
Na tarde de 21 de
outubro de 1944, Otto Skorzeny foi chamado ao Q-G de Hitier, die Wolfsschanze.
Hitler o recebeu com
um largo sorriso e, a despeito de seu estado de saúde, enfraquecido devido ao
atentado da bomba, em julho, contra sua vida e ao uso excessivo de drogas,
conseguiu apertar com firmeza a mão do seu comando favorito.
Hitler lhe disse:
"Agora vou-lhe incumbir do trabalho mais importante da sua vida. Em
dezembro, a Alemanha desencadeará uma grande ofensiva, ofensiva que pode
decidir o destino do pais.,' Deixando-se levar
pelo entusiasmo, ele explicou que os Aliados esperavam encontrar na Alemanha um
"cadáver putrefato", mas teriam uma surpresa. Eles só tinham vencido
a "batalha da invasão" por causa da grande superioridade aérea que
possuíam. Mas isto tudo mudaria. Para sua nova ofensiva no Oeste, ele escolhera
um momento em que as condições climáticas seriam favoráveis á Alemanha,
com céus encobertos e nevoeiro. Além disso, Hitler disse: "Empregaremos
2.000 dos novos caças a jato (Me 262) que mantivemos na reserva nesta
ofensiva".
A ofensiva a que se referia visava a impedir o recrutamento de
poderoso exército francês e atrasar com certeza por vários meses os
preparativos que os Aliados faziam para o ataque ao Reno. Com grosso volume de
tropas, os alemães carregariam contra as Ardenas, no momento mal defendidas,
deslocando-se até o Mosa. Meteriam, com tanques, uma cunha entre os exércitos
anglo-americanos e capturariam Antuérpia, principal porto de entrada de
abastecimento das tropas aliadas que se encontravam no continente. Desse modo,
os britânicos, que já estavam raspando o fundo do poço em busca de reforços,
demorariam mais para repor as perdas que vinham sofrendo na Europa. Por outro
lado, o atraso na ofensiva anglo-americana daria aos russos - supunha Hitler - a
impressão de que os aliados ocidentais os abandonariam. Já havia inclusive
indicações de forte entre os dois grupos na Grécia.
Hitler concluiu a
explicação da estratégia geral e das intenções políticas da nova ofensiva
no Oeste com as seguintes palavras: "Eu lhe disse tanta coisa que você
naturalmente sentiu que tudo foi muito bem planejado. Você e suas unidades terão
papei importantíssimo nesta ofensiva. Como guarda avançada, vocês capturarão
uma ou mais pontes sobre o Rio Mosa, entre Liége e Namur, mas usando uniformes
britânicos ou americanos. O inimigo já aplicou este truque. Há uns dois dias
recebi noticias de que americanos usaram uniformes alemães em suas operações
em Aachen".
Fez uma pausa
enquanto Skorzeny tentava digerir tudo quanto lhe foi dito e anotava, num
caderno e num mapa, os detalhes geográficos.
“Sei que você fará
o máximo possível", prosseguiu Hitler. "Mas, passemos agora ao
importante: segredo absoluto. Somente poucos sabem do plano. Para ocultar nossos
objetivos até de nossas próprias tropas diga-lhes que estamos esperando um
ataque inimigo total na área entre Colônia e
Bonn, e que todos os
preparativos fazem parte da resistência ao ataque."Skorzeny anuiu, e
disse: "Mas o tempo é curto e tenho outras tarefas".
Hitler calou-se por
instantes e, depois, replicou: "Sim, sei que o tempo é curto. Mas também
que você fará o máximo possível. Durante a ofensiva, enviarei um
representante. Tem mais uma coisa, Skorzeny: não quero que você vá á linha
de frente pessoalmente. Você não deve correr o perigo ser capturado".
Com isto, Hitler
levantou-se e o acompanhou até a porta, onde foi ele apresentado ao General
Guderian, o perito em tanques, e recebeu outras ordens. Otto Skorzeny fora,
desta maneira, incluído na "última cartada" de Hitler, a última
grande batalha terrestre da guerra no Ocidente, que viria a chamar-se "A
Batalha do Bolsão". Skorzeny
mal teria cinco semanas para montar um força de quase 3.000 homens,
equipá-los
e treiná-los a maneira americana.
Porém, mal Skorzeny
se pôs a formar sua tropa especial, que receberia o titulo de “Brigada Panzer 150", quando recebeu uma circular que o fez concluir
não valer a pena prosseguir com sua "Operacio Greif” (Grifo), suposta
de modo "altamente
secreta".
A circular era
assinada pelo próprio Feldmarechal Keitel e dizia o seguinte:
"MUITO SECRETO:
Somente para os Comandantes-de-Divisão e de Exército. Precisa-se de oficiais
e soldados que falem inglês para uma missão especial. Os voluntários
escolhidos farão parte de uma nova unidade sob o comando do Tenente-Coronel
Skorzeny, cujo Q-G em Friedenthal receberá os pedidos de inscrição".
Seguiam-se
instruções mais detalhadas, em que era previsto o recrutamento dos efetivos em
todas as armas, em caráter voluntário, integrado por homens de excelente
constituição física e aptos para a luta corporal, que falassem inglês,
especialmente com modismos americanos.
Os voluntários deveriam dirigir-se a Friedenthal, nos arredores do campo de concentração de Oranienburg, para serem
submetidos a um primeiro exame de capacidade. Os homens teriam de comparecer
antes de 10 de novembro.
Os boatos sobre
esta unidade de elite começavam a circular pelas fileiras. Alguns diziam
que ela atacaria da Bélgica até a França, onde se uniria ás guarnições
alemãs
ainda sitiadas nos portos de Lorient e Dunquerque. Outros achavam que ela seria
empregada para assassinar importantes generais britânicos ou americanos. Certo
dia, um jovem oficial, que conhecia muito bem Paris, procurou Skorzeny em seu
gabinete; Devido ao que conhecia, disse ele a Skorzeny, que o escutava
polidamente, achava que seria muito útil na próxima operação. "Por quê?"
perguntou o comandante, surpreso.
O jovem tenente
olhou ao redor, desconfiado, antes de falar. "Porque vamos atravessar
rapidamente a França, cruzando as linhas do exército americano, e capturar o
Q-G de Eisenhower."
Skorzeny ficou
tonto. "Onde você ouviu isto?" perguntou, acrescentando em seguida:
"Não mencione isso a ninguém ... quando chegar o momento, eu o
chamarei".
No dia seguinte, no
acampamento fervilhava o boato. Eles iam seqüestrar Eisenhower. Assim
nasceu a história do grande ataque a Eisenhower que perseguiria o comandante
aliado durante vários dias.
No auge da ofensiva (como veremos adiante), e a Skorzeny durante muitos
anos depois. Pois logo depois, quando os primeiros homens do comando de Skorzeny
foram capturados, eles confessariam aos seus captores (como aconteceu
com o Cabo Wilheim Schmidt antes de ser executado): "Nossas unidades
incluíam um grupo de sapadores cuja tarefa era destruir o Q-G e matar o seu
pessoal". Ou Peter Ackermann, que foi capturado como "Capitão Murray
Eddie O'Connor", que declarou: "Ao fim de dez dias, ninguém tinha dúvida
quanto ao nosso objetivo. Os garçons do rancho dos oficiais nos contavam
tudo".
Trabalhando
febrilmente, Skorzeny passou a ignorar os boatos, permitindo que apenas uns poucos dos
seus principais comandantes soubessem dos verdadeiros objetivos da sua força,
agora dividida em três grupos táticos e dois blindados.
Skorzeny esperava
receber
150 tanques Shermans capturados, 32 carros
blindados, quase 200 caminhões e 150 jipes.
Porém só recebeu apenas dois
Shermans (depois eles tiveram problemas, e conseqüentemente não
puderam fazer da parte da ação), dois meia-lagartas White,
e
menos de 100 jipes e caminhões. Porém os alemães teriam
a sua
disposição
22 panteras e 14 StuG IIIs modificados. Os Panteras foram modificados
para se assemelhar aos M10 americanos, e o resultado não era de todo ruim. Os StuG IIIs
não pareciam muito com blindados americanos, mas a certa distancia podiam
enganar e eles foram pintados com as estrelas brancas dos veículos militares americanos.
Segundo o próprio Skorzeny os blindados modificados alemães enganariam
somente
"os americanos menos experientes, e mesmo assim a certa distância e a
noite." Os problemas com equipamentos ainda persistiam, em meados de
novembro a Brigada tinha apenas 1.500 capacetes americanos, e muitos de seus
uniformes eram de verão, e tinham as de PRISIONEIRO DE GUERRA.
Skorzeny continuou
trabalhando, lutando desesperadamente para obter o equipamento e os uniformes
americanos necessários para a sua força. Chegaram casacos, mas eram britânicos e tiveram de ser devolvidos.
Seis blindados foram entregues. Também britânicos, mas Skorzeny nem chegou a
providenciar a devolução dos carros pois todos eles enguiçaram, mostrando
servir apenas para o ferro-velho. Por isso, evidentemente os britânicos os
abandonaram. Durante dias, Skorzeny esforçou-se inutilmente junto ao Q-O
superior para obter um estoque de jaquetas de campanha americanas. Mas
lentamente, pouco a pouco ele reuniu seu equipamento.
Seus problemas ainda não haviam terminado. Ele precisava
dar certo senso de organização e propósito ao seu grupo misto de novos
recrutas. Para começar ele isolou-os no campo de treinamento de tanques de
Grafenwöhr, perto de Nuremberg, onde ficaram cercados por arame farpado, como
se fossem prisioneiros.
Os novos recrutas
tiveram de entregar os seus talões de cheques e foram obrigados a cortar todos
os vínculos com o mundo exterior, não se lhes permitindo deixar o campo
durante todo o período de treinamento. Aliás, o historiador francês Janques
Nobecourt diz que um homem foi fuzilado "por ter escrito uma carta á sua
família relatando integralmente a sua existência, violando o juramento de
completo silêncio que fizera". E "o isolamento era tão rigoroso
que os doentes não iam para hospitais; como precaução, os outros
foram imunizados contra gripes e resfriados".
Havia um
problema especialmente particular para Skorzeny. Em sua reunião com Hitler, antes do começo da ofensiva, o Führer
dissera-lhe novamente: “Eu o proíbo categoricamente de atravessar a linha
de frente, Skorzeny". Esquecendo-se mesmo do indefectível "Heil Hitler",
das despedidas, ele saiu desapontado. Transmitindo a von Fölkersam a ordem de
Hitler.
O nobre sorriu,
compreensivo, e disse, a sua maneira meio seca de falar: "Não se preocupe.
Nunca se toma a sopa tão quente quanto sai da panela", querendo dizer que
as coisas nunca saem como planejadas. “Esperemos para ver."
Como Skorzeny veio a
registrar, mais tarde: "Tive um ataque de raiva. Via claramente que esta
ordem já estaria em mãos do pessoal de Inteligência do inimigo... Ditei um
'protesto apaixonado' para o Q-O a Führer, com o pedido 'obediente' para
que se cancelasse a operação".
Mas seu pedido foi
recusado por um dos íntimos de Hitler, o ex-jóquei Fegelein, um oficial das SS
que em breve seria cunhado do Führer. Nem mesmo Himmler tinha poder de
mudar o plano original. Quando Skorzeny lhe falou da quebra de sigilo, deu de
ombros e disse: "Bem, já aconteceu, mas
o ataque tem de ser
realizado".
Muito abatido,
sentindo que estava preparando os seus homens para uma missão suicida, começou
a trabalhar com os voluntários, que não eram poucos (pois o nome de Skorzeny tinha um
atrativo irresistível para os amantes da aventura, os entediados e os
insatisfeitos). Eles vieram, não só do exército também da marinha e da
força aérea. Entre os voluntários existiam 500 homens das
SS, 800 da Luftwaffe e 1200 soldados do Exército.
Estavam muito
animados. Eram jovens
soldados experientes e todos suplicando pela chance de de
participar dessa "missão suicida” como seu comandante começava a
considerá-la. Mas, se estavam prontos para no tocante a combate, nem todos o
estavam no referente a
qualificação em inglês.
Dos cerca de 2.500 voluntários para a operação só aproximadamente 400
estavam em condições de falar o inglês colegial, 50
sabiam muito de inglês, e somente uns 10 eram realmente fluentes
nas gírias americanas. Eram, na maioria marinheiros que
haviam servido em navios americanos, ou homens que tinham morado nos Estados
Unidos e, em alguns casos, tinham
nacionalidade americana. Uns dois haviam inclusive servido no exército
americano. "O resto poderia dizer ' Yes' " escreveu Skorzeny;
"eles nunca poderiam enganar um americano, nem mesmo um surdo!"
Os mais promissores no
idioma inglês foram infiltrados em campos de prisioneiros americanos para
"aperfeiçoar" suas habilidades lingüísticas.
Um dos homens do grupo do Capitão Stielau fala de seu tempo no campo: "Um grupo
de sentinelas armadas deixava bem claro que havíamos perdido a liberdade ao
entrarmos no campo. Meu catre ficava no bloco ocupado pelo grupo do Capitão
Stielau. Fiquei meio chocado, logo que ingressei no grupo, com a atitude incomum
e nada soldadesca dos membros dessa unidade. Num tempo espantosamente curto, Criamos
uma sensação de 'união' quase sempre só encontrada entre soldados
em tempos de grande tenção na frente de batalha ... A principio nos dedicamos
muito à aprendizagem das expressões idiomáticas dos pracinhas americanos.
Os filmes americanos, especialmente os de guerra, foram de importância
no nosso treinamento. Então chegou o dia em que fomos mandados para campos de
prisioneiros de guerra americanos, onde nos misturamos com os pracinhas e
adquirimos a impressão de que nós estávamos transformando em 'yankees'
perfeitos."
Segundo ele, a nacionalidade se expressa em certos
instintos básicos que se projetam nalguns hábitos e atitudes. E ele tinha de
mudá-los. Seus homens não só precisavam aprender a mascar chicletes, como
também tinham de aprender a ficar à vontade nas esquinas, levar as coisas na
flauta, relaxando-se fisicamente, como os americanos faziam. De nada adiantava
vestir um homem com o uniforme
verde-oliva, dar-lhe chiclete para mascar, se ele não se livrasse do habitual
comportamento do prussiano da velha guarda quando diante de um oficial, ou seja,
a rígida posição de sentido. O falso soldado americano
seria logo descoberto.
Trabalhando
rapidamente e contra o tempo, Skorzeny deu ordem á sua unidade especial. Na sua
opinião, não lhe cabia transforma esses homens em soldados especiais,
guerrilheiros etc. De qualquer modo, todos eram soldados bem treinados e com
experiência em combate. O que se exigia deles é que mudassem por
completo todos os hábitos.
Skorzeny reservou seus melhores lingüistas e
equipamento em uma unidade de comandos de 44 homens, que iria a frente da força
principal da Panzerbrigade 150, que foi dividida em três Kampfgruppen (grupos
da batalha) X, Y e Z, e criar a máxima confusão atrás das linhas inimigas.
Esta força estaria sob o comando do Capitão Stielau.
Toda
a lenda surgida em torno da Operação Grief, na prática
podia circunscreve-se à atividade da unidade de Stielau.
A unidade de
estava bem equipada com armas, uniformes e veículos americanos capturados. Seus
homens falavam inglês de excelente a razoável, e
estava dividida em dois grupos: o grupo de sabotagem, em oito jipes, e o grupo
de reconhecimento, em seis. O segundo grupo, por sua vez, subdividia-se em
quatro equipes de reconhecimento, de pouco alcance, e dois grupos de longo
alcance. Cada veiculo levava uma tripulação de três ou quatro homens, ou
seja, o motorista, o operador de rádio, o intérprete e o sabotador que, além
das suas armas de infantaria normais, levavam também um pequeno frasco de ácido
prússico, ou cianurelo, metido no algodão dos isqueiros que iriam receber,
para
se envenenarem caso fossem capturados. Eram estes grupos
que fariam a penetração inicial, sabotando instalações americanas,
espalhando o terror e o caos e avançando até as vitais pontes do Mosa.
O restante da Brigada Panzer 150 penetrariam imediatamente na brecha
que deveria ser aberta na linha americana entre Recht e St. Vith, na Bélgica, e
que, segundo se esperava seriam confundidas com membros da 5ª Divisão
Blindada, que, na realidade, estava na frente do 9º Exército, mais ao norte
(o ataque contra os americanos seria desfechado contra a frente do 1º Exército
americano). Se tivessem sorte, eles poderiam abrir caminho, lutando e a custa
de truques, lado a lado com o Grupo de Batalha da 1ª Divisão Panzer-SS, do
Coronel Peiper, que seria a
vanguarda do 6º Exército Panzer-SS, de "Sepp' Dietrich, até as
pontes do Mosa, quando se juntariam
às equipes de reconhecimento que já deveriam estar em posição perto das
pontes.
Por meio de sinais
de reconhecimento como luzes azuis durante o dia e vermelhas á noite,
echarpes azuis ou
rosas, o segundo
botão da túnica desabotoado, o modo especifico de levantar o capacete,
ou
batendo duas
vezes com a palma da mão no mesmo,
determinadas letras do lado do lado esquerdo do capô do veiculo, como C, D, X,
Y E Z,
um triângulo amarelo na parte traseira do tanque, os dois grupos - o de Peiper e o
Skorzeny - poderiam identificar-se mutuamente.
A coisa era
arriscada, tanto mais porque foi preparada às pressas, e poderia muito terminar com
a morte, diante de um pelotão de fuzilamento, de todos os homens da unidade de
Stielau (embora os advogados alemães dissessem que se tirassem seus uniformes
americanos antes de disparar as armas, estariam seguros), mas Skorzeny, ainda
sim, confiava em sair vitorioso. Ele tivera êxito antes, e poderia ter
novamente.
Entre
6 e 12 de dezembro, os membros da brigada abandonaram seus acampamentos,
dirigindo-se para a frente oeste. A concentração geral efetuou-se na região
de Münstereifel-Stadkyll, onde foram distribuídos aos combatentes alemães
documentos "americanos". A companhia de Stielau, por sua parte, acampou
nos arredores de Colônia, à espera de ocasião favorável para atravessar a
linha com as unidades de assalto, após o que se afastaria, simulando ser uma
companhia pertencente à 5a Divisão Blindada americana.
Aparentemente, e conforme as próprias declarações fornecidos mais tarde por
Skorzeny, as atividades de seus homens eram perfeitamente conhecidas pelos
comandos americanos. Contudo, os fatos não confirmam inteiramente esta
assertiva. Com efeito, parece que alguns chefes americanos duvidaram das informações
recebidas e não tomaram as devidos precauções. Porém, nada se pode afirmar
com certeza, nem contra nem a favor, sobre o conhecimento ou desconhecimento da
operação por porte dos americanos. As informações são extremamente confusas
e só permitiriam esboçar conjeturas e não realidades devidamente comprovadas.
Precisamente às
05h30 de 16 de dezembro de 1944 os alemães iniciaram a sua grande ofensiva
pelas Ardenas, pegando os Aliados de surpresa. Mas as coisas não saíram como
planejado. A força blindada de
Joachim Peiper, que
iria abrir uma brecha de penetração para a 150 Brigada Panzer, estava tendo
problemas com o trafego nas estradas
e com os campos
minados.Uma
mina matou o comandante doe Kampfgruppe X. E
mesmo cedendo terreno no
início a resistência dos americanos começou a se fazer sentir e o cronograma
alemão passou a sofrer atrasos. Para que a “Operação Greif” lograsse êxito
era necessário que já no primeiro dia fosse feita uma boa penetração, o que
obviamente não estava acontecendo. Skorzeny pensou em cancelar toda operação,
mas decidiu esperar mais 24 horas, para ver o que podia acontecer. Ele adormeceu
pensando no que as suas equipes poderiam estar fazendo.
Enquanto Skorzeny
dormia, os homens do Capitão Stielau já estavam trabalhando; sete jipes cheios
deles já haviam penetrado as linhas americanas e começado a devastação. O líder
de uma turma conseguira meter todo um regimento americano com 3.000 homens, por
uma estrada errada, os sinais da estradas eram mudados, muitas estradas eram
marcadas como minadas e muitos fios telefônicos foram cortados. Outra turma parou junto a uma na blindada
americana e fingiu esta tão aterrorizada que os tanques americanos deram meia a
volta e fugiram. Outro grupo de quatro homens conseguiu cortar o cabo principal
que ligava o QG de Bradlcy, em Luxemburgo, com o de Hodges, comandante do 1º Exército
americano, em Spa.
Dizem que ouve até um caso de
um commando alemão que se rendeu um PM, e
descobriu depois que seu captor era também alemão.
Mas os disfarces dos
alemães na duraram muito tempo. Devido a falta de transportes americanos, os
comando lotavam os jipes que tinham a disposição. Skorzeny não, mas existia
um regulamento no exército americano que proibia o transporte de mais de três
homens por veículo. Os jipes lotados despertaram suspeitas.
Um PM pediu a senha
a um grupo de soldados e, como os três homens,
no jipe, metidos em uniformes americanos, não a soubessem foram presos.
Revistados, encontraram talões de cheque do exército alemão, 900 dólares americanos, 1.000 libras esterlinas, fuzis-metralhadoras, dois Colts, um revólver
alemão e seis granadas americanas. interrogados, revelaram ser membros do grupo
de penetração de longo alcance de Otto Skorzeny, usando os nomes falsos de
Charles Lawrence, George Sensenbach e Ciarence
van der Wert. Na realidade, eram o Cadete Günther
Billing, o Cabo Wilhelm Schmidt, e o Anspeçada Manfred Pernass.
Horas mais tarde, um
grupo de "soldados americanos" saiu da floresta, perto da aldeia de
Poteau, montados em canhões autopropulsados abandonados pela Tropa E do
18º Esquadrão de Cavalaria, que cedera suas posições na Brecha de Losheim.
Eles passaram por um sargento do 32º Esquadrão, que percebeu nas botas que calçavam
algo de "esquisito". Antes que fossem chamados a se identificaram, um
deles gritou: "Somos da Companhia E'.
Foi o bastante para
o desconfiado sargento. Na cavalaria não havia companhias, e sim “esquadrões"
ou, no caso, "tropas".
Um grupo pediu "petróleo" para seu
jipe em um posto de abastecimento em vez de "gasolina" e foi
imediatamente capturado. A confusão na retaguarda americana era enorme. Pelo
menos dois soldados americanos foram feridos por engano e as troas britânicas
posicionadas ao norte foram colocadas em alerta para intervir na frente
americana caso os seus aliados não conseguisse reverte a situação.
Nem todas as turmas foram captura
ou
mortas. Pelo menos três
retornaram inteiras.
Uma chegara a Huy, a
segunda conseguira cruzar o Mosa, perto de Amay, a única unidade, de todo o exército
ofensivo de 250.000 homens, que conseguiu tal coisa, a
terceira patrulhara na área
de Vielsalm. Outros grupos conseguiram voltar para a área de Malmédy com vários
feridos. Isto a despeito de um regulamento do exército americano, que Skorzeny
ignorava por completo, proibindo mais de três pessoas num jipe.
Muitos dos comandos
de Skorzeny foram capturados e alguns mortos, total de baixas da unidade ficou
em cerca de 15%. Todos os dezoito
que foram capturados
foram fuzilados em Henry-Chapelle e em Huy. O último a ser fuzilado foi o cabo
Otto Struller, que trazia uniforme de capitão americano e documentos que o
credenciavam como Capitão Cecil Ayer. Outro a ser fuzilado, o tenente da
marinho Gunter Schilz, vestia uniforme de cabo americano e passava por ser o
cabo John Weller. Um terceiro, executado, foi o cabo motorista Horst Görlich,
que envergava uniforme de tenente com documentos que o creditavam como Walter
Verge.
Em
linhas gerais, uma boa parte das missões foi cumprida, mas a conquista das
pontes alvo foi impossibilitada pelo lento avanço das divisões Panzer SS.
Os
comandos de Skorzeny tinham interrompido linhas telefônicas,
instalado falsos sinais de campo minado, marcas falsas para desviar do caminho
os comboios americanos que se retiravam da frente ou a ela se dirigiam, e
tarefas semelhantes de camuflar e confundir. Nenhum destes atos, contudo, era
suficiente para decidir o andamento das operações, para provocar uma
reviravolta nos acontecimentos.
Embora não houvesse número
suficiente para realizar todos os atos de sabotagem mais tarde a eles atribuídos,
eles foram responsabilizados por todos os comboios desorientados e por um mundo
de fios cortados.
Iniciou-se
uma enorme operação anti-sabotagem atrás das linhas aliadas e um temor de
espiões propagou-se pela França e Bélgica. A Rádio Calais, a estação de
propaganda aliada dirigida - jornalista britânico Sefton Delmer, e que visava
a solapar o espírito combativo do exercito alemão, informou que cerca 250
homens, em uniforme americano, haviam sido capturados. skorzeny, ao receber
esse informe, riu, pois sabia que se não estivesse havendo
exagero
na noticia, os Aliados
deviam ter prendido alguns dos seus próprios soldados: anos mais tarde, como já
prisioneiro dos aliados, ele viria a conhecer alguns dos homens erroneamente
aprisionados. Um capitão americano foi preso por estar usando um par de botas
de montaria alemãs.
Outros dois alemães foram descobertos e presos por
comentar, numa visita a um rancho, que a comida era boa.
Evidentemente, diriam os humoristas, um elogio sobre o que comiam os
americanos só podia ser suspeito. O General Bruce Clarke, o defensor da sitiada
cidade de St.-Vith, importante terminal ferroviário e rodoviário, foi
mantido preso, pelos seus próprios homens, por cinco horas em sua própria sala
de guarda. Diante da fúria do general, disse-lhe um PM: "Não me faça
rir. Você é um dos assassinos nazistas". E por mais que implorasse, que
ponderasse ou intimidasse, não o libertaram. Quando finalmente o fizeram, um
deles teve a coragem de pedir ao general: "O senhor quer dar-me seu autógrafo,
general?" Embora irritadíssimo, Clarke lhe deu o autógrafo.
Foi então
ordenada a prisão do "homem mais perigoso da Europa", que jurara
matar Bradley, Montgomery e, naturalmente, Eisenhower. Não demorou muito para
metade do exército parecesse estar a procura de sabotadores e espiões. O
General Bradley, por exemplo,
comentando acremente que "meio milhão de
soldados começasse a brincar de gato e rato toda vez que se encontravam, não
demoraria a ter dificuldades, também". Ao tentar visitar o General Hodges,
seu Estado-Maior lhe disse que tinha que esperar por um avião, porque "as
áreas da retaguarda estavam em pânico por causa dos alemães disfarçados".
Ignorando a recomendação que lhe havia feito o pessoal do Estado-Maior, tomou seu
carro, enfeitado com suas três estrelas, e ai descobriu que "nem posto, nem
credenciais, nem protestos" impediam de ser detido a cada obstáculo,
estrada. A todo momento, além de provar sua identidade, tinha de responder a
certas perguntas. "Da primeira vez, pediram-me que
dissesse qual
era a capital de Masaachusetts (meu interrogador dizia que era Chicago e eu
Springfield; da segunda, solicitaram-me que dissesse o nome da posição , na
linha de frente do futebol americano, que fica entre o centro e a lateral esquerda; da
terceira, que dissesse o nome do marido, à época, de Betty Grable, artista de
cinema.
Os soldados americanos
ainda usavam outros métodos para se certificarem de seus verdadeiros camaradas
como
pedir o resultado de uma partida famosa do futebol americano; porém, ainda foi
utilizado outro método mais seguro: o de fazer pronunciar certas palavras
("wreath" entre outras) que só um americano poderia articular
corretamente.
A onda de
boatos assustadores sobre a atividade do pessoal de Skorzeny alcançou o máximo de
efeito no Q-G do próprio Comandante Supremo. Quatro dias após iniciada a
ofensiva, Eisenhower soube de que havia um pelotão-suicida germânico fora criado
para matá-lo. "Um coronel, muito agitado", registrou ele em suas memórias,
... . garantiu-me que tinha prova da existência de tal pelotão, fazendo-me
uma pormenorizada descrição do plano que pretendia executar. O Grupo de Segurança
também era da mesma opinião". Por causa disso, Eisenhower teve de abandonar
sua pequena casa de campo, a pouca distância do Q-G Supremo, instalado em Petit
Trianon. A casa havia abrigado o Q-G do Feldmarechal Rundstedt e o pessoal segurança
do SHAEF, para levar-me a mudar, alegava que os alemães conheciam cada palmo
do prédio. Era arriscado demais; por isso, levaram-no para o Q-G em Versalhes,
onde passou vários dias praticamente como prisioneiro.
Quando
Eisenhower partia em visita a qualquer gabinete, era acompanhado por um sem-número
de elementos da PM. Pediram-lhe para que restringisse as saídas, pois pairava
no ar a desconfiança de que tocaieiros estavam por toda parte.
Então, o
Serviço de Segurança informou que os alemães estavam-se reunindo no Café de
La Paix. O ataque não demoraria. Foi demais para Eisenhower. Ele
simplesmente saiu do seu gabinete resmungando: "Pelos
fogos do inferno. Vou dar uma volta. Se alguém quiser atirar em mim que atire.
Tenho de sair!"
Durante
quatro dias Eisenhower se manteve virtualmente prisioneiro em seu próprio Q-G e
isto na fase mais critica da repentina contra-ofensiva alemã.O plano de Skorzeny
rendeu algum resultado.
Enquanto
Eisenhower esteve detido em Versalhes, durante a maior parte da semana do Natal,
seus agentes de segurança, sem que o Comandante Supremo soubesse, lançavam
iscas humanas por toda parte para agarrar "o homem mais perigoso da Europa". Um Tenente-Coronel Baldwin B.
Smith se apresentara como voluntário para fazer dois percursos diários, de ida e volta,
entre a casa de campo de Eisenhower
em
St-Vich e Versalhes.
O coronel lembrava um pouco "Ike" e havia assimilado alguns hábitos
dele,
inclusive seu modo característico cumprimentar.
Assim, os homens da segurança achavam que os "matadores de Skorzeny" talvez tentassem liquidá-lo com
um granada ou fuzil, quando então seriam
agarrados. Nada entretanto aconteceu ao Tenente-Coronel Baldwin Smith.
Diz-se,
contudo, que o General Eisenhower "perdeu a paciência" quando soube
existia
tal isca humana. Não se repetiu o logro nem mesmo pelo final da
guerra quando se
informou que "lobisomens"
movimento
clandestino nazista estavam tentando matar os mais graduados comandantes
aliados.
Mas, e Otto Skorzeny? No segundo dia da ofensiva, ele inteirou-se de que a
operação
que planejara tinha poucas possibilidades de sucesso. A penetração de Peiper não fora além de 30 km para
o interior da Bélgica, alcançando La Gleize,
onde, depois
detido,
foi inteiramente cercado. Assim
sendo,
restava ao 6º Exército Panzer-SS, como único acesso á Bélgica, uma
estreita passagem em que havia de um lado a obstinada defesa de St.-Vith, do
outro, a Crista Elsenborn.
Em 17 de
dezembro Skorzeny tomou uma decisão. Pediu a "Sepp" Dietrich, Comadante do
6º Exército Panzer-SS, que o liberasse da missão que lhe fora destinada e
permitisse
usar a 150ª Brigada Panzer em atividades normais de infantaria, dada a
enorme carência de blindados em
que estava.
Dietrich
concordou e ele foi anexado ao I Corpo SS, já com seus efetivos desfalcados,
porque o grupo de Peiper se encontrava isolado. A 150ª Brigada Panzer foi usada
para tomar Malmedy, o que permitiria aos alemão flanquear o cume de Elsenborn obstinadamente defendido e ao mesmo tempo
apoiar o avanço protelado de Peiper. Skorzeny usa no ataque apenas dois Kampfgruppe,
o X e o Y, pois o Z ainda ficou retido na retaguarda alemã devido a sérios
problemas com o tráfego.
Uma de equipes do commando de Skorzeny realizou o
reconhecimento da cidade e a encontrou levemente defendida, mas enquando
a Panzerbrigade 150 estava se reorganizando para o ataque os americanos
moveram-se para dentro da cidade. Além disso um alemão capturado alertou os
americanos do
ataque eminente.
Bem cedo no dia 21, Skorzeny lançou um assalto
com duas pontas.O Kampfgruppe Y avançou de um lado e o Kampfgruppe X, com cinco
Panteras disfarçadas como destruidores de tanques americanos M-10, do outro. O
Kampfgruppe Y foi forçado a recuar devido a dura barragem de artilharia, porém
o X, emcoberto pela névoa sucedeu em alcançar a ponte sobre o rio Warche,
aonde houve luta por várias horas.
Os
falsos M-10 foram postos fora de ação um por um. Somente
um chegou ao outro lado do rio, e foi imediatamente paralisado por um tiro de
bazooka. Os americanos intensificaram sua barragem de artilharia sob os alemães
que recuaram. O próprio Skorzeny foi golpeado na cabeça por um
estilhaço e quase perdeu um olho.
Na manhã
seguinte o Kampfgruppe Y foi repelido mais uma vez, e de tarde os engenheiros de
combate americanos destruíram as pontes da cidade. Infelizmente acreditando que
a cidade de Malmedy tinha caído em mãos alemãs os americanos a bombardearam
três vezes, matando cerca de 300 civis e um grande número de soldados
americanos.
Em 28 de dezembro a Panzerbrigade 150
com
cerca de 15% a 20 % de baixas foi substituída pela 18ª Volksgrenadierdivisionor.A
essa altura a grande investida alemã nas
Ardenas já era um fracasso.
Um mês depois os sobreviventes da
Panzerbrigade 150
foram dispensados e enviados para as suas unidades originais.
Após a guerra já como prisioneiro dos americanos Skorzeny,
em uma interrogatório declarará em agosto de 1945: "De fato, nós enviamos quatro comandos de reconhecimento e dois grupos de comandos de demolição
nos primeiros dias da ofensiva. Além disso, um comando foi com o 1ª SS Panzer Divisão, a 12ª SS Panzer Divisão e a 12ª Divisão
Volksgrenadiere. Um comando também acompanhou cada grupo do Panzerbrigade 150.
Dos 44 homens enviados as linhas Aliadas, voltaram 36. Os últimos comandos
retornaram dia 19 de dezembro, depois disso, os homens realizaram missões de
reconhecimento com uniforme alemão." Mas 18 homens foram julgados como
espiões e fuzilados em Huy ou Henri-Chapelle. Skorzeny afirmará que apenas 4
de seus homens tinham sido capturados. Uma pergunta surge então. Quem são os
outros 14? Seriam soldados americanos que não conseguiram provar a sua
verdadeira identidade e fora fuzilados? Também pode ser que soldados
alemães que não tinham nenhuma ligação com a "Greif", vestiram
casacos americanos mais quentes de homens mortos ou cativos, e ao serem
capturados sofreram o destino de espiões e sabotadores? Ou mesmo terminada a
guerra Skorzeny ainda se divertia em causar transtornos aos americanos por causa
da "Greif", mentindo para eles? Dificilmente será descoberta a
verdade! O que é certo, é que três comandos de Skorzeny realmente foram
fuzilados em Henri-Chapelle no dia 23 de dezembro de 1944. Eram eles: Günther
Billing, Wilhelm Schmidt, e Manfred Pernass.
Breve histórico:
Dezembro de 1944:
16 de Dezembro: A ofensiva das Ardenas começa; A Brigada Panzer 150
se atrasa em seus deslocamento devido o pesado tráfego alemão para a linha de
frente. O comandante do Kampfgruppe X é morto por uma mina. Apesar dos
contratempos, algumas das equipes do Capitão Stielau
penetram nas linhas dos E. U.; mesmo começando até Huy.
17 de Dezembro: von Folkersam, oficial SS assumi o comando do Kampfgruppe
X ; Skorzeny participa de uma no 6th Exército Panzer. Ele pede que os 3 kampfgruppens
de sua unidade juntem-se ao luta como tropas convencionais. Seu pedido é
aceito por concedido
"Sepp"
Dietrich.
20 de Dezembro: Os Kampfgruppe X & Y chegam a Ligneuville para atacar Malmédy
e restabelecer a ligação com o Kampfgruppe de Pieper. Por incrível que
pareça o Kampfgruppe Z, ainda está retido no tráfego confuso da retaguarda
alemã. Tropas americanas capturam um soldado de Skorzeny que informa que um
ataque alemão é iminente a Malmédy.
21 de Dezembro: As unidades do Brigada Panzer 150 atacam Malmédy, mas são
repelidas pelos americanos. A Brigada é incapaz de capturar o cruzamento
vital.
28 de Dezembro: Com diversos tanques destruídos, 150 mortos e um
grande número de feridos, inclusive Skorzeny, a Brigada é retirada da frente
de batalha.
Janeiro de 1945:
10 de Janeiro: A Brigada Panzer150 é desativada; A ofensiva da Ardenas
é um fracasso.