas,
aliados dos norte-americanos, foram
definitivamente derrotados pelo vietcong, entre
15 e 30 de abril; atuando diretamente
no Camboja, os norte-americanos tentaram evitar a tomada do poder pelo Khmer
Vermelho e falharam, no dia 17 de abril; no dia 12 de maio o próprio Khmer
Vermelho as 14h20min (hora local) capturou o cargueiro americano SS Mayaguez. O último desastre foi a operação
de resgate do navio.
É verdade que a
embarcação foi recuperada, e seus 39 tripulantes, resgatados. Mas em poucas
operações militares os Estados Unidos perderam, proporcionalmente, tantas
vidas e tanto equipamento. Poucas vezes houve tantos problemas e erros. Não
fosse a aviação, a calamidade poderia ter sido pior.
O Mayaguez era um
navio transportador de containeres, de 10.776
toneladas, bandeira norte-americana, da
companhia Sea Land Service, Inc.,
e navegava em águas internacionais a cerca de 110 km do sudoeste do Camboja na
tarde do dia 12 de maio. Em minutos, foi capturado por lanchas de patrulha do
Khmer Vermelho; a tripulação, sob o comando do Capitão
Charles T. Miller, mal teve tempo de descrever a situação pelo rádio.
Os cambojanos acusavam a tripulação de espionagem de transportarem armas. O
Mayaguez estava na rota Hong Kong-Sattahip
(Tailândia), levando equipamentos não-militares para bases tailandesas quando foi interceptado pelo
Khmer Vermelho. O navio estava em águas, mas o Khmer
Vermelho tinha aumentado por conta própria o mar territorial do Camboja para 90
milhas, e o pessoal do Mayaguez não sabia disso.
A tripulação enviou
a seguinte mensagem de rádio: "As forças armadas do Camboja
atiraram em nós e nos abordaram. O navio está sendo levado para um porto cambojano
desconhecido".
A mensagem é recebida na Indonésia e passada ao Departamento de Estado, em Washington.
O comando militar dos Estados Unidos na
Tailândia, também ouviu a mensagem. No mesmo dia 12,
por volta das 05h30min (hora local de Washington)
o presidente Gerard
Ford, dos EUA, é informado da captura do Mayaguez. E assim, nas primeiras horas do dia
seguinte,
um Lockheed P-3 Orion, da Marinha, voou da base tailandesa
de U-Tapao para o mar da China, ao largo de Kompong Som (a antiga cidade de
Sihanukville).
Ali, localizou o Mayaguez, perto das ilhas Poulo Wai.
Baseados
nas informações conseguidas pelo P-3 e
por um F-111(tripulado pelo maj. Roger
Bogard e seu co-piloto), que realizou várias passagens a baixa altitude por causa de um temporal, para
reconhecer positivamente a embarcação, os chefes do Estado-Maior
combinado e o Conselho de Segurança norte-americanos pressionaram o
presidente Gerard Ford:
queriam tentar o resgate. Ford considerou
a possibilidade de que a falta de reação
pudesse encorajar novos atos de pirataria, também havia bem claro na memória o
caso do incidente do Pueblo, que o presidente não queria que se repetisse.
Outra questão é que os americanos não queriam ser vistos como fracos ou sem
vontade de lutar tanto por seus inimigos como por seus aliados. Sendo
assim a operação foi aprovada.
Muitas
tropas dos Estados Unidos, em
processo de retirada do Sudeste Asiático,
ainda estavam na Tailândia. Além disso, 230 homens da Brigada Anfíbia da 3a
Divisão dos Fuzileiros Navais podiam ser transportados de Okinawa
(Japão) em Lockheed C-141lAs; e uma força-tarefa,
incluindo o USS Coral
Sea e três destróieres de escolta, podia
ser deslocada para o golfo do
Sião.
A
principio os marines seriam usados para um assalto helitransportado ao SS
Mayaguez, quando se pensava que a tripulação ainda estava no navio. O plano
era enviar desembarcar os marines em cima dos contêineres e eles tomarem o
navio a partir de pontos preestabelecidos. Os marines usariam fuzis M-16 e
lançadores de granadas M-79 (40mm). Seria usado um pelotão da Companhia D
do 1º Batalhão do 4º Regimento, mais dois especialista da USAF em explosivos e 6 marinheiros do USNS GREENVILLE VICTORY.
Seriam usados 6 helicópteros para o transporte das tropas e 4 para apoio. Mas
quando se soube que a tripulação não estava mais no navio e que possivelmente
tinha sido transferida para a ilha de Kon Tang, os planos mudaram.
O governo tailandês
não gostou muito, mas reuniu-se essa força na base de U-Tapao,
com aparelhos de apoio da Força Aérea — Vought
A-7Ds da 388a TFW, McDonnell
Douglas F-4Es da 432a TFW, General Dynamics F-111A da 347a TFW,
Lockheed
C-130Es da 347a TAW (Ala tática aerotransportada
- Tactica Airlift Wing), AC-130Es do
16° SOS, HC-130Ps do 56° ARRS, helicópteros Sikorsky HH-53Cs do 40° ARRS
e HH-53Cs do 21° SOS.
O desastre já começou
aí, na reunião de forças: um helicóptero CH-53C (piloto
James G. Kayes)
caiu enquanto transportava
policiais militares da Força Aérea (USAF 56th SECURITY POLICE SQUADRON) de Nakhon Phanon
para U-Tapao; Morreram todos a bordo: 18 policiais militares e os 5 tripulantes.
E a operação nem tinha começado.
Os norte-americanos tinham informações que o Mayaguez estava ancorado 2,4 km ao norte da ilha de Koh
Tang, mas o paradeiro da tripulação era incerto, porém desconfiava-se que a
tripulação estivesse em Kon Tang. O
plano do assalto a Koh Tang
era uma ação de surpresa, que não daria tempo do inimigo reagir e ferir os
reféns. Por isso a aproximação seria rápida e não haveria nenhum bombardeio
com o objetivo de "amaciar" a área de desembarque. Porém muitas das
informações era falhas e não se sabia bem, portanto, no que resultaria o plano:
-
Uma força de cerca de 600 homens (dois
interpretes do Exército que falavam cambojano e paramédicos da Marinha
também estavam presentes) tomaria o navio e resgataria a tripulação em Kon Tang. Essa força
seria transportada por
helicópteros Sikorsky HH-53Cs (nome-código "Knife")
do 40° ARRS
e HH-53Cs (nome-código "Jolly")
do 21° SOS.
-
Três helicópteros levariam alguns fuzileiros
do 1/4 até o USS Holt para formar uma equipe de abordagem e retomar o Mayaguez.
-
Oito helicópteros desembarcariam
em duas praias um primeiro grupo de 175 fuzileiros da companhia G
(reforçada) do 2/9 ao amanhecer, para estabelecerem uma base nas praias ao norte da ilha de Koh
Tang. A zona de desembarque oriental estava em uma angra perto de uma área
onde a inteligência militar dos EUA acreditava que estavam o
s reféns. A zona de
desembarque ocidental era uma praia estreita que ficava a cerca de 150
metros do local em que estava a tripulação do Mayaguez. Os Fuzileiro navais
esperavam cercar a
área. Esta primeira onda também incluía uma seção de morteiros de 81mm morteiros e um
pequeno grupo de comando.
-
Uma segunda leva de fuzileiros
navais, muitas da companhia E do 2/9, voaria então para Koh Tang.
-
Uma terceira leva ficaria de reserva para explorar a situação tática de acordo com o desenvolvimento da ação.
Os americanos esperavam pouca
resistência do inimigo, pois acreditavam que a ilha era fracamente guarnecida
por uns 30-40 homens do Khmer Vermelho. Porém o que os
americanos não sabiam é que o Khmer Vermelho tinha cerca de
150-200 homens fortemente armados, instalados em complexos defensivos bem
montados e interligados, com trincheiras e túneis.
Sob um céu vermelho
Na
manhã do dia
13 de maio a tripulação do Mayaguez tinha sido transferida do navio para a ilha de Koh
Tang,
e os norte-americanos nem
chegaram a notar. Sem
saber disso, os americanos insistem em proteger o Mayaguez. O
primeiro aparelho a entrar em ação foi um Lockheed
AC-130E do 16° SOS - Esquadrão de Operações Especiais (Special Operations
Squactron). Durante a noite de 13
de maio, o AC-130E seguiu o rastro de pequenos navios que iam e vinham entre
o Mayaguez e a ilha de Koh Tang. Foi atacado pela artilharia de
lanchas armadas e por fogo antiaéreo leve da ilha. Os cambojanos tentaram rebocam o Mayaguez para o continente, escoltado por canhoneiras.
O AC-130E dispara sobre uma delas, obrigando-a a recuar.
Nas primeiras horas da
manhã do dia 14, o
AC-130E fez disparos de advertência contra o convés
de uma lancha de
patrulha, para tentar impedir a transferência da tripulação do Mayaguez
para terra. Caças táticos, A-7 Corsair II, também fizeram
disparos contra pesqueiros, pequenos botes e canhoneiras, e lançaram gás
antimotim, isso por volta das 07h30min (hora local). Os
Vought A-7D, chegando a afundar
cinco canhoneiras.
Dois Helicópteros HH-53 são enviados para procurar sobreviventes das canhoneiras,
mas não obtém sucesso. Sem que os norte-americanos saibam, a tripulação do Mayaguez é transferida para a ilha Koah Rong,
na manhã deste mesmo dia.
No
dia 15 de maio por volta das 05h45min (hora local), o tenente-brigadeiro John J. Burns, da Força
Aérea norte-americana, preparou fuzileiros, apoio aéreo e unidades navais para um ataque a Koh Tang,
Os americanos ainda não sabiam da transferência da tripulação. O
comando militar dos Estados Unidos na
Tailândia envia 6 helicópteros HH-53C Super
Jolly
Greens e 5 CH-53Cs para desembarcar fuzileiros em Koh Tang (2/9) e no destróier USS Harold E.
Holt (1/4),
que devia abordar o cargueiro. Todos
os helicópteros eram armados e protegidos com placas blindadas (mas só a versão Joily Green-HH, podia ser reabastecida em voo).
O transporte
dos fuzileiros para o assalto a Kon Tang seria feito pelos CH-53C e HH-53C.
Três helicópteros HH-53 do 40º
ARRS iriam ajudar a abordar o Mayaguez. A aproximação da ilha e do navio foi feita a
cerca de 150 mph.
Os
helicópteros
Jolly 11 (1st Lt. Donald
Backlund),
Jolly 12
(Capt. Paul Jacobs) e
Jolly 13 do 40º
ARRS colocaram
as suas rodas traseiras na plataforma de pouso do Holt
e o marines saíram rapidamente. O USS Holt
não suportaria o peso de um HH-53. Assim que terminaram esse desembarque os HH-53
foram reabastecidos por um HC-130.
A tarefa do destróier foi
fácil:
as 8h30min daquele dia, o USS Harold E. Holt
avistou o Mayaguez, dois aviões A-7 lançaram gás lacrimogêneo sobre o navio,
que ficou encoberto por uns 10 segundo e os fuzileiros abordaram-no,
logo depois o navio foi rebocado. Os
homens deixados na ilha de Koh Tang, entretanto, iniciaram nesse momento um
longo e desnecessário pesadelo: a resistência do Khmer era muito mais forte do que a esperada — e a tripulação do Mayaguez não
estava mais na ilha; tinha
sido transferida para Kas Ron.
O pesadelo demoraria quatorze horas.
Sob o comando do
tenente-coronel Randall W. Austin,
os primeiros fuzileiros deviam desembarcar ao amanhecer, no extremo noroeste
de Koh Tang, em dois grupos (quatro helicópteros cada): o maior (todos do 21º
SOS) em uma praia na costa oeste, o menor (misto 3 CH-53 do 21º SOS e um HH-53 do 40º ARRS
) em
outra praia a leste. As pequenas praias estavam separadas por cerca de 100
jardas de selva.
Por volta de 6h45 os primeiros helicópteros chegaram à Praia Oeste da ilha de Koh Tang.
No primeiro
momento, os helicópteros líderes Knife 21
(pilotad
o pelo
tenente-coronel John Denham,
comandante do 21º SOS) e Knife
22 (piloto Terry D. Ohlemeier)
aproximaram-se da praia
oeste sem que houvesse oposição, e o desembarque parecia fácil. Mas as coisa
começaram a complicar. As praias eram curtas e pequenas, desta forma a área de
pouso era bem menor do que se imaginava, fazendo com que os helicópteros
tivessem que desembarcar os marines um de cada vez, e não todos ao mesmo tempo
como seria melhor. Outro problema era que os helicópteros iriam pousa com a
traseira voltada para a selva e a frente da aeronave quase dentro d´água,
devido o curto espaço nas praias. Mas como não se esperava muita oposição,
pois o inimigo seria pego de surpresa, esta manobra não preocupou ninguém.
Porém
assim
que os aparelhos começaram a pousar, se iniciou o fogo devastador de fuzis, foguetes e
morteiros. A tropa foi desembarcada, e o Knife 21 conseguiu decolar, mas
perdeu um dos motores e sofreu outros danos: foi forçado a uma amerissagem
de emergência no mar a menos de 2 km da praia, na qual morreu o mecânico de vôo,
sargento Elwood E. Rumbaugh. Ao mesmo tempo, o
Knife 22 tentou pousar na praia oeste, mas tendo os tanques de combustível
perfurados teve de fazer um pouso de emergência no litoral da Tailândia.
Quando chegavam os helicópteros
Knife 32 e Jolly 41, o Knife 22 voltou à praia para desembarcar seus fuzileiros e, apesar do fogo intenso e dos vários impactos - um dos quais causou grande vazamento de combustível-, conseguiu um pouso de emergência.
Totalmente lotado, o Knife 32 que se aproximava teve de se livrar de combustível para recolher três
dos quatro tripulantes do Knife 21 que caíra no mar. Então, acompanhado do Jolly 41, voou para a Praia Oeste. Embora atingido 75 vezes, até mesmo por
um foguete, o
Knife 32 desembarcou seus passageiros e voltou para a base de U-Tapao levando um tripulante e um fuzileiro seriamente feridos, além dos recolhidos do
Knife 21.
Quanto ao Jolly 41, impedido de pousar devido ao fogo intenso, procurou o reabastecimento em
vôo, providenciado por um HC-130P.
O assalto à praia
leste, planejado para um ataque em pinça que consolidaria posições no norte
de Koh Tang, foi ainda pior. Os helicópteros
Knife 23 (piloto John H. Schramm)
e Knife 31
(Howard A. Carson Jr.) foram recebidos por fogo intenso quando estavam para tocar o solo. O
Knife 23
foi abatido, atingido no sistema de rotor e nos motores, mas conseguiu desembarcar seus fuzileiros.
A tripulação e os fuzileiros do
Knife 23 acabaram acuados na praia. O Knife 31 foi atingido seriamente e caiu no mar, perto da praia:
13
sobreviveram e escaparam nadando mar afora, o co-piloto,
2 marinheiros e 10 fuzileiros do Knife 31 morreram com a queda do helicóptero.
Assim, apenas uma hora depois do início da ação, o navio tinha sido retomado (mas sem a tripulação), havia 25 homens na Praia Leste (sobreviventes do
Knife 23), 29 na Praia Oeste e 13 nadando mar afora. Dos cinco helicópteros até então envolvidos, três tinham sido destruídos, um estava inutilizado em terra firme e o quinto muito danificado.
Os próximos a se aproximarem da Praia Oeste foram os helicópteros
Jolly 42 e
Jolly 43, seguidos do
Jolly 41, já reabastecido. Obrigado a desviar-se do fogo intenso, o
Jolly 43 desembarcou seus 29 fuzileiros (inclusive o comandante) numa minúscula zona de pouso de 800 m ao sul - uma ação que se mostrou de valor duvidoso, pois levaram horas para achar um caminho e juntar-se ao grupo.
O
Jolly 42 tentou descer na Praia Oeste mas sofreu danos e teve de retornar à base de
U-Tapao, escoltado pelo
Jolly 43. Enquanto isso, o
Jolly 41 desistia de desembarcar seus fuzile
iros e procurava novo reabastecimento.
Após terem desembarcado os fuzileiros navais do 1º
Batalhão do 4º Regimento, os
Jolly 11, Jolly
12 e Jolly
13 estavam liberados. Os
Jolly 11 e Jolly
12 voltaram para U-Tapao para pegar os marines da segunda leva e o
Jolly 13
recebeu ordens de resgatar os 25 sobreviventes do Knife 23 na Praia Leste. Mas o
Jolly 13 foi atingido quando tentava retirar
os fuzileiros e voltou vazio para U-Tapao.
Na Praia Oeste, o
Jolly 41
tentava pousar mais uma vez, agora com a ajuda de um
AC-130
Spectre. Chegou a tocar o solo, mas, quando se viu sob fogo de morteiro
(uma bomba passou entre as pás do rotor), decolou novamente com cinco fuzileiros a bordo.
Naturalmente,
os EUA receava ordenar o apoio de aviões táticos, porque poderiam ferir seus próprios
soldados, na confusa e confinada área em que os primeiros fuzileiros haviam sido
desembarcados. A única sorte, no caso, é que o tenente Terry Tonkin um FAC (FAC
Controlador aéreo avançado - Forward Air
Controller)
dos fuzileiros escapou com vida do Knife 31. O seu rádio foi destruído
com a aeronave, mas enquanto ele estava nadando com os sobreviventes ele pegou
emprestado o rádio de sobrevivência do Major Carson e começou, mesmo dentro
d´água, a
transmitir as coordenadas de ataque para os caças. Um pouco nervoso no início,
o tenente conseguiu se acalmar e fazer o seu trabalho de forma eficiente. Com as coordenadas
passadas, os caças puderam atacar duramente o inimigo, e se pôde enviar 3 HH-53Cs para
desembarcar mais fuzileiros navais na praia oeste.
No
presente momento a coisa toda estava assim: havia três grupos de fuzileiros
navais norte-americanos na ilha que não podiam se reunir:
Uma primeira
tentativa para resgatar as forças isoladas na praia leste teve de ser abortada
depois que o Jolly 13 sofreu pesados danos.
Como retirar os fuzileiros?
Por
voltas das 7h45min do dia 15, enquanto os fuzileiros tentavam atravessar com
dificuldade as praias
de Koh Tang. Sob proteção de caças F-4, a 15a
ala (aviões A-7 e A-6) do USS Coral Sea, lançou um primeiro ataque contra o
aeroporto
cambojano de Ream, em que 17 aviões cambojanos foram destruídos (a maioria, North
American
T-28Ds fornecidos pêlos Estados Unidos em
épocas mais amistosas).
Um
segundo ataque aeronaval, com aeronaves Vought A-7E e Grumman
A-6A, foi lançado uma hora mais tarde
e resultou na destruição de um depósito de combustível perto de Kompong
Som. Uma esquadrilha de B-52D da 43a ala da base Andersen,
de Guam, nem sequer chegou a levantar vôo.
Os
ataques americanos a Sihanoukville destruíram uma parte da via férrea, o porto, a refinaria de
petróleo e o aeródromo. Na base naval de Ream 364 edifícios foram atacados. Foram
afundados nove embarcações cambojanas no mar. Em todos esses ataques muitos
civis foram mortos ou feridos.
Sob
a direção de um A-7D, outros A-7Ds e
AC-130Es metralharam e bombardearam posições inimigas acertando a até 50 m
dentro de suas próprias linhas. Aproveitando esse apoio, uma outra força de
fuzileiros foi desembarcada pelo Jolly 41.
Até esse momento, 8 dos 11 helicópteros em ação
haviam sido derrubados ou danificados ao ponto da inutilização.
No meio disso tudo, às
10h45min, o
USS Wilson divisou um barco
pesqueiro tailandês. O pesqueiro fora
enviado pelo Khmer Vermelho — para
devolver a tripulação do Mayaguez.
Agora, era só retirar os fuzileiros navais de Koh Tang e cair fora. Mas, para retirar os homens
da praia leste, era preciso trazer mais fuzileiros navais. Por iss a partir das 11h30min na praia oeste, os helicópteros Knife 51
e os Jolly 11, Jolly
12 e Jolly
43 desembarcaram 108 fuzileiros.
O fogo
denso e preciso na praia do leste, entretanto, frustraria mais uma tentativa de
desembarcar reforços. O Knife 52, já com pouco combustível, foi atingido várias vezes e
teve de regressar à sua base em U-Tapau sem desembarcar suas tropas. As
tentativas de resgate geral foram mais difíceis. Apesar de aviões A-7Ds lançarem
granadas de gás antimotim sobre as posições cambojanas, uma tentativa na praia leste, no
começo da tarde, falhou, quando o Jolly 43
teve um dos motores atingido e sofreu ruptura nas tubulações
de combustível. Por
volta das 12h00min um canhoneira cambojana se aproxima da ilha. É atacada por
aviões A-7 e F-4 da Marinha e finalmente afundada por um F-111 da USAF.
Por
volta das 15h05min o apoio aéreo aumentou — com 2 OV-1OA
do 23° TASS (Esquadrão tático de apoio aéreo
- Táctica Air Support
Squadron) marcando os alvos e dirigindo
aviões A-7Ds, F-4Es e AC-13Es. O FAC "high"
era o Capitão
Richard Roehrkasse, e estava responsável em inventariar os aviões
disponíveis. O FAC "low",
era o Maj. Robert Undorf, que
comandava os ataques, atendendo o pedidos dos "fregueses" que estavam
na praia. O comandante dos marines na ilha tinha o nome código de Bingo Shoes
6.
O Major Undorf conseguiu com
sucesso, separar claramente as forças americanas das cambojanas, usando
foguetes de fumaça, o que permitiu dirigir os ataques com o AC-130 e os
caças-bombardeiros com maior precisão. Depois disto o comandante em terra
disse que já era possível se organizar a retirada de seu pessoal da ilha.
Porém neste momento Undorf só
tinha três helicópteros pesados, três helicópteros leves desarmados do
USS Mar de Coral, e três barcos pequenos do USS Holt e do USS Wilson.
A situação continuava crítica, e piorava
à medida que a noite se aproximava: notou-se que seria impossível reunir os
grupos de marines antes de escurecer.
Num esforço desesperado, os Jolly 11 e
Jolly 12 e
o Knife 51 conseguiram retirar 25 homens da praia leste, já isolados havia mais
de dez horas, graças a um C-130E que lançou, por volta das 17h00min, uma bomba de concussão de 6.804
kg sobre os cambojanos, enquanto aviões táticos e armados e uma lancha do USS Wilson
faziam fogo supressivo. O objetivo de lançar a BLU-82 (Bomb Live Unit-82),
também conhecida como "daisy cutter" (literalmente
"cortadora de margaridas"), era criar uma área alternativa de pouso,
visto que esta poderosa bomba cria uma cratera de cerca do
tamanho de cinco campos de futebol americano. A "daisy cutter" foi
usada no Vietnã para criar clarões na selva e facilitar a aterrissagem de
helicópteros. A cratera aberta em Kon Tang ainda hoje é bem visível.
Por volta das 18h15min, o poder de ataque dos americanos estava reduzido aos
OV-1OA,
um AC-130 e um solitário A-7, pois a maioria dos aviões voltou para suas bases
para reabastecimento e rearmamento. Dentro deste quadro ainda faltava
recolher os homens da praia oeste, e só haviam sobrado 3 helicópteros: o Knife
51, o Jolly 43 e o
Jolly 44, que acabará de chegar.
Por
volta das 18h30min houve mais uma demonstração de exatidão dos
AC-130E (disparando a 50 m na frente dos fuzileiros acuados) e finalmente, num
esforço concentrado o
Knife 51 e o Jolly 43 levaram um primeiro
grupo de fuzileiros — o Jolly 43
transportou, então, mais do dobro de sua carga normal de combate. O Jolly
44 conseguiu evacuar uma parte dos homens e voltou rapidamente para pegar
outra leva. Lá pelas 20h00min o Knife 51 recolheu os últimos 29 fuzileiros.
Na retirada os OV-1OA também ajudaram com suas armas, sendo as últimas
aeronaves americanas a sobrevoarem o campo de batalha.
Quando a noite
caiu, finalmente, sobre o golfo do Sião, os
soldados estavam exaustos, boa parte a bordo do USS Coral Sea,
outra no USS Holt,
recebendo cuidados médicos. Os tripulantes do Mayaguez
e o próprio navio estavam salvos: a operação afinal havia tido sucesso. Infelizmente,
depois do final de toda ação, os americanos perceberam que voltaram muitos
marines e descobriu-se depois que três deles foram deixados vivos na
ilha, sendo posteriormente mortos no local ou transferidos como prisioneiros
para o continente, onde desapareceram.
Os que foram deixados para trás eram Gary L. Hall, Joseph N.
Hargrove e Danny G. Marshall, que guarneceram uma metralhadora que deu a
última cobertura ao perímetro durante a evacuação final.
A
operação do resgate do Mayaguez foi um exemplo claro de fracasso de inteligência militar
e de comando. Os americanos não sabiam ao certo aonde estava os reféns e qual
era a força do inimigo na ilha. Os marines
foram informados que a resistência seria muito fraca, porém se depararam com
tropas determinadas e experientes, pois muitos combatentes participaram da
"libertação de Phnom Penhe. A força era comandada por um cambojano
chamado Mao Run. Segundo testemunho de veteranos de Koh Tang a inteligência
militar sobre a ilha era boa até certo ponto, pois chegou-se a entregar aos
oficiais e sargentos fotos com as posições do inimigo, mas essa informação
não foi passada para toda a tropa, para que os homens não ficassem nervosos.
Os 150
a 200 homens do Khmer Vermelho sob o comando de Mao Run disparavam contra os americanos com disciplina e ferocidade. Quase todos os
marines em Koh Tang foram tomados por uma onda de choque nos momentos iniciais
dos combates, pois a maioria chamais tinha participado de combates e muitos
tinham apenas um ano de serviço ou tinham saída recentemente de um boot-camp
do USMC. A combinação do desastre militar: tropas sem experiência, inteligência inexata
e um inimigo determinado, lutando em seu próprio território. Por isso durante muito tempo,
os homens envolvidos na ação
continuaram tendo pesadelos com as praias do Camboja. O
resgate do Mayaguez foi um exemplo clássico do fracasso das Operações
Conjuntas americanos na década de 1970. Infelizmente para os americanos as
lições deste fracasso não foram completamente assimiladas e praticamente os
mesmos erros foram cometidos durante a Operação
Eagle Claw em 1980. O desejo de realizar a missão de resgate o
mais rápido possível, mas sem as tropas adequadas para a missão, associada a
falta de informações precisas, fez com que muitas vidas fossem perdidas desnecessariamente.
Na operação de resgate
dos 39 tripulantes do Mayaguez os americanos tiveram as seguintes baixas:
| |
Mortos |
Feridos |
Perdidos |
Mortos
fora de combate |
| Exército |
0 |
0 |
0 |
0 |
| Marinha/Corpo
de Fuzileiros |
13 |
44 |
3 |
0 |
| Força
Aérea |
2 |
6 |
0 |
23*
(Policia Militar) |
| Total |
15 |
50 |
3 |
23 |

ARMAS
GALERIA
| O
Khmer Vermelho
O Camboja fica no sul da Ásia, no
sudoeste do Vietnã. Essa região pertenceu à França, no contexto
imperialista,e durante a Segunda Guerra foi dominada pelos japoneses. Em
1955, ela tornou-se independente, instalando-se em suas fronteiras uma
Monarquia constitucional.
Também esse país passou pela conjuntura
revolucionária da Guerra Fria, evidenciando-se a presença de forças
favoráveis aos norte-americanos e aos soviéticos. Já na época da
independência, o príncipe Norodom Sihanuk procurou manter-se neutro em
relação à Guerra do Vietnã, atitude que não agradou aos Estados
Unidos. Por esse motivo, o príncipe foi deposto em 1970 e em seu lugar
assumiu um governante de confiança dos norte-americanos. A resistência,
então, organizou-se, reunindo comunistas e adeptos do príncipe Norodom,
formando a Frente Nacional da Kampuchea (FUNK).
A rebelião estendeu-se por grandes áreas
do Camboja, onde se registrou interferência norte-americana, em maio de
1970. Entretanto, protestos realizados pela população norte-americana
no interior do território de seu país obrigaram o invasor a abandonar
o local. Contudo, a ajuda dos Estados Unidos continuou em forma de
bombardeios às regiões ocupadas pelos guerrilheiros. Não obstante, em
abril de 1975, o Khmer Vermelho (nome da oposição liberada por Sihanuk)
tomou o poder, instalando a República Democrática da Kampuchea. O
projeto político não se efetivou devida às diferentes facções,
surgindo a liderança de Pol Pot em oposição à anterior. Novos e
violentos conflitos, envolvendo a população urbana, trouxeram a morte
de muitos e a aproximação da China à revolução. Em 1978, a Frente
Unida para a Salvação de Kampuchea iniciou sua luta, culminando com a
deposição de Pol Pot em 1979. |