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Perfil da Unidade
GRUPOS ESPECIAIS DOS MINISTÉRIOS RUSSOS
(INTERIOR, JUSTIÇA E INFORMAÇÕES)
Normalmente estas forças especiais são erroneamente
classificas ou confundidas com as unidades Spetsnaz das Forças Armadas.
Durante os anos 70s e 80s, tropas
de operações especiais se tornaram muito populares de dentro de vários ministérios
soviéticos responsáveis por áreas de segurança.
Essa forças proliferaram de tal
forma que grande era a desorganização e o desperdício dentro sistema soviético
de segurança que possuía corpos semelhantes com missões semelhantes e que estão
sobrepostos dentro do mesmo ministério, particularmente dentro do Comitê para
Segurança Estatal (KGB) e do Ministério de Assuntos Internos (MVD).
Estas tropas especiais recebiam o
título genérico de Spetsgruppe e eram forças paramilitares que recebiam
treinamento especial e doutrinação política para uma considerável gama de
missões. Muitas destas unidades serviram em grande uma variedade de papéis na
guerra do Afeganistão, mas para a maioria delas, um momento de grande importância
parece ter acontecido durante o golpe de estado de 1991 na Rússia, quando essas
unidades tiveram que tomar partido, ou pelo menos recusar-se entrar em ação.
Depois do golpe ter sido
desbaratado o Presidente Yeltsin, transferiu
a maioria dessas unidades para o seu
controle pessoal,
mas com o passar do tempo elas foram novamente transferidas para o
controle de seus ministérios de origem. Muitas das unidades especiais se
envolveram nos recentes conflitos da Federação Russa, inclusive o da Chechênia.
Spetsgruppa "Alfa" (Grupo Special A).
A
unidade de elite Alfa pertence ao FSB (Federal'naia sluzhba bezopasnosti = Serviço de Segurança Federal). O FSB
é em termos gerais equivalente ao FBI, a polícia federal americana. O Grupo Alfa, cujo número de membros nunca foram revelados pelas autoridades russas, é especialista em operações antiterroristas.Esse grupo foi criado em 1974 pelo Sétimo Diretório da KGB para dotar a União Soviética de uma unidade idêntica às que se utilizavam na Europa e em Israel. Na base desse modelo, o Alfa tenta recrutar homens "completos", física e psiquicamente sólidos, entre 25 e 28 anos, por exemplo nas unidades de pára-quedistas do exército.A unidade, que entrou em ação pela primeira vez em 28 de março de 1979 para desarmar um homem que ameaçava um diplomata norte-americano, foi utilizada depois em tarefas tão diversas como a tomada do palácio do presidente afegão Hafizullah Amin, em dezembro do mesmo ano, e nas tomadas de reféns por rebeldes chechenos no povoado de Budennovsk (Cáucaso russo) em junho de 1995. Nesta última operação, finalmente se deixou à margem a unidade e as Forças Armadas lançaram um sangrento ataque no qual morreram dezenas de reféns. Os membros do grupo, cujo número se estima entre 200 e 700 homens, são submetidos a uma seleção física rigorosa e a severos exames psicológicos. A idade-limite de serviço é de 40 anos, conforme a máxima vigente: "Mentes maduras em corpos jovens". As autoridades russas também dispõem de outras forças especializadas entre outras atividades na luta antiterrorista. Nos serviços do
FSB, a revista especializada britânica Jane's registra um efetivo de quatro mil homens distribuídos entre as unidades Alfa, Beta e
Zenit.
Foi criado pelo Sétimo Diretório da KGB em 1974 e
parece ter se inspirado no SAS britânico e no1SFOD-D (Força Delta) dos EUA,
como um grupo de contra-terrostismo de resgate de reféns. Acreditasse
que o Alfa foi a unidade que atacou o palácio Presidencial em Kabul, Afeganistão,
em 28 de dezembro de 1980 e tenha assassinado
o Presidente Hafizullah Amin e a sua família. O Alfa é agora controlado pelo
FSB (Federal'naia sluzhba bezopasnosti = Serviço de Segurança Federal). O FSB
é em termos gerais equivalente ao FBI, a polícia federal americana.
Especula-se que o Alfa tenha cerca de 300 operadores, com um grupo principal
lotado em Moscou e três grupos menores baseado em outras áreas da federação.
Spetsgruppa Vympel. Foi
criado pelo Primeiro Diretório da KGB, e sua missão era cumprir em
tempo de guerra assassinatos e seqüestros. Depois do colapso da União Soviética
foi transferido para o MVD, mas está agora com o FSB, com a responsabilidade
primária por o resgate de reféns.
O Ministério de Assunstos
Internos (MVD) também tem pelo
menos dois grupos de tropas especiais conhecidos
como Omon (= Boinas Negras). Esses grupos foram criados originalmente para
prover segurança adicional e (se necessário) resgate de refém durante as
Olimpíadas de 1980 em Moscou. Desde então eles estiveram envolvidos em
atividades contra-terrorista e na luta contra grupos do crime organizado, e
normalmente são empregados campanhas de combate ao cultivo de drogas.
A Companhia de Segurança GROM
simbolizando a natureza desorganizada da Rússia contemporânea. O GROM é uma
organização semi-privada que trabalha sob contrato exclusivo para po Governo
Federal. GROM (seria a palavra o russa "trovão" e não tem nenhuma
relação com o grupo de operações especiais polonês do mesmo nome) é
formado por homens reformados de várias forças especiais da antiga KGB. O GROM
provê segurança para o pessoal governamental selecionado e para edifícios,
como também para trens e aeronaves do governo.
Speznaz UIN é um grupo de
tarefas especiais que é responsável em aplicar as sentenças ditadas pelo
Ministério da Justiça a quem está subordinado. Entre as suas tarefas podemos
citar: Repressão a manifestações, Controle de revoltas em prisões, Resgate
de reféns feitos em prisões e colônias penais, levantamento de barricadas e
postos policiais, busca e apreensão de fugitivos e execução de mandatos de
prisão. Os homens da Speznaz UIN usam boinas pretas com a águia e a bandeira
russa fixadas do lado esquerdo da mesma.
FORÇAS ESPECIAIS RUSSAS NA CHECHÊNIA


O RESGATE DO TEATRO DE MOSCOU OUT/2002
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A crise começou logo após as 21h da
quarta-feira passada. Após um intervalo, o público do teatro voltou aos seus
assentos no auditório de 1.163 lugares, para assistir o Ato 2 de Nord-Ost
(Nordeste), um romance musical popular. De repente, atacantes mascarados
vestidos com roupas de combate invadiram o prédio. Alguns atiraram para o alto,
enquanto outros invadiram o palco e gritaram, "Somos tchetchenos! Isto aqui
é uma guerra!"
Um terço dos atacantes, segundo oficiais de inteligência, era composto por viúvas
de combatentes mortos na guerra que já dura uma década, o que as deixou
ansiosas para se sacrificar pela causa tchetchena. Homens usando máscaras
negras, e levando fuzis Kalashnikovs a tiracolo, amarraram explosivos plásticos
às colunas, paredes e assentos. Uma quantidade que, segundo eles, era
suficiente para demolir todo o prédio, caso as tropas russas o invadissem.
Somente o líder do grupo, Barayev, de 25 anos, mostrava o rosto de forma
desafiadora.
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A
equipe Alfa e Vympel, composta de 200 homens, recebeu a ordem de libertar os reféns
dentro de duas horas. Eles colocaram faixas brancas nos braços para que não
fossem confundidos com os tchetchenos, que usavam roupas militares camufladas
semelhantes. A seguir, injetaram gás indutor do sono através do sistema de
ventilação do edifício e dos buracos abertos por debaixo do auditório,
esperando imobilizar os extremistas, e especialmente as mulheres guerrilheiras
carregadas de explosivos. Uma fonte que tem contatos com a unidade Alfa diz que
foi usada uma quantidade de gás cinco vezes maior do que a necessária.
"Eles usaram uma grande quantidade, preferindo correr o risco de errar por
excesso", afirma. "Todos estavam bem conscientes da repercussão para
a unidade, caso o ataque com gás fracassasse". Houve uma explosão
ensurdecedora misturada a um intenso tiroteio. A seguir, as tropas arrombaram as
portas, atirando contra todos os seqüestradores ainda capazes de disparar suas
armas. Os agentes da Spetsnaz atiraram a queima-roupa nas têmporas de
homens-bomba que dormiam sob o efeito do gás. "Quando uma pessoa está
usando dois quilos de explosivo plástico, não vemos nenhuma outra forma de
neutraliza-la", diz um membro da equipe de assalto. O chefe do grupo
extremista, Movsar Barayev, foi achado morto, deitado de costas, no palco, com
uma garrafa de conhaque ao seu lado.
Quarenta minutos depois, todos os 53 rebeldes tchetchenos estavam ou mortos ou
presos. Anya e mais de 750 reféns escaparam com vida, incluindo cerca de 30
crianças e 75 estrangeiros. Mas pelo menos 90 cidadãos russos morreram durante
a operação: talvez mortos no fogo cruzado, sufocados pelo gás misterioso, ou
vitimados por ataques cardíacos. As autoridades russas insistem em dizer que as
mortes foram resultado das privações do cativeiro e do estresse. No entanto,
os hospitais de Moscou fizeram um apelo por doações de sangue, e algumas
testemunhas viram corpos sendo levados para fora do teatro. Vários dos reféns
libertados foram levados diretamente para as unidades toxicológicas para
receberem tratamento para envenenamento por gás. As cenas televisadas das
guerrilheiras, com os pacotes de explosivos ainda atados às cinturas e sentadas
inertes nos seus assentos forneceram um testemunho silencioso sobre a ação rápida
do agente.
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As baixas fatais entre os 700 reféns talvez ultrapassem os 20%, e o número de feridos graves não pára de crescer, mas ainda assim, a operação de repressão ao comando guerrilheiro checheno no Palácio da Cultura, em Moscou, foi um sucesso: todos os rebeldes foram mortos ou estão presos, a maior parte das pessoas tomadas pelos seqüestradores foi resgatada e nenhuma exigência dos insurgentes terminou sendo atendida.
O protocolo das forças russas para crises decorrentes de ações terroristas determina que se dê prioridade máxima ao êxito da missão. No caso, segundo declarou o vice-ministro do Interior, Vladimir Vasilyev, o Grupo Alfa recebeu ordens de "anular a ameaça da melhor forma possivel". No jargão doutrinário isso implica assumir o esforço de reduzir os danos aos reféns.
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Os russos estavam preparados para desencadear uma ação com força ainda maior que a lançada pelo grupo Alfa na madrugada de sábado. Cerca de 30 soldados da poderosa e secreta tropa Spetsnaz, um misto de fuzileiros navais com comando Delta, aguardavam dentro de três furgões negros estacionados diante do teatro. Os homens da equipe Alfa vinham mantendo o Palácio da Cultura sob escuta permanente e observação furtiva por meio de microcâmeras acopladas a cabos de fibra ótica.
A vigilância permitiu saber que as 18 mulheres encarregadas de detonar cargas explosivas amarradas ao corpo e espalhadas em vários pontos da platéia, dispersavam-se entre os seqüestrados todas as vezes que as forças russas movimentavam-se nas ruas. Um pelotão Alfa de demolição trabalhou na escavação de buracos nas paredes por onde, no momento da invasão, foram lançadas granadas atordoantes e flashes de fósforo para causar cegueira temporária nos guerrilheiros.A primeira equipe a entrar foi a dos atiradores de precisão. Vários rebeldes foram atingidos nos olhos e na garganta. Outros executados com tiros na nuca. Era preciso fazer prisioneiros. Mas não muitos
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Mas, agora, a invasão do teatro, que fica a apenas cinco quilômetros do Kremlin trouxe esse combate sangrento para a porta da casa dos moscovitas.
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A mais alta autoridade do setor de saúde da Rússia informou ontem que o gás usado na operação de resgate dos reféns, num teatro russo tomado por rebeldes chechenos na semana passada, era fentanil, um anestésico, classificado na categoria de entorpecentes. Trata-se de um opiáceo sintetizado em laboratório, 75 a 125 vezes mais potente que a morfina, disse o ministro da Saúde, Yuri Shevchenko, citado pela agência russa Interfax.
No entanto, o comunicado de Shevchenko não convenceu de todo especialistas ocidentais. "O uso do fentanil em dose excessiva pode explicar muito bem as muitas mortes", disse o italiano Rodolfo Proietti, diretor de um instituto de anestesia em Roma. "Como todos os opiáceos, uma overdose pode provocar a morte por paralisia respiratória."
Mas persistem outras hipóteses. O médico Thomas Zilker, de Munique, que atendeu dois alemães que estavam no teatro e foram intoxicados, informou que exames de sangue e urina mostraram traços de halotano, um gás usado como anestésico. Zilker ressalvou que o gás poderia conter outras substâncias.
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SAIBA MAISDA REDAÇÃO
O fentanil, que, segundo o governo russo, foi a base do gás usado no sábado em
Moscou para resgatar os reféns mantidos por terroristas dentro de um teatro, é
um analgésico derivado da morfina, classificado na categoria dos
estupefacientes.
Largamente utilizado para anestesia em cirurgias e para alívio de dores crônicas,
a substância tem como principal efeito colateral indesejado depressões
respiratórias.
A intensidade dessas depressões, que podem eventualmente levar à morte,
depende da dose e da forma como é administrada. Também é recomendada a vigilância
constante do paciente. A insuficiência respiratória causada pelo fentanil pode
ser contida com a injeção de outro produto, a naxolona.
Outros efeitos do uso do fentanil podem ser pressão baixa, suor excessivo,
coceiras, náuseas, vômitos, sonolência, dificuldade para engolir, rigidez
muscular, alucinações e delírios.
Sintetizado pela primeira vez na Bélgica, no fim dos anos 50, o fentanil foi
logo incorporado para uso médico. Também é usado por toxicômanos. Os efeitos
do fentanil não diferem muito dos da heroína, outro derivado da morfina, mas o
fentanil é muito mais potente.
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SAIBA MAISMÁRCIO SENNE DE MORAES
DA REDAÇÃO
O segundo conflito na república caucasiana da Tchetchênia entre rebeldes
independentistas e soldados russos teve início em outubro de 1999 e, por conta
da brutalidade de ambos os lados, já matou cerca de 5.000 militares russos e
mais de 50 mil tchetchenos, boa parte civil, segundo organizações de defesa
dos direitos humanos.
Em 1996, as Forças Armadas da Rússia deixaram a Tchetchênia humilhadas.
Afinal, durante o primeiro conflito na região, entre 1994 e 1996, a administração
do então presidente, Boris Ieltsin, não conseguiu debelar a insurgência e foi
obrigada a aceitar um acordo de paz que, na prática, dava grande autonomia à
Tchetchênia.
Porém, em 1999, após uma série de atentados na Rússia (cuja autoria ainda não
foi descoberta) e a invasão da república vizinha do Daguestão por rebeldes
tchetchenos, o premiê Vladimir Putin ordenou o início da segunda ofensiva
militar contra os insurgentes. Sua determinação contra os tchetchenos
contribuiu para sua eleição à Presidência, em 2000.
Em três anos de enfrentamentos cruéis, nos quais ambas as partes cometem
graves violações aos direitos humanos, segundo fontes independentes, Moscou não
consegue ter um verdadeiro controle da situação na república, cuja
infra-estrutura produtiva foi totalmente devastada.
Os combates também destruíram a indústria petrolífera da região, uma das
raras fontes de renda da população. Esta era estimada em 1,2 milhão de
pessoas antes do segundo conflito, mas já há mais de 300 mil refugiados desde
então.
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