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CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS - CFN



("Aqui estamos")


Marinha
do Brasil
Histórico
O Corpo de Fuzileiros Navais tem sua origem nos integrantes da Brigada Real da Marinha de Portugal que desembarcaram junto ao imperador D. João IV em 7 de março de 1808, quando a corte portuguesa mudou-se para o Brasil. Ao longo desses 193 anos, foram diversas as suas denominações (Corpo de Artilharia da Marinha, Batalhão Naval, Corpo de Infantaria da Marinha, Regimento Naval e, desde 1932, Corpo de Fuzileiros Navais).
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Ilha da Trindade foi protegida por uma
grupamento dos Fuzileiros Navais de uma possível invasão do Eixo visando o estabelecimento de uma base de submarinos
e, ainda, foram criadas
Companhias Regionais ao longo da costa, que mais tarde se transformaram nos Grupamentos
de Fuzileiros Navais. Também estiveram embarcados nos principais navios de
guerra da Marinha do Brasil envolvidos naquele grande conflito.
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O Corpo de Fuzileiros Navais em 1965, integrou a Força Interamericana de Paz na República Dominicana, por
solicitação da Organização dos Estados Americanos. Mais recentemente, os Fuzileiros Navais atuaram como Observadores Militares da Organização das Nações Unidas, atuaram em variadas áreas de conflito ao redor do mundo. Em Angola, como Força de Paz, participaram da Missão de Verificação das Nações Unidas (UNAVEM-III) com uma Companhia de Fuzileiros Navais e um Pelotão de Engenharia. O CFN tem ainda a responsabilidade de apoiar missões diplomáticas brasileiras, mantendo destacamentos de segurança em várias embaixadas do Brasil.
Unidades
Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (Tonelero):
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Dentro do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil,
uma de suas unidades representa, talvez, toda a mística do combate
anfíbio. ela congrega os fuzileiros especificamente
preparados para
realização de operações especiais. Trata-se do Batalhão de
Operações Especiais dos Fuzileiros Navais, o "Tonelero",
cujos membros são ainda mais exigidos nos termos de recrutamento,
instrução e adestramento, ficando conhecidos como Comandos Anfíbios,
ou simplesmente COMANFs. O Batalhão Tonelero tem a finalidade principal de, por meio
da execução de operações especiais, contribuir para o preparo e
execução do poder naval, efetuando ações de reconhecimentos e de
comandos. Sob sua responsabilidade, está a função de ministrar
cursos e estágios voltados aos seus recursos humanos. A unidade é
estruturada em uma Companhia de Comando e Serviços, duas
Companhias de Reconhecimento Anfíbio (ReconAnf) e Reconhecimento
Terrestre (ReconTer) e duas Companhias de Comandos Anfíbios. Existe
também o Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR), do qual muito
pouco se divulga mas que se sabe ser de eficiência maior que a sua
própria discrição. O GERR e o GRUMEC por sinal, fazem
treinamentos conjuntos para um eventual emprego combinado de ambos.
Sem dúvidas, uma dupla desanimadora e fatal para o adversário. Ao
ser selecionado para servir
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Comanf armado com uma MP 5 com silenciador pronto para uma ação antiterror. |
no Batalhão Tonelero, o fuzileiro naval inicia um período de aprendizado que pode levar dois anos ou mais para o seu preparo completo como elemento de operações especiais. Lá mesmo o homem realiza os Cursos Especiais de Comandos Anfíbios (CESCOMANF) e de Operações Especiais(CESOPESP), e o curso Expedito de Salto Livre (CEXSAL). Na Esquadra, os futuros Comanfs aprendem o mergulho autônomo de circuito aberto e fechado, infiltração por submarinos e demolição submarina. No Exército, eles frequentam cursos de montanhismo, pára-quedismo e de operações especiais (guerra na selva , comandos e forças especiais).
Alguns militares do Tonelero são designados para estagiarem no exterior, especializando-se em cursos como o "All Arms Commando Course"(Royal Marines),"Comando de Operaciones Especiales"(Marina/Espanha), "Ranger"(US Army) e "Anphibious
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Reconnaisance Course"(US Marine Corps). O adestramento dos Comanfs prevê anualmente exercícios em várias regiões do Brasil, buscando a capacitação para operar em clima frio, em montanhas, no pantanal, na Amazônia e na caatinga. Os elementos do Batalhão Tonelero podem constituir uma força-tarefa, quando os Comafs forem o mais alto escalão de execução de uma determinada operação, ou um Grupo-Tarefa, quando estiverem envolvidos em uma força de maior vulto. Não é a toa que costuma-se dizer entre as tropas especiais, que "um Comanf é invencível, dois são inseparáveis e três fazem uma guerra".
Divisão Anfíbia (DivAnf):
Destinada a operações anfíbias e terrestres limitadas, tem sob seu comando três Batalhões de Infantaria de Fuzileiros Navais (Riachuelo, Humaitá e Paissandu), um Batalhão de Artilharia, uma Bateria de Artilharia Antiaérea e uma Companhia de Carros de Combate.
Armas da DivAnf:
* Batalhões de Infantaria:
- Fuzis Colt M16A2 (5,56 x 45 mm).
- Metralhadora FN Minimi (5,56 x 45 mm).
- Morteiros M29A1 (81mm).
- Arma Anti-tanque AT4.
- Mísseis RBS 56 BILL.
* Artilharia - Missão: Prover a força de desembarque com o indispensável apoio de fogo:
- Obuseiros"Light Gun" (105 mm) - Britânicos.
- Morteiros K6A3 (120 mm) - Israelenses.
* Artilharia Antiaérea - Missão: Defesa da força de desembarque contra ameaças aéreas:
- Canhões automáticos Bofors L/70 (40mm) da versão BOFI-R, com radar pulso-Doppler de banda-J. Estes
canhões são orientados por um sistema central de controle de tiro baseado no radar de busca Giraffe 50 AT.
- Sistema de defesa de ponto, Mistral.

Obuseiro Light Gun L-118 105 mm - armamento sensível e sofisticado de 1860 kg, cujo alcance máximo é de 17.200 m.
Armamentos e sistema de Defesa.
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MISTRAL |
ANTI-CARRO BILL |
Radar de busca Giraffe 50 AT |
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| M-16 A2 5,56 x 45 mm | FN Minimi 5,56 x 45 mm | CANHÕES BOFORS L/70 40 mm |
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BV 206-D com radar pulso-Doppler de banda-J dos canhões Bofors l/70 |
Obuseiro "Light Gun" 105 mm |
ANTI-CARRO AT4 |
* Carros de Combate:
- Blindado sobre rodas (6x6) Cascavel - Canhão de 90 mm, 02 Metralhadoras de 7,65 mm e/ou 12,7mm(cúpula), 06 lançadores de fumaça/granada. - Brasil.
- SK 105/A2S, Kürassier
Veículo austríaco, de 18 toneladas, com torre estabilizada, permitindo atirar em movimento, c/ capacidade para comportar 38 granadas e uma guarnição de 3 homens.
CCL-SL SK 105/A2S "Kürassier"
Fabricante: Steyr-Daimler-Puch AG (Áustria)
Guarnição: 3
Canhão: 105G1, calibre 105 mm
Metralhadora coaxial: MAG, calibre 7,62 x 51 mm
Metralhadora do comandante: M2 HB, calibre .50 pol BMG
Peso de combate: 18 t
Comprimento total: 7,7 m
Comprimento do casco: 5,6 m
Largura: 2,5 m
Altura: 2,6 m
Pressão sobre o solo: 0,7 kg/m2
Velocidade máxima: 70 km/h
Autonomia: 500 km
Profundidade de vau: 1 m
Obstáculo vertical: 0,8 m
Gradiente máximo: 70%
Inclinação lateral máxima: 40%
Trincheira: 2,4 m
Motor: diesel, Steyr 7FA, 320 hp
Relação peso/potência: 0.7 kg/hp
Transmissão: automática, ZF, seis p/ frente, 1 ré
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Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf):
Subordinado ao Comando da Tropa de Reforço (TrRef). Sua missão básica é o transporte blindado, com viaturas sobre lagartas, para o pessoal e suprimentos dos grupamentos operativos da Força de Fuzileiros da Esquadra.
Sua Companhia de Carros de Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf) está equipada com os
blindados da família AAV7A1 de fabricação americana. Após "desovados" (lançados)
de NDDs (navios de desembarque-doca) ao largo da costa, os AAV7A1 de 24
toneladas são capazes de navegar
até a praia a uma velocidade em torno de 12 km/h, sob a propulsão de um
sistema de jatos d'água. Em terra, sua velocidade pode chegar a até 70 km/h,
embora, em regime normal de cruzeiro, seja em torno uns 40 km/h, com o que
possuem uma autonomia de aproximadamente 480 km. Cada CLAnf, guarnecido por três
homens, pode transportar 21 soldados totalmente equipados para combate ou cerca
de 4.500 kg de carga. Para sua proteção e cobertura de fogo para a tropa, o
AAV7A1 conta com armamento montado numa torreta operada pelo comandante do
carro, no lado direito do casco. Nas versões iniciais, era apenas uma
metralhadora M85, calibre .50 (12,7 x 99 mm), mas exemplares mais recentes,
incorporados em 1997, também contam com um lança-granadas automático de 40
mm, montado na mesma posição. Versões de socorro (AAVR7A1) e de comunicações/comando
(AAVC7A1) também fazem parte do inventário desta unidade do CFN.
Os AAV7A1 em operação pelo CFN.
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Outra subunidade do BtlVtrAnf é a Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld), equipada com o M113A1, de 13 toneladas. Embora sem a mesma capacidade anfíbia dos CLAnfs, pois chegam à praia a bordo de EDCGs - Embarcações de Desembarque de Carga Geral, são muito importantes para as
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Blindados M113 desembarcam em uma praia conquistada pelo CFN. |
operações em terra e, mesmo, mais adequado para muitas missões que os carros maiores. A versão utilizada no transporte de tropas, guarnecida por dois tripulantes, tem capacidade para 11 soldados no interior de seu casco de alumínio blindado, sendo dotada de uma metralhadora calibre .50, em torreta central aberta, mais escudos laterais para outras metralhadoras de apoio (normalmente, FN MAG, calibre 7,62 x 51 mm). Sua autonomia é em torno de 480 km, sendo de 65 km/h a velocidade máxima em terreno plano. Outras versões são igualmente empregadas são os M557A1 (comando e comunicações), M125A1 (transportador de morteiro de 81 mm), XM806E1 (socorro) e M113A1G (oficina).
Meios
Como tropa altamente especializada que é, o Corpo de Fuzileiros Navais precisa contar com o suporte de uma imensa variedade de meios adequados ao desempenho de suas missões. O sucesso final de uma operação é resultado de uma completa integração entre unidades de combate e elementos de apoio, incluindo-se aqui, por exemplo, os de Engenharia, Logística, Saúde, Comunicações e Guerra Eletrônica. Um formidável avanço através de linhas inimigas, por exemplo, estará fadado ao fracasso se, após um ou dois dias, faltarem combustível, munição ou rações para a tropa.
Unidade de Engenharia do CFN em ação:
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| "Abicagem" do NDCC | Trator do Batalhão de Engenharia |
Na área de transporte, o CFN conta com uma imensa gama de navios apropriados para o seu emprego operacional, viaturas e aeronaves de apoio.
NAVIOS
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| Navios de transporte de Tropas (NTrT) | Navios de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) | Navios de Desembarque-Doca (NDD) |
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| Embarcações de Desembarque de Carga Geral (EDCG) | Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM) | Porta Aviões - Assalto Aéreo |
VIATURAS
| Caminhão Unimog 4x4 | Caminhão Reo 6x6 |
Jipe Toyota 4x4 |
AERONAVES
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UH-14 Super Puma Efetua o aerotransporte dos fuzileiros, comandos e mergulhadores de combate. Podem levar até 25 combatentes. |
UH-13 Esquilo A-4 Skyhawk Atuar como apoio em missões de ataque, esclarecimento armado, transporte e evacuação médica. |
A-4 Skyhawk Opera como caça-bombardeiro, dando cobertura aérea aos desembarques na praia e ao avanço da tropa. |
Tarefas Múltiplas para as Forças Anfíbias

O grau de ênfase dada as operações anfíbias refletem a situação política nos dias atuais. Com o fim da Guerra Fria e a atenção renovada a resposta a crises e operações fora da área de fronteiras em águas litorâneas, demandam muito das força anfíbias e estão aumentando e se tornando mais e mais decisivas. Além das operações de combate, as forças anfíbias podem conduzir evacuações de civis, apoio a forças de paz e operações de policiamento assim como fornecer força naval na diplomacia e operações benignas. Desde que compreendidas a efetividade das forças anfíbias, estas operações militares e civis são melhores examinadas em maiores detalhes
As forças anfíbias também podem realizar operações de evacuação quando civis de estados aliados são ameaçados por instabilidades locais no exterior. A Unidade Expedicionária de Fuzileiros do 22o Corpo (Marine Expeditionary Unit - Special Operations Capable) e uma força tarefa ar-terra de fins especiais de fuzileiros conduziram a Operação Assured Response, compreendendo uma operação de evacuação na Libéria no verão de 1996.
O despacho de uma força naval em apoio diplomático é um forte meio diplomático na política externa. O envio para o Sul de uma FT britânica em direção as ilhas Malvinas em 1982 contribuiu nas negociações entre a Argentina e os Britânicos e impôs um limite claro.
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Fuzileiros se preparam para um exercício anfíbio.
No apoio a missões de paz as forças anfíbias tem a vantagem de terem a suas próprias acomodações e comunicações no teatro e podem permanecer em segurança no mar. As forças anfíbias e navais também podem ser necessárias para realizar prevenções de conflito, missões de paz, reforço de paz e operações de construção de paz.
Em operações de policiamento, as forças podem manter a lei e implementar a estabilização de um regime por um mandato internacional. Isto pode incluir operações de combate ao contrabando, ações de contra-terrorismo marítimo e reforço de embargo.
CFN x PQD
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Um princípio importantes da doutrina militar é a inserção de forças nas áreas de retaguarda do inimigo para destruir a estabilidade e coesão das defesas. As operações anfíbias são um meio de se obter este objetivo durante operações no eixo costeiro.
Existe um longo debate no que seria o mais importante: soldados anfíbios ou aerotransportado. As duas forças podem realizar as operações descritas acima. As forças aerotransportadas(PQD) são úteis no caso de desembarque em profundidade no território ou diretamente no objetivo. Um bom exemplo é a Operação Leopardo onde os soldados do 2º Regimento Pára-quedista da Legião Estrangeira (2º REP) que saltaram em Kolwezi no Congo em 19 de maio de 1978. A operação foi realizada para liberar 2.300 engenheiros de minas Europeus e seus familiares tomados como reféns pela Frente de Libertação Nacional Congolesa que cruzaram a província de Shaba e capturaram a cidade. Contudo, a logística e recuperação das operações aerotransportadas podem ser muito complexas e se equipamentos e provisões pesadas tiverem que ser lançadas por ar, os pára-quedistas necessitam da captura e manutenção de um aeroporto viável. Por outro lado, as forças anfíbias são muito mais auto-suficientes que as força aerotransportadas, apesar da velocidade de reação ser muito menor e dependendo da distância e tempo disponível, de uso questionável.
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De volta à ação
Projeto “Saudando a Reserva” entra em ação, na visita ao Comando da
Divisão
De um lado, uma força pronta para entrar em ação. Do outro, uma força que traz a sabedoria de quem esteve em ação por muitos anos a fio. Este encontro enriquecedor pôde ser conferido na visita ao Comando da Divisão Anfíbia, feita pelo Projeto “Saudando a Reserva” nos dias 27 e 28 de agosto, reunindo respectivamente 44 praças e 29 oficiais da reserva.
Além do bucolismo local – a única área verde preservada da Ilha do Governador –, o Comando da Divisão Anfíbia foi escolhido para a visita, acima de tudo, por representar o principal braço combatente da Força de Fuzileiros da Esquadra. Em outras palavras, a unidade ideal para relembrar a velha e conhecida sensação da adrenalina correndo nas veias.
Ao chegarem ao reduto desses combatentes anfíbios, os participantes do Projeto “Saudando a Reserva” foram recebidos pelo Comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, Vice-Almirante (FN) Paulo Frederico Soriano Dobbin e pelo Comandante da Divisão Anfíbia, Contra-Almirante (FN) Pedro Wanderley de Freitas, que fizeram uma breve explanação sobre as atividades da organização, sua estrutura, áreas de adestramento e principais meios, no auditório do Comando da Divisão Anfíbia.
Para entender melhor como funciona a organização, vale lembrar que a Força dos Fuzileiros da Esquadra, subordinada ao Comando de Operações Navais, mantém sob seu comando, além da Divisão Anfíbia, a Tropa de Reforço (TrRef), o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (Batalhão Tonelero) e a Base de Fuzileiros Navais do Rio Meriti.
Estruturada para executar Operações Anfíbias e Terrestres limitadas, necessárias à realização de uma campanha naval, a Divisão Anfíbia possui uma Base de Fuzileiros Navais da Ilha do Governador, três Batalhões de Infantaria – Riachuelo, Humaitá e Paissandu –, um Batalhão de Artilharia (com três baterias de obuses de 105mm e uma de 155mm), uma Bateria de Artilharia Antiaérea, uma Companhia de Carros-de-Combate, uma Companhia de Comunicações, uma Companhia de Comando (que desaparecerá, a partir de julho de 2003, para ser criado o Batalhão de Comando e Controle).
Um dos importantes aspectos da apresentação feita pelo Contra-Almirante (FN) Wanderley foi a questão do adestramento:
– Embora sejamos considerados uma força pronta, a Divisão Anfíbia requer um adestramento constante. Estamos em plena fase 3 de adestramento. Em 2003, quando regressarmos de férias, assim como as grandes equipes de futebol, será necessária uma volta aos fundamentos básicos, apesar de estarmos sempre em fase 3 de prontificação. O mesmo ocorrerá se houver uma sensível alteração de pessoal ou a incorporação e novos meios.
Quanto aos locais disponíveis para o adestramento, a Ilha de Marambaia é o que oferece a maior facilidade de acesso, pela proximidade, embora existam outras áreas como Ribeirão das Lajes (RJ), Três Corações (MG), Formosa (GO)e Itaoca (ES). Tendo em vista que o Centro de Instrução da Ilha da Marambaia (CADIM) faz parte do Órgão de Direção Setorial do Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, este, juntamente com a FFE, criaram instalações de apoio galpões, banheiros, paióis cozinha, de modo a aliviar a carga dos Batalhões e de outras OM, que utilizam a área para adestramento.
Ainda com relação ao adestramento, a grande dificuldade, que está sendo enfrentada no momento, refere-se ao reduzido orçamento. Todos sabemos que a principal arma do Corpo de Fuzileiros Navais é seu combatente. Para se ter uma idéia do grau de comprometimento que a falta de recursos está gerando para o adestramento, a Operação Dragão, o mais importante exercício, que além da FFE envolve a Esquadra, corre sérios riscos de ser cancelado.
Para atualizar os conhecimentos dos participantes do “Saudando a Reserva”, o Contra-Almirante (FN) Wanderley fez uma exposição sobre os meios que a Divisão Anfíbia dispõe, ressaltando que a preocupação da Marinha não é adquirir os meios mais sofisticados, mas sim dotar o CFN daqueles considerados no estado da arte. Dentre outros, foram apresentados, por exemplo, o Fuzil M-16 A2 que, por ser um armamento mais leve, alivia o peso do combatente anfíbio; o lançador de granada M-203; a metralhadora MINIMI 5,56 mm; o Sistema Integrado de Defesa anti-aérea – que conta com um radar GIRAFFE e um canhão 40 mm BOFORD; o Míssil Superfície-Ar Mistral, Míssil Anti-Carro Bill (MAC Bill); munição AT-4 (one way) – muitas vezes confundida por leigos como armamento, quando encontram suas cápsulas esvaziadas; Morteiro 120 mmm; Obuseiro Light Gun L-118 105mm – um armamento mais sensível e sofisticado; Carro de Combate SK 105 A 2S – um veículo austríaco, de 18 toneladas, com torre estabilizada, permitindo atirar em movimento, c/ capacidade para comportar 38 granadas e uma guarnição de 3 homens.; o CLAnf e o M-113, considerado o “fusquinha dos blindados”, pela simplicidade e confiabilidade. Muitos destes puderam ser apreciados de perto numa mostra de equipamentos e armamentos que foi organizada na área externa do ComDivAnf.
No entanto, mais do que apenas apreciar de perto, os participantes do Projeto “Saudando a Reserva” experimentaram também a emoção de embarcar num Carro Lagarta Anfíbio (CLAnf ), cuja missão é transportar os elementos de assalto nas operações anfíbias. Como o próprio nome indica, os CLAnf caracterizam-se pela locomoção tanto em terra, como no mar. Com capacidade para transportar 25 homens mais uma tripulação de três, eles são veículos enormes, blindados, de mais de vinte toneladas e quase oito metros de comprimento, que podem ser literalmente “desovados” dos navios em movimento, para que cheguem navegando até à praia.
Saindo da praia do 1º Batalhão de Infantaria dos Fuzileiros Navais e desembarcando na área de combate em localidade do 2º Batalhão, o passeio a bordo do CLAnf, mesmo sem ter sido lançado de um navio, serviu para dar uma pequena mostra da angustiante experiência que deve ser assaltar uma praia a bordo deste veículo. A sensação provocada pela escuridão a bordo, seguida da impressão de estar chacoalhando num verdadeiro trem fantasma, sem saber para onde, chegando mesmo a afundar como um submarino no mar para depois vir à tona na praia, foi mais do que suficiente para ilustrar o tremendo desconforto por que passam esses militares. Para uma dimensão ainda mais precisa, basta acrescentar a todo esse desconforto, a descarga de adrenalina provocada pelos perigos impostos por uma guerra.
Mas nem mesmo todos os solavancos seriam capazes de tirar o encanto daquele embarque, que ganhou não só a aprovação, como o entusiasmo geral dos integrantes do Projeto “Saudando a Reserva”.
– Embora tenha sido do Corpo de Intendentes, já mergulhei em submarino e voei de helicóptero. Faltava o embarque num CLAnf, que realizei hoje – vibrou o Capitão-de-Mar-e-Guerra (RRm) Haroldo Belém.
Assim como a projeção do poder naval sobre terra é a melhor definição das Operações Anfíbias, nenhuma outra imagem é capaz de ilustrar melhor as Operações Anfíbias do que aquela do dia D, marcada pelo desembarque da tropa dos aliados na Normandia, marcando o fim da 2ª Guerra Mundial. No entanto, para quem está acostumado a assistir a imagem desta tomada da Cabeça-de-Praia, com o desembarque de tropas e veículos blindados, apenas das poltronas das salas de cinema não pode avaliar o que uma operação dessas abrange.
Antes de chegar o decisivo momento do desembarque, as vagas do primeiro escalão são transferidas dos Navios-Transporte de Tropas para embarcações menores, que conduzirão a tropa para a terra. Como o planejamento é minucioso e nenhuma missão é desencadeada antes que todos conheçam perfeitamente o terreno onde irão operar, o Batalhão Humaitá, em seu adestramento diário inclui um exercício, demonstrado para os participantes do “Saudando a Reserva”, feito com o Simulador da Estação de transbordo, buscando habituar os seus militares às adversidades, que serão encontradas nesta manobra.
Tudo começa com a verificação do cumprimento das normas de segurança, realizada pelo Oficial de convés do navio. Armamentos mais pesados e outros equipamentos de difícil manuseio são transferidos por meio de cabos e à medida que os militares vão acabando o transbordo, permanecem guarnecendo a rede para facilitar a descida dos demais. Cada fuzileiro deve levar, de preferência, um minuto para descer do navio para a embarcação, pela rede. Em seguida, a Embarcação de Desembarque de Viaturas e Pessoal (EDVP) inicia sua corrida para a praia, onde ocorrerá o desembarque. Chegado o tão esperado momento do desembarque, é exigido de cada Fuzileiro Naval uma série de procedimentos individuais para sobrepujar o inimigo ali instalado.
A infiltração feita por
rappel, de helicóptero, foi outra demonstração apresentada pelos Fuzileiros
do Batalhão Humaitá. Largamente utilizado nas Operações Ribeirinhas, por
oferecer à tropa uma grande mobilidade e excelente rapidez, este tipo de
infiltração é feita em áreas de difícil deslocamento, como o Pantanal
Matogrossense e a Amazônia.
Os participantes do Projeto “Saudando a Reserva” ainda puderam observar a performance dos Fuzileiros na descida de rappel do tipo montanha, utilizada não só em regiões montanhosas como em infiltrações feitas em Operações Especiais. As habilidades requeridas denotam não só um bom preparo físico do militar, como também um grande conhecimento técnico para manter as melhores condições de segurança.
Outros exercícios como técnicas de transposição empregadas no combate em localidades também foram demonstradas.
Para os integrantes do Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR-OPESP), uma fração especializada treinada para tarefas mais específicas, como por exemplo, libertar um grupo que tenha sido seqüestrado por terroristas, não existe alvo inatingível. Numa simulação para eliminar sentinelas inimigas, os atiradores de precisão do GERR-OPESP, utilizando armamentos e munições específicos, mostraram a todos uma pontaria perfeita.
Além da unânime vontade de repetir as palavras ditas pelo Almirante Maximiniano da Fonseca “Se a Marinha crescesse o tanto que os Fuzileiros Navais cresceram, seríamos uma Marinha de Primeiro Mundo”, alguns integrantes do Projeto “Saudando a Reserva” tinham uma emoção a mais a acrescentar naquele momento.
A surpresa do Capitão-de-Mar-e-Guerra (RRm) Hermógenes Hiron Marques Jr. ao encontrar o atual Contra-Almirante (FN) Wanderley, no comando da Divisão Anfíbia foi uma delas:
– Naquela época, eu era Capitão-Tenente, Oficial de Comunicações e de Informações do então Grupo de Artilharia. e o Contra-Almirante (FN) Wanderley era meu Segundo-Tenente. Lembro-me como se fosse hoje. Fizemos a mudança do antigo quartel – que ficava na Av. Brasil – para cá, numa noite. Nunca mais tinha voltado aqui. Este lugar me traz muitas recordações boas. Para mim, é uma emoção muito grande poder estar aqui, hoje, almoçando no antigo Grupo de Artilharia – revelou o Capitão-de-Mar-e-Guerra (RRm) Hiron, revendo suas antigas fotos trazidas pelo Contra-Amirante (FN) Wanderley.
Mesmo aqueles que não seguiram a carreira de Fuzileiros Navais fizeram questão de mostrar a sua admiração e até mesmo um certo orgulho pelo fato de suas carreiras terem se cruzado, em algum momento, com a desses soldados de mar e marinheiros de terra. O Capitão-de-Mar-e-Guerra (RRm) Haroldo Belém foi um deles.
– Minha primeira comissão foi na guarnição do Quartel Central do Corpo de Fuzileiros Navais, lá em cima, na pedreira vi esta ilha crescer. Naquela época, só existiam o Centro de Instrução – que estava em término de construção, a Linha de tiro, o Centro de Recrutas e a Lavanderia do Corpo de Fuzileiros Navais. O que mais impressiona, hoje, não é somente o crescimento físico deles mas o crescimento operativo. – declarou o Capitão-de-Mar-e-Guerra(RRm) Haroldo Belém que, embora do Corpo de Intendentes, disse considerar-se também um Fuzileiro honorário pelos laços de amizade e admiração que os une com este Corpo.
E o resgate de histórias guardadas nos escaninhos da memória seguiu o seu curso. O Vice-Almirante (RRm) Estanislau Façanha Sobrinho, como Oficial mais antigo presente, agradeceu a gentileza com que os integrantes do Projeto “Saudando a Reserva” foram recebidos, reiterando a sua admiração pelos Fuzileiros, que data dos idos de 1935, quando ele se empolgava ao assistir ao desfile do Batalhão Naval. Acrescentou ainda que, embora nunca tendo servido em unidade de Fuzileiros,sempre acompanhou o esforço, sacrifício e entusiasmo deles.
Com a lembrança viva do dia e hora em que entrou para a reserva – às 14:30h do dia 29 de abril de 1977 –, o Vice-Almirante (RRm) Estanislau encerrou dizendo que é somente no meio desta instiutição que ele se sente bem :
– Meu organismo pede oxigênio que só encontro na Marinha. – declarou com fervor e paixão.
Fortalecendo o vínculo entre os inativos e a corporação, o Contra-Almirante (FN) Wanderley foi protagonista de mais um momento inesquecível proporcionado por este evento do Projeto “Saudando a Reserva”, quando ressaltou aos presentes, a importância daquela visita:
– O mais antigo é um exemplo que conduz muito. Neste momento em que estamos sofrendo tanto com este “garrote”, a presença dos senhores, aqui, não só nos serve de alento e estímulo, como também aumenta a nossa responsabilidade pelo legado que nos cabe preservar – declarou o Comandante da Divisão Anfíbia.
Reforçando a idéia de que o encontro das forças da ativa e da reserva fazem surgir uma Marinha renovada e fortalecida, tomamos emprestado o lema dos Fuzileiros Navais para fechar esta matéria, lembrando que “ADSUMUS!”, onde quer que seja. Em outras palavras, “aqui estamos” onde quer que seja, principalmente, no coração de cada um desses homens e mulheres que engrossam as fileiras da Marinha de ontem, hoje e sempre.
Abaixo republicamos do órgão de divulgação da Turma Bravo, intitulado “O Bravinho” , o artigo escrito sobre a visita ao ComDivAnf por um dos integrantes do Projeto “Saudando a Reserva,” Marcílio Torres, mais conhecido como “poeta” na sua Turma Bravo da EAM-ES 1961/1963.
TURMA BRAVO! PRESENTE (*)
A Turma Bravo, mais uma vez “chegando junto”, fez-se representar de forma expressiva no 18º evento do projeto “Saudando a Reserva”, promovido pela DASM, na visita ao Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra, nas instalações do ComDivAnf - Ilha do Governador, em 27 de agosto p.p.
Cerca de 19% dos participantes eram da Turma Bravo e trajavam a camisa pólo com o nosso brasão, o que causou boa impressão aos demais. Compareceram ao evento os seguintes Bravos: Jair, Marcílio, Nei, Azevedo, Donato, Pelinca, Otair e Lisboa.
Além do contato direto com as lides militares, passeio em lanchas anfíbias, visitas aos blindados e demais armamentos, apresentação dos modernos equipamentos de telecomunicações e demonstrações diversas, ainda nos foi servido um excelente churrasco. Ai que vontade de voltar a ativa!...
Destaque de maior brilho, a comunicação do Contra-Almirante Wanderley, seus Oficiais e Praças, “atualizando”o conhecimento dos participantes sobre a Marinha de hoje, com enfoque especial quanto à Divisão Anfíbia, demonstrando acurado humanismo, simplicidade, elevado “espírito de corpo” e, acima de tudo, expressiva camaradagem, fazendo ver a todos que “os da Reserva são paisanos por fora, mas fardados por dentro”, o que valeu, na hora, por parte deste articulista a seguinte trova:
“Fuzileiro na Reserva,
por fora paisano atento,
na forte garra preserva
o homem fardado por dentro.”
Valeu, DASM!
Muito obrigado, Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra!
(*) Marcílio Torres (“Poeta”) - (Ex-AM 018)
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