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MERCENÁRIOS
Segundo
o dicionário Michaelis mercenário vem do latim mercenariu, que no campo bélico
significa "soldado que, por dinheiro, serve a um governo estrangeiro".
Os
mercenários estão envolvidos nos conflitos humanos desde a antiguidade.
Lutaram ao lado dos gregos (sabe-se que mercenários hebreus lutaram para os
gregos, e que os gregos também usaram macedônios), dos persas (cavaleiros citas e infantes gregos), dos
cartageneses de Aníbal (lanceiros da Gália, Espanha e Núbia) e romanos (os
romanos chegaram a usar tribos germânicas para protegem suas fronteiras), entre outros.
Na Europa
renascentista, os monarcas da França, Holanda, Espanha Inglaterra e Áustria
organizaram exércitos regulares comandados pela nobreza (cuja arma era a
cavalaria) e formados por uma infantaria de mercenários que podiam ser suábios
albaneses, suíços, irlandeses, valáquios, turcos, húngaros ou italianos.
Mercenários irlandeses e escoceses, os famosos Gansos Selvagens - "Wild Geese",
serviram ao rei Gustavus Adolphus da Suécia e a vários reis
franceses.Os
exércitos de mercenários, eram a norma e não a exceção na Europa nesta época
até a criação dos exércitos integrados pelos cidadãos de cada país, no
século XVIII. No
Japão dos Shoguns, mercenários europeus lutaram a serviço de vários senhores
da guerra, muitas vezes em lados opostos.
No século XVI surgiram algumas Companhias de Segurança Privada quando o mercantilismo se espalhou pela Itália. As famílias de comerciantes rivais contratavam mercenários para prover segurança as seus negócios e atacar os concorrentes. Depois, nos séculos seguintes as companhias de exploração colonial como a Dutch Jan Compagnie e a British South Africa Company, bem como depois a British East India Company e a Dutch East Indies Company, tinham elementos de segurança própria, que não faziam parte de suas forças nacionais. Normalmente os mercenários eram usados como unidades de elite ou como conselheiros.
No Brasil eles estiveram presentes especialmente no período colonial e imperial. Muitos deles foram usados pelos holandeses da poderosa Companhia das Índias Ocidentais para conquistarem o litoral do Nordeste brasileiro. Os mercenários a serviço dos holandeses no Brasil era principalmente italianos, franceses, irlandeses e alemães. Este perfil heterogêneo, aliás, não se restringia aos soldados. Muitos eram os oficiais estrangeiros a serviço dos holandeses, tal como o polonês Christoff Arciszewsky.
Mercenários apareceram em outros momentos da nossa história como a tropas de cerca de 1.500 mercenários ingleses, chefiados por Lorde Cochrane que foram usados para combater a Confederação do Equador. Em 1823 foram formados batalhões mercenários, formandos principalmente com mercenários alemães e irlandeses. Devido a duros castigos físicos e precárias condições de aquartelamento, ocorreu uma rebelião desses soldados no Rio de Janeiro em 1828, que determinou a extinção desses batalhões. Aos soldados alemães foi dada a opção de localização em lotes coloniais na província de Santa Catarina.
Muitos mercenários alemães
(hessianos) lutaram ao lado da Inglaterra na guerra de independência americana. Após a
guerra muitos ficaram nos EUA e se tornaram cidadãos americanos.
África
– Os cães de guerra :
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Mercenário operando em angola na década de 1970. |
Nas décadas de 1960 e 1970 os mercenários eram aventureiros, anarquistas e megalômanos, que normalmente freqüentavam bares em Johannesburg ou ficavam nos pubs de Londres, esperando que tocasse o telefone para partir numa aventura de guerra em alguma parte do mundo. Eles vendiam seus serviços de soldados em troca de pagamento, mas também gozavam o direito de saquear os bancos centrais das capitais onde combatiam e furtar diamantes. Lutaram nos mais diversos lugares, especialmente na África, como Biafra, Katanha, Congo-Belga e Angola.
No Congo entre os mais famosos que participaram dos combates estão "Mad Mike" Hoare (que exigia disciplina rígida a sua tropa, e atirava pessoalmente contra quem o desobedecia) e o seu Comando 5, "Black Jack" Schramme e Bob Denard, este dois franceses que tinham lutado e perdido guerras coloniais na Indochina e na Argélia.
Esses mercenários vinham dos mais diferentes lugares, mas eram
principalmente britânicos, belgas, franceses e alemães. Eles fizeram muito
alvoroço contra os africanos, usando colunas
de
Quando os Gansos Selvagens organizaram um ousando e perigoso assalto a centenas de milhas selva a dentro para resgatar mulheres brancas que estavam em acampamentos de mineração, ameaçadas de estupro e chacina nas mãos do rebeldes de Simba, ficaram famosos e saíram nas manchetes mundiais.
Devido
à boa preparação dos seus oficiais, formados, na sua maioria, na Inglaterra,
o exército da Biafra utilizou em combate pouco mais de algumas dezenas de
militares estrangeiros. Ao contrário das guerras do Congo, onde os mercenários
dominaram em todos os postos, na Biafra só serviram militares experientes em
operações de “comandos”.
Distinguiram-se o alemão Rolf Steiner, comandante do 4° Comando (expulso, em
desgraça, por insubordinação), o galês/sul-africano “Taffy” Williams, o
belga Marc Goosens (morto em combate), o corso Armand “the
brave” Iaranelli e o rodesiano Johnny Erasmus.
Em
meados da década de 1960, mercenários da África do Sul e da Rodésia
comandados por "Mad Mike" Hoare, combateram guerrilheiros sob o
comando do Che Guevara no Congo. Um dos mais famosos mercenários brancos da África
lançara-se contra um dos mais famosos revolucionários latino-americanos —
embora sequer soubessem da presença um do outro. A força cubana finalmente
retirou-se em novembro de 1965, depois que a ação terrestre — e as negociações
diplomáticas fora do país — tornaram sua posição indefensável. Os EUA contrataram, discretamente, mercenários coreanos, filipinos e
tailandeses para combater junto a seus soldados na guerra do Vietnã.
Muitos também foram os mercenários que lutaram em Angola, Moçambique e na Namíbia a serviço da África do Sul e da CIA. Esses mercenários eram geralmente sul-africanos, rodesianos e ingleses. Muitos desses rodesianos eram ex-membros dos Selous Scouts. A Rodésia também usou mercenários (sul-africanos, ingleses, alemães, etc.) em sua luta contra os rebeldes.
Uma
nova face para os mercenários
Devido
as suas ações de assassinatos, golpes e contra-golpes nos anos 1960 e 1970,
principalmente na África, quando se pensa em mercenários, a imagem que nos vem
a mente é de um tipo sem escrúpulos,
cheio de cicatrizes de guerra, armado até os dentes e disposto a matar em troca
do melhor salário, um verdadeiro cão de guerra.
Na verdade a todas as forças de segurança não governamentais que operam para governos estrangeiros e empresas podem ser classificadas em quatro grupos:
ATIVIDADE DE COMPANHIAS MILITARES E DE SEGURANÇA
Atividade
de Apoio Operacional
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Private
Military Companies (PMC)
|
|
1.
Combate: Prover suporte ou participa de operações militares
governamentais. |
Sandline International; Reino Unido. Executive Outcomes (Pty), Ltd.- EO (extinta); África do Sul. The Jedburgh Group; Florida, EUA Lubrinco
Group, Ltd.; Pennsylvania, EUA |
|
1. Treinamento militar & Assistência: Prover treinamento for forças militares estatais, incluindo forças especiais e grupos de elite, abrangendo uso de armas, táticas e estrutura da força. 2. Aquisição: Compra direta ou aconselhamento. 3. Análise Militar: Avaliação e estimativa de ameaças para os governos. |
Defence
Systems, Ltd.
(DSL) Military Professional Resources, Inc. - MPRI; Alexandria, VA, EUA Saladin Security, Ltd. uma subsidiaria daKMS); London, Reino Unido Control
Risks Group (uma
subsidiaria da Hogg Robinson Insurance, e Network
Holdings, Ltd.); Reino Unido Vinnell Corp. (uma subsidiaria daTRW & BDM International); Fairfax, VA, EUA BDM International (aka) Braddock, Dunn and McDonald Inc.; McLean, VA, EUA Sandline International; Reino Unido Executive Outcomes Ltd. - EO (extinta); África do Sul Strategic Applications International Corp - SAIC Levdan Rapport
Research and Analysis Lonrho |
|
1. Logística: Inclui entrega de equipamentos, proteção humanitária, participação de operações de pacificação da ONU. 2.
Resolução pós-conflito: Restabelecimento da infraestrutura
publica e limpeza de minas terrestres.. |
Defence Systems Ltd. - DSL Brown and Root; Houston, TX, EUA Pacific Architects and Engineers - PAE DynCorp (pilotos); Reston, VA, EUA Saracen Saladin
Security, Ltd.; Reino Unido |
|
1. Proteção e Segurança Comercial: Proteção de propriedades e pessoal. 2. Análise de Riscos: Avalia a insegurança e a instabilidade de áreas de interesse do cliente para investimentos e operações futuras. |
Kroll Associates, Inc. - O'Gara Protective Services; New York, EUA Saladin Security, Ltd.; Reino Unido KMS
(parte da Saladin Security, Ltd.) Defence Systems Ltd. - DSL Control Risks Group - CRG Rapport
Research and Analysis Group
4 Sandline
International Rapport
Research and Analysis LifeGuard
Management Corps
of Commissionaires |
|
1. Inteligência Privada/Corretores de Informações: Investigação e levantamento de inteligência contra crimes praticados contra as companhias, como extorsão, fraude, contaminação de produtos, entre outros. As operações de inteligência envolve análise de clientes em potencial, possíveis sócios e análise da interferência política nas ações comerciais. 2. Resposta a Seqüestros: Negociação e aconselhamento em situações de reféns. |
Kroll
Associates, Inc. Saladin
Security, Ltd. Control Risks Group - CRG Network
Security Management Argen Carratu
International Asmara Executive Outcomes (Pty) Ltd. - EO (extinta); [África do Sul Neil
Young Associates Oxford
Analytica Economist Intelligence Unit Interfor |
Existem também, é claro, certas diferenças na estrutura das PMCs. Algumas são capazes de operar em vários países ao mesmo tempo, cumprindo contratos bilionários com governos e multinacionais, como a MPRI, a Sandline e a DSL, outras empresas apenas se autodenominam PMCs, mas na verdade são pequenas firmas mercenárias de fachada que só existem durante a sua missão como a Stabilco, Secrets, Security Advisory Services Ltd, e a Special Projects Services Ltd.
Um
coisa que muitos esquecem, é que as PMCs, não são capazes de realizar
qualquer tarefa. Mesmo para as grandes, seria difícil manter mais de um
regimento de "contratados" em ação em vários lugares. As PMCs também se classificam
conforme a sua atuação em empresas ativas (provêem treinamento, armas,
equipamentos e combatem) e as passivas (normalmente provêem treinamento e
assessoria e não combatem).
No Brasil, estamos acostumados às empresas comerciais que cuidam da segurança das residências, dos supermercados, das agências bancárias, dos transportes de valores e das pessoas sob risco de seqüestro para o fim único de extorsão patrimonial. Por aqui, não conhecemos as PMCs transnacionais, sediadas no Primeiro Mundo. Aquelas que prestam serviços comerciais e proclamam seguir o modelo militarizado dos "capacetes azuis" da Organização das Nações Unidas (ONU). Essas multinacionais contam nos seus quadros com generais reformados, plenos de experiências adquiridas em diferentes campos de batalha e carregados de medalhas por bravura.
Não
fossem as formalidades e as cláusulas dos contratos sociais de constituição
– que as colocam na legalidade como pessoas jurídicas –, poderiam ser
confundidas e passar por associações hierarquizadas de mercenários.
Ingenuidade de lado, as PMCs também assumem a condição de longa manus da CIA
norte-americana ou do MI6 britânico.
Como regra, as PMCs são
contratadas para treinar tropas de países pobres ou em desenvolvimento –
marcados por reais ou potenciais conflitos internos, protegem a vida de líderes de governo,
dão segurança para empresas transnacionais,
seus funcionários e instalações e até para o corpo diplomático de certos
países.
Se necessário, entram em combate sem a
menor cerimônia. Matam e morrem, não
por uma causa, mas por dinheiro, é bom bom deixar claro.
Como
vimos as PMCs são muito requisitadas por grupos econômicos, que exploram
pelo Terceiro Mundo, rendosas atividades extrativas. Os mencionados grupos econômicos
sentem a necessidade de proteger a posse de áreas e os seus prepostos, esses na
condição de residentes estrangeiros. Nessa situação, por exemplo,
encontram-se os representantes de cerca de 600 sociedades comerciais que, desde
o tempo da colonização francesa, exploram, em grandes fazendas, a cultura do
cacau na Costa do Marfim.
Pode-se afirmar ainda que as PMCs
já viraram moda na África e na Ásia e isso quando ficam na alça de mira
pessoas que precisam ser mantidas vivas, pois são fundamentais na abertura ou
na manutenção de negócios e interesses geopolíticos.
Para se ter uma idéia, até o
corpo de funcionários e de voluntários da Unicef, enviados ao Afeganistão e
ao Paquistão, foi garantido pelas PMC. No caso, pela britânica L´Armor Group
e pela americana Armor Holdings e durante os conflitos envolvendo os
norte-americanos, os talebans, o chefe e os membros da Al-Qaeda.
Coube à
Vinnell Corporation Fairfax, com sede na Virgínia, formar e adestrar a Guarda
Nacional da Arábia Saudita, incumbida de amparar o soberano doente, parte da
sua família real e alguns dos sucessores de sangue azul.
Formada
por oficiais militares que ocuparam postos de importância no Pentágono e estão
na reserva, a Military Professional Ressources Inc (MPRI) constituiu, treinou e
monitorou grupos armados que lutaram ao lado dos separatistas na ex-Iugoslávia.
A
mencionada MPRI já formou grupos de combatentes para ações no Kuwait, na Colômbia,
na Guiné Equatorial e na Nigéria, isso depois da morte do ditador-general Sani
Abacha.
ucranianos.
Na Colômbia, a British Petroleum - BPcontratou os serviços de segurança da DSL-Defense Systems Limited britânica para prover, através de sua subsidiária DSC-Defence Systems Colombia segurança para suas instalações e o seu pessoal no local. A DSC treinou e equipou um batalhão da policia para realizar essa tarefa. A DSL já deu treinamento em operações anti-insurgentes às forças da segurança do Sri Lanka, Papua Nova Guiné, Angola e Moçambique.
Na Libéria, as plantações de borracha da Firestone são guardadas por um pequeno exército privado. Em Angola, outra firma americana, a Airscan, foi contratada pela Chevron para proteger as instalações petrolíferas de Cabinda. Esta empresa vigia a totalidade do enclave com os seus aviões Cessna-337 apetrechados com os mais sofisticados sistemas eletrônicos de detecção militares, os mesmos que utiliza, nos EUA, para proteger as bases de mísseis e outras instalações militares "sensíveis" por conta da Força Aérea americana, o seu principal cliente.
Dentro
da Lei (?)
Na
verdade a maioria de seus negócios
das PMCs são obscuros e não se fala explicitamente em cifras, serviços e clientes.
Muitas dessas companhias, contudo, podem ser encontradas em vistosos sites na
internet. Desnecessário dizer, é rara a menção de termos como ''guerra'' e
''combate'', substituídos por expressões como ''transição para a
democracia'' e outras similares. O sigilo é grande mesmo entre as empresas que
admitem publicamente que fazem ''operações especiais'', como a inglesa
Sandline.
Em
uma entrevista um dos diretores da Sandline, se negou a informar os locais onde
a empresa atuava em 2003. ''Nossos contratos são feitos em regime de sigilo com
os governos que são nossos clientes. Tudo que posso dizer é que atualmente
trabalhamos em dois continentes'', declarou por telefone o executivo, sem entrar
em detalhes. Ele garante, contudo, que a seleção dos clientes é rigorosa.
''Trabalhamos somente para governos legítimos e eleitos democraticamente.'' Ele
esclareceu que sua empresa não trabalha contra os interesses do governo inglês
''e, em última instância, contra nenhum governo'', repetindo o coro de outras
empresas contatadas. Uma advertência do governo inglês desencorajou que a
firma prestasse ajuda a rebeldes de Kosovo.
Essas
empresas porém muitas vezes estabelecem suas próprias regras. ''As companhias maiores tendem a
ser mais éticas, mas há outras - e muitos indivíduos - que desafiam a lei'',
explica o cientista político Doug Brooks, do Instituto Sul-Africano de Assuntos
Exteriores, um especialista nas PMCs. Essas firmas menores se ocupam de tarefas
como limpeza de campos minados e segurança de instalações industriais, mas
sua menor visibilidade as exime de compromissos humanitários que impediriam
empresas maiores de aceitar certos trabalhos.
Substituindo
os capacetes azuis
O
caso de Serra Leoa mostra como os novos mercenários podem ser úteis para a
paz. O país atravessava uma guerra sangrenta desde o início da década de 90.
Em certo momento, considerou-se chamar a ONU para conter a onda de crimes bárbaros
perpetrada pelos rebeldes da Frente Revolucionária Unida (FRU).
Em
1995, o governo contratou um batalhão de 300 homens da firma sul-africana
Executive Outcomes para acabar com o conflito. Por cerca de US$ 2 milhões
mensais e trabalhando com o Exército local, ela pacificou o país em pouco mais
de um ano. Realizaram-se as primeiras eleições democráticas em décadas,
enquanto os rebeldes ficaram acuados numa parte
isola
da do país. A semanas de
uma provável vitória final, a Executive Outcomes foi convidada a deixar o país,
em parte devido à pressão internacional. Com a saída da EO os combates
voltaram e eram contatos milhares de mortos no novo conflito.
Tropas
africanas a serviço da ONU foram enviadas depois e não fosse a intervenção
do Exército inglês com a colaboração
de mercenários, a situação em Serra Leoa não seria controlada.
O
episódio mostra falhas no modelo das ações de paz da ONU. Não há uma força
constantemente mobilizada e eficiente. Cada vez que uma tropa de paz é necessária,
a corrente burocrática de pedidos entre o organismo e vários países do mundo
retarda o desembarque, muitas vezes com conseqüências trágicas.
''As
PMCs são mais baratas e eficientes. O simples fato de que elas conseguem
cumprir as missões de paz já justifica seu uso'', garante Brooks. O
especialista, contudo, defende que a a ONU mantenha seu ''papel político'' na
resolução de conflitos. Uma ação conjunta, afirma, poderia evitar novos genocídios
como o de Ruanda, em 1994.
De acordo com dados apurados, a Executive Outcomes chegou a ser sondada pela ONU para resolver o problema de Ruanda. Segundo uma análise da empresa, ela poderia armar uma operação em duas semanas e terminar o genocídio em seis. O massacre se estendeu por dois meses, deixando um saldo de um milhão de mortos e 2,3 milhões de refugiados.
Para quem se está trabalhando?
Para o mercenário profissional, o mundo pós-guerra fria provê bastantes clientes potenciais, via de regra governos depostas, empresas multinacionais que precisam de proteção para seu patrimônio e funcionários e o próprio crime organizado para se proteger de ações dos governos e de rivais (que também podem usar mercenários) contra seus negócios. O indivíduo ou a Companhia Militar Privada tem que se decidir sobre que tipo de trabalho estão preparados para fazer, e para quem trabalhar. Muitas são as Companhias Militares Privadas que trabalham diretamente para governos democráticos ou instituições internacionais como já vimos. Mas nem sempre o contratante se mostra claramente.
As vezes os governos usam firma mercenários em operações cobertas para apoiar a sua política externa, porque seria politicamente impossível para esses governos levarem a cabo operações com suas próprias forças armadas anonimamente. Se as coisas derem errado é só negar a sua participação. Este tipo de operação já aconteceu no passado, e seria ingênuo pensar que isto não pôde acontecer novamente. Um dos problemas para as firmas ou o mercenário individualmente, nestes casos é saber exatamente para quem realmente estão trabalhando. O real empregador pode se esconder atrás de uma cadeia de intermediários.
Outro problema relacionado com as PMCs é o que acontecerá se uma dessas empresas for contratada para prover armamento, treinamento e combatentes para um ditador ou um país radical, que pouco depois venha a sofrer sanções da ONU e uma intervenção militar. O que fará a PMC? Lutará contra os capacetes azuis? Enfrentará os EUA ou a OTAN? Provavelmente não, principalmente em se tratando das maiores que estão bem alinhadas com a política externa de seus países de origem com a DSL, a MPRI e DynCorp.
Principais
empresas PMC do mundo
MPRI
Se apresenta como "a maior conjunção empresarial de conhecimentos militares do mundo" e gaba-se de contar entre seus diretores e gerente de mais de 20 ex-altos oficiais americanos - e faz questão de salientar que não aceita nunca um contrato que não seja autorizado pelo Departamento de Estado dos EUA. Entre os seus membros esteve Alexander Haig, ex-Secretário de Estado dos EUA. A MPRI conta com cerca de 300 funcionários e uns 2.000 ex-oficiais do Pentágono em seu banco de dados.
Treinou,
equipou e superintendeu a reforma das Forças Armadas da Croácia pós-independência,
uma tarefa consentida e aprovada pelo Governo dos EUA, mas em que este não quis
envolver-se. 
Em abril de 1995, por ordem do governo de Bill Clinton, MPRI enviou uma equipe da MPRI à Croácia para preparar o exército derrotado do país a retomar uma iniciativa em sua guerra contra a Sérvia. Pouco depois, a Croácia lançou a Operação "Lightning Storm", uma sangrenta série de ofensivas que combinou tanques, artilharia e infantaria contra as forças sérvias entrincheiradas na disputada região de Krajina. Como conseqüência disto, o presidente sérvio, Slobodan Milosevic, teve que firmar, a contragosto, os Acordos de Paz de Dayton.
A sua intervenção em 1995 foi chave nos êxitos militares do exército croata contra os sérvios. A receita foi repetida na Bósnia, quando a mesmíssima empresa prestou os mesmos serviços ao novo Ministério para a Organização da Defesa da Federação Croato-Muçulmana.
A empresa fornece assessores, inclusive generais americanos reformados, para o Estado-Maior do Exército colombiano. Segundo informações cerca de dezesseis funcionários da MPRI já estão a exercer funções na Colômbia e relatam periodicamente suas atividades ao Pentágono. Os assessores privados estão a trabalhar em planificação de inteligência, logística e treinamento, mas outra parte de sua missão é complementar as tarefas da Secretaria da Defesa, que foram autorizadas pelo Congresso a fim de treinar e dotar de armamento três batalhões antinarcóticos do exército colombianoExecutive
Outcomes (EO) e Sandline International
A
EO tornou-se mundialmente famosa pelas suas intervenções nos conflitos
africanos, onde os seus mercenários, recrutados inicialmente entre os veteranos
do famigerado 32º Batalhão -"Batalhão
Buffalo" das SADF. Mas não
atuava isolada, fazia parte de uma nebulosa multinacional fundada em 1991 por
antigos oficiais dos serviços secretos britânicos e do SAS. Pagava entre 2 a 13
mil dólares mensais aos seus “contratados”.
A
EO e a Sandline - registrada em 1993 no Reino Unido sob o nome de Plaza 107 Ltd
- eram inicialmente uma só entidade (o que negavam ) e até 1996 ambas
funcionavam, com outras 16 empresas, no mesmo edifício em Londres (em King's
Road 535).
Dois
homens estiveram na origem do grupo: Tony Buckingham, antigo agente do SAS
reconvertido em empresário, dono da Heritage Oil Gas, com sede nas Bahamas e
ligada à canadiana Ranger Oil; e Simon Mann , ex-oficial britânico,
especialista em espionagem militar, com serviços prestados numa dúzia de países,
da Arábia Saudita à America Latina.
Buckingham
e Mann recrutaram Barlow e Lafras Luiting (ex-membros do Civil Cooperation
Bureau, que se notabilizou durante o regime do Apartheid) como dirigentes
operacionais da EO. A Ranger Oil foi a primeira empresa que recorreu aos seus
serviços em Angola, em 1993. A EO começou a intervir em Angola com 30 mercenários
e dois Beechcraft da Capricorn Air (fundada pelo excêntrico criador das SAS,
David Stirling, falecido em 1990) baseados em Lanseria (Joanesburgo). O êxito
foi tal que os contratos começaram a chover, desde o Governo angolano aos de
outros 30 países, na maioria africanos. O
governo angolano em 1993 buscou ajuda na OE para derrotar seu velho rival, o
movimento UNITA de Jonas Savimbi. Angola
pagou mais de US$ 30 milhões a esta corporação por um trabalho de poucos
meses, durante os quais tomou da UNITA o controle das instalações
petrolíferas da Gulf Chevron e da Sonangol, embora as tropas de Savimbi as
tenham reconquistado poucas semanas depois da retirada das tropas da EO.
A EO usou em suas operações em Angola cerca de 500 "contratados".
Em
1996, o grupo foi reorganizado. Plaza tomou o nome de Sandline. A EO, que só
aparece como cliente da Sandline e da Heritage, criou as suas próprias filiais
angolanas - Branch Energy e Diamond Works Angola (esta última ligada a uma
companhia canadense cotada na bolsa de Vancouver), que se lançam na exploração
dos diamantes nas Lundas. Uma operação de «cosmética» visando, segundo os
especialistas, aliviar a pressão das autoridades sul-africanas e salvar o seu
patrimônio dos «ciúmes da concorrência» e de empresas fundadas por
dissidentes da EO se estabelecem por conta própria, oferecendo, eventualmente,
os seus serviços ao campo adversário. Há indícios de que mercenários, ou
ex-mercenários da OE estejam a trabalhando em Angola ao serviço da UNITA e
no ex-Zaire, com os rebeldes e com Kabila.
Na
África do Sul, a nova legislação levou a EO a fechar as portas em 1999, mas a
imprensa sul-africana não acredita que seja por muito tempo. O “polvo” da
EO reaparecerá, mais tarde, num lugar onde poderá continuar as suas atividades
sem ser incomodado. Talvez em Hong Kong, ou na Ilha de Man, onde estavam
baseadas duas das mais antigas empresas de mercenários: a Jardine Securicor
Gurkha Services e a Gurkha Security Guards, que alugam os serviços dos famosos
guerreiros nepaleses, quando dão baixa do Exército britânico. A verdade é
que a EO e a Sandline são hoje uma empresa só para escapar de problemas
causados pela "lei antimercenários" da África do Sul.
Ambas
fazem parte da Corporation Strategic Resources. Esta, através de várias
sociedades com atividades que vão dos serviços de segurança (Sandline
Internacional e Life-Guard), ao transporte aéreo (Ibis Air), desarmamento de
minas, à informática, ao mercado financeiro e especialmente, à extração
minerária (Diamond Works, Heritage Oil & Gas, Branch Energy, etc.), é
controlada, por sua vez, pela Adson Holdings.
A
Sandline criou recentemente sérias dores de cabeça ao Ministro britânico dos
Negócios Estrangeiros, Robin Cook, acusado de ter contratado os serviços desta
empresa britânica de mercenários para intervir na Serra Leoa. Em causa estava
a violação do embargo decretado pelas Nações Unidas sobre a venda de armas a
este país africano. A Sandline é acusada de ter importado da Bulgária 35
toneladas de armas destinadas às milícias «kamajors» leais ao Presidente
Tejjan Kabbah, que combatem os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (FRU).
Uma
operação típica destas duas empresas aconteceu Serra Leoa em 1995: cerca de
300 homens da EO, além de fornecer assistência técnica, adestrar os recrutas
das forças armadas e das milícias tribais, lutou ao lado do exército que
combatia a guerrilha da Frente Revolucionária Unida. Os
homens da EO chegaram a Serra Leoa melhor equipados do que a maioria dos exércitos
da África. Eles
usaram dois helicópteros MI- 17 contratados e um MI-24 de Serra Leoa, um
sistema de interceptação de rádio, Boeings 727 para transporte de tropas e
provisões, uma aeronave Andover para evacuação de vítimas, e bombas de
ar-combustível (fuel air explosives, conhecidas como bombas FAE). Utilizadas
com resultados devastadores pelos Estados Unidos na guerra do Golfo, as bombas
FAE - cujo poder de destruição está apenas um degrau abaixo das armas
nucleares - absorvem o oxigênio depois de serem detonadas, matando todo tipo de
vida em uma área de uma milha quadrada. O pessoal da EO usava uniformes militares da Serra Leoa.
Esses homens também
protegiam as concessões minerárias da Branchs Energy. Por
cerca de US$ 2 milhões mensais e trabalhando com o Exército local, a EO
pacificou o país em pouco mais de um ano. Neste país, realizaram-se as primeiras eleições
democráticas em décadas, enquanto os rebeldes ficaram acuados numa parte
isolada do país. Perto de uma provável vitória final, a Executive Outcomes
foi convidada a deixar o país, em parte devido à pressão internacional.
Quando
em 1997, a Sandline substituiu a EO, foi estabelecida uma situação semelhante:
o contrato de engajamento pedia que governo de Serra Leoa fizesse concessões no
distrito diamantífero de Pujehun à Diamond Works da qual a Branch Energy é
subsidiária.
Em maio de 1998, a Sandline apareceu na grande crônica, quando foi revelada a sua participação na recolocação do presidente Kabbah no governo de Serra Leoa, derrubado um ano antes pelo militares. Com o tácito consenso do governo inglês e o suporte de seus serviços de segurança, a sociedade mercenária teria fornecido ao Exército comunitário dos países africanos (Ecomog) e às milícias tribais favoráveis ao presidente reposto, 35 toneladas de armas provenientes da Bulgária, monitoramento sobre o inimigo, pilotos para os aviões e helicópteros de combate nigerianos.
A revelação da colaboração entre a sociedade mercenária
e o governo trabalhista inglês causou escândalo no país, também porque
existiam sanções da própria Inglaterra, do Commonwealth e da União Européia,
proibindo qualquer fornecimento de armas à Nigéria. Ao final, essas armas
acabaram nas mãos da Nigéria pois, estranhamente, o Ecomog é formado, em sua
totalidade, por soldados nigerianos. Todavia, os diretores do Sandline não
deram sinais de preocupação e, aliás, no mês de outubro precedente, foram
convidados de honra e relatores no encontro sobre o papel das companhias
particulares nas estratégias de segurança, organizado em Washington pela
Defence Intelligence Agency (DIA), a contra-espionagem militar americana. Uma
verdadeira consagração oficial.
Defence
Systems Limited - DSL
|
|
Fundada
em 1981 por ex-membros do SAS, iniciou
suas atividades internacionais em 1986, com um contrato de adestramento de
alguns batalhões do exército moçambicano, então em luta contra os rebeldes
da Renamo. Seu fundador foi Alastair
Morrison, um herói do SAS e que já foi segundo-em-comando do 22 SAS. Morrison,
ficou famoso por participar do resgate do avião da Lufthansa, em 1977, no Mogadíscio,
Somália.
Em
1996, a DSL já tinha cerca de 20 subsidiárias e sucursais em 44 países e mais
de quatro mil funcionários, uma boa parte dele ex-membros do SAS. Entre os seus
clientes, constam agências das Nações Unidas, o Banco Mundial e companhias
petrolíferas multinacionais (especial a BP British
Petroleum, multinacional britânica da área petrolífera).
Em 1997, a DSL fundiu-se com a Armor Holdings, sociedade norte-americana com ações
nas bolsas que, através de outra associada americana, conseguiu contratos para
a segurança de muitas embaixadas dos EUA no Terceiro Mundo, entre as quais as
mais expostas e perigosas como as da Angola, Uganda, República Democrática do
Congo. A DSL também é especialista em resgate de reféns, negociação em
casos seqüestro, operações de inteligência e treinamento militar. Mas os
seus contratos mais importantes estão ligados a proteção de companhias de
petrolíferas e mineradoras.
A companhia
prestigiosa especializa-se no salvamento do refém, sequestra-se e ransom, operações
da inteligência e treinamento militar em 26 países worldwide. Os UN são também
um cliente. Entretanto, seu mercado mais importante é a proteção de
companhias do óleo e do mineral.
A
DSL tem um contrato de cerca de US$ 2 milhões com a BP para proteger suas
instalações e seus funcionários na Colômbia. A
DSL-Defense Systems Limited britânica prover, através de sua subsidiária
DSC-Defence Systems Colombia segurança para as instalações e o pessoal da BP.
Muitos dos funcionários da DSL/DSC são ex-membros do SAS e do MI6. A BP foi
acusada de usar os ex-SAS da DLS/DSC para treinar policiais colombianos em ações
anti-insurgentes visando proteger suas instalações petrolíferas. Enquanto
davam o seu treinamento o pessoal da DSL/DSC usava uniformes da policia
colombiana. A DSL no passado já deu treinamento em operações anti-insurgentes
às forças da segurança do Sri Lanka, Papua Nova Guiné, Angola e Moçambique.
Em Kinshasa, Congo, as subsidiárias de DSL, USDS e Sapelli SARL cujos os "contratados" normalmente portam Uzis roubam, estão protegendo as instalações que pertencem à SOCIR refinaria da Congo-SEP (subsidiária da companhia de petróleo belga Petrofina), e a embaixada dos EUA.
Entre os clientes da DSL podemos citar: De Beers, Shell, Mobil, Amoco, BP and Chevron; ONGs (CARE and GOAL), UNICEF, UNDP, UNHCR, UNAVEM e ONUMOZ.
A DSL também reivindica ter experiência na Argélia, Botsuana, Quênia, Malauí, Moçambique, Ruanda, Somália, Sudão e Uganda. Sua subsidiária francesa, CIAS, está tentando adquirir um contrato para proteger campos de petróleo no Chade Meridional e o porto de Kribi em Camarões. A DSL chegou a prover proteção VIP a Pricesa Diana quando de sua visita a Angola.
DynCorp
A
DynCorp é uma dessas grandes empresas da guerra, “tem uns 20 mil empregados
que trabalham em cerca de 50 países do mundo e seu faturamento anual e
de mais de US$ 1,2 bilhão, com 90% de
contratos com o governo dos EUA. Tem sua matriz em Reston, Virgínia,
e possui uma Base de Operações em Cocoa Beach, Florida. Em 7 de março de
2003 a DynCorp![]()
A DynCorp é uma empresa versátil que presta múltiplos serviços aos militares norte-americanos espalhados numas 1.500 bases em todo o mundo. Essencialmente, trata-se de uma companhia que recruta e contrata mercenários para o desenvolvimento de operações de guerra que, por circunstâncias diversas, não podem ou não devem ser executadas pelas forças regulares dos Estados Unidos. Durante mais de 50 anos a DynCorp foi uma empresa mundial que fazia serviços de manutenção para o exército dos EUA por meio de equipes contratadas no terreno (Contract Field Teams – CFTs). A DynCorp foi criada em 1946, um ano após o fim da II Guerra Mundial, por um grupo de pilotos norte-americanos que pretendia dedicar-se ao transporte de carga. A princípio chamou-se California Easter Airways Inc.
A partir de 1987 passou a ter o nome de DynCorp. Iniciou-se nesta linha de trabalho na Guerra da Coréia, de 1950 a 1953. Mais tarde participaram no Vietnam, de 1960 a 1975. Prestaram serviços nas guerras do Golfo Pérsico. Trabalharam na guerra de contra-insurreição em El Salvador, operaram na Bósnia e, hoje em dia, participam na execução do Plano Colômbia, dentre outras atividades.
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Soldado colombiana dá proteção a pilota da DynCorp em seu trabalho de pulverização. |
Na Colômbia a DynCorp é reconhecida como uma sociedade britânica, com sede em Aldershot Hampshire. A empresa DynCorp realiza algumas das missões mais arriscadas da ofensiva antidrogas. Os funcionários da DynCorp já tiveram, que atravessar o fogo rebelde para salvar a tripulação de um helicóptero derrubado pela guerrilha. Os serviços da DynCorp incluem trainamento de pilotos e tripulações helicópteros, controle aéreo, combate a incêndios, logística, construção civil, além de prover equipes SAR e C-SAR, mecânicos e pilotos (americanos, peruanos, equatorianos, guatemaltecos, brasileiros (?)) de helicópteros (normalmente helicópteros UH1H Iroguies e Bell 212 Huey) e aviões para as missões de transporte de tropas e equipamentos e fumigações (T-65 Air Tractor) dos cultivos de coca e papoula (matérias-prima da cocaína e da heroína, respectivamente), localizadas em regiões dominadas por grupos guerrilheiros de esquerda e paramilitares de direita.
Os críticos sustentam que os ‘‘mercenários’’ são usados em áreas sensíveis porque a morte de soldados norte-americanos na Colômbia não seria aceita pela opinião pública do país mais rico do mundo. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger teme que a ‘‘privatização’’ da assessoria militar esteja encobrindo o envolvimento direto na guerra colombiana. Ao contrário dos assessores do Exército americano, os terceirizados não estão proibidos de praticar combates.
Aquilo que as autoridades norte-americanas não querem reconhecer é que a DynCorp é uma das grandes empresas privadas do mundo de segurança e defesa. No Posto Avançado de Operações (FOL) dos Estados Unidos em Manta - Equador, a empresa se ocupa dos serviços de administração, manutenção de instalações e aeronaves, limpeza da pista, conservação das ruas da base, alimentação, protocolo, combustível e transporte. Ou seja, ela se apresenta como uma empresa de serviços que apóia o pessoal norte-americano.
No Timor Leste a DynCorp foi O principal contratada para fornecer dois helicópteros russos MI-26 Halo e mais dois helicópteros MI-8 Hip de transporte médio.Uma nova seção da pista de aterrissagem teve que ser construída no Aeroporto Komoro em Dili para acomodar os gigantescos MI-26. Os MI-8 chegaram primeiro e os MI-26 em meados de dezembro.Todas as quatro aeronaves apoiaram as missões da INTERFET de dezembro de 1999 até finais de fevereiro de 2000.
Blackwater Worldwide

Funcionários da Blackwater dão apoio a militares americanos nos combates em Faluja em 2004
http://www.blackwaterfacts.com/
Anteriormente chamada de Blackwater USA, é a mais poderosa de todas as PMC. Mudou o seu nome em 2007, trocando USA por Worldwide (mundial, em todo o mundo). A ameaçadora logomarca original – uma pata de urso estilizada com uma mira de arma sobreposta – se transformou em uma pata de urso menos agressiva dentro de dois semi-ovais vermelhos, revelando a idéia de um globo terrestre, como o novo nome apresenta – Worldwide –, que se assemelha ao da logomarca da ONU. Ironicamente, em seu website, a empresa se classifica como “guiada por integridade, inovação e um desejo de um mundo mais seguro”.
A Blackwater Worldwide foi fundada em 1997 por Erik Prince e Al Clark. Prince tem sólida formação empresarial e treinamento militar de ponta: Se formou na Academina Naval e foi integrante dos US Navy Seals, da US Navy, considerada uma das mais avançadas unidades americanas de operações especiais. Erik é um republicano convicto. Católico, pai de 6 filhos, divorciado e novamente casado, ele respondia até 2007 por 987 contratos oficiais no valor de US$ 1,2 bilhão.
A Blackwater já treinou dezenas de milhares de pessoas para trabalhar no ramo da segurança pessoal em áreas de conflito ao redor do mundo. A companhia mantém sua sede no estado da Carolina do Norte, no seguinte endereço: 850 Puddin Ridge Road Moyock, Carolina do Norte, EUA. Neste local funciona o Blackwater Training Center, que trata-se de um complexo (a mais ou menos meia hora de carro de Norfolk, Virginia) medindo 7.000 acres de área, que dispõe de uma pista de pouso com 1.800 metros, um “quartel-general”, inclui 300 quartos (alojamentos), estandes de tiro para armas de variados calibres e instalações para simulação de resgate de reféns. No complexo de treinamento, os seus funcionários são preparados para operar de forma efetiva nas mais diversas áreas em conflito ao redor do mundo e recebem treinamento específico em explosivos, tiro, abordagem de navios, resgate, etc.. Seus integrantes não são todos ex-soldados, mas todos possuem experiência militar. Para se juntarem a empresa os candidatos devem ser aprovados num curso de oito semanas de duração e que custa US$ 20.000,00. Muitos tem que vender bens, deixar seus trabalhos e se afastar de suas famílias. Normalmente a média de pessoas em treinamento é de 500. Somente pessoas autorizadas podem entrar na propriedade.
As instalações da companhia são tão modernas e bem equipadas que grupos de “Seals” da Base Naval Little Creek, localizada em Norfolk (Virgínia), costumam utilizá-las para adestramentos. Unidades policiais de todo os EUA também usam as instalações da companhia para realizar treinamentos especializados. A companhia treina mais de 40.000 pessoas por ano, oriundas do serviço militar e de diversas outras agências americanas.
A
empresa afirma que tem condições de fornecer:
- Treinamento Avançado: exercícios; homeland security (defesa
interna/defesa civil); operações de proteção; operações marítimas; law
enforcement (garantia da lei e da ordem/imposição da lei); estudo de línguas
estrangeiras;
- Mobilidade e Logística: gerenciamento de estocagem e distribuição;
mobilidade aérea; mobilidade terrestre; mobilidade marítima; gerenciamento de
cadeia de suprimento; manuseio de cargas especiais; gerenciamento de
construções;
- Tecnologia e Inovação: aquisição de alvos; veículos aéreos; transporte
terrestre; plataformas marítimas; blindagem e armamento; pesquisa e
desenvolvimento;
- Recursos Humanos e Recursos diversos: recrutamento de pessoal;
avaliação de pessoal; gerenciamento de programas; gerenciamento de material e
suprimento; recursos; emprego de cães com propósitos múltiplos.
A própria Blackwater Worldwide afirma que integra, efetiva e eficientemente, um largo espectro de competências, destinadas a prover soluções únicas, e em tempo, que excedem as necessidades e as expectativas de seus clientes. Se diz uma empresa guiada pela integridade, pela inovação e pelo desejo de um mundo mais seguro. Os profissionais da Blackwater Worldwide, segundo a mesma, dispõem de modernas instalações de treinamento, de equipes de gerenciamento de programas e sistemas de criação e produção de capacidades para a obtenção de soluções em padrão mundial. Seu diferencia, segundo a própria é uma sua liderança corporativa e um ambiente em família, composto por excepcionais profissionais, que são essenciais para a criação de valores fundamentais, tais como integridade, inovação, respeito, resultados e trabalho em equipe. Normalmente, a companhia mantém cerca de 3.000 integrantes atuando em regiões distantes em conflito em todo o mundo.
Subsidiárias
Como o novo nome e logo indicam, a Blackwater não mais apenas tem a intenção de “proteger os Estados Unidos”, mas também todo o mundo. Entre os novos projetos da empresa estão a criação da subempresa intitulada Greystone, registrada em Barbados, que oferece, em suas próprias palavras, “pessoal dos melhores exércitos de todo o mundo”; a Prince’s Total Intelligence Solutions, dirigida por 3 veteranos da CIA, que oferece serviços como os realizados pela CIA para corporações e governos; um serviço de aviação da Blackwater, que conta hoje com mais de 40 aeronaves, destinado a operações de pouso em locais de difícil acesso (recentemente, o Brasil vendeu o modelo Embraer EMB-314 Super Tucano à Blackwater).
Até 2008 as suas subsidiárias eram:
Blackwater Training Center (Que administra o seu centro de treinamento);
Blackwater Target Systems ()trabalha com sistema de armas);
Blackwater Security Consulting (Prover segurança para funcionários e instalações, e treinamento para forças de segurança. Também atua em catástrofe natuarais);
Blackwater K-9 (Treinamento e provisão de cães para diversos trabalhos como segurança, detecção de bombas e drogas, e várias outras funçõs de policiais e de guerra);
Blackwater Airships, LLC (Responsável pela criação de um dirigível remotamente pilotado);
Blackwater Armored Vehicle (Responsável pelo produção de veículos blindados como o APC Grizzly );
Blackwater Maritime Solutions (Oferece treinamento tático para proteção marítima);
Raven Development Group (Trabalha com gestão de construções civis e administração de subsidiárias);
Aviation Worldwide Services (Foi adquirida pela Blackwater em 2003. Possui três subsidiárias: STI Aviation - manutenção aeronáutica, Inc. Air Quest, Inc. - e Presidential Airways, Inc - Transporte de cargas);
Greystone Limited (Empresa de segurança que oferece pessoal para missões de pequena escala até grande mobilizações, para garantir um região).
A ascensão da Blackwater
A
Blackwater é uma das maiores beneficiarias da "guerra ao terror". Seus contratos
com o governo dos EUA, muitos sem licitação, se aproximam da cifra de um bilhão
de dólares. Embora a Blackwater obtivesse alguns contratos durante a era Clinton, que era
favorável à privatização destes serviços, foi no entanto com a "guerra contra o
terrorismo" que chegou o momento de glória da empresa. Quase do dia para a
noite, depois do 11/Set, a empresa transformou-se no ator chave da guerra
global. "Estou no negócio de formação militar desde há quatro anos e só agora
comecei a ter uma pequena noção de quão seriamente as pessoas encaram os
assuntos de segurança", disse Prince ao apresentador do noticiário da FOX, Bill
O'Reilly pouco depois do 11/Set. "Agora o telefone não pára de tocar".
De todas estas chamadas, uma era da CIA que acabou por contratar a Blackwater
para trabalhar no Afeganistão nas operações iniciais norte-americanas nesse
país. Nos anos seguintes a empresa converteu-se num dos grandes beneficiários da
"guerra contra o terrorismo", ganhando quase mil milhões de dólares em
contratos, que se conheçam, com o governo, muitos deles sem concurso público. Em
apenas uma década, Prince ampliou as instalações de Moyock para 7.000 acres, fazendo dessas instalações a maior base militar privada do mundo. A Blackwater tem neste momento 2.300 pessoas repartidas por nove países, e mais 20
mil prontos para entrar em ação. Possui uma frota de mais de vinte aeronaves,
incluindo helicópteros de combate, e uma divisão de inteligência própria, que
opera aeronaves de reconhecimento e sistemas de sinalização de alvos.
Em 2005, e depois do furacão Katrina, a suas forças deslocaram-se para New
Orleans cobrando ao governo federal 950 dólares por homem e por dia – chegando a
atingir mais de 240 mil dólares por dia. No seu auge, a empresa chegou a ter
cerca de 600 contratados distribuídos desde o Texas até ao Mississipi. Desde o
Katrina que a Blackwater tem desenvolvido uma atitude agressiva na obtenção de
contratos internos, abrindo uma nova divisão de operações nacionais. A
Blackwater está a promover os seus produtos e serviços junto ao Departamento de
Segurança Interna (Department of Homeland Security ), e os seus
representantes reuniram-se já com o governador da Califórnia, Arnold
Schwarzenegger. A empresa solicitou a obtenção de licenças para operar em todos
os estados costeiros norte-americanos, e está também a ampliar a sua presença no
interior dos EUA com a abertura de novas instalações em Illinois e na
Califórnia.
A Blackwater obteve o seu maior contrato do Departamento de Estado, que
consistiu no fornecimento da segurança dos diplomatas e das instalações
norte-americanas no Iraque. Esse contrato teve início em 2003, com um acordo
fora de concurso de 21 milhões de dólares, para protecção do procônsul no
Iraque, Paul Bremer. A Blackwater também forneceu a segurança dos embaixadores
seguintes no Iraque, John Negroponte e Zalmay Khalilzad, assim como de outros
diplomatas e funcionários do país ocupante. As suas forças protegeram mais de 90
delegações do Congresso no Iraque, incluindo a da sua actual presidente, Nancy
Pelosi. De acordo com os últimos registros governamentais, a Blackwater faturou,
desde Junho de 2004 até 2007, 750 milhões de dólares só em contratos com o Departamento
de Estado. A empresa se envolveu numa intensa campanha de
lobbying para que fosse enviada a Darfur como força de paz privada.
A Blackwater contratou desde o 11/Set, como executivos seniores, alguns altos
funcionários possuidores de bons contactos na administração Bush. Entre eles
encontra-se J. Cofer Black, antigo chefe do contraterrorismo da CIA e o homem
que levou a cabo a caça a Osama Bin Laden depois do 11/Set, e ainda Joseph
Schmitz, antigo Inspector Geral do Pentágono, responsável pelos acordos com as
empresas privadas de segurança, entre eles a Blackwater, durante a maior parte
da "guerra contra o terrorismo" – algo de que foi acusado de o não ter feito
eficazmente. Já no final da gestão de Schmitz no Pentágono, o poderoso senador
republicano Charles Grassley lançou uma investigação do Congresso para averiguar
se Schmitz tinha "abafado ou redirecionado duas investigações criminais em
curso" sobre altos cargos da administração Bush. Vendo-se debaixo de fogo
cruzado de ambos os partidos, Schmitz demitiu-se e entrou na Blackwater.
Apesar de ter desempenhado um papel central, a Blackwater esteve, de uma forma
geral, a operar na sombra até 31 de Março de 2004, precisamente quando quatro
dos seus soldados privados, em ação no Iraque, foram emboscados e mortos na
cidade de Faluja. Os cadáveres foram queimados por uma multidão que os arrastou
pelas ruas, pendurando dois deles numa ponte sobre o Eufrates. Este foi o
momento que, sob muitos aspectos, alterou o rumo da guerra no Iraque. Alguns
dias após estes acontecimentos, as tropas norte-americanas assaltaram Faluja,
matando centenas de pessoas e deslocando milhares, exacerbando assim a feroz
resistência iraquiana que assombra as forças de ocupação até aos dias de hoje.
Para muitos americanos esta foi a primeira vez que ouviram falar dos soldados
privados. "As pessoas começam a perceber que se tratava de um fenômeno
alargado", comentou o congressista David Price, um democrata de Carolina do
Norte, que disse ter começado a seguir o rasto das contratadas privadas depois
dos acontecimentos de Faluja. "Provavelmente sou como a maioria dos membros do
Congresso que apenas começaram a ter consciência e interesse por este assunto"
após este incidente.
O que não é do conhecimento geral é que, depois dos acontecimentos de Faluja, os
executivos da Blackwater puseram mãos à obra em Washington, no sentido de
capitalizar o recente reconhecimento da sua empresa. Um dia após a emboscada,
esses executivos contrataram a Alexander Strategy Group, uma empresa de
lobbying dirigida por altos funcionários do então líder da maioria
republicana Tom DeLay, antes do desmembrar desta empresa no auge do escândalo de
Jack Abramoff. Uma semana após a emboscada, Erik Prince sentava-se com pelo
menos quatro membros do Comitê do Senado para os Serviços Armados (Senate
Armed Services Committe), entre os quais se encontrava o presidente desta
comissão, John Warner. O senador Rick Santorum preparou o encontro em que, para
além de Warner, participavam também outros dois importantes senadores
republicanos – o presidente da Comissão Orçamental (Appropriations Committee)
Ted Stevens, do Alasca, e George Allen de Virgínia. Esta reunião surgiu após
uma série de anteriores contactos frente a frente que Prince promoveu com
poderosos representantes republicanos que tinham estado na supervisão dos
contratos militares, entre os quais DeLay; Porter Gross, presidente da Comissão
da Inteligência da Câmara (House Intelligence Committee) e futuro
director da CIA; Duncan Hunter, presidente da Comissão da Câmara para os
Serviços Armados (House Armed Services Committee); e Bill Young,
presidente da Comissão Orçamental da Câmara (House Appropriations Committee).
O que se discutiu nessas reuniões permanece secreto, mas a Blackwater estava
claramente a posicionar-se a fim de obter o máximo da sua nova fama. De facto,
dois meses depois destes contactos, a Blackwater obteve do governo um dos
maiores contratos de segurança internacional, avaliado em mais de 300 milhões de
dólares.
Além disso, a empresa estava igualmente muito interessada em ter um papel
determinante na configuração das regras que iriam regular os mercenários
contratados pelos EUA. "Devido aos acontecimentos públicos de 31 de Março, a
necessidade da Blackwater de ter alguma visibilidade e de transmitir uma
mensagem consistente aqui em Washington, aumentou", comentou o novo enviado da
Blackwater, Chris Bertelli. "Existem agora vários regulamentos federais que se
aplicam às suas atividades, embora sejam de natureza muito geral. Falta criar
um modelo padrão para este sector, e é precisamente nisto que na realidade
queremos participar". No mês de Maio seguinte, a Blackwater liderava já um
grande esforço de pressão política da indústria militar privada para conseguir
travar as iniciativas do Congresso e do Pentágono que visavam colocar as suas
forças sob a lei marcial do sistema judicial militar.
Problemas
Autoridades iraquianas há muito reclamam dos “disparos indiscriminados por parte de forças de segurança contratadas pelos americanos”. Dede 2005 até setembro de 2007, o pessoal da Blackwater esteve envolvido em 195 incidentes com troca de tiros; em 163 desses casos, funcionários da companhia atiraram primeiro; 25 de seus ex-integrantes foram despedidos por desrespeito às regras da companhia com relação ao consumo de álcool e drogas e 28 por incidentes envolvendo o emprego de armas de fogo. Em 17 setembro de 2007, a companhia teve revogada a licença para operar no Iraque, depois que disparos de armas de fogo realizados por alguns de seus funcionários mataram dezessete civis em Bagdá.
Em 05 de outubro de 2007, o Departamento de Estado anunciou novas regras para que funcionários armados da Blackwater possam operar no Iraque. De acordo com essas novas regras, agentes de segurança do Departamento de Estado irão acompanhar unidades da Blackwater que operam em Bagdá e seus arredores. O Departamento de Estado também irá instalar câmeras de vídeo nos veículos blindados da companhia.
Os contratos e subcontratos
A Blackwater estava trabalhando no incidente em Faluja em março de 2004 para uma empresa kuwaitiana chamada Regency, sob um contrato com a maior empresa de serviços de alimentação do mundo, Eurest Support Services. No Iraque a ESS é uma subcontratada da KBR e de outra enorme empresa contratada de guerra, a Fluor, sob o programa de contratos da LOGCAP do Pentágono. Um contrato que suportava a missão da Blackwater em Faluja revelava que essa missão era um subcontrato que tinha como contratada original a KBR. No verão passado a KBR negou isso. Depois a ESS escreveu a Waxman (deputado Henry Waxman que presidiu às audiências da Comissão de Supervisão das Reformas do Governo (Oversight and Government Reform Committee). As audiências previam tratar da dependência dos EUA de empresas privadas de segurança, e acabaram por se centrar quase exclusivamente na Blackwater e no incidente de Faluja), para dizer que a missão estava suportada pelo contrato da Fluor com a ESS. A Fluor negou, e o Pentágono disse a Waxman que não sabia a que empresa, afinal de contas, pertencia a missão. Waxman afirmava que a Blackwater e as outras subcontratadas estavam "a acrescentar margens significativas" aos seus subcontratos pelos mesmos serviços de segurança e que portanto, segundo ele, eram cobradas aos contribuintes norte-americanos. "É surpreendente como é tão turvo o mundo das contratadas e subcontratadas, não permitindo que cheguemos ao fundo deste assunto, e muito menos que possamos calcular os milhões de dólares perdidos pelos contribuintes em cada fase do processo de subcontratação", comentou Waxman.
Sucesso
Como vimos os conflitos no Iraque e no Afeganistão fizeram com que a Blackwater Worldwide se configurasse como parte do governo dos EUA – o seu braço paramilitar. A sua presença aumentou ao redor do mundo, participando da proteção de diplomatas e de outras atividades de segurança. Até 2007 a Blackwater possuía cerca de 1.000 contratados no Iraque. Seus integrantes geralmente estavam imunes às leis iraquianas, quando no cumprimento das tarefas previstas em seus contratos. A Blackwater Worldwide, atualmente, mantém um contrato com o Governo norte-americano para prover serviços de segurança no Iraque. Em 2006, a Blackwater venceu um contrato para proteger a Embaixada dos EUA no Iraque; para atuar no Iraque, A Blackwater recorreu ao seu banco de dados contendo um “pool” de aproximadamente 21.000 profissionais, muitos dos quais são ex-membros de forças especiais, ou ex-soldados de diversas especialidades e ex-policiais. A empresa confirmou que bósnios, filipinos e chilenos já foram contratados para cumprir tarefas de segurança diversas no Iraque. Estima-se que a Blackwater cobra do Governo norte-americano US$ 1.222,00 por dia por funcionário atuando no Iraque, o equivalente a US$ 445.000,00 por ano, ou seis vezes mais que o custo de um soldado americano.
O sucesso corporativo da Blackwater deixou claro que, na era da globalização, as guerras se tornaram apenas mais uma indústria a ser explorada. Os crimes e escândalos causados pela organização não impediu o seu progresso financeiro – pelo contrário, o contrato foi renovado com o Pentágono, como se tivessem passado no primeiro grande teste. Com a nova Blackwater, considerada a mais radical privatização na história dos Estados Unidos, em que mercenários se tornaram oficialmente parte do aparato de guerra do governo, abre-se um novo capítulo da política de guerra do país. Enquanto esse sistema não for derrubado, o mundo é o limite para a Blackwater Worldwide – e, como as mudanças mostram, eles sabem disso.
Erik Prince não gosta que “os rapazes da firma” sejam chamados de mercenários. “Mercenários são combatentes profissionais que trabalham para quem oferece o melhor salário; nós somos americanos garantindo a segurança de americanos em zonas de risco”, declarou em entrevista coletiva. Na ocasião apresentou números: em 18 mil missões realizadas não perdeu nenhum cliente. Um deles é o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, alvo de pelo menos cinco atentados conhecidos.
Outras empresas
Levdan
É
dirigida pelo ex-general israelense Ze'ev Zahrine. Muito conceituada no mercado
e com contratos com mais de 30 Governos em todo o mundo - não faz mistério das
suas excelentes relações com o Governo de Telavive, a Mossad e a indústria de
guerra israelita. Ele é especializada no treinamento de guardas de seguranças
presidenciais na África, e está unida a uma firma de comercialização de
diamantes, a Kardan Investiment, que - por seus serviços no Congo Brazzaville -
foi autorizada a realizar prospecções petrolíferas no país. Depois da queda
do presidente Lissuba, ela foi substituída por militares cubanos em troca de
uma notável soma de dólares e isso prova que o fenômeno dos mercenários não
depende de uma mentalidade colonialista ou de uma prática capitalista. Até
Fidel Castro usou e abusou dessa prática mercenária: basta lembrar que, nos
anos setenta e oitenta, Cuba exportou para Angola entre 20 e 40 mil cubanos para
sustentar o governo filo-comunista contra a UNITA que era subvencionada pela África
do Sul do apartheid e por Ronald Reagan.
Internacional
Defence and Security (IDAS)
Atuando
normalmente em Angola, a sociedade de capital belgo-holandês, Internacional
Defence and Security (Idas), conseguiu uma concessão diamantífera numa área
de quase 100 mil km2, por serviço em matéria de segurança.
Muitas dessas PMCs ambicionam prestar serviços para o governo federal brasileiro nos morros do Rio de Janeiro, na Tríplice Fronteira e, na região amazônica, em pontos da fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Mercenários
de sua Majestade
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Mercenário britânico operando no Oriente Médio na primeira década do séc. XXI. |
Muitos têm levantado
suspeitas de que várias Companhias Militares Privadas britânicas
são na verdade fachadas para as operações secretas do MI6. Essas empresas são
invariavelmente capitaneadas por ex-membros do SAS, e seus “funcionários
operacionais” também são homens que já serviram no SAS ou SBS.
Entre essas empresas podemos
citar a Keenie Meenie Services – KMS,
cujo nome é uma expressão Swahili para o movimento de uma serpente na grama.
Esse foi o nome dado as operações antiinsurgentes em ambiente urbano que o SAS
começou a desenvolver em Aden nos anos 1960 e depois passou a adota-las em vários
outros lugares, especialmente na Irlanda do Norte. A KMS atingiu o seu auge nos
anos 1980 e compartilhava os seus escritórios com outra empresa de ex-membros
do SAS, a Saladin Security. A KMS executava contratos internacionais e a Saladin
contratos internos. Essas duas empresas foram dirigidas pelo Maj. David Walker,
um especialista em América do Sul do SAS, pelo Maj. Andrew Nightingale do Grupo
de Inteligência do SAS e pelo detetive Ray Tucker, um especialista em assuntos
árabes da Scotland Yard. Com o fim da KMS em meados dos anos 1990, a Saladin
Security passou a trabalhar com contratos internacionais, especialmente no Sri
Lanka e no Oriente Médio.
A
mais antiga das “empresas” do SAS foi criada em 1967,
por Sir David Stirling, fundador do SAS. Ela se chamava WatchGuard International,
e era uma companhia que empregava ex-membros do SAS para treinar
militares dos sultanatos do Golfo Persa (geralmente para servirem como
guarda palaciana e unidades de forças especiais), bem como em fornecer a
sustentação para suas operações contra movimentos rebeldes internos; a
companhia expandiu rapidamente para fornecer equipes de consultores militares do
treinamento a vários governos estrangeiros, particularmente no Oriente Médio
mas também na África, América Latina e leste da Ásia. WatchGuard se
transformou no modelo para todo as futuras PMCs. Sir David Stirling também
criou a Kulinda Security Ltd, que conseguiu contratos nos 1970 no Kenya, Zâmbia,
Tanzânia e Malawi.
Outras
“empresas SAS” que podemos citar são a Kilo Alpha Services (KAS), criada em
1986, também por Sir David Stirling, e pelo Ten. Coronel Ian Crooke, comandante
de 23 SAS e especialista em
Contra-terrorismo e a Control Risks, dirigida pelo Maj. Arish Turtle,
ex-comandante de Esquadrão do SAS e J. Donne Holdings, ex-especialista em
contra-espionagem do SAS. Acredita-se que durante toda a sua vida pós-2ª
guerra mundial, David Stirling esteve a serviço do império britânico, usando
empresas de seguranças que empregavam ex-membros do SAS para realizar operações
clandestinas, seja a serviço encoberto do próprio SAS ou do MI6.
Muitas da operações
realizadas pela KMS foram extremamente importantes. Em 1983 o Tem. Coronel Oliver
North (ex-USMC) contratou a KMS para treinar os mujahideens afegãos para
lutarem contra os soviéticos e também para minar o porto de Manágua na Nicarágua
e treinar os Contras nicaragüenses. Ao mesmo tempo a KMS provinha segurança
VIP para o príncipe saudita Bandar saudita, embaixador em Washington. O príncipe
que era um amigo pessoal do então vice-presidente George Bush, ajudou a
levantar milhões de dólares da Arábia Saudita para financiar as operações
“Irã-Contras”.
A
KMS têm uma história longa no mundo árabe e muçulmano. Uma de suas primeiras
tarefas conhecidas, nos anos 1970 foi ajudar o Sultanato de Omã a reprimir uma
revolta na província de Dhofar. O SAS esteve diretamente engajado neste
conflito.
O
contratados da KMS também trabalharam no Kuwait, Bahrain, Arábia Saudita, e
Qatar, que no passado tiveram fortes ligações com a Cora britânica e que
possuíram ou possuem ex-oficiais do Exército britânico e do SAS em suas forças
armadas e em seus serviços de segurança.
Ian
Henderson, que serviu no SAS no Quênia, durante o período dos Mau Mau, chegou
a ser chefe de segurança em Bahrain. A mesma coisa aconteceu com o chefe de
segurança em Omã (ex-SAS), a mesma coisa aconteceu em Dubai. Esses contatos
ingleses com tais países árabes são excelentes para o financiamento de operações
secretas britânicas. Dubai é o centro do fluxo ilegal de ouro para a Ásia,
enquanto o Kuwait foi o principal para encobrir negociações banárias ligadas
ao cultivo do ópio no Afeganistão e Paquistão.
Estes
lubrificam sheikhdoms são internacionalmente cubos chaves para operações
financeiras cobertas britânicas. Por exemplo, Dubai é o centro do fluxo ilegal
de ouro para a Ásia, enquanto o Kuwait foi um bankroller principal de afegão e
Paquistão ópio cultivo.
O
comércio de ouro dos emirados que é integrante aos droga-para-braços
comercia, é vigiado pelo Banco britânico do Oriente Médio, uma subsidiária
Dubai-baseada do Hongkong e Shangai Banking Corp., financeiro principal século-velho
do comércio de ópio dominado pelos primos de Stirling, o Keswicks. Abu Dhabi,
semelhantemente, era a sede do Banco de Comércio e Crédito Internacional, o
narco-banco agora-defunto.
Em 1989
de agosto, apareceram relatórios na imprensa britânica e italiana de que o
Cartel de Cali colombiano, historicamente ligado a administração de George
Bush, tinha contratado veteranos do SAS para assassinar o Pablo Escobar, seu
rival do Cartel de Medellín. Em 16 de agosto, três dias depois da história
aparecer na impressa, o candidato presidencial colombiano Luis Carlos Galán,
foi assassinado. Algumas fontes governamentais colombianas dizem, que
mercenários britânicos estiveram envolvidos. Entre os indivíduos
identificados como trabalhando para o Cartel de Cali esteva o Col. Peter
McAleese, um ex-oficial do SAS que lutou na Malásia, Alex Lenox, ex-membro do
Força Tarefa antiterror do SAS e David Tomkins, um veterano do SAS no Afeganistão.
WWF - "Operação Lock"
Em 1988,
o Príncipe Bernhard dos Países Baixos, um co-fundador do World Wildlife
Federation -WWF (Fundo Mundial para a Vida Selvagem)
com o Príncipe Philip, criou uma unidade especial dentro do WWF para
oficialmente reprimir os caçadores de elefantes e rinocerontes nos parque
nacionais da África do Sul.
A operação foi batizada de Operação Lock (Lock
era o nome de solteira da esposa de Crooke ), e seria dirigida pela empresa de
segurança Kilo Alpha Services
(KAS), dirigida pelo Ten. Coronel Ian
Crooke, que foi comandante do 23º Regimento SAS, que é a reserva do SAS. O 23
SAS é uma unidade de “meio período” formada por oficiais e soldados da
reserva do SAS que normalmente trabalham para Companhias Militares Privadas.
Na verdade a Operação Lock, com a cobertura de
estar dando combate a caçadores que estavam caçando os rinocerontes negros em
extinção da África do Sul, para vender suas peles e chifres no mercado negro,
era uma operação que envolvia a força mercenária da KAS no combate a
dissidentes políticos e movimentos rebeldes hostis ao governo da África do Sul
(especialmente membros do Congresso
Nacional africano (ANC) e do Inkatha), durante o período de 1987-90. A KAS
esteve à frente de operações de assassinatos de centenas de figuras políticas
na Namíbia, Zimbábue, Moçambique, África do Sul e Ilhas de Seicheles.
O KAS supervisionou o treinamento de nativos que
foram empregados como ”guadiões” nos parques nacionais da África do Sul. O
KAS também treinou membros da tribo Xhosa,
adversários dos seguidores tribais do ANC de Nelson Mandela, em vários parques
diferentes.
Começando
em 1989, estes times de extermínio levaram a morte a vários rivais do ANC e da
tribo Zulu de tal que um modo, as tribos sul-africanas suspeitavam uma das
outras, criando uma instabilidade interna nas forças de oposição ao regime.
Em
agosto de 1991, o ministro da segurança do Zimbábue, Sydney Sekerayami, acusou
a KAS de "ser uma cobertura para a desestabilização da África
Meridional”.
Operando no Sri Lanka
Em 1983
o presidente do Sri Lanka, Julius
Jayawardene pediu para os governos norte-americanos e britânicos que lhe
ajudassem a suprimir a insurreição conduzida pelos Tigres Tamil.
O governo britânico autorizou a KMS a treinar o Exército do Sri Lanka Exército
em ações contra-insurgentes, e a conduzir unidades do Exército em combates
contra os Tigres. Para sua parte, os Estados Unidos montaram uma seção de
“interesses israelense” em sua embaixada em Sri Lanka, também encarregada
de treinar o Exército do Sri Lanka. Exército.
Por incrível
que pareça o KMS e os israelitas estavam treinando secretamente também os
Tigres em acampamentos em Israel e em outro lugar não definido. Assim a guerra
civil no Sri Lanka aumentou rapidamente em intensidade.
A guerra do Afeganistão 1979-1989
Ao longo dos anos 1980, o SAS esteve no
Paquistão como a missão de treina os mujahideens afegãos. A demanda de voluntários
islâmicos para serem treinados pelos membros do SAS era muito grande. Omã era
uma base de operações do SAS particularmente importante ao longo da guerra
afegã de 1979-89. Era através de Omã que as armas usadas pelos guerrilheiros
mujahideens eram compradas e enviada para o porto de Karachi no Paquistão e de
lá para o Afeganistão. O sultão Qaboos de Omã financiou a compra das armas.
No passado o sultão foi colocado no trono depois de um golpe orquestrado pelos
britânicos contra seu próprio pai e foi salvo de uma rebelião interna com a
ajuda do SAS. Ex-membros do SAS, pertencentes a firmas
particulares, foram usados no treinamento dos guerrilheiros e nas transações
da compra de armamentos.
Muitas
PMCs britânicas usam além de ex-SAS, ex-militares especializados que serviram
as forças armadas britânicas como os Royal Marines Commando, SBS ou Gurkhas.
MADE IN BRAZIL
Soube-se que mercenários brasileiros – pilotos e combatentes – foram recrutados para lutar contra a guerrilha e o narcotráfico nas selvas da Colômbia. Pilotos militares (oficiais da reserva da FAB) e civis foram contatados no Rio de Janeiro. Os pilotos podiam ganhar de US$ 10 mil a US$ 12 mil por missão. O recrutamento, no entanto, exigia referências: era necessário que o candidato fosse conhecido do contato e que já tivesse, no passado, participado de missões arriscadas, como as ocorridas em Angola entre 1992 e 1994, quando o governo socialista do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) travava uma sangrenta guerra, como agora, contra a Unita, de Jonas Savimbi, armada pela África do Sul.
Não soube quem estava por trás dessa operação de recrutamento, mas
existem fortes indícios de que ela foi operada pela Divisão de Operações
Clandestinas da CIA, o serviço de Inteligência dos Estados Unidos, através de
um PMCs.
Os pilotos foram contratados para pilotar aviões de transporte Hércules C-130, que normalmente são utilizados nas missões secretas, para levar homens, armamentos e suprimentos para as forças de combate às FARC e ao narcotráfico. Os "contratados" recebiam um kit que incluía um programa de simulação por computador de vôo para essa aeronave.
Os pilotos seriam levados para o Chile, de onde, a partir de uma base militar não revelada, efetuariam as missões na Colômbia. Antes de embarcarem, no entanto, os "contratados" deviam assinar um contrato em que ficavam obrigados, em caso de morte ou acidente, a não reclamar indenizações. “O contrato não inclui seguro de vida. Cada um voa e combate por sua conta e risco. As famílias deverão subscrever o documento comprometendo-se a não efetuar nenhuma reivindicação financeira em caso de morte ou acidente e nem tampouco reclamar o corpo de quem vier a morrer”, revelou um dos pilotos recrutados.
Sabe-se que no passado pilotos brasileiros participaram de combates em Angola. Muitas vezes os pilotos pousavam com seus aviões de transporte com armas e equipamentos sob fogo cerrado. Eram pousos e decolagens extremamente rápidos, que duravam poucos minutos: eles pousavam com os Hércules em pistas muitas vezes precárias, debaixo do fogo de metralhadoras e morteiros. Descarregavam e levantavam vôo imediatamente.
A UNITA chegou a denunciar que “o Brasil, além de vender aviões do tipo Tucano para Angola, está fornecendo pilotos ao governo Angolano, que sempre sobreviveu graças ao apoio de mercenários estrangeiros, que atacam populações indefesas”. O Brasil reconheceu que, de fato, vendeu aviões para Angola, a fim de treinar pilotos e missões de reconhecimento.
O piloto contou ainda que “o grupo que vai operar na Colômbia inclui veteranos do Vietnã, que atuaram também na América Central (Nicarágua, principalmente, ao lado dos “contras”, e também El Salvador).
Os aviões (cerca de 10) que foram utilizados nas missões contra as FARC e o narcotráfico (C-130 e DC-8) pertenciam a um americano que executava missões para a CIA e permaneciam em hangares localizados na África do Sul. As decolagens do Chile e o ingresso em espaço aéreo colombiano foram “não-oficiais”, ou seja: com conhecimento das autoridades colombianas, mas sem qualquer registro.
Combate em plena selva
Quando em 2002 a tropa de 80 superequipados soldados do grupo Alfa das forças de elite do Exército da Colômbia, que tomou de madrugada o modesto aeroporto de San Vicente del Caguán, desembarcou de um enorme avião Hercules C-130. Os chefes da guerrilha deixaram a área pouco antes da chegada da unidade precursora em um helicóptero não identificado, pintado de preto fosco. Os dois grupos tinham em ambas as operações um ponto em comum: pilotos mercenários brasileiros no comando das aeronaves.
De acordo com o ex-coronel austríaco Paul Stein, um profissional da guerra e recrutador de pessoal combatente autônomo, os aviadores treinados pela Força Aérea Brasileira (FAB) são muito bem cotados no mercado. O maior atrativo entre suas habilidades é a grande experiência em três tipos operações aéreas vitais no cenário do conflito colombiano: o ataque ao solo com o turboélice Tucano, da Embraer; o pouso e decolagem curtas com o pesado C-130; e ações táticas com helicópteros armados.
"Desde 1999 vários pilotos civis e ex-militares do Brasil têm sido contratados como instrutores pelo Ministério da Defesa da Colômbia. Os salários pagos pelos dois lados variam de US$ 7 mil a US$ 14 mil mensais", revela Stein. Ele cita os nomes de guerra de seis desses especialistas, "já conhecidos dos serviços de inteligência": comandantes Barros, Moura, Almeida e Barreto (todos ex-FAB); além de dois civis, Silveira (ex-Varig) e Castro (ex-TAM).
Segundo o austríaco, as FARC têm ido às compras no mercado clandestino de armas pesadas ao longo dos últimos dois anos. A guerrilha gastou dinheiro para montar uma pequena frota aérea com aviões executivos convertidos para uso militar e também com helicópteros leves. São 12 unidades mantidas sob camuflagem à beira de bem protegidos trechos retos de estradas secundárias improvisados como pistas.
Durante as primeiras 18 horas da Operação TH foram realizadas 56 saídas de combate da aviação colombiana com 30 aviões de variados tipos. O maior número de missões correu por conta dos Emb-312 Tucano e OV-10 americanos antiguerrilha, sob proteção de supersônicos Kfir, caça supersônico israelense.
Os seis Tucanos decolaram com lançadores de 16 foguetes de 70 milímetros e bombas de 250 quilos ou metralhadoras 7.62. A modificação do avião de treinamento para ataque ao solo exigiu um pequeno revestimento em fibra blindada do tipo kevlar na parte inferior da fuselagem, sensores de visão noturna primária e um painel de controle de tiro. Um Kfir foi atingido por fogo antiaéreo das FARC.
A posição da guerrilha foi destruída pelos foguetes lançados por um Tucano. Em terra foram mobilizados 200 homens do 36º Batalhão de Caçadores que reocuparam sua base regular, perdida para as FARC em 1999.
Recrutados para servirem no Iraque
Na metade da primeira década do séc. XXI o foco dos mercenários foi o Iraque e em menor número Afeganistão. Muitos militares e ex-militares brasileiros foram recrutados de forma discreta para trabalharem nestes locais em serviços de segurança. Como sempre o maior atrativo eram os altos salários, que para muitos brasileiros compensavam os riscos. Segundo informações, um brasileiro que for recrutado para trabalhar como "segurança" no Iraque iria receber em dois anos, a quantia de 72.000 a 96.000 dólares. Os mercenários são praticamente uma força auxiliar dos soldados norte-americanos e da coalizão que ocupa o Iraque. São tratados, desta forma, como inimigos e invasores pela resistência e pelo povo iraquiano.
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http://txt.estado.com.br/editorias/2008/06/01/int-1.93.9.20080601.4.1.xml
Empresa de mercenários compra Super Tucano
Roberto Godoy
O avião que não deveria existir tem matrícula,
31400082, e endereço - 1.650 Tyson Boulevard -, na cidade de McLean, no Estado
americano de Virgínia. O avião que não deveria existir é um Emb-314B1 Super
Tucano, vendido em dezembro de 2006 para a Blackwater Worldwide - a maior
empresa do mundo de serviços de defesa independentes, ou seja, de soldados
mercenários. A aeronave, pintada de cinza e preto, foi entregue sob sigilo pela
Embraer há pouco mais de três meses. Era 25 de fevereiro e chovia forte no
aeroporto de São José dos Campos. Com registro N314TG da Federal Aviation Agency
(FAA), o avião que não deveria existir voou direto para Elizabeth City, em
Virgínia, uma espécie de base aérea corporativa. O valor do contrato é de
aproximadamente US$ 4,5 milhões. Durante oito meses, a existência do único Super
Tucano particular foi sistematicamente negada.
A companhia compradora é a EP Aviation, uma subsidiária da Blackwater. A
transação teve de ser autorizada pela Presidência da República e negociada
diretamente com o governo dos Estados Unidos. A legislação do Brasil proíbe o
fornecimento de equipamentos militares para companhias e para uso em conflitos
já existentes no momento da transação. O princípio é adotado desde os anos 80.
Uma das destinações prováveis do turboélice Emb-314 é o preparo de pilotos em
missões de ataque contra posições de insurgentes no Iraque.
Essa venda do Super Tucano é assunto sensível para todos os envolvidos. Nos
Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, setores pelos quais o processo
circulou, trata-se de tema a ser discutido ao abrigo da proteção das fontes. No
Itamaraty, um veterano diplomata ouvido pelo Estado, pondera que a administração
do presidente Lula está admitindo, na carteira de clientes do País, uma empresa
sob investigação do Congresso dos EUA. Além disso, salienta o embaixador, a
Blackwater é malvista entre nações do Oriente Médio que interessam à política
externa brasileira. Na área da Defesa, mais cuidados: todas as etapas da
operação são consideradas sigilosas e reservadas.
Na sede da Blackwater, o presidente Gary Jackson limitou-se a confirmar, por
meio de um porta-voz, a compra da aeronave e a anunciar que ela será empregada
em um novo programa de treinamento. O analista Cláudio Lucchesi, diretor da
revista especializada Asas, acredita no benefício de mercado “a partir da
escolha, por um cliente não sujeito a lobbies ou pressão política, que fez sua
seleção com base na qualidade do produto”. A Embraer apenas reconhece ter feito
a exportação.
A versão do Super Tucano vendida para a EP Aviation/Blackwater é a mesma
utilizada pela aviação brasileira. O sistema de armas foi inibido. As duas
metralhadoras .50, internas, montadas nas asas, foram removidas. O conjunto
eletrônico não sofreu alterações - o que permite realizar ataques simulados de
alta precisão.