
"JUBILEE" -
DIEPPE - 1942
Pano de
Fundo
O ano de 1942 se representou como um péssimo ano para os Aliados. A Grã-Bretanha
não experimentou uma única vitória no campo de batalha. As tropas inglesas e do
Commonwealth foram contidas na áfrica do Norte e forçadas a recuar pelo Afrika
Korps de Rommel. No Oriente, o Japão era imbatível, ocupando em seu avanço,
substancias partes do império britânico. Os americanos estavam tentando se
recuperar de suas duras perdas em Pearl Harbor e procuravam manter suas forças
nas Filipinas e os russos eram duramente empurrados para trás pelo avanço
determinado de Hitler na região do Cáucaso. A perspectiva imediata era de
fracasso total.
A situação mais séria
estava na frente russa onde foram deslocados imensos exércitos uns contra os
outros em uma luta de vida e morte. Não existia aparentemente nenhuma maneira de
frear a ofensiva germânica. Stalin exigia ruidosamente uma ofensiva Aliada no
Ocidente, para reduzir a grande pressão que seus exércitos sofriam. Nesta fase
da guerra um colapso militar russo foi considerado uma possibilidade real com um
efeito catastrófico para o esforço de guerra Aliado.
O argumento russo era
apoiado fortemente pelos americanos, embora eles mesmo estivessem
impossibilitados no momento de prover apoio material significante, ou tropas,
para uma ofensiva no Oeste. Havia também uma pressão significativa por parte
de importantes Generais do exército americano e Almirantes da U.S. Navy que, a
menos que uma ofensiva no Oeste fosse desenvolvida e executada dentro de um
curto prazo, eles eram favoráveis que se concentrassem todos os esforços
americanos no
Pacífico contra o império japonês. O público em geral também exigia uma ação
ofensiva para apoiar os russo. O clamor por uma segunda frente crescia a cada dia, e os
governos de Londres e Washington, se sentiam encurralados.
Diante de tudo isto
os Chefes militares britânicos e Churchill estavam planejando então,
desenvolver e executar uma operação ofensiva na frente Ocidental - uma operação
que iria, esperavam eles, tirar divisões alemãs da frente russa, ou pelo menos
segura as divisões alemães existentes na França, impedindo-as de serem
deslocadas para Leste. Foi com este pano de fundo que o Raid de Dieppe foi
planejado e executado.
"Operação Rutter "
Originalmente
concebida em Abril de 1942 através do Quartel-General de Operações Combinadas
(Combined Operations Headquarters -
C.O.H.Q.), comandado por Lord
Mountbatten, e subseqüentemente tendo o nome código
"Operação Rutter ", os Aliados planejaram realizar um Raid com uma
força do tamanho de uma divisão contra um porto importante na costa francesa na região
do Canal da Mancha. O porto escolhido seria Dieppe.
Os Aliados efetuariam
a maior destruição possível das instalações portuárias inimigas e de suas
defesas antes de se retirarem. Este plano original foi aprovado pelos altos
chefes das forças armadas em maio de 1942. Os planos originais também
incluíam o lançamento de pára-quedistas na retaguarda do porto precedendo uma
invasão por mar. Tal operação era entretanto vulnerável às condições de
tempo na área.
Este ataque
seria importante também porque iria proporcionar aos Aliados preciosa experiência em
administrar uma grande operação anfíbia contra uma costa defendida – pois a
última grande ofensiva anfíbia realizada pelo império britânico aconteceu em
Gallipoli durante a Primeira Guerra Mundial. A operação envolveria mais
de 6.000 soldados, na maior parte canadenses da 2a Divisão canadense,
comandada pelo General John Hamilton Roberts, transportados por uma frota de cerca de 230 embarcações. Além
disso, um forte contingente de pára-quedistas e tropas aerotransportadas
secundariam o
ataque. Os planejadores estavam certos de que era
imperativo que um ataque que incorpora-se modernas técnicas militares fosse
realizado antes de ser preparada uma tentativa séria para derrubar a “Muralha
do Atlântico” de Hitler, a gigantesca
linha fortificada que ele fez construir ao longo da costa francesa.
Contrariando
o previsto, a força de bombardeiros pesados da RAF encarregados no plano
original de destruir as
fortificações do porto antes do desembarque das tropas não poderia ser usada.
O chefe do Comando de Bombardeio da RAF, Marechal Arthur Harris, negou-se,
terminantemente, a que seus aviões fossem desviados da tarefa específica de
bombardear as cidades e centros industriais da Alemanha para auxiliar na operação
contra Dieppe.
Este fato introduziu uma modificação substancial nos planos da operação. Por
decisão de Mountbatten, planejava-se que o grosso das tropas fosse lançado em
ataque direto sobre as praias situadas em frente ao porto, onde estava
concentrada a maior parte das defesas alemães. Sem a intervenção dos bombardeiros, os soldados
iriam enfrentar uma mortífera resistência por parte
das baterias e metralhadoras montadas nos redutos e casamatas de concreto
armado.
Apesar de tudo, Mountbatten
e os chefes presentes resolvem levar adiante a
operação. Confiavam que o fator surpresa compensaria a falta de apoio do bombardeio
aéreo. Além disso, várias esquadrilhas de caças Hurricane se encarregariam
de
metralhar em vôo rasante as fortificações no momento antecedente ao
desembarque. Nesta
operação pela primeira vez tanques seriam desembarcados diretamente nas praias
para apoiar a infantaria. Havia um sentimento que esta inovação asseguraria o
sucesso de qualquer tentativa de desembarque.
Caças
Hurricanes
dariam apoio as operações de desembarque em Dieppe
Assim
se ultimaram os preparativos finais do ataque, cuja realização foi fixada para
as primeiras horas do dia 4 de julho de 1942. Na mesma noite do dia 3, o chefe
supremo da operação, Lord Mountbatten, visitou a frota para despedir-se
pessoalmente das tropas que partiam rumo à ação. Ele dirigiria as operações
de uma central de comandos, situado na Inglaterra. O comando direto das forças
atacantes ficava a cargo do General Roberts, que estabeleceu seu Q-G no destróier
Calpe.
Meia-noite chegou. Nessa hora, fixada para a partida, os barcos permaneceram imóveis.
Um acontecimento inesperado havia alterado os planos previstos. Quando Lorde
Mountbatten voltou ao porto, depois de sua visita aos barcos, recebeu uma
comunicação urgente do chefe das tropas aerotransportadas que participariam da
operação, informando-o que, de acordo, com o boletim meteorológico, as condições
do tempo não permitiram a ação dos pára-quedistas.

O mau tempo prolongou-se até 5 de julho. Nesse mesmo dia, também, o Serviço
de Inteligência recebeu a notícia que a 10a Divisão Panzer, alemã, acabava
de ser transferida para a cidade de Amiens, situada a 8 horas de marcha de
Dieppe. Como fôra planejado manter as tropas durante 15 horas em território
francês, os alemães estavam agora em condições de aniquilar com seus carros
blindados as forças atacantes. Os chefes britânicos decidiram então alterar o
plano e reduzir o prazo de permanência de suas tropas em Dieppe. Fixou-se a
nova data do ataque dia 07. Emitiram-se as ordens correspondentes às unidades.
O desalento, contudo, espalhou-se pelo Alto-Comando. No dia 6, Lord Mountbatten
manteve uma conferência no Ministério da Guerra com os chefes de Estado-Maior
e anunciou que resolvera suspender temporariamente a operação e dispensar as
tropas, no caso de que o ataque não pudesse ser realizado no dia 8. No dia
7
de julho de 1942, a operação foi adiada por 24 horas, primeiramente devido a
condições de tempo desfavoráveis e então foi adiada indefinidamente depois
que às 6 da manhã de 7 de julho,
quatro aviões da Luftwaffe apareceram inesperadamente sobre a zona onde estava
concentrada a frota e bombardearam os transportes Princess Astrid e Princess
Losephine Charlotte. Os dois barcos foram atingidos pelos projéteis e o
Princess Josephine sofreu graves avarias. As tropas que se achavam a bordo
tiveram que ser transportadas imediatamente para a terra. A este fato somou-se
uma nova piora nas condições do tempo. A sorte da operação contra Dieppe
estava selada. Nesse mesmo dia, Lord Mountbatten cancelou definitivamente o
ataque e ordenou o desembarque de todas as tropas.

“Operação
Jubilee”
Porém a pressão política
russa e americana continuou a aumentar e a opinião pública inglesa também
exigia uma ofensiva. Pressionados Churchill e os altos chefes das forças
armadas britânicas voltaram suas atenções mais uma vez para um ataque anfíbio
a Dieppe. Esta era a forma mais rápida a responder a tanta pressão.
Embora a seleção e
o planejamento originais da operação fossem do C. O. H. Q. um comitê inter-serviço
com representantes da RAF, do Exército e da Marinha Real tinha sido formado
para melhorar o plano original e fazer com que a operação fosse menos
dependente de fatores climáticos.
As tropas
aerotransportadas foram eliminadas e substituídas por duas unidades de
“comandos”, a Força de “Comandos” n° 3 e n° 4, cuja missão seria
apoderar-se das baterias costeiras situadas nas localidades de Berneval e
Varengeville, a leste e a oeste de Dieppe. O Commando Nº 4 seria acompanhado
por um contingente de cerca de 50 “Rangers” americanos. Três batalhões da
2a Divisão canadense faria o ataque principal, contra o porto, apoiados por um
batalhão de tanques pesados Churchill. Outros três batalhões, da mesma
unidade, realizariam desembarques secundários sobre os flancos de Dieppe, numa
manobra destinada a envolver, pela retaguarda, as posições alemães. A operação
repousaria, principalmente, sobre o fator surpresa, pois, tal como no projeto
anterior, não se poderia contar com o apoio da aviação de bombardeio, nem com
grandes unidades da esquadra.
A força de agressão
era constituída de uns 6,000 soldados, apoiados por cerca 3,000 marinheiros na
força naval. A RAF iria contribuir com 65 esquadrões de RAF de caças,
bombardeiros pesados e caça-bombardeiros. Não se pensava que Dieppe seria
pesadamente defendido e foi considerado que, com o apoio dos tanque nas praias, os
canadenses teriam condições de alcançar os seus objetivos dentro do prazo.
Rumo ao
objetivo
Navegando a meia velocidade, rumo ao objetivo, a canhoneira SGB 5, sob o comando
do Comandante Wyburd, encabeça uma flotilha integrada por 23 lanchas de
desembarque. A bordo vão 460 homens da Força de “Comando” n° 3. Sua missão
consiste em destruir as baterias alemães montadas em Berneval, a leste de
Dieppe. Ao cruzar o campo de minas espalhado frente à costa, a flotilha
manobrou, dispersando-se. Na confusão resultante, muitas lanchas atrasaram-se,
e apenas 15 continuaram navegando atrás do SGB 5. Além disso, a flotilha não
havia conseguido estabelecer contato com os dois destróieres encarregados de
protegê-la. O começo da operação não era promissor. Apesar de tudo, os
chefes resolveram que ela devia ser levada adiante.
Um inesperado
acontecimento, contudo, veio frustrar seus propósitos. Pouco depois das três
da madrugada estourou, repentinamente, uma bengala de luz diante das embarcações
britânicas. Quase imediatamente uma chuva de projéteis caiu sobre os barcos.
Uma trágica coincidência ocorrera. Um comboio alemão, integrado por cinco
transportes e três caça-submarinos, havia cruzado, acidentalmente, a rota da
frota de invasão. Os barcos alemães concentraram o fogo sobre a canhoneira e
em poucos minutos atingiram-na várias vezes, ocasionando muitas vítimas entre
a tripulação. Ainda quatro das lanchas de desembarque foram atingidas pelos
disparos e ficaram seriamente danificadas. O violento encontro cessou em poucos
instantes quando as naves alemães se retiraram. O chefe da força de
“comandos”, ante as perdas sofridas, decidiu não realizar a operação
planejada.
Não pôde,
contudo, comunicar sua decisão ao comando supremo, pois o transmissor de rádio
da canhoneira fôra destruído no combate. Por sua vez, tampouco os barcos alemães
puderam transmitir o alarma aos comando da defesa costeira em Dieppe, pois seus
transmissores também foram avariados pelo fogo britânico. A surpresa,
portanto, continuava sendo possível. Nem todas as lanchas retornaram à
Inglaterra, no entanto. No transcurso do combate, cinco embarcações,
escoltadas por um torpedeiro, haviam prosseguido sua navegação rumo à costa
francesa e se dirigiam, em linha reta, para o objetivo determinado. Outra
lancha, a LCP 15 (lancha de desembarque de infantaria), também conseguiu
infiltrar-se através do comboio alemão e seguiu o mesmo rumo das anteriores. A
bordo iam 17 soldados e três oficiais da Força de “Comandos” n° 3, sob o
comando do Major Peter Young. Este grupo seria protagonista de uma incrível façanha.
Pouco depois das 4 da madrugada, a LCP 15, silenciosamente, deslizou sobre a
areia de uma pequena praia, situada três milhas a leste de Dieppe, nas
proximidades de Berneval. Rapidamente, os “comandos” desembarcaram e
correram através da praia. Depois de cruzar os alambrados de arame farpado,
escalaram a escarpa que se erguia à sua frente. Em seguida, ocultando-se entre
as moitas, aguardaram a chegada de seus companheiros. Às 5h30 da manhã, as
cinco lanchas restantes tripuladas por 96 “comandos” e 6 “rangers” se
aproximaram da praia em formação de leque. Sua chegada, no entanto, não havia
passado inadvertida para os alemães; 150 soldados alemães estavam prontos e os
aguardavam, entrincheirados em seus ninhos de metralhadoras. Quando as lanchas
chegaram a uma distância de 100 metros, os alemães desencadearam um fogo mortífero,
com todas as suas armas. Os projéteis varreram as águas em torno das embarcações
e penetraram através dos cascos atingindo numerosos soldados. As lanchas, no
entanto, continuaram avançando e chegaram à praia. Os “comandos”
sobreviventes lançaram-se sem vacilar à terra, disparando seus
fuzis-metralhadoras contra as invisíveis posições alemães. Alguns
“comandos” conseguiram alcançar o início da escarpa e lançaram suas
granadas contra as metralhadoras alemães ali montadas. O “ranger” Edwin
Loustalot jogou-se sobre uma das metralhadoras, porém mal chegou a alcançá-la.
Cego pelos projéteis, caiu morto a poucos metros dela. Loustalot foi o primeiro
soldado americano morto em terras européias.
Enquanto isso, os
“comandos” sobreviventes haviam-se entrincheirado nos acidentes naturais da
escarpa e resistiram ao ataque alemão. Ali permaneceram até as 10 horas da
manhã, quando, depois de serem atacados por três companhias de infantaria alemães,
depuseram as armas, entregando-se. O pequeno grupo comandado pelo Major Young,
entretanto, havia conseguido infiltrar-se para o interior e, guiado por um civil
francês, alcançou o povoado de Berneval, onde a população os recebeu
entusiasticamente. Young, numa decisão audaz, resolveu lanças seus 20
“comandos” ao ataque contra a bateria situada a poucos quilômetros do
povoado. Deslocando-se silenciosamente através do matagal, os “comandos”
tomaram posição a uns 200 metros dos canhões alemães. Enquanto isso, os
soldados alemães, em número de 200, sem perceber a presença dos
“comandos”, estavam entregues às tarefas de rotina. A um sinal de Young, os
20 “comandos” abriram fogo sobre a bateria. A inesperada descarga ocasionou
muitas baixas entre os desprevenidas forças alemães. Contudo, a reação não
se fez esperar. Acreditando estarem sendo atacados por forças muito superiores
à reais, os artilheiros alemães giraram seus grandes canhões para o lugar de
onde provinha o ataque.
Dada a proximidade
do alvo, as peças de artilharia foram ineficazes. Os projéteis, passando sobre
os “comandos”, explodiram a mais de 2 km às suas costas. Esse singular
combate entre um punhado de homens e uma bateria de canhões de grosso calibre
prolongou-se por mais de uma hora. Young conseguiu assim cumprir com a missão
designada para a Força de “Comandos” n° 3: impedir a ação dos canhões
de Berneval sobre a frota de invasão que, nesse momento, estava em frente de
Dieppe. Às 8h20 da manhã, os 20 “comandos” e seu chefe, alguns
deles feridos, chegaram à costa e reembarcaram na lancha que os aguardava.
Todos conseguiram regressar à Inglaterra.
Luta em torno de Dieppe 
No instante em que esses fatos se desenrolavam, a Força de “Comandos” n° 4,
liderada pelo Tenente-Coronel Lovat, executava a incursão contra
a bateria “Hess”,
situada em Varengeville, a leste de Dieppe. Este grupo era integrado por 245
“comandos”, 6 “rangers” americanos e 2 membros das forças do General De
Gaulle, que atuavam como guias. As tropas de Lovat se dividiram em dois grupos e
desembarcaram em duas praias distantes entre si poucos quilômetros. O primeiro
contingente, integrado por 70 homens, desembarcou pouco depois das 4 horas da
madrugada e, sem ser descoberto, avançou para o interior, com a missão de
realizar um ataque frontal contra a bateria, para distrair sua guarnição.
Simultaneamente, o resto das forças (170 soldados, sob as ordens de Lord Lovat)
se deslocaria num movimento envolvente, pela retaguarda, para atacar os canhões.
Enquanto o grupo de entretenimento fazia fogo sobre as posições alemães,
defendidas por 112 soldados, as tropas de Lovat se dispuseram numa distância de
quase 300 metros da bateria. Nesse momento, tal como havia sido planejado, várias
esquadrilhas de caças Hurricane atacaram inesperadamente, e metralharam as posições
inimigas. Quando cessou a ação dos aviões, os “comandos” se lançaram ao
ataque, com baioneta calada, e aniquilaram a guarnição alemã. Somente quatro
alemães sobreviveram e foram levados como prisioneiros. Os seis grandes canhões
e as instalações da bateria foram dinamitados. Às 7h30 da manhã os
“comandos” reembarcaram e abandonaram a costa. As forças da 2a Divisão
canadense, por sua vez, haviam entrado em ação. Nas praias da localidade de
Puits, desembarcaram, debaixo de uma mortífera chuva de fogo disparada das
casamatas alemães, mais de 500 soldados do Royal Regiment of Canada. O ataque
fracassou por completo. Os homens não conseguiram avançar além da praia e
foram praticamente aniquilados. Apenas 65 soldados chegaram às lanchas que não
haviam sido afundadas e regressaram para a Inglaterra.
Este desastre teve
decisiva influência nos acontecimentos posteriores, pois o Royal Regiment havia
recebido a missão de destruir as baterias localizadas no espigão oriental de
Dieppe. Não podendo concretizar seu objetivo, as tropas que deviam desembarcar
ficavam portanto, expostas ao fogo dessas baterias. Simultaneamente, outras duas
unidades canadenses, o South Saskatchenwans Regiment e o Cameron Highlanders of
Canada, atacavam do oeste as posições alemães. Esse ataque, apesar de alguns
êxitos iniciais acabou por estancar-se ante a rápida reação dos alemães. A
localidade de Pourville foi conquistada, porém as forças canadenses não
conseguiram abrir caminho até Dieppe. Submetidas a um violento contra-ataque
alemão, recuaram até as praias para reembarcar, desafiando o fogo das unidades
alemães. As lanchas se aproximaram da costa protegidas por alguns destróieres
e trataram de recolher os sobreviventes que, com água na altura do peito,
tentavam alcançá-las. Inúmeros soldados, entretanto, caíram vitimadas pelos
disparos dos alemães. Uma reduzida força de retaguarda, comandada
pelo Tenente-Coronel Merritt, cobriu a retirada dos combatentes até o último
instante. Às duas da tarde, tendo já esgotado praticamente as munições, e
com uma grande quantidade de feridos em suas fileiras, esse punhado de bravos
rendeu-se aos alemães. Esse segundo fracasso selou definitivamente a sorte das
unidades encarregadas de realizar o ataque contra o porto de Dieppe.
Morte nas praias
Paralelamente às operações descritas, desenrolou-se o ataque principal. Foi
realizado contra a praia situada à frente da cidade de Dieppe. Cerca de 2.000
soldados da 2a Divisão canadense, a bordo de dezenas de lanchas de desembarque,
aproximaram-se da costa, numa frente de 4 km de extensão. Atrás deles
navegavam os transportes de tanques conduzindo, ao todo, 46 carros blindados
Churchill.
As tropas da primeira onda de invasão estabeleceriam uma cabeça-de-ponte na
praia. Em seguida, os destacamentos de sapadores e engenheiros abririam brechas
no paredão que separava a praia da zona urbana. Imediatamente, os tanque s
desembarcariam e, passando através das brechas, apoiariam o avanço da
infantaria.
As unidades encarregadas do ataque foram, no setor oeste da praia, os Essex
Scottish e, no oeste, o Royal Hamilton Light Infantry. Como reserva, o General
Roberts manteve, embarcados, os Fuziliers Mont Royal, para lança-los na luta no
setor que conseguisse romper primeiro.
As lanchas de assalto se aproximaram da praia e, exatamente às 5h12 da manhã,
os quatro destróieres que apoiavam o ataque romperam fogo contra as fortificações
costeiras. No mesmo momento, os alemães replicaram com um bombardeio violentíssimo
que apanhou as barcaças pelos lados e pela frente. Do ar, os Hurricane
metralhavam incessantemente as baterias e redutos inimigos, e outros aviões lançaram
cortinas de fumaça para proteger as tropas.
Oito minutos mais tarde, quando as lanchas estavam a apenas 200 metros da praia,
duas luzes de bengalas vermelhas explodiram no céu. Com esse sinal, os
Hurricane e os destróieres cessaram o fogo. Chegara o momento do desembarque.
As tropas ficaram surpresas com a interrupção do bombardeio. Ninguém, salvo
os chefes de regimentos, havia sido informado de que a aviação suspenderia o
apoio às tropas no momento mais crítico da ação, quando atingissem as
praias. Contudo, os ataques dos Hurricanes haviam conseguido neutralizar em
parte a reação dos defensores alemães. Esse fato permitiu aos soldados
canadenses da primeira leva chegar às praias e entrincheirar-se ao longo do
paredão. Quinze minutos depois, três transportes de tanques embicaram com as
proas na areia e depois de baixar suas rampas, começaram a desembarcar os
carros blindados. Logo depois encostou a segunda seção de tanques. Vários
navios, entretanto, haviam sido atingidos e afundados pelo fogo alemão.
Às 6h da manhã, 28 tanques estavam na praia. A maioria deles, porém,
imobilizados pelas avarias causadas pela artilharia alemã. Continuavam,
contudo, fazendo fogo com seus canhões. Uma terrível confusão
reinava nas
praias. Centenas de soldados canadenses haviam tombado vítimas dos disparos
alemães. Os mortos e os feridos espalhavam-se pela areia. As baterias alemães,
localizadas sobre os espigões de ambos os lados da praia, concentravam um fogo
devastador sobre os atacantes. Os gemidos dos feridos mesclavam-se com o
estrondo dos disparos das armas de todos os calibres.
No flanco esquerdo, alguns homens do Essex Scottish conseguiram cruzar a
esplanada situada além do paredão e atingiram a zona urbana. Logo, no entanto,
foram obrigados a recuar. A maioria, porém, havia siso aniquilada. Essa incursão
motivou uma informação errada que chegou ao Calpe. Com efeito, a mensagem
enviada ao General Roberts dizia que o Essex Scottish havia conseguido abrir
passagem para a cidade. O chefe canadense, então, decidiu lançar na luta a sua
reserva (Fusiliers Mont Royal) e os últimos tanques, na direção do setor
onde, supostamente, o Essex havia rompido a defesa inimiga. O tempo urgia. Se a
cidade não caísse até as 9 horas da manhã era de se esperar um violento
contra-ataque no qual as forças aliadas corriam o risco de serem aniquiladas.
De fato, estava a caminho do local da luta a 10a Divisão Panzer, cuja chegada
estava calculada para as 12 horas. A retirada, portanto, devia efetuar-se, no máximo,
até as 11 da manhã.
Os Fusiliers Mont Royal, a bordo de 24 lanchas de assalto, rumaram para a costa.
A violência do fogo alemão e a correnteza impediram que a flotilha se
aproximasse da zona determinada previamente. As tropas, em vista disso,
desembarcaram no flanco oposto. Ali, foram surpreendidas por um terrível
bombardeio que lhes ocasionou elevadas perdas.
Culmina a tragédia 
À medida que transcorriam as horas, fazia-se mais real o fracasso da operação.
Nenhum dos objetivos previstos havia sido alcançado. Uma completa desorganização
reinava nas fileiras aliadas. O General Roberts havia perdido o controle de suas
forças e carecia totalmente de informes acerca do que estava acontecendo nas
praias. Algumas mensagens de rádio chegavam a bordo do Calpe mas só contribuíam
para aumentar a incerteza do comandante. Os Royal Hamilton Light Infantry,
apoiados pelos Fusiliers Mont Royal, haviam conseguido, após encarniçado
combate corpo a corpo, apoderar-se de parte do edifício do Cassino, situado na
praia e, protegidos pela sua estrutura, avançaram sobre a cidade e penetraram,
em número reduzido, até as ruas centrais. Contudo, foram rapidamente rechaçados
pelos alemães. Este fato deu margem a outra desastrada confusão. Às 8h17,
recebeu-se no Calpe uma mensagem da terra, anunciando que o setor oeste da praia
estava sob firme controle. Com base nessa informação, que não tinha a menor
realidade, Roberts tomou nova e infeliz decisão. Enviou rapidamente sua última
reserva (Royal Marine “Comando”). Essa força, assim que chegou à praia,
foi praticamente exterminada.
Ao receber a notícia
deste último e trágico acontecimento, Roberts, desesperado, compreendeu a
amplitude do desastre. Resolveu então unir-se a seus homens, na praia, porém,
ao tentar embarcar em um dos lanchões, o jovem oficial que o comandava negou-se
a transportá-lo, dizendo: - Sinto muito, senhor... Não posso levá-lo sem
ordem do comandante naval...
Ao General Roberts restava apenas uma saída: ordenar a imediata retirada de
todas as tropas que ainda combatiam. Se não fizesse isso, aqueles homens
estavam condenados à morte. A senha da retirada “Vanquish” foi pronunciada.
Eram 11 horas.
Às 10h22, o Capitão Hughes-Hallett ordenou às suas unidades rumar para as
praias. Era necessário evacuar daquele inferno aquelas centenas de homens que
ainda lutavam, sem nenhuma esperança.
As lanchas de desembarque foram dispostas em dois grupos, com a missão de
resgatar as tropas nos dois setores em que a praia havia siso dividida. Sob o
bombardeio constante das unidades alemães, iniciou-se a dramática operação.
A primeira leva de lanchas alcançou a praia debaixo de um terrível fogo
cruzado das baterias alemães. Amparados por cortinas de fumaça lançadas pelos
aviões britânicos, centenas de homens correram pela praia, ocultando-se por trás
dos tanques destruídos, numa tentativa derradeira para alcançar as lanchas que
os aguardavam. Os alemães suspenderam, então o fogo. Quando os soldados
aliados estavam mergulhados na água, reiniciaram-no com violência inaudita. O
episódio converteu-se num verdadeiro massacre de homens, sem possibilidade de
defender-se. Durante longos minutos as metralhadoras fizeram muitas vítimas.
Um pouco depois das 13 horas, o destróier Calpe internou-se através da fumaça
para realizar uma última inspeção das praias. A ausência de sinais de vida
indicava que tudo estava concluído. No entanto, cerca de 70 homens, em sua
maioria feridos, restavam estendidos na praia, impossibilitados de qualquer
movimento.
O Calpe virou bruscamente e se afastou a todo vapor. Os alemães, então, avançaram
lentamente para as praias e desarmaram os feridos que ali estavam.Vinte minutos
depois, um pombo-correio, lançado do destróier Fernie cruzava o Canal da
Mancha rumo à Inglaterra. Levava uma mensagem do Tenente-Coronel Churchill
Mann. Anunciava a derrota. O informe, contudo, terminava numa valente invocação:
“Sentimos muito não ter podido concretizar nossas esperanças... A Marinha
executou um grande trabalho... Desejamos tentar outra vez!”.
O regresso
Para trás ficara o inferno das praias de Dieppe. Milhares de homens mortos,
feridos e prisioneiros, foi o preço pago pela audaciosa incursão que britânicos
e canadenses haviam realizado na costa da França. As perdas sofridas superavam
tremendamente as previsões dos planejadores da operação. Às vésperas do
ataque calculou-se que as forças empenhadas no desembarque sofreriam 10% de
baixas em homens e de 10 a 20% em material de tanques e veículos blindados. O
resultado real, catastrófico, superou amplamente as cifras citadas, Mais de 60%
dos homens e todos os tanques haviam ficado nas praias de Dieppe. Da 2a Divisão
canadense integrada por mais de 4.000 soldados, apenas regressaram 1.000 homens
em pé, e 600 feridos. A unidade que com tanta coragem havia enfrentado a sua
primeira prova de fogo estava praticamente reduzida a nada.
Precedidas pelos destróier Calpe, em que viajava o General Roberts e o Capitão
Hughes-Hallett, as embarcações repletas de homens extenuados e feridos se
aproximaram da costa britânica ao cair da tarde do trágico 19 de agosto.
Havia-se planejado, em princípio, que a frota se dirigiria ao porto de Newhaven
para desembarcar ali os feridos. Os médicos, no entanto, aconselharam que
fossem transportados diretamente ao porto de Portsmouth, onde os destróieres
poderiam atracar nos cais; assim se evitaria o penoso transbordo dos muitos
feridos cujo estado era desesperador.
Em Portsmouth, ao se receber a notícia da iminente chegada dos sobreviventes de
Dieppe, foram organizados aceleradamente os serviços de auxílio necessários.
Todas as ambulâncias civis e militares foram enviadas ao porto. Cinco hospitais
da cidade prepararam instalações de emergência para receber as vítimas. Médicos,
enfermeiras e pessoal auxiliar trabalharam sem descanso, ao chegarem os feridos,
durante a noite. Nas salas de cirurgia, as mesas estavam continuamente ocupadas.
Um médico, verdadeiro herói anônimo, realizou 167 cirurgias numa só noite. O
esforço sobre-humano do pessoal médico rendeu frutos. Muitos dos homens,
condenados a morrer, tiveram ali a vida salva.
A operação Dieppe foi objeto de muitas críticas. O General Roberts, que havia
liderado o ataque, assinalou claramente os erros, que a seu ver não devia
repetir-se. Em primeiro lugar, os tanques apenas deviam ser empregados em operações
de desembarque que tivessem por fim estabelecer uma frente permanente de invasão,
e não em reides de curta duração. Além disso, antes de desembarcar unidades
blindadas, teria que assegurar-se uma cabeça-de-ponte sólida. As lanchas de
desembarque teriam que ser protegidas com blindagens e armadas com artilharia
defensiva para proteger os homens que transportassem. Não devia ser levado em
conta, tampouco, como elemento determinante, o efeito que porventura pudesse
causar nas populações das cidades costeiras uma intensa ação de bombardeio,
prévia ao desembarque.
Os que ficaram...
 
Enquanto em Londres, o Alto-Comando britânico estudava os fatos e recapitulava
a experiência, em Dieppe, 2.000 soldados prisioneiros, britânicos e
canadenses, marchavam para o cativeiro. Muitos deles, desprovidos de uniformes,
seminus, pois haviam se despojado das roupas para poder salvar-se a nado ao
serem afundadas sua embarcações. Depois de curta permanência nas cercanias do
porto, onde foram submetidos aos primeiros interrogatórios, os homens foram
separados em dois grupos, antes de serem enviados aos campos de prisioneiros. Os
oficiais partiram em diversos comboios, sob forte escolta, até um campo de
reclusão, na Baviera. Os suboficiais e soldados rasos foram enviados para a
Alemanha oriental, onde permaneceram até o fim da guerra.

Um episódio insólito foi protagonizado pelos oficiais aliados prisioneiros. O
Serviço de Inteligência alemão, ao interrogar os soldados alemães que haviam
estado temporariamente em poder os ingleses, em Dieppe, foram informados por
estes acerca do tratamento que haviam recebido; contaram que haviam sido
manietados. Isto, efetivamente, se havia feito, a fim de impedir que
atrapalhassem a ação dos britânicos. O Comando alemão, no entanto,
considerou que se tratava de uma violação das leis internacionais, e decidiu
tomar represálias: comunicou que colocaria a ferros todos os soldados
aprisionados em Dieppe. O Ministério da Guerra inglês emitiu um comunicado
anunciando que, se havia existido uma ordem de manietar os prisioneiros, esta
seria cancelada. No dia seguinte os alemães anunciaram que deixariam sem efeito
a represália. A 7 de outubro, porém, voltaram atrás, e declararam que todos os
oficiais capturados seriam acorrentados. O governo britânico, como
contra-medida, ordenou que um número equivalente de prisioneiros alemães fossem
assim submetidos ao mesmo tratamento. Assim, os 300 oficiais canadenses e
britânicos, recolhidos na Baviera, foram separados do resto dos prisioneiros e
acorrentados. Quando aumentou o número de soldados alemães prisioneiros, nos
anos posteriores, a medida foi tornada sem efeito
pelos alemães.
As forças frente a frente e o número de baixas
O curto, porém violento combate de Dieppe ocasionou grande quantidade de baixas. As forças aliadas, principalmente, tiveram suas fileiras dizimadas. Os alemães, por sua vez, também sofreram as conseqüências do combate. Não escapou sem dano a população civil apesar de ter-se mantido afastada, de modo geral, da zona da luta. As unidades canadenses, principalmente, suportaram o preso da batalha e foram praticamente exterminadas. O total dos efetivos empregados na operação pelas unidades aliadas e as baixas sofridas foram as seguintes (no gráfico baixo).
As forças alemães totalizaram 600 baixas entre mortos e feridos. A população civil registrou 40 mortos e 40 feridos.
|
|
Efetivos
|
Baixas
|
% de baixas
|
|
Unidades Navais
|
3.875
|
550
|
14.5
|
|
Canadenses
|
4.963
|
3.367
|
68
|
|
Comandos
|
1.075
|
247
|
22.9
|
|
Rangers americanos
|
50
|
13
|
26
|
|
RAF
|
1.179
|
153
|
13
|
Resultados
Quase 4,000 canadense
e britânico tinham sido mortos, feridos ou levados prisioneiros. Os canadenses
perderam dois terços da sua força, com 907 mortos em combate ou que depois
morreram devidos os ferimentos. O General Roberts se tornou o bode expiatório
oficial da operação e nunca mais voltou a comandar tropas novamente em campo
de batalha. Um ano depois, em 19 de agosto, uma pequena caixa chegou até posto
de trabalho. Seus conteúdos um pedaço pequeno de bolo passado - uma lembrança
cruel da tentativa dele para impulsionar moral da tropa na fase preparatória
quando disse: "não se preocupem rapazes. Será como um pedaço de bolo!"
O que saiu errado? A
operação foi um desastre tático e os alemães infligiram uma derrota homérica
aos aliados. Com o benefício da compreensão pós-operação, é evidente que o
plano de agressão final continha muitas falhas:
A inteligência
provida às tropas de assalto foi muito pobre. A informação sobre as defesas
alemãs era desesperadamente obsoleta, enquanto a informação mais atualizada
estava disponível no ULTRA(o super-secreto sistema de quebra de códigos
alemães Enigma). Infelizmente estas informações atualizadas nunca chegaram
até os comandantes da operação.
O ataque só seria
viável sob certas condições de tempo e maré. Estas condições (maré cheia
e o amanhecer próximo) eram bem conhecidas tanto das forças alemãs como também
dos planejadores britânicos. Não era surpreendente que durante estes períodos
de ameaça potencial as forças alemãs estivessem em alerta máximo. Apesar disto
o plano contou com a surpresa tática.
No pós-guerra alguns
acreditam que a retirada da força de bombardeiros foi o fator decisivo para o
fracasso da operação. Porém é bom destacar que os bombardeiros não eram uma
ferramenta de fogo de precisão necessária em Dieppe. Era
preciso fixar um
ponto de pressão nos defensores alemães para mantê-los imobilizados. E isto
poderia ter sido feito não com os pesados bombardeiros da RAF, mas com os navios mais pesados da Royal Navy.
Se estes estivessem estado presentes
poderiam ter controlado com seu poder de fogo as cabeças-de-praia até
que as tropas britânicas estivesse bem perto de desembarcar. Mas a marinha não queria
colocar os seus principais navais em risco durante uma operação
"experimental".
A operação era
fortemente dependente de um cronograma extremamente apertado em seus vários
componentes - havia pequena ou nenhuma margem para erros ou atrasos sem que isso
causasse sérias conseqüências. O efeito desta fraqueza foi agravado por
comunicações pobres que não informavam os oficiais superiores do que estava
acontecendo na frente de batalha.
Lições aprendidas
Depois do ataque a
Dieppe os planejadores Aliados revisaram a suposição de que seria necessário capturar
intacto um porto importante numa invasão a Europa. Um porto era
necessário por questões logísticas para dar suporte ao desenvolvimento das
operações.
Assim como a opção
da captura de um porto importante fora colocada de lado diante da experiência em
Dieppe, se tornou imperativo leva o porto junto com a força de invasão e a
partir daí deu-se prioridade ao desenvolvimento dos portos Mulberry, do PLUTO
(Pipe-Line Under The Ocean - Era um oleoduto submarino que corria sob o canal da
Mancha até Cherbourg.), e de outras iniciativas especiais que depois contribuíram
para o sucesso da invasão da Normandia.
Também foi percebido
que a inteligência precisava melhorar de forma significativa - não só a
respeito das
forças de defesa inimigas, mas também das condições topográficas em e
ao redor da área de desembarque. Foram revistas e aperfeiçoadas as comunicações
para que os comandantes da operação e as tropas de assalto pudessem se
comunicar melhor e as decisões de comando precisavam de uma melhor organização.
Era também necessário prover as tropas de infantaria de armas que pudessem
enfrentar de alguma forma as forças blindadas e os bombardeiros da área de
desembarque deveriam ser mais precisos e pesados. Existia também a necessidade de
contar com uma frota permanente, altamente adestrada, de embarcações de
assalto, que incluísse naves de todos os tipos.
Todas essas considerações
serviram para elaborar as táticas e criar as armas que seriam usadas mais tarde
nas operações de desembarque na África do Norte, Itália e Normandia.
Quem sabe quantas
vidas foram economizadas em outros desembarques anfíbios, como resultado das
lições aprendidas em Dieppe? O ataque também teve conseqüências para as forças
alemãs. A sua exagerada confiança na capacidade de resistir a uma força invasão
por mar cresceu e eles vieram a acreditar que uma invasão Aliada inevitavelmente
incluiria a tentativa de conquistar uma área com boas instalações portuárias. Assim sendo eles se
concentraram subseqüentemente em prover defesas mais fortes ao redor dos portos
principais em detrimento das praias abertas da Normandia.
O sacrifício de Dieppe não havia sido em vão.
Dieppe,
setembro de 1944
Em 20 de agosto de 1944 o General Montgomery emitiu uma ordem
histórica, quando os aliados já tinham conseguido sair da cabeça-de-praia na
Normandia e estavam se dirigindo pela costa francesa em direção da Bélgica. Atento
a rendição humilhante
sofrida pela 51ª Divisão Highland na cidade de St. Valery em 1940, e ao ataque
sangrento da 2ª Divisão canadense na costa francesa de Dieppe em 1942, Montgomery
ordenou que estas duas unidades fossem responsáveis pela libertação das
respectivas cidades. De forma jubilosa a 51ª Divisão Highland tomou St. Valery
e em 1 de setembro a 2ª Divisão canadense chegou a Dieppe. A guarnição alemã, sabiamente
fugiu. A Divisão parou para se reorganizar; como outras formações canadenses
na luta pela Normandia, a divisão tinha sofrido muitas baixas em duros
combates. Montgomery, a frente de todas as forças Aliadas em terra na França,
enviou uma mensagem ao General Crerar, comandante dos canadenses, ordenando que
ele não parasse. Crerar explicou que a divisão tinha necessidade de cerca de 1000 substituições, e que não havia nenhum ponto
para pressionar até que o cruzamento do Somme tivesse sido assegurado. Em 3
de setembro, a 2ª Divisão canadense marchou triunfalmente pelas ruas de Dieppe,
depois dos serviços religiosos em um cemitério onde 800 homens da divisão
tinham sido sepultados. Montgomery tinha ordenado ao General Crerar,
que ele assistisse a uma conferência na Sede Tática do Segundo Exército britânico,
mas Crerar escolheu assistir a cerimônia em Dieppe, e bateu continência
enquanto a 2ª Divisão marchava diante dele.

A força de ataque:
Comandantes
Comandante-chefe: Major-General John Hamilton Roberts.
Chefe da força naval: Capitão John Hughes-Hallett.
Unidades da
segunda Divisão Canadense:
Cameron Highlanders of Canada: Ten.Cel. Alfred
Gostling.
Fusiliers Mont Royal: Ten.Cel. Menard.
Royal Hamilton Light Infantry: Ten.Cel. Labbat.
Royal Regiment of Canada; Major Douglas Gate.
Essex Scottish: Ten.Cel. Jasperson.
South Saskatchewan Regiment: Ten.Cel. Merritt.
Toronto Scottish Machine Gun Regiment: Ten.Cel. Guy Gostling.
Royal Canadian Engineers: Major Sucharov.
Galgary Tanks: Ten. Cel. Andrews.
Efetivos: 4.963 oficiais e soldados.
46 tanques Churchill.
Comandos:
Commando n° 3: Ten.Cel. Durnford Slater.
Commando n° 4: Ten.Cel. Lord Levat.
Commando 40
Royal Marine.
Tropa 3 do Commando No. 10 (Inter- Aliado)
Commando No. 30
Contingente de Rangers americanos: cerca de 50 homens.
Efetivos: 1.075 oficiais e soldados.
Frota
de invasão:
Transportes
de infantaria: Prince Albert, Glengyle, Queen Emma, Princess Astrid, Duke of
Wellington, Prince Charles, Prince Leopold, Princess Beatrix e Invicta.
Destróieres: Calpe (capitânia), Fernie, Brocklesby, Garth, Bleasdale,
Berkeley, Albrighton e Slazak (polonês).
Total de embarcações: 237.
Apoio
aéreo:
A
RAF operou com cerca de 65 esquadrões: 42 estavam equipados com o Spitfire Mk
Vb, 4 com o Spitfire Mk IX, 2 com o Spitfire
Mk VI, 8 esquadrões eram de Hurricane Mk II, 4 esquadrões de Boston III, 2
esquadrões de Blenheim IV, 2 esquadrões de Mustang Mk fora reconhecimento
tático, 3 esquadrões de Hawker Typhoons, 24 B17Es e várias unidades ar-mar de
resgate.
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Assunto DIEPPE
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