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| Gabriele Tiedemann |
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| Wilfred Bose |
Em Israel, terminada a reunião, Rabin convoca ao seu gabinete alguns ministros –
Peres, da Defesa; Yigal Allon, das Relações Exteriores; Gad Yaakobi, dos
Transportes; e Zamir Zadok, da Justiça. Fosse qual fosse o desfecho da história,
esses homens teriam que tomar decisões e estavam-se preparando para isso, pois
já sabiam que dentre os passageiros havia 77 com passaporte israelense. Rígida
censura é imposta aos meios de comunicação para que não divulguem listas de
passageiros e para impedir a veiculação de informações que possam, de alguma
maneira, ajudar os seqüestradores. Iniciam-se, também, contatos com os
familiares dos viajantes.
Em Bengazi o avião permanece seis horas e meia, durante as quais é reabastecido - "por preocupação humanitária do governo líbio para com os passageiros", segundo o coronel Kadafi.
21h50, o Airbus parte de Bengazi, voando à noite em direção ao sul, sobre o Saara líbio e o Sudão, afastando-se cada vez mais do Oriente Médio.
03h15, horário local em Uganda, 28 de junho, o avião aterrissa no aeroporto de
Entebe. Em Israel, as unidades da FDI, em alerta no aeroporto, recebem ordens
para retornar às suas bases. O que aconteceria dali em diante não exigiria
medidas especiais em território israelense.
Ao amanhecer, paira em Israel e no mundo um clima cheio de dúvidas. Uganda seria
o destino final dos seqüestradores ou apenas uma escala para abastecimento? Como
estaria reagindo o governo de Idi Amin Dada diante dos acontecimentos – seriam
anfitriões hostis ou parceiros no seqüestro? Afinal, desde 1972, as relações
entre Israel e Uganda não eram amigáveis, pois o governo israelense havia-se
recusado a fornecer jatos Phantom ao país, sabendo que Uganda pretendia usá-los
para bombardear o Quênia e a Tanzânia. Idi Amin havia, então, expulsado todos os
israelenses do país.
Oficialmente, o ditador de Uganda adotou uma atitude neutra em relação aos
seqüestradores, mas na realidade eles eram bem-vindos. Líderes palestinos
encontravam-se no aeroporto para receber o avião, bem como unidades do Exército
de Uganda. Os reféns foram conduzidos para o prédio do antigo terminal do
aeroporto.
Na terça-feira, dia 29, uma mensagem vinda de Paris, que primeiramente foi
divulgada pela rádio de Uganda, revela os objetivos dos seqüestradores: a
libertação até às 14h do dia 1 de julho de 53 terroristas – 13 detidos em
prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e Quênia, e 40 em Israel. Caso suas
reivindicações não fossem atendidas explodiriam o avião com todos os
passageiros.
Israel, a nação mais afetada, havia sempre deixado claro que nunca negociaria com o terrorismo e que estava preparado para derramar o sangue de seus cidadãos a fim de se ater a seus princípios. Em maio de 1974, por exemplo, terroristas tinham seqüestrado os alunos de uma escola de Maalot, na Galiléia; as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o edifício e fuzilaram os pistoleiros, mas à custa de 22 crianças mortas. Em Entebbe, entretanto, parecia impossível que Israel reagisse, pois apenas 105 reféns eram judeus - e o governo israelense seria criticado pela opinião pública mundial se pusesse em risco a vida dos outros.
Na quarta-feira, 30, França e Alemanha afirmam que não soltariam os terroristas, posição que se supunha seria a mesma de Israel. A França, no entanto, revela uma certa flexibilidade ao anunciar que seguiria a posição do governo israelense que, até então, mantinha-se em compasso de espera, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.
Curiosamente, na mesma quarta-feira,foram os próprios terroristas que
desperdiçaram sua maior vantagem. Sem atinar para as implicações de seu ato,
separaram os reféns não-judeus e, aparentemente num gesto de consideração para
com os outros países, permitiram que 47 reféns, – exceto israelenses ou judeus –
retomassem sua viagem para a França. O capitão Bacos e sua tripulação recusam-se
a acompanhar o grupo, afirmando que não abandonariam os demais passageiros. Uma
freira francesa também insiste em ficar, mas é impedida pelos terroristas e
pelos soldados ugandenses.
A libertação de alguns reféns e a evidência cada vez maior de que o principal
alvo dos terroristas era pressionar Israel, aumentam a tensão em Israel e a
pressão dos familiares para que o país atenda às exigências dos seqüestradores.
Nos círculos militares e altos escalões do governo, reuniões e mais reuniões são
realizadas, além do levantamento de informações feito pela Inteligência em busca
de dados que possam ser úteis a uma eventual ação de resgate. Novos nomes
integram-se às reuniões entre as FDI e os ministros, entre os quais, o general
brigadeiro Dan-Shomron, 48 anos, chefe dos pára-quedistas e oficial de
infantaria; o general Benni Peled; e Ehud Barak, vice-diretor do Serviço de
Inteligência das FDI.
A confirmação dada pelos reféns soltos, meticulosamente entrevistados pelos
serviços secretos da França e de Israel, de que o governo de Idi Amin estava
apoiando os terroristas foi fundamental para as medidas que seriam tomadas por
Israel a partir de 1 de julho, quinta-feira, quando, 90 minutos antes de expirar
o prazo dado pelos seqüestradores, o gabinete se reúne e aprova o início de
negociações com os terroristas. Estes, por sua vez, afirmam não estar
interessados em negociações e sim no atendimento de suas reivindicações,
estendendo o prazo até às 14h do dia 4 de julho.
É nesse 1 de julho que o Serviço de Inteligência descobre que o aeroporto de
Entebe fora construído por uma empresa israelense – Solel Boneh, o que
possibilita o acesso às plantas originais do local. Cada vez mais, após intensos
encontros com oficiais do exército, Peres convence-se de que a opção militar é
possível e que é apenas uma questão de tempo para que todas as peças do
quebra-cabeça se encaixem. Tempo, no entanto, é algo que Israel não tem.
A opção militar desponta como caminho viável. A principio os israelenses
trabalham com três opções:
a) Um lançamentos de pára-quedistas no Lago Victoria e um silencioso desembarque em Entebbe usando barcos de borracha;
b) Um cruzamento em grande escala do Lago Victoria, partindo da margem queniana - usando barcos que poderiam ser alugados, emprestados ou simplesmente roubados;
c) Um pouso direto em Entebbe, seguido de um assalto rápido e uma remoção imediata dos reféns por ar por forças especiais da unidade Sayeret Mat'kal.
Nos dois primeiros planos, após libertar os reféns, os israelenses iriam depender da ajudar de Idi Amin ou da intervenção da ONU para sair de Uganda. Porém nas próximas horas, as duas primeiras opções seriam descartadas por razões militares e porque os dados colhidos em Paris confirmavam que Idi Amin estavam apoiando os terroristas. Sendo assim o assalto direto a Entebbe seria a opção adotada.
O General-Brigadeiro Dan-Shomron é nomeado comandante da missão em terra e Yoni
Netanyahu, comandante da unidade Sayeret Mat'kal, comandante da força-tarefa que a executará. Uma réplica do antigo terminal de
Entebe é construída para simulação da operação, com base nas plantas obtidas
junto à Solel Boneh e em fotografias aéreas, e os comandos começam a treinar.
Enquanto isso, um grupo de 101 reféns – excluindo-se israelenses e judeus de
outras nacionalidades – chega a Paris. Trazem duas informações essenciais para
Israel: a primeira, de que haveria menos pessoas para resgatar; a segunda, de
que apenas judeus estavam sendo mantidos como reféns, além da tripulação, o que,
para o governo, significava que os seqüestradores possivelmente acabariam
matando a todos, mesmo que suas exigências fossem atendidas.
12h do dia 2 de julho, sexta-feira, os chefes dos comandos da missão, então
denominada “Thunderball”, apresentam os planos detalhadamente para Shomron. Duas
horas depois, Yoni reúne-se com os oficiais para as ordens finais, antes de mais
uma simulação na réplica do aeroporto, incluindo o pouso dos aviões nas pistas
sem iluminação de Entebe. O ensaio levou 55 minutos, do momento em que o avião
aterrissou até a sua decolagem. A preocupação maior entre todos os envolvidos é
obter o máximo do “elemento-supresa”.
O ponto fundamental do plano de Shomron era fazer aterrissar em Entebbe, no meio da noite, quatro aviões Hércules C-130 de transporte, que descarregariam tropas da unidade Sayeret Mat'kal e veículos. Para evitar que os aviões fossem detectados, o primeiro Hércules seguiria imediatamente atrás de um avião de carga inglês cujo vôo regular era esperado no aeroporto de Entebbe.
As tropas que realizariam a ação em terra estavam divididas em cinco grupos de assalto:
Grupo de Assalto 1: se encarregaria da segurança da pista e dos aviões (era formado por 33 médicos que também eram soldados);
Grupo de Assalto 2: tomar o edifício do antigo terminal e libertar os reféns;
Grupo de Assalto 3: tomar o edifício do novo terminal;
Grupo de Assalto 4: impedir a ação das unidades blindadas de Idi Amin (estacionadas em Kampala, a 30 km de distância) e destruir os aviões de combate ugandenses Mig 17 e Mig 21 estacionados no aeroporto, para impedir uma possível perseguição. Este grupo também iria cobrir a estrada de acesso ao aeroporto, pois sabia-se que o Exército ugandense tinha tanques T-54 soviéticos e carros blindados OT-64 tchecos para transporte de tropas a aproximadamente 32 km da Capital Kampala;
Grupo de Assalto 5: evacuar os reféns, conduzindo-os para o Hércules que estaria à espera e seria reabastecido no local ou em Nairóbi, no vizinho Quênia - um dos poucos países africanos amigos de Israel.
Levando em conta que haveria inúmeras baixas, um Boeing 707, transformado em avião-hospital, voaria diretamente para Nairóbi durante o ataque. Ao mesmo tempo, outro 707 sobrevoaria Entebbe transmitindo informações ao quartel-general em Israel.
Na medida do possível, tudo foi feito para eliminar os riscos. Sabia-se, por exemplo, que Amin uma vez chegara a Entebbe num Mercedes preto escoltado por um Land Rover, e veículos como esses foram embarcados no Hércules que iria à frente, com o objetivo de confundir os ugandenses nos vitais primeiros minutos.
1h da madrugada do dia 3 de julho, sábado, Motta Gur telefona para Peres e o
informa que os homens estão preparados e que a operação pode ser executada.
13h20 do dia 3 de julho de 1976, sábado, o tenente coronel Joshua Shani inicia a
decolagem do primeiro dos quatro aviões Hércules C-130, do Aeroporto
Internacional Ben-Gurion, em Lod, com destino a Entebe. Poucos segundos depois,
cada um dos outros aparelhos também parte, porém em direções diferentes. Afinal,
a passagem de quatro Hippos (“hipopótamos”), como são descontraidamente chamados
por suas tripulações, em horários semelhantes, não passaria desapercebida sobre
os ensolarados céus de Tel Aviv, durante um verão que prometia ser tão quente
quanto os anteriores. E o que menos se pretendia, naquele dia, era chamar a
atenção e provocar especulações.
A bordo dos Hippos, a força-tarefa especial comandada por Shomron e Yoni tinha
um objetivo bem definido: libertar os reféns em Entebe. Apesar de a missão de
resgate não haver sido, ainda, aprovada pelo gabinete israelense, a partida dos
aviões fora autorizada pessoalmente por Rabin, senão não haveria tempo hábil
para sua execução. A permissão fora dada a Motta Gur.
Enquanto os ministros se reúnem para analisar as possíveis alternativas para a
situação, incluindo a possibilidade de o país atender às exigências dos
terroristas, os aviões aterrissam em Sharm el-Sheik, na região do deserto do
Sinai, para abastecer e partem novamente rumo a Uganda, voando a baixa altitude
sobre o Mar Vermelho para não serem detectados por sistemas de radares.
O ponto fundamental no plano de Shomron consistia em fazer aterrissar o primeiro Hércules imediatamente atrás do avião de carga inglês que estava sendo esperado em terra, pois este não apenas absorveria a atenção dos operadores de radar ugandenses como também encobriria o ruído feito pêlos aviões israelenses. A precisão tinha de ser absoluta - e foi. Sete horas depois da decolagem, a força israelense aproximava-se de Entebbe, num céu carregado de chuva, sempre na escuta do comandante inglês, que recebia as instruções da torre de controle. O C-130 de Shomron colocou-se exatamente atrás do cargueiro.
Eram 23h e o tenente coronel Shani desce silenciosamente o seu Hippo em Entebe depois de sete horas e meia de vôo e a distância de quatro mil quilômetros desde a decolagem em Israel. A lendária capacidade de precisão de aterrissagem do Hércules foi bem explorada. O pessoal que deveria cuidar da segurança da pista desceu rapidamente. Os operadores de radar não perceberam o intruso e nenhum alarma foi dado. Por esse erro, seriam logo depois mortos pelo enraivecido e humilhado Idi Amin.
O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, o Mercedes e dois Land Rover desceram a rampa, transportando o grupo que iria assaltar o velho terminal. O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, dez membros da brigada de infantaria Golani saltam do avião e espalham sinais para orientar a aterrissagem das outras três aeronaves, que se aproximam rapidamente. A rampa de carga é aberta e por esta desliza um Mercedes preto, artifício considerado fundamental para a missão, dois Land Rover e 35 membros da força-tarefa, entre eles Netanyahu. Os militares que iam no Mercedes estavam vestidos com uniformes ugandenses.

Mas os ugandenses logo perceberam a farsa e a 100 m do terminal duas sentinelas, com metralhadoras apontadas, ordenaram ao carro que parasse. Netanyahu e outro oficial abriram fogo com pistolas dotadas de silenciador, atingindo um dos homens, e o grupo seguiu em frente até uns 50 m do edifício, A partir daí, os israelenses foram a pé. Os reféns estavam todos deitados no salão principal e muitos dormiam. Quatro terroristas haviam sido deixados montando guarda, um à direita, dois à esquerda e um no fundo do salão. Todos estavam de pé e puderam ser identificados .por causa das armas que portavam. Apanhados de surpresa, foram mortos imediatamente, e o grupo de assalto subiu pelas escadas. Os reféns advertiram que havia mais terroristas e soldados ugandenses no andar de cima. As ordens eram para tratar os ugandenses como inimigo armado, se abrissem fogo; caso contrário, seriam poupados. Mas para os terroristas não haveria misericórdia. Diversos deles foram eliminados à queima-roupa enquanto dormiam. Ao todo, morreram 35 ugandenses e treze terroristas - entre os quais Bõse e Krôcher-Tiedemann. Cerca de sessenta soldados ugandenses fugiram do edifício. A ação no terminal antigo durou três minutos.
Sete minutos depois que o primeiro Hércules aterrissou, o segundo pousava, seguido pelo terceiro e pelo quarto. Logo que as rampas eram baixadas, jipes e veículos de transporte saíam em disparada, atravessando a pista. O grupo comandado pelo coronel Matan Vilnai assaltou o edifício do novo terminal, que havia sido apressadamente abandonado pêlos ugandenses. As tropas de Amin pareciam totalmente confusas e incapazes de esboçar uma reação coerente. A única resistência determinada vinha da torre de controle, de onde partiu a rajada que feriu mortalmente Netanyahu, postado do lado de fora do velho terminal. Mas a unidade de Vilnai eliminou esse núcleo de oposição graças ao fogo concentrado de metralhadoras e lança-granadas.
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Operador |
O grupo do coronel Uri Orr encarregou-se do embarque dos reféns no avião que os aguardava. A equipe que tinha ordens de eliminar os Migs 21 e 17 ugandenses levou poucos minutos para transformar onze deles em bolas de fogo com rajadas de metralhadoras. O último dos quatro Hippos, com Shomron a bordo, parte de Entebe às 00h30 do dia 4 de julho – 90 minutos depois de o primeiro ter aterrissado.
Após uma breve escala em Nairobi, para reabastecimento e a transferência dos feridos para um Boeing com um hospital a bordo. Apesar de todos os esforços dos médicos – então chefiados pelo coronel Ephraim Sneh, Yoni não resiste aos ferimentos e falece. O saldo total de mortos da Operação Yonatan: 4 –Yoni e três reféns – dois mortos no fogo cruzado com os terroristas e uma senhora de idade, Dora Bloch, que havia sido transferida para um hospital de Uganda e que posteriormente foi assassinada por ordem de Idi Amin. Depois de reabastecer, os israelenses tomaram o caminho de volta, às 4h08.
Nas primeiras horas da manhã do dia 4 de julho, o Hippo pilotado por Shani
sobrevoa Eilat e desce em uma base da Força Aérea de Israel (FAI) na região
central do país. Enquanto os reféns são atendidos pelas equipes de terra, as
unidades de combate descarregam seus equipamentos. Em seguida, retornam às suas
bases e retomam suas funções de rotina, afastados da euforia que tomava conta de
Israel e da admiração e respeito que haviam conquistado em todo o mundo pelo que
haviam feito naquela noite. Para eles, mais uma missão fora cumprida... Era o
seu dever, para o qual são treinados.
Ainda no dia 4, aproximadamente ao meio-dia, um Hércules da FAI aterrissa no
Aeroporto Internacional Ben-Gurion. De suas portas traseiras, 102 pessoas -
homens, mulheres e crianças - correm em segurança para se reunir a seus
familiares e amigos.
A Operação Entebbe permanecerá para sempre como um feito extraordinário na
história da aviação, embora a sorte tenha sido um fator essencial. Mas esse
resgate nem mesmo seria cogitado se, para executá-lo, não existissem homens
motivados e treinados em um nível verdadeiramente fantástico.
Nota: Segundo algumas informações, o Coronel Ulrich Wegener comandante da
unidade antiterrorista alemã GSG 9, estava entre os comandos israelenses durante
a operação, possivelmente devido à presença dos dois terroristas alemães. Em
1977, esta unidade realizaria uma grande operação de resgate também na África em
Mogadíscio na Somália, quando Boeing 737 da Lufthansa foi seqüestrado.

General-Brigadeiro Dan-Shomron (à esquerda)
com o chefe de Estado-Maior israelense Mordechai Gur (Á direira)
Em 2001, Dan-Shomron, relembrou os fatos do resgate em Entebbe com naturalidade
e não gostou muito de mencionar a palavra heroísmo quando falava da missão. Em
uma entrevista publicada pela revista do The Jerusalem Post, no mês de junho de
2001, Shomron – que foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1987 a 1991
– afirma que vários fatores contribuíram para o êxito da missão.
O resgate foi planejado nos seus mínimos detalhes, considerando-se o tempo
necessário para todas as etapas, incluindo as baixas que poderiam ocorrer.
Segundo o ex-chefe das Forças Armadas, Entebe não foi uma missão suicida. Além
dos dados precisos, o grupo era formado por cerca de 200 soldados escolhidos
entre os melhores do país, dos mais altos escalões em cada unidade das FDI.
Shomrom relembra que os estrategistas já sabiam que o aeroporto de Entebe fora
construído por uma empresa israelense – o que permitiu o acesso às plantas do
local; informações importantes também foram obtidas junto a diplomatas e
empresários israelenses que, até 1972, viajavam freqüentemente a Uganda, além da
própria FAI, que, em função das boas relações diplomáticas entre Israel e Uganda
no passado, conhecia bem as instalações. Reféns soltos pelos terroristas antes
do dia 3 de julho também forneceram detalhes essenciais sobre o número de
seqüestradores e sobre o local no qual haviam sido mantidos presos, Um dos
reféns libertados posteriormente foi o rabino Raphael Shamah, na época estudante
de uma Yeshivá em Israel.
“Nós sabíamos que havia grandes probabilidades de o aeroporto ter passado por
algumas modificações desde a sua construção. Mas estes dados também poderiam ser
obtidos de alguma maneira. O elemento mais importante com o qual contávamos, no
entanto, era a surpresa. Ninguém poderia imaginar que Israel tentaria realizar
uma missão de resgate a quatro mil quilômetros de distância de suas fronteiras,
sobrevoando o espaço aéreo de países hostis. Este elemento não poderia ser
desperdiçado. Nós sabíamos que, se conseguíssemos chegar ao local sem ser
descobertos, qualquer ação após o pouso em Entebe teria que ser muito rápida e
deveria ser efetuada antes que os terroristas ou os soldados ugandenses que os
apoiavam pudessem perceber o que estava acontecendo”, relembra Shomron. E
acrescenta:
“O fato de não ser plausível era um ponto essencial para o sucesso”. Mais um
fator contribuiu para o êxito da missão. Dos 13 terroristas envolvidos no
seqüestro, apenas oito estavam no local. Segundo Shomron, aparentemente os
demais estavam fora do aeroporto. Os soldados ugandenses também foram
rapidamente dominados pelos commandos israelenses.
Quando perguntado como via a missão 25 anos depois, respondeu: “Combater o
terrorismo exige, antes de mais nada, vontade política. Não há dúvidas de que o
resgate provocou um impacto muito grande em Israel e no mundo, pois mostrou que
é possível enfrentar o terror onde quer que este se manifeste. Desde então,
vários países criaram unidades de combate ao terrorismo e aumentou o intercâmbio
entre os vários Serviços de Inteligência”. Mas ele faz uma ressalva:
“O êxito criou a ilusão de que Israel sabe tudo e pode fazer tudo, em qualquer
circunstância, o que não é verdade. Há situações em que se sabe muito e pode-se
planejar quase tudo com exatidão. Em outras, não se sabe nada e, portanto, não
se pode fazer nada. Por isso, quando me perguntaram qual dos participantes da
ação poderia ser condecorado por heroísmo, respondi “nenhum”. Pois o resgate em
Entebe foi uma missão planejada detalhadamente, treinada tantas vezes quanto
possível dentro do pouco tempo que tínhamos e cuja execução foi tão semelhante
ao nosso plano que não exigiu nenhum ato heróico para superar os problemas
surgidos. Todos cumpriram com o mesmo empenho o seu dever de soldados”.

Os reféns libertados chegam a Israel
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